Porto Alegre: Oficina de Choro está de casa nova e anuncia novidades em 2019

Porto Alegre: Oficina de Choro está de casa nova e anuncia novidades em 2019

Artigos Cidade Cultura Destaque Educação

 

 

A Oficina de Choro – projeto de educação musical que completa 15 anos em 2019 – está de casa nova: a partir de agora, as atividades serão realizadas no Instituto Ling – instituição cultural com sede no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre.

A Oficina – que vem exercendo um papel decisivo para o crescimento da cultura do Choro e da música popular brasileira no Rio Grande do Sul e se destaca como um dos três maiores projetos voltados ao ensino de Choro no país – passa a atuar em novo formato, com aulas gratuitas de instrumento e teoria musical com convidados especiais, atividades de prática de conjunto com formação de grupos, além da criação da OCPA – Orquestra de Choro de Porto Alegre.

unnamed(46)
Mathias Pinto, coordenador da Oficina de Choro. Foto: Tom Silveira

No ano de 2018, o projeto teve o maior crescimento desde a sua criação, contando com um núcleo de mais de 400 alunos que receberam formação musical através da linguagem do choro, com diferentes aulas abertas ao público. A Oficina de Choro tem curadoria e produção da Branco Produções, também parceira do Instituto Ling na programação musical do Centro Cultural.

Para Mathias Pinto, coordenador do projeto, o apoio do Instituto Ling é fundamental para garantir a continuidade do ensino da música brasileira em Porto Alegre e a conquista de novos espaços para o choro: “Estamos no grande momento deste gênero que é um grande patrimônio musical brasileiro, e valorizamos e resgatamos este legado com a ampla participação dos jovens. Neste ano que se inicia, o grande desafio da Oficina de Choro é ampliar o espaço da música instrumental na cena cultural, formando músicos e grupos, e implementando a ideia inédita de uma Orquestra de Choro”, comenta.

“Para nós do Instituto Ling é uma honra e uma grande alegria abrigar este projeto tão querido e tão importante para o ensino de música no sul do Brasil, que incentiva a postura criativa, a formação de músicos e de público.” afirma Carolina Rosado, gerente do Centro Cultural Instituto Ling.

A partir do dia 15 de fevereiro, a Oficina de Choro abre inscrições para as aulas do primeiro semestre. Os cursos serão gratuitos, com vagas limitadas.

www.oficinadechoro.com.br

Artigo: O Estadista; por Flavio Ernesto Correa*

Artigo: O Estadista; por Flavio Ernesto Correa*

Agenda Artigos Destaque Direito Economia Poder Política

 

Uma das coisas que mais me chamou a atenção positivamente, e que parece ter passado batido, foi a revelação feita pelo General Heleno, em brilhante entrevista concedida à Globo News na quarta-feira, quando, referindo-se a Bolsonaro, disse que “não passa pela cabeça dele a reeleição para que tenha liberdade e autonomia para tomar decisões sem essa preocupação”. Parece que estamos arriscados a ter no Capitão a figura do estadista que há décadas almejamos e precisamos. Benjamin Disraeli, Primeiro Ministro britânico no século XIX e autor da frase que diferencia político de estadista (“político só pensa nas próximas eleições, estadista pensa nas próximas gerações”), deve ter se remexido no túmulo num surto de alegria, por ver que finalmente no Brasil um chefe do executivo recém eleito captou a mensagem.
É bom frisar que Bolsonaro disse reiteradamente em sua vitoriosa campanha que não seria candidato à reeleição. Eleição, aliás, que apesar de ser em 2022, já começa a ser acirradamente disputada antes mesmo do novo governo federal se instalar. Nas conversas de botequim já pintam nomes como Sérgio Moro e João Doria, só para citar alguns. Deus ajuda quem cedo madruga, não é mesmo?
Bolsonaro sabia muito bem disso quando há quatro anos começou a percorrer o país tentando viabilizar uma candidatura que naquele momento parecia impossível.
O Presidente é mesmo fã de Disraeli: “O segredo do êxito na vida de um homem está em preparar-se para aproveitar a ocasião, quando ela se apresenta”.

Foi o que ele fez.

Conseguiu captar nas ruas o desejo de mudança.

