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Porto Alegre, segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 |
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| Diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo defende a Lei de Licitações. "Combate à corrupção exige novo código penal"; por Vandson Lima/Valor Econômico |
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Se um agente público recebe cheque de uma empresa, deposita-o em sua conta pessoal e depois o órgão em que está lotado assina um contrato com essa empresa o crime de corrupção não está provado. Para isso, seria preciso provar a intenção de corromper. Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, organização dedicada ao combate à corrupção, credita a esse capítulo do Código Penal uma das principais lacunas da legislação brasileira no combate à corrupção. "É preciso reformar o Código de Processo Penal e tipificar os crimes por suas evidências materiais", diz.
Aos 63 anos, boa parte dos quais dedicados ao jornalismo, Abramo não poupa a imprensa - pela displicência na fiscalização do poder local, hoje responsável pela execução do orçamento público -, defende a Lei de Licitações brasileira ("uma das melhores do mundo") e diz que um dos poucos avanços no combate à corrupção é a Controladoria-Geral da União (CGU), criada no governo Fernando Henrique Cardoso e fortalecida no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A seguir, a entrevista concedida ao Valor: |
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Valor: Em que medida as punições já existentes, relativas à corrupção, são aplicadas? O projeto de lei encaminhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolve a questão?
Claudio Weber Abramo: Essa iniciativa não terá consequência prática. O problema com o combate à corrupção, depois de descoberto, no Brasil, não tem a ver com o tamanho das penas. As punições estão previstas. Mesmo aqueles que já estão capitulados na legislação como crime hediondo, o crime ambiental, por exemplo, não levam as pessoas a sofrerem as consequências às quais estão enquadradas, não levam os acusados a serem detidos sem fiança ou terem sua prisão temporária prorrogada. Existem condicionantes. Tem de ser preso em flagrante, por exemplo. Aumentar a punição nem sequer arranha a resolução do problema.
Valor: Qual a maior dificuldade ao aplicar punições?
Abramo: Para que o sujeito seja condenado é preciso provar a intenção, algo de natureza subjetiva. Veja só: se um agente público recebe um cheque de uma empresa e o deposita em sua conta pessoal, sendo que depois essa mesma empresa assina um contrato de serviços com o órgão público, isso prova corrupção? Negativo. É preciso provar a intenção, algo que não se prova. O sujeito pode alegar que foi um empréstimo, qualquer coisa do tipo. Condenar alguém por corrupção no Brasil é impossível. Mesmo que acabem as possibilidades de recursos, o sujeito é inocentado por falta de provas de intenção.
Valor: Que mudanças seriam necessárias então?
Abramo: Precisa reformar o Código de Processo Penal e tipificar os crimes por suas evidências materiais. É uma sociedade dividida em pobres e ricos e isso se reflete no sistema penal. Eu estava presente ao evento no qual o Lula falou a respeito. O problema é que a medida não reduz a incidência de casos em que o sujeito se mete em um caso de corrupção e não é condenado. Para isso existem causas objetivas, que estão no Código de Processo Penal, onde existem inúmeras oportunidades para que o réu apresente recursos protelatórios de todo o tipo, então quem tem dinheiro para pagar advogado caro, fica protelando para sempre. É o que acontece com esses ladrões que vão trabalhar no setor público.
Valor: A Lei de Licitações que temos é suficiente para coibir desvios de verba pública?
Abramo: As regras precisam ser aplicadas. As condições de aplicação têm a ver com mecanismos administrativos, de controle e, no caso da legislação de licitações, com o ordenamento do mercado. A Lei de Licitações brasileira é uma das melhores do mundo. Quem é contra [a lei] são os agentes públicos, que querem decidir a coisa com a sua própria cabeça, o que aumenta a corrupção brutalmente, e as grandes empresas, que querem levar os contratos sem participar de concorrência. Só que a lei, por si só, não resolve o problema, ela dá as condições para isso.
