Brasil registra mais 40 casos de microcefalia e total sobe para 270 desde outubro. Uma conversa com a presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica Lavínia Faccini sobre Zika Vírus

 

Conversei hoje (27.01.2016) no programa Agora/Rádio Guaíba com a geneticista Lavínia Schuler-Faccini, doutora em genética e medicina molecular formada pela UFRGS, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica sobre o Zica Vírus. Boletim divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde confirmou que subiu de 230 para 270 o número de crianças que nasceram com microcefalia associada a infecção congênita, desde outubro do ano passado. Um dos casos se refere a um bebê de Esteio, no Rio Grande do Sul, cuja mãe voltou com sintomas de vírus Zika de uma viagem para o Nordeste, no ano passado.

A Pasta esclarece, porém, que não necessariamente houve infecção da mãe pelo Zika em todos os casos de microcefalia – que também pode decorrer de agentes como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral. O Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue e da febre chikungunya.

O Ministério também informou, hoje, que segue investigando 3.448 casos suspeitos de microcefalia, notificados até 20 de janeiro.

Relembre

Em dezembro, a Pasta chegou a confirmar 134 casos de microcefalia relacionada ao vírus Zika. Porém, a pasta voltou atrás e agora só reconhece seis casos de bebês que tiveram exame laboratorial positivo para o Zika.

No ano de 2014, quando o registro da malformação não era obrigatório, foram notificados 147 casos de microcefalia. Em outubro, após o aumento do número de ocorrências, o registro passou a ser compulsório.

Casos descartados e mortes

Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram notificados, no período, em 830 cidades de 24 unidades da Federação. Desses, 462 foram descartados até o momento.

Foram notificadas ainda 68 mortes por malformação congênita após o parto (natimorto) ou durante a gestação (aborto espontâneo). Destes, 12 foram confirmados para a relação com infecção congênita, todos na Região Nordeste, sendo dez no Rio Grande do Norte, um no Ceará e um no Piauí. Seguem em investigação 51 mortes. Em outros cinco casos de óbito, a suspeita de relação com infecção congênita foi descartada.

Quadro nacional

A Região Nordeste concentra 86% dos casos notificados, sendo que Pernambuco mantém o maior número de casos que permanecem em investigação (1.125), seguido dos estados da Paraíba (497), Bahia (471), Ceará (218), Sergipe (172), Alagoas (158), Rio Grande do Norte (133), Rio de Janeiro (122) e Maranhão (119). (Com informações da Agência Brasil)

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