E mudança é justamente o que ele está fazendo, dando uma guinada à direita e implantando um programa liberal “como nunca se viu antes na história deste país”. Está provado que os programas de esquerda não deram certo. O atual tem que dar certo. O Brasil não pode mais esperar pela sua merecida prosperidade com justiça social, sob pena de sentenciar as futuras gerações à pobreza, que está avançando a passos largos, e ao eterno subdesenvolvimento. É preciso que o novo governo continue merecendo o voto de confiança que as urnas lhe deram. É impatriótico desencadear uma oposição xiita e irresponsável quando ainda não deu tempo de mostrar serviço. Afinal, se o resultado do serviço for bom todos nós nos beneficiaremos. Somos uma sociedade só. Como diria Renato Russo: “torcer para que o novo governo dê errado é desejar que o prédio em que mora desabe só porque não gosta do síndico”. É constrangedor fazer beicinho como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não compareceu à posse. Transformou-se numa melancólica ausência que preencheu uma lacuna.
A verdade é que a gestão Bolsonaro está começando com o pé direito, sem medo de enfrentar o “establishment” que rapinou vorazmente os cofres públicos, roubando descaradamente o nosso dinheiro e lesando especialmente os mais pobres, que tanto necessitam dos serviços públicos.

Bolsonaro está inovando.

Como na cerimônia de posse, quando, no Parlatório, foi precedido pelo inesperado discurso da primeira dama, que a todos encantou e emocionou. Entendi melhor a fala em Libras de Michelle Bolsonaro do que os discursos de Dilma Rousseff “em português”…
É claro que a parada não vai ser fácil. Enfrentar a bandidagem, de colarinho branco ou não, é tarefa heroica. Leis mais duras contra a corrupção, por exemplo, sofrerão forte oposição de boa parte do Congresso, que tem o rabo preso e morre de medo da ir parar atrás das grades, destino inexorável dos malfeitores que julgavam estar protegidos pela “eterna” impunidade, que parecia “imexível”, como diria o Ministro Magri.
Esta horda de criminosos ainda acha que o Supremo, no dia 10 de abril, vai se apequenar definitivamente revertendo a possibilidade de prisão para condenados em segunda instância, espada de Dâmocles que ainda paira sobre a nossa cabeça e que poderá liberar quase 170 mil presos, liderados por Lula, e ferir mortalmente a Lava Jato. Só que desta vez não vamos aceitar e, se preciso for, iremos à Brasília para impedir que este descalabro seja consumado. Os nossos 11 Supremos (cada ministro tem o seu) estão cutucando o leão com vara curta.

Há que ressaltar a fala de Paulo Guedes, quando afirma, entre tantas outras coisas relevantes, que sem a reforma da previdência não há salvação. E grifar suas palavras quando lembra que o sistema atual é uma grande fábrica de injustiças. Quem legisla (os deputados e senadores) e quem decide (o judiciário) ganham aposentadorias milionárias enquanto o povo, que paga os seus salários, tem que se contentar com mixaria.
Será que Paulo Guedes, apoiado por todo o governo, terá força para ganhar a batalha contra as famigeradas corporações que até hoje dominam o Planalto Central e que fazem de Brasília, que não produz nada, o maior PIB do Brasil?

A opinião pública certamente estará ao seu lado.

É bom lembrar que a caça aos marajás elegeu o desconhecido Fernando Collor em 1989. É exatamente isso que continuamos querendo.
Parafraseando Duda Mendonça, “deixem os homens de Bolsonaro trabalhar”.
É grande a chance do estadista e seu “dream team” darem certo.

 

índice*Flavio Ernesto Correa (Faveco) é publicitário

 

Artigo: O teatro principal. Novo governo gasta energias em muitas frentes e depende de uma só; por William Waack/O Estado de S.Paulo

Artigo: O teatro principal. Novo governo gasta energias em muitas frentes e depende de uma só; por William Waack/O Estado de S.Paulo

Agenda Artigos Destaque Economia
Bomba fiscal é bomba social. A do Brasil é monumental e o novo governo mal começou a lidar com ela. Depois de muito espremer as estatísticas, economistas da FGV-SP chegaram a um número de forte expressão simbólica, dada a questão social embutida na frase “atacar a questão fiscal”. De cada 1 real gasto pelos cofres públicos, 75 centavos vão para pagamento de previdência, programas assistenciais, transferências de benefícios.

