Opinião: Cinco formas de matar o jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

Opinião: Cinco formas de matar o jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

(1) Pelo menor custo possível, contrate pessoas jovens e inexperientes. Demita profissionais de referência. Não dê, portanto, a menor possibilidade para os focas de que o seu adestramento tenha alguma validade no futuro. Aliás, faça a garotada trabalhar tanto que ninguém tenha tempo de refletir sobre nada.
(2) Aposte em bobagens que bombam nas redes sociais e esqueça dos grandes temas. Fuja de assuntos polêmicos. Ouça apenas um lado, aquele que interessa para quem se interessa pelo que menos interessa.


(3) Se você possui vários veículos e um deles é impresso, misture o povo do jornal ou da revista com o do rádio e da televisão. Não dê treinamento para ninguém e aposte no aprender fazendo. É certo que você não vai recuperar o seu jornal ou a sua revista e a rádio ou a TV vão afundar. Comemore isso oferecendo o portal a custo cada vez mais baixo. E divulgue o crescimento constante no número de assinantes mesmo que esse seja muito inferior ao dos tempos áureos dos impressos.


(4) Contrate consultorias com gente cheia de ideias, Sabe aquele pessoal que cita a Apple e o Google em tudo? É deles que você precisa. Melhor ainda se a experiência de vida desses robozinhos for zero. Vão falar uma série de coisas que ninguém entende e usar quase somente palavras em inglês. Não vai adiantar nada, porque a sua empresa não está no Vale do Silício. Mesmo assim, você vai se sentir poderoso. Quando estiver vendendo cachorro-quente na praia, terá excelentes lembranças desse momento em que começou a se reposicionar no mercado.


(5) Faça podcast. Podcast com tanto conteúdo quanto o que tem sido oferecido ao seu público (ou seja nada). Não vai adiantar nada, mas você vai se sentir supermoderno. Faça isso com quaisquer novidades. O legal é tentar, gastando dinheiro com o que deveria ser consequência e esquecendo das bases reais de tudo.

Pois é. Existem dezenas de outras formas de matar negócios envolvendo jornalismo. Várias delas estão em alguma empresa de comunicação perto de você. Afinal, para acabar com o jornalismo, não precisa mesmo prática, nem habilidade, duas ausências que se completam.

 

Luiz Artur Ferraretto*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

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