Porto Alegre: “Alinhando”: nova exposição no Aberto traz a temática da linha como fio condutor e de conexão entre as obras da mostra Obras como a de Anete Schöroder, foram escolhidas pela curadora Ana Zavadil, para mostra, que acontece de 19 de outubro a 30 de novembro e terá trabalhos de 16 expositores.

Porto Alegre: “Alinhando”: nova exposição no Aberto traz a temática da linha como fio condutor e de conexão entre as obras da mostra

A nova exposição do espaço cultural Aberto Caminho de Artes traz como temática as linhas como fios condutores e de conexões entre as obras dos artistas convidados para expor. Ao todo, 16 profissionais da arte vão divulgar seus trabalhos, com linguagens diferentes, falando sobre a linha. Os traços vão aparecer em desenhos sobre tela, sobre papel em objetos, na fotografia, no trabalho de colagem, na pintura e na tecelagem. Conforme a curadora da exposição, Ana Zavadil, a diversidade dos trabalhos evidencia o potencial criativo de cada artista narrando uma história. “Por meio da curadoria, todas essas histórias unidas contam uma história maior. E, com isso, o exercício de liberdade de cada artista é colocado à prova em um mesmo local e, sendo ele pequeno, propicia um confronto direto do espectador com as obras no tempo e no espaço”, pontua a historiadora da Arte e professora.

Clara Koppe
Clara Koppe

A gestora cultural do Aberto, Marla Trevisan, também explica que, além das conexões entre as obras ocorrerem pelas linhas, outras relações como conceitos, cores, semelhanças e contrastes, também unem os trabalhos. “Os universos entrelaçam-se estruturalmente criando núcleos poéticos. Os trabalhos passaram por um processo de hibridação em que a linha à grafite, ou a linha desenhada pela pintura, mescla-se com as linhas tecidas e tramadas com fios de arame ou linha de costura ou bordado, ou mesmo linhas de tempo construídas com palitos de fósforo ou linhas captadas diretamente da natureza”, complementa. O Aberto é um espaço cultural que busca a exacerbação da liberdade criativa e o convívio plural de todas as formas de manifestações culturais. Além disso, trabalha com a ideia de uma arte “aberta”, ancorado na arte contemporânea. A frente do espaço estão o artista visual, escritor, advogado e músico Ricardo Giuliani Neto e Marla Trevisan, responsável pela coordenação geral do Aberto. Os dois também são sócios do escritório Trevisan e Giuliani Advogados.

O nome da exposição, “Alinhando”, para além do significado de enfileirar e ajustar, está mais para a questão de compor uma ordem visual dentro do espaço expositivo. Para Ana, “a linha desnuda-se em potência em cada obra. E o diálogo entre elas impõe um ritmo à exposição que, longe de ser somente contemplativa, torna-se reveladora e reflexiva”, explica.

As abordagens e experimentações dos artistas por meio da linha tramam desenhos em um ir e vir e geram fluxos intermitentes proporcionando uma viagem no tempo e no espaço. A artista Alexandra Eckert, por exemplo, apresenta a série Histórias Pequenas, que são uma coleção de livros da artista em tecido serigrafado e bordado sobre diferentes materiais. Esses pequenos livros contam histórias da artista e de sua família e têm como pano de fundo a memória. Já Anete Schröder tem nos seus desenhos a potência criativa da linha, onde cria personagens e afetos. Como ela mesma afirma, suas obras “são emaranhados que formam nós e fluxos. São formas disformes que se entrelaçam e se combinam por meio das linhas e colagens”.

Bia Dorfmann
Bia Dorfman

Beatriz Harger desenvolve uma pesquisa em fotografia em que busca as linhas na natureza, não importando em que tipo de paisagem elas estão. A escolha recaiu sobre as folhagens cujas linhas evidenciam as formas. Bia Dorfman , por sua vez, tem como característica poética desenhar intensamente sobre cadernos. São diários em que os desenhos aparecem em profusão, todos eles feitos em viagens e no dia a dia. A linha constrói cidades, objetos, pessoas, animais e paisagens, pois ela se mostra sempre inquieta identificando percursos nos falando sobre liberdade criativa. Clara Koppe teceu fios sobre objetos formando tramas de fios que falam de cidades e sentimentos. O fio nas suas construções pode representar união e ao mesmo tempo remeter ao distanciamento ou estabelecer um limite.

