Artigo: A “Geni” do Rio Grande, por Miguel de Souza Almeida**

Artigo: A “Geni” do Rio Grande, por Miguel de Souza Almeida**

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*Acima o pronunciamento do presidente da ASMURC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e prefeito de Minas do Leão, Miguel Almeida, na audiência pública sobre a implantação da Mina do Guaíba. Abaixo leia o artigo publicado originalmente no Correio do Povo.

O que a Região Carbonífera faz pelo Rio Grande? Por décadas, garantiu a energia elétrica a diversos municípios. Até hoje, as areias de lá movimentam a construção civil de Porto Alegre. E todo lixo da Capital gaúcha e de boa parte da Região Metropolitana tem destino no aterro sanitário de Minas do Leão. Mais: os presídios de Charqueadas e Arroio dos Ratos – algo que ninguém quer em sua comunidade.

Agora, o que o Rio Grande faz pela Região Carbonífera? Sejamos transparentes: pouco. E, pior, muitas vezes chega até a criar obstáculos para o nosso desenvolvimento. É o que estamos vendo claramente com a tão esperada instalação do Polo Carboquímico. Nesse projeto se concentra a esperança de uma parte do Estado que ficou para trás, enquanto outras progrediam.

Diversos atores se movem contra essa iniciativa, como se fossem prepostos do bem comum. Dizem-se defensores do meio ambiente, mas espalham mentiras para contaminar o debate público. Afinal, quem malvadamente poderia ser contra a natureza?

Nesse cenário, chama especial atenção a postura incoerente de agentes e movimentos de esquerda. Justo quem, em sua essência, afirma combater a desigualdade agora faz de tudo para perpetuá-la. Com suas mobilizações, estão na prática fechando uma saída para comunidades que são historicamente empobrecidas. São os mesmos que, lá atrás, protestaram contra a plantação de eucaliptos na nossa região. Uma atividade responsável pelo sustento de milhares de famílias.

Nações desenvolvidas como Austrália, Alemanha e Japão potencializam o uso dessa fonte energética de forma limpa. Com tecnologia de ponta, conseguiram equacionar os problemas do passado. E, nós, que temos a maior reserva de carvão do Brasil, ficamos reféns de minorias barulhentas que se movem não pelos fatos, mas pela cegueira ideológica. É justo seguir assim?
A verdade é que não suportamos mais ser a Geni do Rio Grande. Aquela personagem que, na famosa música de Chico Buarque, é usada por todos – para, logo em seguida, ser dispensada e maltratada. Precisamos virar essa página e oportunizar que cada gaúcho tenha a oportunidade de evoluir. É o que a população da Região Carbonífera espera.

67571472_1409229065909418_5053070401458929664_n**Miguel de Souza Almeida, Presidente da ASMURC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e prefeito de Minas do Leão

 

 

 

 

 

Reportagem do SBT-RS sobre a implantação do projeto Mina Guaíba

Coração de Leão; por Cesar Cidade Dias*

Coração de Leão; por Cesar Cidade Dias*

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O Sport Club Internacional foi fundado em 1909 pela força dos irmãos Poppe e, curiosamente, o nome de um deles levava uma expressão que se faria presente em muitas passagens na história colorada. Leão era o sobrenome adotado pelo mais entusiasmado dos três irmãos. Henrique Poppe Leão estava à frente nas primeiras reuniões que alimentaram o sonho de criação de um clube que conquistaria o mundo antes mesmo do seu centenário.

Voamos no tempo, chegamos ao ano de 1945, e o famoso rolo compressor de Nena, Tesourinha e Carlitos, encontrando a cidade de Porto Alegre com um pouco mais de 300 mil habitantes, e que vivia a recessão trazida pelos difíceis anos da 2a Guerra. A essa altura, no entanto, a sua população já via o futuro com otimismo. E foi neste cenário que Afonso Paulo Feijó, avô do nosso convidado, assumiu a presidência do Internacional, dando início a uma dinastia de dirigentes que elevou a bandeira colorada por gerações.

Foi no ano de 45 que, em 30 de setembro, o Internacional venceu o Grêmio, superando o rival no número de grenais, fato que se sustenta até os dias atuais.

Os anos foram passando, e o estádio dos Eucaliptos recebia cada vez mais torcedores, com grandes vitórias e com uma crescente rivalidade.

E era preciso crescer.

E assim se fez.

