Câmara de Porto Alegre recua de nomear como diretor homem que invadiu Legislativo em 2013; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

Câmara de Porto Alegre recua de nomear como diretor homem que invadiu Legislativo em 2013; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

A Câmara de Porto Alegre recuou da indicação do advogado João Hermínio Marques de Carvalho para o cargo de diretor administrativo da Casa. A polêmica em torno do nome se deu pelo fato de, em 2013, ele ter sido um dos líderes da invasão à sede do Legislativo. “João Sem Medo”, como é conhecido em meio a movimentos sociais, quebrou o silêncio a partir da decisão da diretoria do Parlamento e se disse, hoje, vítima de perseguição política.

“É um preconceito claro, um ranço, um rancor e um preconceito ideológico. Eu preencho todos os pré-requisitos objetivos, legais e republicanos para ser diretor administrativo da Casa. Fui indicado de uma maneira acertada, no entanto houve perseguição política e uma divergência ideológica de setores ainda rancorosos com aquela ocupação, que foi legítima”, queixou-se.

João Hermínio Marques de Carvalho quebrou o silêncio e se disse, hoje, vítima de perseguição política. Foto: Francielle Caetano/Câmara de Porto Alegre
João Hermínio Marques de Carvalho quebrou o silêncio e se disse, hoje, vítima de perseguição política. Foto: Francielle Caetano/Câmara de Porto Alegre

Carvalho não mantém arrependimentos e recorda que a causa foi justa, já que, à época, a luta era pela qualificação do transporte público. Ainda assim, ele alegou não concordar com atos de desordem e vandalismo que ocorreram durante os dez dias em que a Câmara de Vereadores permaneceu invadida.

“Não me arrependo, independente da ocupação ter tido seus erros. Não compactuo com equívocos como os pelados, agressões e depredações, sempre fui contrário a isso. Os próprios vereadores que zombam e pedem minha exoneração sabem disso. Eu tenho certeza absoluta de que meu passado não me condena e ter liderado e participado de movimentos sociais para melhorar o nosso País não é condenável. O que é condenável, sim, é liderar esquemas de corrupção ou defender a ditadura militar. Então, meu passado não me condena. Tenho muito orgulho de ter participado”, justificou.

Com a indecisão da Câmara Municipal em definir um nome para a diretoria administrativa, Carvalho foi exonerado e está sem emprego. Ele pretende voltar a advogar e não pretende, por enquanto, ocupar cargos públicos.

Carvalho era servidor do gabinete do vereador Alberto Kopptike, do PT, que o indicou para o cargo antes de renunciou ao mandato para assumir a Secretaria da Segurança em Canoas. Com o impasse, a diretoria administrativa segue em aberto.

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