Trata-se, na verdade, de uma gigantesca folha de pagamentos, dos quais dependem direta ou indiretamente cerca de 2/3 da população do País. Falar em “ajuste fiscal”, “atacar a questão dos gastos públicos” significa, portanto, lidar com um problema social de implicações políticas que o novo governo está começando a entender. Vai demandar um grau de capacidade de articulação e equilíbrio cuja ausência até aqui em governos anteriores foi compensada através da distribuição de benesses (de todos os tipos) e aumento de impostos – e não há mais espaço para nenhum deles.

A questão tributária e a quebradeira dos Estados têm de ser colocadas também nessa conta – que, insisto, é uma conta para a Política. Assim, os 308 votos necessários na Câmara dos Deputados em Brasília são apenas parte do desafio. A coesa e coerente equipe econômica sob Paulo Guedes e a estrutura de comando executiva composta ainda por vários militares de boa formação e cabeça aberta dispõe de qual “governabilidade” diante: a) do tamanho da bomba (que é uma corrida contra o tempo) e b) da óbvia falência de um sistema político que talvez esteja apenas iniciando um processo de recuperação?

Os sinais do período de transição indicam que Bolsonaro entendeu que a articulação política com o Congresso tem sentido mais amplo do que contar votos de deputados e isso não é tarefa para um homem só. Entendeu que política é negociação e compromisso e tanto é assim que encontrou um nome para o Ministério da Educação do agrado de um círculo político do qual ele, Bolsonaro, depende para apoios (evangélicos). Está apanhando ainda para perceber que propostas de palanques (e lacração em redes sociais) não são programa nem método de governo – quanto mais depressa Bolsonaro “institucionalizar”, melhor para ele mesmo.

A política trouxe do vocabulário militar expressões como “teatro principal de operações” e “teatro secundário de combate”. Há nos primeiros passos da transição iniciada pela onda política que varreu o País a clara evidência de confusão entre esses dois planos. É “normal” para a situação de um presidente empurrado aonde chegou por uma transformação política que se dá tanto em torno de “valores” quanto pelo desejo de ver a economia destravando e gerando prosperidade (portanto, de projetos e plataformas). O problema aqui é se concentrar no teatro principal e não gastar energias em ávidos debates secundários, cujo principal mérito é sobretudo produzir muita repercussão em redes sociais.

Diante do fato inconteste que o Brasil é fatiado em interesses corporativistas dos mais diversos, e muito bem organizados, ganhar a eleição foi o mais fácil e a verdadeira guerra começa agora. A tal da “governabilidade”, entendida como capacidade de levar adiante o que o governo acha que precisa fazer, depende diretamente da concentração de esforços no que realmente importa. O preço político a ser pago é enorme e difícil de ser calculado, mas provavelmente não conseguirá ser saldado se o emprego do capital trazido pela vitória eleitoral se dissipar em muitas frentes.

130_Waack-estadao-200William Waack/O Estado de S.Paulo

Opinião: Winston Churchill e Jair Bolsonaro; por Ricardo Sondermann*

Opinião: Winston Churchill e Jair Bolsonaro; por Ricardo Sondermann*

Artigos Destaque Mundo Poder Política Vídeo

Na Guerra: Determinação
Na derrota: Insurgência
Na vitória: Magnanimidade
Na Paz: Boa Vontade

O presidente eleito Jair Bolsonaro se apresenta à nação com alguns livros sob a mesa: entre a bíblia e a constituição, as memórias da Segunda Guerra Mundial escritas por Winston Churchill.

Churchill conduziu o povo inglês e o mundo livre no conflito contra o nazismo e a barbárie. Lutou, com exércitos e palavras, expondo a realidade do campo de batalha, as derrotas, as vitórias, os objetivos e através da verdade, com firmeza e humildade, ganhou a guerra. Durante os piores períodos, quando a vitoria nazista parecia inexorável, incentivou a resistência das populações contra o invasor. Alcançada a vitória, projetou a reconstrução das nações destruídas uma vez que as populações não mereciam o mesmo fim que seus líderes. Soube propagar um sentimento de esperança, respeito e grandiosidade que faz com que até hoje, transcorridos 53 anos de sua morte, Churchill ainda seja lembrado.