Em uma construção feita por pessoas que moveram toda a sociedade gaúcha, surgiu o Beira-Rio e a sua grandeza.

Neste período, outro nome já trabalhava com força nos bastidores do Internacional. Surgia Marcelo Feijó, tio do nosso convidado, e presidente do título mais improvável e impossível da história. O título brasileiro invicto de 1979 é uma bandeira fundamental que só os gigantes conseguem erguer.

Mas depois dos anos de ouro, os problemas voltaram. Os ciclos no futebol são certezas indissolúveis, e precisam ser encarados e combatidos. E só os homens com coração de Leão conseguem enfrentar essas contrariedades.

A crise financeira chegou forte ao Internacional, e o clube passou a viver um difícil momento. Os problemas de caixa, associados aos maus resultados dentro do campo, diminuíram o número de postulantes ao cargo máximo colorado. Era preciso, mais uma vez, de um homem com um coração de Leão.

E ele existia.

Gilberto Leão de Medeiros, pai do nosso convidado, assumiu a presidência do Internacional com uma frase que virou história:

“Eu estou aqui para pagar títulos. Não para ganhá-los”.

E o Inter renovou-se, recolocou-se nos trilhos e voltou a vencer. Reencontrou-se por meio da evolução política, do investimento em patrimônio e do respeito, encontrando a América e o mundo. Virou referência.

Mas as dificuldades ressurgiram, e o clube, de fato, encontrou o seu pior momento. E quis o destino que a esperanca renascece em um nome moldado durante toda a história.

Neto de Afonso Paulo, sobrinho de Marcelo e filho de Gilberto, foi em Marcelo Feijó de Medeiros que o Internacional buscou forças para se reconstruir.

E assim fez.

Eleito presidente para recolocar o Inter na primeira divisão. Marcelo colocou a camisa vermelha à frente de tudo, e com o mesmo coração de Leão dos seus antepassados refez a verdade e a história do clube do Menino Deus.

A recuperação da “glória do desporto nacional” foi a missão de Marcelo Feijó de Medeiros, e junto aos milhões de corações de apaixonados torcedores do Internacional, estavam em outra dimensão, três homens (Afonso, Marcelo e Gilberto) que, sentados à uma mesa, sorrindo, de vermelho, vibravam convictos de que as suas paixões deixaram um legado real e em forma de presidente.

67585455_10218906994324385_4922813745702371328_n*Cesar Cidade Dias, Radialista

** Cesar Cidade Dias escreveu esse texto para abertura de evento, mediado por ele, na Associação Comercial de Porto Alegre com o Presidente do S.C. Internacional, Marcelo Medeiros

Artigo: A Imbecilização da política; por Glauco Fonseca*

Artigo: A Imbecilização da política; por Glauco Fonseca*

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De uma hora para outra, a partir da eleição de Donald Trump, iniciei a observação das forças reagentes que se formavam nos EUA. O “levante” da imprensa e das comunidades artística e intelectual foi e tem sido de um vigor impressionante, mas de baixíssima qualidade factual e mesmo argumentativa. Quase a totalidade dos meios de comunicação, dos formadores de opinião e dos eleitores e políticos do então Partido Democrata (de Obama e Hillary) passaram a adotar o “vale tudo” como forma de ataque ao presidente Republicano, que está fazendo uma das melhores administrações da história americana.

O mesmo acontece no Brasil desde a posse de Bolsonaro. O comportamento de jornalistas, editores e oposicionistas em muito já ultrapassou os limites do razoável. Mentiras, notícias falsas, hackers, um Supremo Tribunal totalmente contaminado e enciumado porque o país avança em termos morais e éticos à sua total revelia, compõem um conjunto de ruídos sem nexo, que eclodem em tons cada vez mais agressivos e somem, no outro dia, por absoluta falta de conteúdo ou de consistência. Nas sociedades onde a democracia volta seus olhos para um pensamento mais conservador, a ebulição dos inconsoláveis perdedores não cessa, cresce, mas perde maturidade e razoabilidade.

Cheguei a pensar que se tratasse de um processo de infantilização da política como um todo. Afinal de contas, tal como crianças malcriadas, a esquerda não consegue aceitar as regras nem o jogo quando este não a favorece. Se uma criança perde num jogo qualquer, normalmente ela fica braba, reclama e até chora. Pode até ficar agressiva, necessitando de contenção por parte dos pais. Comecei a observar um deputado de esquerda quando perde uma votação ou um debate. Tentam reescrever a cena inteira, culpam agentes externos, vitimizam-se e jamais são capazes de aceitar um resultado contrário. Nem desculpas por seus erros são capazes de pedir.

