A TV brasileira antes e depois de Jorge Fernando; por Zeca Kiechaloski*

A TV brasileira antes e depois de Jorge Fernando; por Zeca Kiechaloski*

A televisão brasileira, certamente, pelo menos a dramaturgia televisiva, pode ser nitidamente classificada como antes e depois de Jorge Fernando. Foi ele, juntamente com Guel Arraes, que jogou a caretice das novelas para longe e tirou, com muito bom humor, todas as teias de aranha que ainda persistiam em fiar suas teias. Já havia nos encantado com sua atuação em ” Ciranda, Cirandinha ” , talvez o primeiro programa que falava uma linguagem que jovens entendiam. Seus episódios eram sempre lições de humanidade, generosidade e solidariedade. De forma simples e direta.

Já ensaiou uma modernidade em direção na novela ” O jogo da vida ” a primeira, de maneira meio acanhada, comédia declarada da televisão. Mas foi em ” Guerra dos sexos ” ( a primeira versão, por favor ! ), que isso foi levado às últimas consequências. Se nada mais bastasse, somente a coragem de colocar dois monstros sagrados do teatro brasileiro ( Fernanda Montenegro e Paulo Autran ) para representar uma cena típica do pastelão mais bobo que pode haver, valeria. Uma coisa impensável, virou realidade e antologia. Além disso, Jorge Fernando dirigiu cinema, shows de música e teatro ( ” Fica comigo esta noite “, com Débora Bloch e Luiz Fernando Guimaraes talvez seja seu melhor exemplo ). Jorge Fernando era também um comediante dos melhores. Aliás, tudo que fazia era sempre o melhor.

Nunca houve na telenovela brasileira um diretor que soubesse fazer tão bem um primeiro e último capítulo de uma novela. Mas, como a dita real não é uma novela com final feliz, o último capítulo de Jorginho nos deixou triste, impactados, saudosos e infelizes. Não era um capitulo final que Jorge Fernando dirigiria ou faria. Nem nós.

ZecaKiechaloskiZeca Kiechaloski, ator e cinéfilo*

 

 

 

 

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