Jair Bolsonaro enfrentou uma eleição com determinação. Nos momentos em que esteve sob ataque, insurgiu-se e foi a voz da revolta. Vitorioso, deverá ser magnânimo e saber construir pontes. Em seu discurso de vitória declara que “a verdade vai liberar esse grande país e vai nos transformar em uma grande nação”. Prossegue dizendo que “o que ocorreu hoje (domingo, dia 28.10) nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela vitórias, os objetivos e através da verdade, com firmeza e humildade, ganhou a guerra. Durante os piores períodos, quando a vitoria nazista parecia inexorável, incentivou a resistência das populações contra o invasor. Alcançada a vitória, projetou a reconstrução das nações destruídas uma vez que as populações não mereciam o mesmo fim que seus líderes. Soube propagar um sentimento de esperança, respeito e grandiosidade que faz com que até hoje, transcorridos 53 anos de sua morte, Churchill ainda seja lembrado.

Jair Bolsonaro enfrentou uma eleição com determinação. Nos momentos em que esteve sob ataque, insurgiu-se e foi a voz da revolta. Vitorioso, deverá ser magnânimo e saber construir pontes. Em seu discurso de vitória declara que “a verdade vai liberar esse grande país e vai nos transformar em uma grande nação”. Prossegue dizendo que “o que ocorreu hoje (domingo, dia 28.10) nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade”.

Isso é o que se espera de um verdadeiro líder. Bolsonaro têm pela frente gigantes desafios e ao admitir as dificuldades e suas fraquezas pessoais, demostra humildade e vontade de acertar. O momento atual exige gestos grandiosos e energia para lutar pela liberdade, pela democracia, por bom senso e pela manutenção dos valores ocidentais. Jair Bolsonaro não é Churchill, mas ao exibir alguns livros nos aponta o interesse pelo conhecimento, discutir ideias, aprender e evoluir como indivíduos e sociedade. Com isso em mente, Churchill é uma boa indicação.

*Ricardo Sondermann, é autor do livro “Churchill e a Ciência por trás dos discursos – Como palavras se transformam em armas”. **Artigo publicado originalmente no www.pontocritico.com de Gilberto Simões Pires

Eu conversei com Ricardo Sondermann sobre a obra escrita por no BahTchê Papo.

 

Editorial: O ego de Lula; O Estado de São Paulo

Editorial: O ego de Lula; O Estado de São Paulo

Artigos Comunicação Notícias Opinião

Por mais que o PT tenha se esforçado para fingir que seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, não é um mero preposto de Lula da Silva, há algo que nenhum truque de marketing será capaz de mudar: o PT sempre foi e continuará a ser infinitas vezes menor do que o ego de Lula. Na reta final da campanha eleitoral, justamente no momento em que Haddad mais se empenha para buscar apoio fora da seita lulopetista, o demiurgo de Garanhuns, decerto inquieto na cela em que cumpre pena por corrupção, resolveu divulgar uma carta para exigir – a palavra adequada é essa – que todos reconheçam a inigualável grandeza de seu legado como governante e que votem no seu fantoche se estiverem realmente interessados em salvar a democracia brasileira, supostamente ameaçada pelos “fascistas”.

O tom da mensagem é o exato oposto do que seria recomendável para quem se diz interessado em angariar a simpatia daqueles que, embora não tenham a menor inclinação para votar em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, tampouco gostariam de ver o PT voltar ao poder. Para esses eleitores, somente se o PT reconhecesse, de maneira honesta e sem adversativas, seu papel preponderante na ruína econômica, política e moral do Brasil nos últimos anos, cujos frutos mais amargos foram o empobrecimento do País e a desmoralização da política, talvez houvesse alguma chance de mudar de ideia. Mas isso é impossível, em se tratando de Lula da Silva, que se considera o mais importante brasileiro vivo e o maior líder que este país jamais terá.

Na carta em que diz que “é o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia”, Lula não reserva uma única vírgula ao desastre econômico do governo de Dilma Rousseff, outra de suas inesquecíveis criações. Ao contrário: afirma que Dilma sofreu impeachment em razão de uma imensa conspiração de “interesses poderosos dentro e fora do País”, incluindo “todas as forças da imprensa” e “setores parciais do Judiciário”, para “associar o PT à corrupção” – omitindo escandalosamente o fato de que Dilma foi cassada exclusivamente por ter fraudado as contas públicas com truques contábeis e pedaladas. O petrolão, embora tenha sido motivo mais que suficiente para que o PT fosse defenestrado do poder para nunca mais voltar, não foi levado em conta no processo.