Valor: Os leilões eletrônicos são um mecanismo confiável?
Abramo: O leilão é só um mecanismo. O que importa são as condições de participação. Como se direciona, se frauda uma licitação? Uma série de condições de natureza financeira, econômica, fiscal e técnica. Além da formação de cartéis, onde as empresas combinam que só uma delas cumprirá as condições necessárias. Depois, passa a vez a outra, num sistema de carrossel. Para não perder dinheiro, essas empresas que entram na disputa para perder deixam na mão da ganhadora a elaboração de todas as propostas. Isso pode ser identificado examinando o texto das propostas, que muitas vezes usam até termos parecidos. O importante dos leilões eletrônicos é que eles permitem a participação de empresas que não são daquela cidade, daquele estado, diversificando. Isso rompe o cartel.
Valor: A imprensa tem feito seu papel na fiscalização das verbas públicas?
Abramo: O Brasil é um dos países mais descentralizados do mundo. Os municípios têm completa autonomia para planejar, executar e controlar seus orçamentos. No entanto, 80% deles dependem dos repasses da União do dos Estados para sobreviver. Em metade deles, esse repasse corresponde a 90% desse orçamento, porque não há produção de riqueza local. Muitas vezes, esse dinheiro se perde e a questão nem é só a corrupção, é ineficiência, incompetência para controlar esse dinheiro. A imprensa, nesse sentido, também não faz o seu papel, porque a cobertura local é muito pequena, desinteressada, sendo que é nos municípios que grande parte dos recursos é gasto.
Valor: Entre o governo atual e o anterior, quais as diferenças no tocante à transparência no serviço público?
Abramo: Durante o governo Lula, houve um processo de fortalecimento dos instrumentos de controle relativos ao Executivo federal, centralizados na Controladoria-Geral da União, criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, no fim de 2001. Não houve naquele momento, tempo para ser utilizada (era o fim do mandato de FHC). No governo Lula teve um fortalecimento grande, com a contratação de funcionários e atuação efetiva. Passou então a ter uma atuação preventiva, alterando decretos que regulavam a assinatura de convênios, estabelecendo condicões a serem seguidas por Estados, municípios e ONGs ao firmar convênios com a União. |
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"Nós conseguimos destravar o país", diz Lula. Presidente concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Correio do Povo |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quinta-feira ao Rio Grande do Sul, onde fará uma série de anúncios de obras, visando à Copa do Mundo 2014, e melhoramentos das rodovias BRs 116 e 386. Em Brasília, ontem, falou com exclusividade para o Correio do Povo sobre o seu governo, o que fará depois de encerrar seu segundo mandato e o que realizou de obras para o Estado. O presidente disse, por exemplo, que deverá entregar, até dezembro, as obras de duplicação da BR 101 no RS. Falou da BR 392 em Pelotas, da duplicação da BR 290 entre Porto Alegre e Pantano Grande e dos estímulos para a implantação do Polo Naval de Rio Grande.
Também questões da agricultura, da exportação, do Código Florestal e as conquistas da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foram avaliadas pelo presidente. "Conseguimos muitos avanços, destravamos o país", garantiu. Nesta visita ao RS, Lula irá a Santa Cruz do Sul e Livramento, onde, amanhã, terá encontro com o presidente uruguaio, José Mujica, na praça General Osório, na divisa do país com a cidade de Rivera. Hoje à noite, Lula deverá participar do comício da presidenciável Dilma Rousseff no Gigantinho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi essencial para ajudar o país a avançar e a superar os gargalos e obstáculos existentes na legislação brasileira. Em entrevista exclusiva concedida ao Correio do Povo, Lula destacou os investimentos feitos pelo governo no Rio Grande do Sul, defendeu a aprovação, ainda este ano, do Código Florestal e disse acreditar no sucesso da Copa 2014 e nas Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil. Leia os principais trechos da entrevista. |
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