Alvo da Lava Jato, Marco Maia sustenta ter sido citado em delação por vingança; por Lucas Rivas/Rádio Guaíba.  Ex-presidente da Câmara também chamou de mentiroso o ex-senador Delcídio do Amaral Marco Maia criticou a ação da Operação Lava Jato por não ter sido chamado para depor. | Foto: Reprodução Marco Maia criticou a ação da Operação Lava Jato por não ter sido chamado para depor. | Foto: Reprodução

Alvo da Lava Jato, Marco Maia sustenta ter sido citado em delação por vingança; por Lucas Rivas/Rádio Guaíba. Ex-presidente da Câmara também chamou de mentiroso o ex-senador Delcídio do Amaral

Ex-presidente da Câmara entre 2011 e 2012, o deputado federal gaúcho Marco Maia (PT-RS) criticou hoje a ação da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão, nessa manhã, na residência dele, em Canoas, como parte da operação Lava Jato. Em pronunciamento realizado via Facebook, Maia disse ter sido surpreendido pela ofensiva, que segundo ele ocorreu de forma “pirotécnica”. Ele também disse ter sido sido citado por vingança pelo delator Júlio Camargo, a quem indiciou durante a CPMI da Petrobras, em 2014.

“Este delator foi indiciado por mim na CPMI (da Petrobras) em 2014 e tem este comportamento exatamente por vingança. Eu não conheço este cidadão, nunca estive com ele, não sei quem é e nunca tive absolutamente nenhum contato com este cidadão chamado Júlio Camargo”, defendeu-se. Maia ainda sustenta que, em meio às investigações do Ministério Público Federal (MPF), das dez testemunhas, só uma (Júlio Camargo) o citou.

Conforme a força-tarefa da Lava Jato, Marco Maia recebeu supostos R$ 200 mil em propinas para blindar empreiteiros, políticos e agentes públicos na CPI Mista da Petrobras. Além dele, a operação da Polícia Federal também cumpriu hoje mandado na residência do ex-senador e ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo (PMDB).

O petista reforçou que o trabalho da CPMI contou com equipe técnica que resultou no indiciamento de 53 pessoas. Marco Maia também se disse indignado com a forma como foram autorizados e conduzidos os mandados de busca e apreensão, e garantiu que nunca se negou a dar explicações à Justiça.

“Não podemos permitir que esse tipo de procedimento continue acontecendo no país. Onde se fazem ações pirotécnicas que não estão previstas no processo legal. (…) Uma ação como essa, atinge de forma violenta o fruto do nosso trabalho, como as nossas ações, a relação que temos com a população e as demandas que nos são passadas e que exigem um trabalho diuturno e cotidiano, para isso, a imagem é fundamental. Por isso, queria expressar a minha indignação, já que nunca tentei impedir qualquer tipo de ação”, acrescentou, em vídeo com 18 minutos de duração.

Marco Maia ainda revelou ter sido procurado pelo ex-senador Delcídio do Amaral para “aliviar” a situação de um “velho parceiro” dele, Nestor Cerveró. “Esse é um grande mentiroso. Uma pessoa sem caráter e que trouxe o meu nome motivado por mágoas, já que a CPMI foi a primeira a produzir o indiciamento do seu protegido, Nestor Cerveró. Até ali, o nome dele não havia sido tratado como investigado, nem pelo Ministério Público, mas pela investigação que a CPMI produziu, pedimos o seu indiciamento. Recebi ligações do Delcídio do Amaral pedindo para proteger o investigado, mas, na época, disse que era impossível, pois todos que deveriam, seriam indiciados”, finalizou Maia.

A operação, chamada de Deflexão, foi deflagrada em outras quatro cidades, além de Canoas: Brasília, Campina Grande, João Pessoa e Porto Alegre. De acordo com a Folha de São Paulo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, autorizou a busca e a apreensão para coleta de provas na casa do parlamentar gaúcho e do ministro. Em 2014, Vital era o presidente da CPMI e Maia, o relator.

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A Lava-Jato reuniu indícios de que Vital tenha solicitado a empreiteiros R$ 5 milhões para a campanha dele ao governo da Paraíba. Conforme a força-tarefa de procuradores, metade desse valor foi doada pela construtora OAS ao PMDB nacional, partido ao qual o ministro do TCU é filiado. A outra parte foi repassada por meio de caixa dois 2, em uma transferência feita pela empreiteira à Construtora Planíce, que também foi alvo de busca e apreensão.

Já o deputado Marco Maia é suspeito de ter recebido R$ 200 mil de propina em espécie. Júlio Camargo disse ter entregue o valor a um operador do petista, chamado Evandro. Depois, retificou o depoimento e afirmou que as quatro parcelas (de supostos R$ 50 mil) destinadas a Maia foram recebidas por Luiz Gerber, que também foi alvo da operação deflagrada nessa manhã. O gerente de Relações Institucionais da Camargo Corrêa, Gustavo da Costa Marques, confirmou à PF a identidade do suposto emissário de Marco Maia, responsável por negociar pagamento de caixa 2. Luiz Gerber é pai do advogado Daniel Gerber, que defende o ex-presidente da Câmara. (Lucas Rivas com informações do Correio do Povo)

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