Eis que descobri que as crianças, diferentemente dos esquerdistas, são – sim – capazes de aprender, de discernir o certo do errado e não reincidir em alguma contravenção social. Mesmo as crianças mais birrentas possuem capacidade intelectual e moral para saber que roubar é errado, que as ordens de pai e mãe têm de ser respeitadas e que mentir é feio. As pessoas adultas com pensamento e trejeitos esquerdistas têm demonstrado que não são “infantilizadas” na política. São fruto, isto sim, da imbecilização de seu ambiente familiar, da baixíssima qualidade de seus mestres e da fraca consistência moral e ética das comunidades onde foram educadas. Crianças são seres infantis. Esquerdistas são criaturas imbecis.

Cheguei à conclusão de que, nas lidas sociais, como na política e no jornalismo, na arte ou na literatura, não se pode buscar respostas como se faz na matemática ou na física. Os seres humanos ainda são intelectualmente capengas, limitados e incapazes de perceber a verdade, ainda que esfregada em suas córneas. Enquanto ainda houver pessoas capazes de dizer que Lula é um preso político, que o socialismo é algo sustentável ou que a Operação Lava-Jato é uma organização criminosa, a certeza de que ainda somos imbecis pré-históricos vai prevalecer.

Glauco-150x150*Glauco Fonseca, Headhunter e diretor da Strainer Talentos Estratégicos

Artigo: A primazia da realidade; por Roberto Rachewsky*

Artigo: A primazia da realidade; por Roberto Rachewsky*

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O Bolsonaro não foi eleito para ser um estadista moderado de fala mansa que faz um exercício introspectivo para usar palavras e pensamentos adequados à liturgia do cargo. Por sinal, o cargo de presidente do Brasil não exige liturgia alguma pois tem sido ocupado há décadas por desqualificados intelectuais ou morais. Bolsonaro foi eleito porque ele é o único político que não se incomoda de usar seu expertise para descer ao nível da sarjeta contra seus adversários.

Não há camisa de força do politicamente correto, não há comedimento retórico, não há vergonha própria que faça o Bolsonaro tratar quem se opõe a ele como fariam uma Margaret Thatcher ou um Ronald Reagan.

Bolsonaro teria que comer muito mingau para chegar a esse estágio e nem o Brasil precisa nem merece líderes com essa estirpe.

O capitão faz bem em colocar as coisas no seu devido lugar. É tarefa dele proteger a sua equipe dos ataques ferozes, normalmente imorais, às vezes criminosos dos psicopatas que habitam os partidos políticos de esquerda e dos que trabalham no submundo para lhes dar suporte logístico.

Eu sou idealista no campo das ideias mas quando a discussão vem para o dia a dia, para o tête-à-tête do diz-que diz-que, não me iludo.

É mais fácil mudar o Brasil do que transformar brasileiros como o Bolsonaro ou o Lula. Cada um com a sua idiossincrasia, eu com a minha e vocês com as suas.

O importante é avançar em direção da proteção da livre iniciativa, da propriedade privada, do estado de direito, do livre mercado, de uma sociedade civilizada. O importante são as instituições que podem civilizar os homens e não os homens incivilizados.

Bolsonaro é um mal necessário e quem colocou ele lá pode criticá-lo, mas não pode esperar dele o que ele nunca foi e nunca será.

Assim, quem critica o homem está sendo hipócrita. A crítica deve ser às propostas, aos projetos, às estratégias. Se ele diz isso ou aquilo, problema dele.

Contra a corja que domina todos os setores da sociedade, seja na política, na burocracia ou na mídia, não dá para ter papas na língua.

Quando Bolsonaro foi eleito já sabíamos que estávamos elegendo alguém com inteligência emocional mais próxima da Dilma do que da Rainha Elizabeth.