Como jamais teve compromisso real com a democracia – que pressupõe respeito a quem tem opinião divergente, para que seja possível o consenso – e também nunca reconheceu a legitimidade de nenhum governo que não fosse o seu ou de seus títeres, Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. A carta, ao contrário, é uma reafirmação de todas as mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

Lá estão as patranhas que tanto colaboraram para fazer do antipetismo um movimento tão sólido e vibrante, conforme atestam as pesquisas de opinião. Lula, sempre no plural majestático, diz que “fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo” e por isso “tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo”. O sujeito desse complô, claro, é indeterminado, mas unido no que Lula chamou de “ódio contra o PT”.

Tudo porque, diz Lula, “tiramos 36 milhões de pessoas da miséria”, porque “promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social”, porque “fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste” e porque “abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos”.

Nada mais, nada menos. Esse panegírico só serve para mostrar que Lula é mesmo incorrigível – e que seu arrogante apelo para “votar em Fernando Haddad” e assim “defender o estado democrático de direito” contra a “ameaça fascista que paira sobre o Brasil” não vale o papel em que está escrito.

O Estado de S. Paulo

Leia mais: Carta de Lula sobre o segundo turno das eleições; Lula.com.br

O suicídio assistido do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

O suicídio assistido do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

Artigos Destaque Tecnologia Trabalho

Começou com o deslumbramento da mídia em relação à participação do público. É muito claro em rádio, meio em que o número de produtores despencou. Eram eles que marcavam entrevistas. O espaço dos especialistas, dos protagonistas e das testemunhas – os entrevistados – foi, assim, ocupado pelo achismo do ouvinte. Não se trata de ser contra a participação do público, mas de entender o processo. Junto, o especialista também deu lugar ao jornalista sabe tudo. Em paralelo, veio a imposição como pauta do que “bomba” nas redes. Bobagens passaram a ser tratadas como notícia.

Não percebemos que o jornalista estava perdendo o seu lugar de fala – e de poder – como mediador e certificador. Os próprios comunicadores ampliaram o problema ao assumirem posições políticas e até clubísticas, tudo em um nível nunca antes visto. Observe que, em nível de senso comum, partidos e times de futebol são tratados quase da mesma forma. Não temos mais eleitores, mas torcedores. Há excesso de “hooligans” na redução do debate à ofensa.

A reportagem perdeu centenas de oportunidades. O afastamento de Dilma Rousseff teve cobertura pífia, infinitamente mais rasa do que a do impeachment de Fernando Collor. Reduziu-se tudo a agenda do dia. Não estou falando da igualmente superficial e manipulativa transformação dos erros do PT em “perseguição midiática”, argumento torpe que explica parte do problema político atual. Provavelmente, se a imprensa tivesse exercido seu papel, teríamos denúncias muitíssimo mais fortes em relação a todos os partidos. Haveria mais gente presa e não teriam se verificado alguns comportamentos de integrantes do Judiciário.

O nível de cobrança em relação ao fenômeno das fake news, então, é ridículo. Sempre na defensiva. Isso ou aquilo é mentira. E deu. Zero de investigação das causas. Fica tudo na tentativa de tratamento das consequências. A reputação de alguém é abalada em milhares de compartilhamentos e a imprensa acha que fez a sua parte, desmentido o que já circulou como verdadeiro.

O protagonismo pendeu da reportagem para o articulismo. Os jornalistas mais contundentes são, hoje, os que ocupam espaços de opinião. É sintomático que a denúncia mais forte contra o atual presidente tenha aparecido em uma coluna de um jornalista. Quem opina, por mais contatos que tenha, raramente comparece ao palco de ação dos fatos. Na imprensa, quem deve exercer a investigação é, portanto, o repórter. Poucos estão fazendo investigação jornalística. Dê uma olhada no El País ou no The Intercept. A atividade deles passa longe da estupefação apaziguadora dos grandes jornais brasileiros.

