Caso Kiss: três anos e meio depois da tragédia, vigília de familiares vai acompanhar sentença; por Ananda Müller/Rádio Guaíba Foto: Paulo Nunes / CP Memória

Caso Kiss: três anos e meio depois da tragédia, vigília de familiares vai acompanhar sentença; por Ananda Müller/Rádio Guaíba

Três anos e meio depois da tragédia da boate Kiss, que deixou 242 mortos e mais de 600 feridos em 27 de janeiro de 2013, o juiz Ulysses Fonseca Louzada deve pronunciar a sentença do caso nesta quarta-feira. A associação de familiares Santa Maria do Luto à Luta organiza uma vigília para acompanhar o anúncio. O ato deve se estender das 10h às 18h, na Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade. No local está montada desde 2013 a chamada “tenda da vigília”, onde são deixadas fotos e homenagens às vítimas.

Conforme Flávio da Silva, presidente da associação, os familiares estarão presentes no local durante todo o dia, mas também devem acompanhar os pronunciamentos oficiais do juiz, previstos para o turno da manhã.

Caso a expectativa dos familiares – o encaminhamento dos quatro réus a júri – não se concretize, novas ações devem ser definidas pelo grupo. Uma reunião com essa finalidade ocorre ainda na noite de hoje.

Veja as possibilidades do juiz para a sentença

1. Pronunciar os reús para irem a júri popular, se estiverem presentes indícios de autoria e materialidade com o chamado “animus necandi” (vontade de matar);

2. Impronunciar os réus, caso não se convença de que houve crime ou indício de autoria;

3. Absolver os réus, caso se convença da inocência deles, mesmo que tenha havido crime;

4. Desclassificar a infração, levando o caso a julgamento monocrático (do próprio juiz), se verificar a ocorrência de qualquer outro crime que não seja da competência de um júri popular.

Relembre

Viraram réus no processo criminal Elissandro Callegaro Spohr (Kiko) e Mauro Londero Hoffmann, sócios da casa noturna; Marcelo de Jesus dos Santos, músico, e Luciano Bonilha Leão, produtor de palco, ambos da banda Gurizada Fandangueira. Eles foram acusados pelo crime de homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de causar a morte), qualificado por meio cruel (fogo e asfixia) e motivo torpe (ganância ) das 242 vitimas fatais, além de tentativas de homicídio dos mais de 600 feridos no incêndio.

O fogo começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Um artefato pirotécnico utilizado pela banda acabou atingindo o revestimento acústico da casa noturna e provocando o incêndio. A maioria das vítimas morreu asfixiada: 231 no mesmo dia e mais 11 nos dias seguintes, em atendimento. Mais de 600 pessoas ficaram feridas, muitas das quais com sequelas e em tratamento médico até hoje. (Ananda Müller/Rádio Guaíba)

Destaque