Roberto-Rachewsky-150x150*Roberto Rachewsky, Empresário

Artigo: O silêncio do porta-voz Rêgo Barros: uma análise pela técnica do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

Artigo: O silêncio do porta-voz Rêgo Barros: uma análise pela técnica do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

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Deixemos de lado o fato de que uma entrevista coletiva deva ter como personagem central uma fonte e de que o porta-voz, o general de divisão Otávio Rêgo Barros, é apenas o intermediário entre a fonte – no caso, o presidente Jair Bolsonaro – e a sociedade, ali representada pelos jornalistas. Compreende-se que o chefe do Poder Executivo precise ter alguém de confiança para falar em seu nome com a imprensa e que, em tese, tenha pouco tempo para tantos contatos. Desconheço se, erro de várias administrações anteriores, Rêgo Barros também não possua formação na área específica de Comunicação. Obviamente, esse último aspecto não é problemático para quem escolhe embaixadores com base em laços de sangue.

Vamos, portanto, a análise do trecho da transmissão da TV oficial, no qual aparecem os questionamentos do repórter Guilherme Maziero, do UOL. O jornalista está rigidamente dentro de seu papel e, de forma sempre educada, faz perguntas procedentes. Lembremos: exercer a profissão implica representar o público junto a autoridades, especialistas, protagonistas, testemunhas… – quem pode ser qualificado tecnicamente como fonte. Maziero faz isso com propriedade.

O porta-voz, no entanto, foge do fio condutor dos questionamentos. Colocado diante das dúvidas não só de Maziero, mas expressas por outros jornalistas, Rêgo Barros procura tergiversar: “Acho que não há dúvida por parte de ninguém!”. Tenta ser impositivo, mas acaba por trair sua insegurança ao recorrer ao verbo “achar”. Quem acha não acredita. Como não consegue explicar nada, joga a compreensão para os próprios jornalistas: “No todo! Vocês têm que entender o contexto no todo!”. De qual todo se trata e a qual contexto se refere, não fica claro.

Por fim, Rêgo Barros apela para a não-resposta, atitude do entrevistado que foge de questionamentos com expressões faciais, gestos, olhares… De fato, o silêncio do porta-voz é o mais significativo do seu embate com os jornalistas. Representa a reação de quem, constatada a impossibilidade de convencer racionalmente o outro, deixa no ar a ameaça de que apenas a sua posição deva ser aceita como verdadeira. E, dessa forma, fecha-se mais um pequeno capítulo do crescente desrespeito à imprensa como instituição central de uma sociedade democrática.

 

22730560_1665748616776983_387277267865023406_n-150x150*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

Artigo: A força de um Gigante; *Paulo Pinheiro

Artigo: A força de um Gigante; *Paulo Pinheiro

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Nenhum brasileiro, amante do futebol, ousa duvidar que a Copa Libertadores da América seja uma das competições mais emocionantes, acirrada, e que deixa as emoções à flor da pele. Jogos em que torcida e time se fardam para embalar um momento que pode ser de festa, ou sofrido, daqueles de roer todas as unhas das mãos. Torcer, gritar, vibrar, cantar, rir e chorar são ações que fazem do futebol um esporte em que emoção e garra compõem o espetáculo.

Neste ano, o Sport Club Internacional promove o reencontro do Beira-Rio e de sua grande torcida com essa competição que já lhe trouxe duas conquistas! A primeira delas, em 2006, diante do São Paulo, e a segunda, em 2010, contra o Chivas Guadalajara, ambas celebradas na casa colorada.

Só o torcedor colorado sabe da força que tem dentro do estádio e como o Gigante da Beira-Rio consegue ser mais imponente do que nunca quando está lotado. São incontáveis vozes entoando cânticos, empurrando o time, entusiasmando os jogadores desde o apito inicial do árbitro até o grito de É CAMPEÃO!

Paixão, pulso, vibração e ritmo são palavras que estão gravadas nas membranas do Beira-Rio e elas não foram escolhidas aleatoriamente. São sentimentos da torcida colorada que carregam o seu time rumo às vitórias. Jogadores, diretoria e comissão técnica estão de parabéns por fazerem do Inter um forte candidato para ganhar o título pela terceira vez.

 No dia 31 de julho, às 19h15, o Inter enfrenta o Nacional do Uruguai, país vizinho. Seremos os melhores anfitriões, recebendo muito bem a todos e reforçando a imagem do povo gaúcho como um dos mais hospitaleiros do país. Porém não poderemos garantir que a torcida adversária sairá tão feliz quanto a nossa. Queremos a Libertadores! Queremos o Beira-Rio vibrando novamente com mais uma vitória na competição e, principalmente, pulsando como nunca, acreditando até o final e mostrando a força de um verdadeiro Gigante.

