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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de dezembro de 2009 |
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| Entre a literatura e o cinema: Assis Brasil prepara novo título da série "Visitantes ao Sul". Para o autor: "o que me interessa é a alma humana"; por Luís Fernando Ferreira/Gazeta do Sul |
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Luiz Antonio de Assis Brasil é um dos mais respeitados escritores brasileiros. Seus romances Videiras de cristal, Concerto campestre, Um quarto de légua em quadro e a novela Manhã transfigurada já foram adaptados para o cinema. Agora, mais um de seus livros, O pintor de retratos (2001), teve os direitos de adaptação cedidos ao cineasta e roteirista Lauro Escorel. Além disso, Assis dirige a mais antiga oficina literária em funcionamento ininterrupto no Brasil, criada na PUC-RS em 1985. Ela já formou ficcionistas hoje consagrados, como Cintia Moscovich, Daniel Galera, Amilcar Bettega Barbosa e Michel Laub, entre outros.
Casado com uma santa-cruzense, a também escritora Valesca de Assis, na última terça-feira Assis Brasil esteve em Santa Cruz do Sul, participando de uma banca do Mestrado em Leitura e Cognição, do Curso de Letras da Unisc. Em entrevista à Gazeta do Sul, ele falou sobre o novo romance que está produzindo, intitulado provisoriamente Figura na sombra e que poderá ser lançado ainda em 2010. |
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Gazeta do Sul – O que os leitores podem esperar do novo livro que está escrevendo, Figura na sombra?
Assis Brasil – Ele segue o caminho de meus romances mais recentes, como Música perdida: o caminho da brevidade, essencialidade, suficiência. Isso se dá tanto no plano narrativo, com cenas e capítulos curtos, como no da linguagem, que opta por frases também curtas. O tema gira em torno de um naturalista francês no Sul. Será a quarta narrativa da série “Visitantes ao Sul”, em que os protagonistas são estrangeiros ou brasileiros de outros Estados que vivem situações pitorescas no Rio Grande do Sul. Na primeira foi um fotógrafo (O pintor de retratos); na segunda, um historiador (A margem imóvel do rio); na seguinte, um músico (Música perdida) e agora, um naturalista. Não foi previsto para ser uma série, mas acabou se tornando.
GS – O senhor utiliza episódios da história do Rio Grande do Sul como referência em quase todas suas ficções. Figura na sombra também é assim?
Assis Brasil – Cada vez mais meus romances perdem a característica “histórica” (se assim preferem dizer). O que me interessa é a alma humana, que é sempre a mesma. Escrevo romances que se dão no passado e faço isso por gosto, por opção estética, mas não sou prisioneiro do passado. Considero-me um escritor de hoje, que não abdica da sua perspectiva de hoje; que olha para o passado e o traz ao leitor de hoje. Isso é diferente do romance histórico tradicional, em que o autor vai para o passado e tenta sentir e pensar como um homem de outra época. Isso eu nunca fiz.
GS – O pintor de retratos poderá se tornar um longa-metragem, a exemplo do que ocorreu com Videiras de Cristal – que em 2002 virou A paixão de Jacobina, de Fabio Barreto – e outros romances. Qual é a sua expectativa? O senhor é um dos autores brasileiros mais adaptados para o cinema. Costuma acompanhar de perto a produção de filmes inspirados em seus livros?
Assis Brasil – O Luiz Carlos Merten, crítico de cinema do Estadão, disse uma vez que sou o autor brasileiro com o maior número de filmes baseados na obra. Não sei se isso está correto. Quanto ao Pintor..., os direitos foram cedidos para a elaboração de um roteiro. Ainda não sei se resultará mesmo em um filme. Não costumo acompanhar nem de perto, nem de longe, as filmagens, sequer o roteiro. Em primeiro lugar, porque dou inteira autonomia ao diretor e roteirista. Um filme terá, necessariamente, de fazer alterações no romance para que seja cinema. O importante é que resulte num bom filme.
GS – O que achou do filme Manhã transfigurada, lançado este ano?
Assis Brasil – É um trabalho digno, feito com muito amor e competência. É um filme cuja produção é uma verdadeira epopeia. Merece ser visto.
GS – O senhor mantém a oficina literária mais antiga em atividade no país (em funcionamento ininterrupto). Pra ter uma ideia melhor dessa atividade, como ela está funcionando? Quantos alunos participam atualmente? São só gaúchos, ou também de outros Estados?
Assis Brasil – A turma da oficina é de 15 alunos, sempre. Está muito bem, e agora irá publicar a antologia de número 40. Posso considerar um sucesso. Fundamentalmente são alunos do Estado, mas em cada turma sempre há um ou dois de fora. São pessoas que julgam a oficina importante e se mudam para cá durante um ano ou, se têm condições financeiras, viajam para o Sul a cada semana. Tudo isso decorre da crescente profissionalização do escritor.
GS – Quem são os escritores contemporâneos que o senhor mais aprecia, brasileiros ou não?
Assis Brasil – Uma ponchada de gente; dentre os brasileiros, Carlos Heitor Cony, da velha geração. Moacyr Scliar, Lya Luft, Sergio Faraco, Milton Hatoum, Luis Fernando Verissimo, Leonardo Brasiliense, Sergio Sant´Anna, Luiz Ruffatto, Amilcar Bettega, Daniel Galera – e a modéstia me impede de incluir aí Valesca de Assis. Por aí vai. Dos estrangeiros, leio muito o francês Pascal Quignard, mas também o italiano Alessandro Baricco, ambos em plena atuação. Mestres da essencialidade. Uma delícia lê-los. Pena que sejam pouco traduzidos no Brasil. Quignard tem uma espantosa novela, por exemplo, chamada Terrasse à Rome que pede por uma tradução urgente. Pena que sou tão ocupado, senão eu mesmo traduziria. |
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"Nós conseguimos destravar o país", diz Lula. Presidente concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Correio do Povo |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quinta-feira ao Rio Grande do Sul, onde fará uma série de anúncios de obras, visando à Copa do Mundo 2014, e melhoramentos das rodovias BRs 116 e 386. Em Brasília, ontem, falou com exclusividade para o Correio do Povo sobre o seu governo, o que fará depois de encerrar seu segundo mandato e o que realizou de obras para o Estado. O presidente disse, por exemplo, que deverá entregar, até dezembro, as obras de duplicação da BR 101 no RS. Falou da BR 392 em Pelotas, da duplicação da BR 290 entre Porto Alegre e Pantano Grande e dos estímulos para a implantação do Polo Naval de Rio Grande.
Também questões da agricultura, da exportação, do Código Florestal e as conquistas da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foram avaliadas pelo presidente. "Conseguimos muitos avanços, destravamos o país", garantiu. Nesta visita ao RS, Lula irá a Santa Cruz do Sul e Livramento, onde, amanhã, terá encontro com o presidente uruguaio, José Mujica, na praça General Osório, na divisa do país com a cidade de Rivera. Hoje à noite, Lula deverá participar do comício da presidenciável Dilma Rousseff no Gigantinho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi essencial para ajudar o país a avançar e a superar os gargalos e obstáculos existentes na legislação brasileira. Em entrevista exclusiva concedida ao Correio do Povo, Lula destacou os investimentos feitos pelo governo no Rio Grande do Sul, defendeu a aprovação, ainda este ano, do Código Florestal e disse acreditar no sucesso da Copa 2014 e nas Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil. Leia os principais trechos da entrevista. |
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