Trata-se, sem dúvida, de um suicídio assistido. Pior. É dificílima a ressurreição do bom jornalismo no quadro atual em que dose considerável de fanatismo aceita o escrachadamente falso como verdadeiro. A tentativa, no entanto, é essencial. Por enquanto, o poder da informação – fique claro – pendeu para os grupos de afinidade no WhatsApp. E isso é péssimo para o jornalismo como instituição.

22730560_1665748616776983_387277267865023406_n

 

*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

Análise: Mensagens simples e eficazes fazem campanha de Bolsonaro decolar. Taxa de rejeição de candidato do PSL, antes acima dos 40%, caiu para 37%; por Guilherme Evelin/O Globo

Análise: Mensagens simples e eficazes fazem campanha de Bolsonaro decolar. Taxa de rejeição de candidato do PSL, antes acima dos 40%, caiu para 37%; por Guilherme Evelin/O Globo

Artigos Destaque Opinião

Ao confirmar a tendência detectada pelo Datafolha na semana passada, a pesquisa do Ibope mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro , caminha para uma vitória estrondosa no dia 28 – a não ser que um cataclismo aconteça.

É normal que candidatos com maior votação no primeiro turno saiam na frente no round seguinte. Mas Bolsonaro foi além disso. O candidato do PSL não só manteve uma sólida base de seguidores fiéis — 41% deles dizem não ter dúvidas de que votarão no capitão — como atraiu mais eleitores que optaram por outros candidatos no primeiro turno do que Fernando Haddad, do PT.

Bolsonaro conseguiu outro feito. Sua taxa de rejeição, antes acima dos 40%, caiu para 37%, enquanto a de Haddad subiu para 47%. O desempenho do candidato do PSL é resultado de uma campanha de mensagens simples, mas eficazes. Bolsonaro promete mudança ao eleitor desencantado e, para aumentar a rejeição a Haddad, bate no PT, associado à corrupção do sistema político.

Ainda há tempo, em tese, para Haddad protagonizar uma virada. Mas essa meta parece cada vez mais distante — e não só pela diferença de 18%. O tamanho do desafio de Haddad pode ser medido pelo fato de que não basta para ele atrair os eleitores que dizem que vão votar em branco ou nulo — 9%, segundo o Ibope. Para uma virada, Haddad precisa tirar votos de Bolsonaro.

O candidato do PSL não tem dado, porém, margem para erros. Sua campanha é profissional. Com base em atestados médicos, reduziu a exposição a debates e, depois de um primeiro turno focado nas redes sociais, está fazendo uma propaganda para a TV igualmente bem produzida.

ANÁLISE: Crescimento de Bolsonaro é mais vigoroso que ritmo de Haddad; por Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

ANÁLISE: Crescimento de Bolsonaro é mais vigoroso que ritmo de Haddad; por Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

Artigos Comportamento Destaque Poder Política
A primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo do segundo turno das eleições 2018, divulgada na segunda-feira, 15, indica Bolsonaro com 59% e Haddad com 41% dos votos válidos, ou seja, excluindo os votos nulos, brancos e indecisos. Uma vantagem enorme para Bolsonaro, cuja força política foi sentida ao final do primeiro turno, não apenas, aqui, na disputa presidencial, mas, especialmente, na força do PSL, elegendo a segunda maior banca da Câmara.

Na votação para o segundo turno, há os seguintes recortes: sexo, idade, escolaridade e renda familiar. Nestes dois últimos, Haddad tem maior intenção de votos entre os mais pobres – que ganham até 1 salário mínimo –  e entre os menos escolarizados –  que cursaram até a quarta série. Contudo, mesmo nestes recortes, Bolsonaro ganha de Haddad em todos os outros segmentos de renda e de escolaridade. O ex-capitão, também, lidera nos recortes sexo e idade. Com isso, pode-se depreender que o ritmo do candidato do PSL é mais vigoroso que o ritmo do petista, até mesmo no “potencial de voto” e na “certeza do voto”. Bolsonaro tem um eleitor mais convicto e Haddad, por sua vez, já é mais rejeitado que Bolsonaro.