*Paulo Pinheiro, CEO da BRIO

Opinião: Das Independências da magistratura e da imprensa

Opinião: Das Independências da magistratura e da imprensa

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Desde sexta-feira(12.07), quando comentei no SBT Rio Grande – 2ª Edição, o fato de uma juíza ter determinado a soltura de traficantes flagrados com 4,6 toneladas de maconha pela Brigada Militar, tenho sido confrontado por internautas.

Alguns deles escrevem sobre o meu desconhecimento da lei e garantem que bandidos – mesmo que sejam assassinos ou traficantes -, devem ganhar a liberdade se houver excessos das forças policiais na hora da prisão.

Respondi a alguns e para poupar meu tempo em “futuros embates”, resolvi escrever sobre o assunto.

Afinal, o que deixa milhares de cidadãos, pagadores de impostos, indignados como eu é pensar que homens e mulheres da nossa Brigada Militar, com salários atrasados arriscam a vida para prender bandidos que disseminam mortes e degradam a sociedade, para que uma juiza, com seu salário em dia solte-os.

Repito, na minha opinião os custos desta nova busca deveriam ser ressarcidos pela magistrada Lourdes Helena Pacheco da Silva.

Infelizmente, não há legislação para isso.

Não há dúvidas que os magistrados têm a absoluta e total independência para decidirem as questões jurídicas que lhes são apresentadas. Como também eu – integrante da imprensa brasileira -, tenho o direito constitucional de divulgar os fatos e, se assim entender, fazer críticas. E ninguém, nem eu, nem os integrantes do judiciário estamos imunes a elas.

No caso concreto, se houve – atenção, para esse se – constatação de abusos policiais na prisão em flagrante, não poderia o ato de “prisão administrativa” ser homologado. Entretanto, a jurisprudência é igualmente segura no sentido de que, mesmo sendo ilegal o flagrante, em casos como esses que atentam contra a ordem pública – traficantes foram presos com 4,6 toneladas de maconha – é dever do juiz decretar – inclusive de ofício – a prisão preventiva, com fundamento no art. 312 do CPP.

Por tudo o que li, não há outra possibilidade, não é dado a nenhum magistrado o poder de simplesmente conceder a liberdade aos traficantes e permitir que eles ” sumam dali”. A gravidade concreta do crime é justificativa para a prisão preventiva, situação absolutamente identificável com a enorme e histórica quantidade de drogas apreendidas.

Mesmo sem concluir, o curso de Direito, verifico um erro técnico grosseiro, ao não ter havido a decretação da prisão preventiva, mesmo que se entenda ilegal o flagrante.  Aos leigos e talvez há alguns juizes que interpretam a lei conforme suas ideias, não tenho dúvida ao afirmar que o flagrante – se ilegal -, não deveria ser homologado, mesmo assim a prisão preventiva deveria ser decretada de ofício. Estas seriam as providências técnicas corretas a serem tomadas.

Por isso, a minha crítica a decisão da juiza plantonista Lourdes Helena Pacheco da Silva.

Decisão essa que ainda bem – mesmo que infelizmente tarde demais para manter os traficantes presos -, foi reformada pela juiza Vanessa Gastal de Magalhães, que entendeu que um consórcio de traficantes que movimenta 4,6 toneladas de maconha, não pode ter seus integrantes livres para seguirem colocando em risco a nós cidadãos.

A minha crítica não é e nunca será contra a independência do juízo de decidir, mas contra erros técnicos que fazem com que nesse momento nossas Forças Policiais tenham que estar de novo nas ruas, arriscando a vida dos seus homens, para prender bandidos que já estiveram sob tutela do Estado e incompetentemente, por uma interpretação indevida da lei, foram libertados.

