Porto Alegre, segunda-feira, 3 de março de 2008
Ex-ministro Turra assume Abef em abril; por João Guedes/Jornal do Comércio
 
O ex-ministro da Agricultura e atual vice-presidente e diretor de operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (Brde), Francisco Turra, vai trocar a vida pública pelo setor privado. Ele confirmou na sexta-feira passada que vai deixar o banco de fomento pela presidência da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). Ele planeja dedicar as próximas semanas ao seu desligamento da instituição financeira para assumir o novo posto no início de abril.

À frente da entidade, ele terá o desafio de representar o setor em negociações importantes para a conquista e prospecção de novos mercados, assim como intermediar conversações entre as indústrias e os governos federal e estadual. Em tempos de rigor sanitário da União Européia, Turra também prevê uma atenção aos cuidados com a sanidade da avicultura brasileira, que mobiliza mais de 1,3 milhão de famílias de produtores e deve exportar US$ 6 bilhões neste ano.
 
Jornal do Comércio - Qual será a sua missão à frente da Abef?
Francisco Turra - Uma das minhas missões é resolver um problema de cotas de exportação que nós ganhamos num contencioso com alguns países (na Organização Mundial do Comércio). Também manter a sanidade em níveis os melhores possíveis para conquistar mercados, para que não tenhamos nenhuma surpresa, já que estamos presentes em 163 mercados do mundo. Há também a manutenção de um padrão de qualidade cada vez mais exigido pelos mercados. Temos que ir trabalhando e capacitando o próprio agricultor. Temos que fazer esse link com as empresas junto ao governo federal e também junto aos governos dos estados para que possamos continuar nesse desenvolvimento sustentável, respeitando regras da OIE (Organização Mundial de Sanidade Animal). Uma outra questão importante é manter e ampliar a abertura de mercados exterior.
JC - Quais mercados estão na mira?
Turra - Há alguns que podemos ampliar, como Chile e China, por exemplo. Assim como o Leste Europeu, África e Oriente Médio.
JC - Nas últimas semanas, os exportadores da carne bovina vêm tendo trabalho com o rigor sanitário da União Européia. Há um temor de que isso também possa ocorrer com a avicultura brasileira?
Turra - A gente não pode deixar que aconteça. Temos que agir proativamente, tomando medidas que se ajustem ao gosto dos consumidores. Porque a maior fria do mundo é a gente dizer arrogantemente que não deve explicação a ninguém. Hoje, quem manda no comércio mundial é o consumidor. E temos que nos adequar à sua vontade e as exigências sanitárias e de qualidade.
JC - Que medidas podem ser adotadas?
Turra - Por exemplo: continuar capacitando fortemente os agricultores e exigindo que o governo, principalmente a Secretaria de Defesa Agropecuária (órgão do Ministério da Agricultura), possa responder sempre a todos os questionamentos que venham da OMC ou de países que conosco se relacionam. O que aconteceu com a carne bovina é que muitos questionamentos que vieram foram ignorados.
JC - O setor deve cobrar do governo federal políticas para compensar questões como a alta dos insumos e a valorização do dólar?
Turra - Por enquanto, o produtor vive a crise da desvalorização do dólar. E também da alta dos insumos. Ou seja, tem que haver uma política para estimular, por exemplo, o plantio de milho, que é o principal componente da ração avícola. E tem que haver uma regulação, não pode ter períodos de baixos estoques. O governo tem de promover políticas para estimular o aumento da produção brasileira. Resolver também esses detalhes da importação de milho, mesmo que seja transgênico, que é o único disponível no mercado. (Atualmente há restrições no Brasil à compra para fins comerciais de milho geneticamente modificado).
JC - Ao convidá-lo para a presidência, a Abef seguiu o exemplo de entidades como a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), que são comandadas, respectivamente, pelos ex-ministros Pratini de Moraes e Odacir Klein. Por que essas entidades estão buscando executivos no setor público?
Turra - Porque cada um viveu profundamente a sua experiência. Por exemplo, no meu caso, de ministério e de Conab, eu vivi intensamente essa experiência da organização da agricultura brasileira. Essa experiência é um patrimônio interessante para que hoje a gente possa implementar na prática. Acho isso normal, saudável.
 
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  "Nós conseguimos destravar o país", diz Lula. Presidente concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Correio do Povo  
  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quinta-feira ao Rio Grande do Sul, onde fará uma série de anúncios de obras, visando à Copa do Mundo 2014, e melhoramentos das rodovias BRs 116 e 386. Em Brasília, ontem, falou com exclusividade para o Correio do Povo sobre o seu governo, o que fará depois de encerrar seu segundo mandato e o que realizou de obras para o Estado. O presidente disse, por exemplo, que deverá entregar, até dezembro, as obras de duplicação da BR 101 no RS. Falou da BR 392 em Pelotas, da duplicação da BR 290 entre Porto Alegre e Pantano Grande e dos estímulos para a implantação do Polo Naval de Rio Grande.

Também questões da agricultura, da exportação, do Código Florestal e as conquistas da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foram avaliadas pelo presidente. "Conseguimos muitos avanços, destravamos o país", garantiu. Nesta visita ao RS, Lula irá a Santa Cruz do Sul e Livramento, onde, amanhã, terá encontro com o presidente uruguaio, José Mujica, na praça General Osório, na divisa do país com a cidade de Rivera. Hoje à noite, Lula deverá participar do comício da presidenciável Dilma Rousseff no Gigantinho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi essencial para ajudar o país a avançar e a superar os gargalos e obstáculos existentes na legislação brasileira. Em entrevista exclusiva concedida ao Correio do Povo, Lula destacou os investimentos feitos pelo governo no Rio Grande do Sul, defendeu a aprovação, ainda este ano, do Código Florestal e disse acreditar no sucesso da Copa 2014 e nas Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil. Leia os principais trechos da entrevista.
 
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