Porto Alegre, sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
“Não aprovar reajustes é um sintoma patológico”. Mateus Bandeira, Secretário do Planejamento; por Paulo Germano/ Zero Hora
 


Um dia após o Piratini desistir dos pacotes da Brigada Militar e do magistério, o principal idealizador dos projetos fez uma avaliação da derrota nesta quarta-feira. Secretário do Planejamento, Mateus Bandeira tachou de “patológica” e “reacionária” a postura do Cpers e das associações de brigadianos – que, ao se mobilizarem contra as propostas do governo, conseguiram apoio até de deputados aliados para derrubar as medidas no parlamento.

Bandeira afirma estar sem “nenhuma disposição” para voltar a discutir, em 2010, reajustes salariais para professores e militares. Prefere trabalhar pela aprovação de projetos que introduzem inovações nas carreiras de outras categorias, menos refratárias a mudanças. Abaixo, a síntese da entrevista concedida a Zero Hora:
 
Zero Hora – O senhor se sente frustrado por não ter conseguido modificar nada nas carreiras?

Mateus Bandeira – Não. Eu me sinto surpreso porque não imaginava que essas entidades sindicais fossem tão reacionárias. E me sinto chateado porque 28 mil professores e 19 mil brigadianos deixaram de receber aumento por conta dos próprios representantes. Não aprovar reajustes é um sintoma patológico. Alguma coisa está errada.

ZH – O senhor tem ânimo para trabalhar em novos projetos para o funcionalismo?

Bandeira – Vou continuar trabalhando. Mas, na minha opinião, o governo não deve mais fazer nenhum movimento referente a reajustes para Brigada Militar e magistério. Se o magistério não quer, se a Brigada não quer, então ficarão sem reajustes. Eu não tenho mais nenhuma disposição para trabalhar nisso. Esse tema está fora da pauta.

ZH – Então, quais são os projetos para o funcionalismo em que o governo vai trabalhar?

Bandeira – Vamos continuar trabalhando em projetos que representam avanços na gestão dos serviços públicos e na valorização das carreiras, como é o caso da nova carreira de analista de planejamento (que teria bonificações apenas por avaliação de desempenho, e não mais por tempo do serviço). Eu não joguei a toalha, o governo não jogou a toalha. Sem esse movimento reacionário dos sindicatos da Brigada Militar e do magistério, teremos mais tempo para debater com os deputados o avanço dessas pautas. Também vamos construir a oportunidade de pagar um 14º salário (bonificação concedida a servidores de órgãos que cumprirem metas preestabelecidas) para as categorias que querem. Os técnicos em planejamento, por exemplo, querem mudar suas carreiras.

ZH – A resistência das entidades de classe aos pacotes fechou as portas para novas negociações salariais em 2010?

Bandeira – Acho que sim. Não vou dizer que fechou as portas, mas o governo entendeu que não querem reajustes. Vamos tratar de trabalhar com aqueles que querem. Vamos focar em avanços com categorias dispostas a avançar. É uma pena que professores e militares estejam submetidos a essas lideranças sindicais, que não representam o interesse legítimo das categorias. Quem perde são eles próprios. Precisam, primeiro, destituir essas lideranças. E a iniciativa agora não cabe ao governo.

ZH – E cabe a quem?

Bandeira – Não sei. Ao governo não cabe.

ZH – O senhor tem um perfil técnico e foi contra algumas mudanças nos projetos que buscaram agradar à Brigada. Mesmo assim, as alterações ocorreram. As posições políticas prevaleceram sobre as técnicas?

Bandeira – Acho que nem é isso. Nós somos técnicos, mas temos sensibilidade política. Tanto é que ajudamos a construir uma flexibilização, a partir da proposta meritória do deputado Alberto Oliveira, do PMDB (Oliveira sugeriu que o aumento da contribuição previdenciária para PMs entrasse em vigor só em 2011). Não prevaleceu a questão política, prevaleceu a irracionalidade. Prevaleceu um sintoma patológico desses sindicatos.

ZH – Se os pacotes eram bons, como o senhor sempre defendeu, houve algum problema na comunicação do governo com as categorias?

Bandeira – Não acredito nisso. Acredito em movimento político de associações e sindicatos. Essas entidades sabiam que os projetos eram bons, mas decidiram se posicionar contra. Decerto estão esperando o próximo governo para se posicionar a favor.

ZH – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui a possibilidade de avaliar servidores por desempenho vai à votação no ano que vem?

Bandeira– Sim, ela continua na Assembleia. E o projeto que institui o 14º salário também. E eu espero que agora tenhamos espaço para discutir, mostrar que essas propostas não tiram direitos de ninguém. Quero uma discussão mais serena. Porque agora, sem essa irracionalidade, sem essa pressão corporativista rançosa e irracional (das entidades de classe), a gente tem o caminho livre para mostrar do que se tratam essas mudanças. (paulo.germano@zerohora.com.br)
 
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  "Nós conseguimos destravar o país", diz Lula. Presidente concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Correio do Povo  
  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quinta-feira ao Rio Grande do Sul, onde fará uma série de anúncios de obras, visando à Copa do Mundo 2014, e melhoramentos das rodovias BRs 116 e 386. Em Brasília, ontem, falou com exclusividade para o Correio do Povo sobre o seu governo, o que fará depois de encerrar seu segundo mandato e o que realizou de obras para o Estado. O presidente disse, por exemplo, que deverá entregar, até dezembro, as obras de duplicação da BR 101 no RS. Falou da BR 392 em Pelotas, da duplicação da BR 290 entre Porto Alegre e Pantano Grande e dos estímulos para a implantação do Polo Naval de Rio Grande.

Também questões da agricultura, da exportação, do Código Florestal e as conquistas da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foram avaliadas pelo presidente. "Conseguimos muitos avanços, destravamos o país", garantiu. Nesta visita ao RS, Lula irá a Santa Cruz do Sul e Livramento, onde, amanhã, terá encontro com o presidente uruguaio, José Mujica, na praça General Osório, na divisa do país com a cidade de Rivera. Hoje à noite, Lula deverá participar do comício da presidenciável Dilma Rousseff no Gigantinho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi essencial para ajudar o país a avançar e a superar os gargalos e obstáculos existentes na legislação brasileira. Em entrevista exclusiva concedida ao Correio do Povo, Lula destacou os investimentos feitos pelo governo no Rio Grande do Sul, defendeu a aprovação, ainda este ano, do Código Florestal e disse acreditar no sucesso da Copa 2014 e nas Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil. Leia os principais trechos da entrevista.
 
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