Denise Wichmann é uma artista das linhas. E elas brotam de muitas fontes, como o desenho e a fotografia. Instigada para esta exposição, a sua colaboração veio na forma de objeto com linhas de arame e colagem. Já Elzi Mezzomo apresenta um trabalho instigante com colagens de palitos de fósforos que representam a sua linha do tempo. A obra inicia com 40 palitos que representam o ano de nascimento. Depois, os demais foram queimados aos poucos e dizem respeito à passagem do tempo. Gelson Soares desconstrói o livro de artista e brinca com a questão da falta de palavras. E o que tem importância é a linha e o desenho: as linhas de algodão que saem pelas páginas contribuem com este diálogo. A mancha faz contraponto em alguns momentos e os espaços vazios trazem pausas para a reflexão. Isa Dóris Teixeira de Macedo, que trabalha com arte têxtil há muito tempo, cria, para esta exposição, as linhas como curvas para formarem blocos coloridos. A sensibilidade da artista transmuta-se para suas linhas que falam de sentimentos e da vida. Leonice Araldi cria, em seu trabalho, pequenos mundos que questionam as relações de espaço e de tempo, representando exatamente as suas insuficiências diante do que nos é imposto pelas relações com a cidade.

Leonice Araldi
Leonice Araldi

Liane Borghetti Krenzinger  tem um trabalho de desenho e pintura sobre tela. O seu trabalho transborda em informações e materialidades, pois ela constrói e desconstrói as camadas de tinta e, assim, vai marcando o tempo em seu processo criativo cujo mote é a dança, o balé. Lorena Steiner tem um trabalho diversificado: ela elabora pinturas sobre tela, cria objetos, trabalha com texturas e faz trabalhos com materiais descartados. Para esta exposição, no entanto, ela mostra um trabalho de grandes dimensões feito com linhas de algodão cru amarrado e tingido. A sua sensibilidade fala de questões relacionadas à vida e aos sentimentos. Mery Bavia é uma artista da pintura. A intensidade de seu trabalho é demonstrada pelas camadas e pelas cores intensas. A materialidade é importante para ela, assim como a linha que tem o potencial de criar os limites das figuras em contrapontos sutis. Ricardo Fonseca trabalha com o desenho, ora preto e branco, ora colorido, que traz em sua bagagem o ato de despertar no espectador a vontade de entender esses desenhos que parecem revelar, mas não revelam, e, assim, abrem espaço para a construção de sentidos e livres interpretações. Os trabalhos são referenciados em questões pessoais e memória imagética. Tomas Barth  busca por meio de seus desenhos questionar a extinção de alguns animais e a de tantos outros em vias de acontecer. O virtuosismo de seus desenhos é uma característica expressiva. São desenhos feitos em jornais que remetem à efemeridade e ao descarte, questões relacionadas entre si. E, por fim, Wischral tem a sua poética voltada para o desenho. E as últimas experiências foram executadas sobre telas. A linha constrói a figura que quer representar pelo acúmulo da grafite intensamente sobreposta até atingir o grau desejado de contraste. Exigente em seu fazer, a perfeição das formas é conquistada passo a passo em um intenso embate entre o artista e o material.

SERVIÇO

Beatriz Harger
Beatriz Harger

O que é: Abertura da exposição “Alinhando”;
Quando: No sábado, 19 de outubro, das 11h às 15h, até 30 de novembro; (Entrada franca)

Onde: Rua Doutor Armando Barbedo, 356, bairro Tristeza, Zona Sul de Porto Alegre;

Contatos: abertoartes@gmail.com

(51) 3516 2259

Horário de visitação do Aberto:

De terça-feira a sexta-feira, das 13h30 às 18h

Aos sábados, das 11h às 15h.

 

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