Caso Sidão ou quando a empatia é derrotada pelo constrangimento; por Débora de Oliveira*

Caso Sidão ou quando a empatia é derrotada pelo constrangimento; por Débora de Oliveira*

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Vivemos um mundo de deboche generalizado.
As pessoas criam memes de política e dão risada da roubalheira, da corrupção, do descaso.
As pessoas criam gifs de cenas que deveríamos lamentar, propagam stickers de situações constrangedoras de amigos e conhecidos, e viralizam vídeos “engraçados” expondo quem sequer conhecem e que talvez se sentiriam péssimos se fossem eles no lugar delas tendo a vida, assim, exposta.
Por essas e tantas outras, não me surpreende que ontem o goleiro que teve uma tarde infeliz tenha recebido a votação de craque do jogo como piada materializada em votos desse mundo cruel da internet.
Levante o dedo quem aí nunca teve aquele dia que deu tudo errado no trabalho!! Aquele dia de cão que tu te sente péssimo e quer ir pra casa se esconder debaixo das cobertas para ver se as coisas voltam a se encaixar!! Pois agora imagine se esse teu momento de fraqueza profissional vire deboche para todo mundo rir, vire assunto no País, vire prêmio e vire teu mundo?! Como você se sentiria?! Como ficaria teu emocional?! Tu sabe o quanto trabalha e o quanto se dedica, os que te criticam e riem de ti sabem?! Sabem tuas lutas, tua história e tua dedicação para ser cada dia melhor?!
Quantos “Sidãos” são bombardeados diariamente nesse caos virtual que vivemos…
Quantos imbecís curtimos, compartilhamos, retuitamos, encaminhamos… e quanto imbecís também nos tornamos por esse simples clique.
O dia que as pessoas aprenderem sobre empatia, não precisaremos mais ensinar sobre constrangimento.
Boa semana a todos!
E meu respeito à você, @sidao_12 !!

 

37692527_1069090213243441_4880504448071237632_n*Débora de Oliveira, jornalista e apresentadora do SBT Esporte

Opinião: O COAF é uma peça do estado policialesco; por Roberto Rachewsky*

Opinião: O COAF é uma peça do estado policialesco; por Roberto Rachewsky*

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O COAF é um dos inúmeros subprodutos da mentalidade coletivista estatista que assola o mundo.

Ele existe porque o governo acha que liberdade e privacidade se subordinam à vigilância e segurança.

Claro, vigilância e segurança dele, o governo.

O governo quer saber o que fazemos com o que é nosso porque, como ele mesmo tem muito poder para intervir nas nossas relações, se dá ao luxo de seguir o dinheiro para ver quem não está dentro dos conformes estabelecidos por ele mesmo.

Sob o pretexto de combater o terrorismo, a corrupção dos agentes do próprio governo e o enriquecimento ilícito, ele quer também, principalmente, xeretar na vida das pessoas e combater o tráfico de drogas, a sonegação fiscal e mesmo o enriquecimento privado do qual o governo sempre ambiciona um naco.

Terrorismo e corrupção são as únicas atividades violentas nesse rol, as demais são indivíduos ou grupo de indivíduos interagindo para produzir, comerciar ou consumir o que contratam livremente.

Só a existência do COAF, de leis que obrigam os bancos e outras instituições a informarem o que deveriam manter sob sigilo, mostra que vivemos num estado de sítio, onde os direitos individuais, entre os quais à liberdade e à propriedade, são violados sistematicamente.

Interessante é saber que a sociedade não apenas não crítica a existência dessa aberração cívica, como a aplaude.

De novo, não se resolve problemas como corrupção ou enriquecimento ilícito atuando sobre as consequências, devemos tratar das causas, entre elas, a necessidade da redução drástica dos poderes do estado para proteger nossos direitos.

O COAF é mais um enxugador de gelo que ajuda a produzir água congelada.

O dia em que uma investigação criminal batesse à porta de um banco, caberia aos investigadores obterem autorização judicial para vasculharem o que estivesse relacionado com o crime investigado. Isso é estado de direito. Qualquer coisa fora disso, é estado policialesco.

Discussão profunda não é se o COAF vai ficar com A ou B. Devemos discutir se o COAF deveria existir, se tem valor, para quem e para o quê.

Roberto-Rachewsky*Roberto Rachewsky, Empresário

 

 

 

 

ASSISTA: Liberalismo – o empresário Roberto Rachewsky no Programa BahTchêPapo com Felipe Vieira

ASSISTA: 21h30/TVU: Felipe Vieira entrevista Roberto Rachewsky, um liberal em Cuba

 

 

 

Para sempre Rui; por Rejane Martins*

Para sempre Rui; por Rejane Martins*

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É praticamente impossível encontrar em Porto Alegre alguém verdadeiramente interessado em moda que desconheça a trajetória de seu maior estilista. Nascido em Novo Hamburgo em 1929, Rui nem sempre foi Rui. Batizado Flávio Henneman Spohr e destinado a ser padre ou militar pela parteira que o trouxe ao mundo, mudou de nome para assinar uma coluna em jornal e suas primeiras criações. Filho de uma tradicional família de origem alemã, desde muito cedo decidiu que a moda era o seu universo. Fez um estágio quase que obrigatório na fábrica de calçados do pai e viu que não poderia dedicar-se a uma atividade que envolvesse processos repetitivos, sem criação, sem arte. Nos momentos vagos na fábrica, desenhou seus primeiros vestidos. Começava a surgir o Rui e a desaparecer o Flávio.

