Aumento no preço do leite chegará ao consumidor gaúcho em até dez dias Aumento do preço ocorre em decorrência da suspensão de importações de leite do Uruguai. Foto: Alina Souza / Correio do Povo

Aumento no preço do leite chegará ao consumidor gaúcho em até dez dias

A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) projeta que o aumento no preço do leite – por conta da interrupção das importações do produto do Uruguai – será repassado em até 10 dias às gôndolas de mercados do Estado. Conforme o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo a estimativa é de que o valor médio do leite suba cerca de 10% por conta da restrição à importação.

Conforme o representante da Agas, o aumento de preço se faz necessário dentro da realidade do mercado. Ele também acredita que isso não vá provocar queda nas vendas.

“Nós acreditamos que o setor produtivo está com dificuldade de escoar a produção. O governo tem seus motivos e acredito que o mercado vai entender essa situação. Vai haver um repasse de preço pela diminuição da oferta do produto, mas é um realimento de preços dentro de uma realidade necessária. Nós não acreditamos em uma queda de vendas em função do produto está defesagem. Nós temos uma ideia, talvez a indústria, repasse um reajuste de cerca de 10% ao mercado e esses preços em cerca de dez dias estarão na ponta das gôndolas”, afirma.

A suspensão das licenças automáticas de importação de lácteos do Uruguai deve provocar mudanças rápidas para o consumidor, mas lentas para os produtores no Rio Grande do Sul. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, afirma que a suspensão de importações vai tirar a pressão do mercado que vive um cenário onde produtores e as indústrias estão trabalhando no vermelho.

“Vinha do Uruguai cerca de 6 mil toneladas por mês de leite em pó. Se ficar um mês suspensa essa importação é menos 6 mil toneladas no nosso mercado para poder tirar a pressão. Se nós associarmos com a compra governamental que estamos pedindo ao governo federal poderá nos tirar a pressão do mercado, fazendo com a gente possa ter estabilidade de preços. Travando assim a queda de preço para depois começar a retomada dos preços, pois no cenário que nós temos hoje está inviabilizando os produtores e as indústrias que estão trabalhando no vermelho”, ressalta Guerra.

O presidente do Sindilat estima que, de imediato, o que se conseguirá fazer é cessar a tendência de queda do preço do leite pago ao produtor, que em setembro ficou, em média, em R$ 1,02.

O presidente da Fetag e do Instituto Gaúcho do Leite, Carlos Joel da Silva, avalia que a medida do governo é positiva, mas tardia. “Ela chega quando o estrago para o produtor no ano de 2017 já foi feito. Isto deve estancar a perda, mas a melhora de preços deve vir somente quando forem anunciadas as compras governamentais, prometidas pelo ministro (do Desenvolvimento Social) Osmar Terra”, destaca Joel.

O ministro da Agricultura Blairo Maggi, diz que o leite vindo do Uruguai tem contribuído para a crise no setor no Brasil e a situação está se transformando em quase insuportável para o produtor local, em função dos custos que inviabilizam competir com o produto do país vizinho.

Setores organizados, produtores, sindicatos, associações e federações reclamam também da quantidade de leite importado do país vizinho e alegam que o Uruguai estaria exportando leite que não é produzido lá, pois a produção do país seria insuficiente para exportar a quantidade que tem chegado ao Brasil.

A suspensão, de acordo com Maggi, valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida se conseguirem comprovar que 100% do volume exportado ao país são produzidos no Uruguai. (Rádio Guaíba / Correio do Povo)

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