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Rui Spohr Foto: Jean Pierre Kruse

Aos 22 anos decidiu que ia fazer moda e para fazer bem feito teria de beber na fonte: Paris. Foi o primeiro brasileiro a se profissionalizar em moda na França. A família protestou, mas logo viu que o guri estava decidido e não tinha mais jeito. Só restava apoiar. Na Cidade Luz, o jovem Rui se transformou em homem da moda. Vivenciou as maravilhas do maior polo cultural do mundo naqueles tempos, testemunhou o surgimento de nomes como Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld, que davam os primeiros passos, aprendeu a beber vinho tinto e champanhe, tornou-se fluente em francês, conheceu boa parte da Europa e trabalhou com Jean Barthé, o maior chapeleiro da França. Nem tudo foi festa em Paris. Saudades da família, agruras de ser estrangeiro sem apoio de seu país para concluir os estudos, fome durante uma longa greve dos correios que o impediu de receber o dinheiro enviado pela família para o seu sustento. Ao final do curso na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, decidiu que era hora de voltar para casa.

Ao chegar de Paris, instalou-se no centro da capital gaúcha para ser chapeleiro. Foi nesta época que ele tomou a segunda grande decisão de sua vida – a primeira, segundo ele, foi estudar em Paris. A segunda: casar! Chegando ao ateliê, depois de um intervalo para almoço, encontra uma moça loira, de olhos claros e um vestido rodado, sentada no sofá, à sua espera. Ela queria trabalho. Ele precisava de uma secretária para receber as clientes, marcar horários e cuidar da burocracia do ateliê. Havia outra necessidade não descoberta: amor. Casaram-se em cerca de três anos. Do início de 1960 até hoje, foram inseparáveis.

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Dóris e Rui Spohr – Foto Juliano Antunes

Ao lado de sua querida Doris, esposa, companheira e sócia, Rui vivenciou os tempos áureos da alta-costura e foi pioneiro com o objetivo de seguir um sonho e se aprofundar no mundo da moda. Nome ligado à história e à cultura do Estado e da nossa cidade, o estilista notabilizou-se pela ousadia de suas criações e ineditismo na apresentação de desfiles em Porto Alegre. Rui transformou meninas da sociedade em manequins. Ele e Doris estavam atentos à aparição de jovens de porte, de beleza diferenciada e as convidavam para serem modelos. Assim surgiram Lucia Cury e Lilian Lemmertz, entre outros nomes que brilharam na passarela Rui. A escolha de locais inusitados para mostrar suas coleções também marcou sua carreira. Um desfile em plena catedral metropolitana entrou para a história da moda e da capital. Clubes e o próprio Palácio Piratini também foram palco desses momentos.

Uma roupa atemporal, clássica, elegante, que respeita os diferentes corpos e tipos de mulher, valorizando o belo e disfarçando o que não está tão bem. Um vestido dos anos 70, 80, não importa a data, hoje pode ser usado tranquilamente, segue sendo up to date. Um estilo único, que faz valer o slogan da marca: “A sofisticada originalidade do simples”. O nome e a marca, a pessoa e a empresa se fundem em um só. RUI perpetuou sua grife transformando-a em sinônimo de elegância.

Em festas, eventos, cerimônias, quando alguém se destaca, os elogios transbordam. Surge a pergunta: De onde é essa roupa? A resposta é uma só: Rui, quem mais? De tanto se repetir a cena, consagrou-se o jargão, hoje chamado de hashtag: Rui é Rui. Hoje, nosso sentimento, deixa de lado a dor para dar lugar à paz. Nosso Rui é imortal. Estará sempre conosco.

Para sempre Rui.

 

RejaneMartins*Rejane Martins, Jornalista e Assessora de Imprensa de Rui Spohr