Com esses dados apresentados pela pesquisa, alguns pontos a considerar:

1) Bolsonaro colhe os frutos de ter se firmado – antes dos outros – com maior força como um antipetista e o maior antagonista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato;

2) A estratégia do PT de manter Lula em evidência e até o último momento e ligando-o a Haddad contribuiu sobremaneira para a força do discurso de Bolsonaro;

3) Provavelmente se o PT tivesse retirado Lula de cena e fortalecido a imagem mais centrada de Haddad, hoje, a disputa seria de outra ordem;

4) A campanha de Haddad ao mudar suas cores e subtrair o nome de Lula acusou, tardiamente, o golpe, mas tais mudanças não surtirão efeito, especialmente pela força dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais;

5) Haddad insistirá na ida de Bolsonaro aos debates televisionados, crendo que, com isso, possa frear seu oponente expondo suas fragilidades;

6) Se, por ventura, Bolsonaro for aos debates e seu desempenho for ruim, mesmo assim, terá pouco impacto em sua imagem e em suas intenções de voto, mantendo a vantagem;

7) A tal frente dos democratas – junto com Haddad – contra Bolsonaro não empolgou ninguém, ou seja, nem Marina e nem Ciro, especialmente,  estão dispostos a vincular sua imagem à de Haddad neste momento;

8) A construção narrativa do PT do “nós” contra “eles” conseguiu, só agora, um adversário que luta na mesma sintonia – o PSDB e Marina nunca conseguiram devolver, na mesma moeda, os torpedos discursivos dos petistas;

9) A força de Bolsonaro nas redes sociais rompeu o paradigma da importância do tempo de rádio e televisão; e, finalmente,

10) A não ser que Bolsonaro cometa um erro crasso ou um escândalo de enorme proporção modifique o humor do eleitorado, será muito, muito difícil Haddad superar seu adversário.

* Professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Porto Alegre: Parabéns prefeitura pela aceleração das licenças, mas por favor não esqueçam da Sus-ten-ta-bi-li-da-de. A Zona Sul tá no limite!

Porto Alegre: Parabéns prefeitura pela aceleração das licenças, mas por favor não esqueçam da Sus-ten-ta-bi-li-da-de. A Zona Sul tá no limite!

Artigos Destaque Opinião

Leio que seguindo orientação do prefeito Nelson Marchezan Júnior, a Secretaria do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) tem trabalhado de forma acelerada na análise da documentação dos projetos com impacto para gerar crescimento para a cidade. Parabéns ao prefeito e a todos envolvidos. Que cada vez mais venham novos investimentos sustentáveis para Porto Alegre.

Mas, por favor, – e o que vou escrever não é culpa só do Marchezan, mas de todos os outros que vieram antes dele também-, não adianta INCHAR a Zona Sul de Condomínios e Prédios, se não realizarem obras sérias de duplicação das avenidas, alargamento das ruas e proibição de estacionamento dos dois lados da via. E não adianta me falarem da “1/2 sola” que estão fazendo na Coronel Marcos. É insuficiente!

Fala-se tanto em sustentabilidade, conhecedor do conceito, o próprio Marchezan queria trocar o nome da SMAM e criar a Secretaria da Sustentabilidade, não conseguiu e a palavra foi agregada ao tradicional órgão já existente. Pois bem, uma das mais ricas áreas ambientais estará em risco em breve se algo não for feito para ordenar o processo de investimentos na Zona Sul, de Porto Alegre. Há que se preservar agora áreas de recurso renováveis para preservação dos não renováveis. Sinceramente, parece que ninguém está preocupado com os impactos ambientais provocados pelo uso irracional dos espaços urbanos e meio-ambiente da Região. Há muitos anos falta planejamento e existe uma inconsequente aprovação de novos prédios, condomínios. e loteamentos. Onde havia um terreno com uma casa e carros é liberada a construção de um edifício, onde os moradores terão dezenas de veículos; onde havia uma chácara é construído um condomínio… Em áreas maiores? Grandes loteamentos! E isso tudo sem as devidas obras viárias. Mais gente morando, mais veículos trafegando em ruas antigas e despreparadas para o fluxo. E esse aumento do número de automóveis nas vias, significa mais dióxido de carbono sendo emitido, causando mais poluição.  Isso sem contar o stress causado pelos congestionamentos nas pessoas que  perdem tempo preciso no deslocamento casa, trabalho, locais de estudo…

Fica o alerta! O trânsito da Zona Sul está próxima do colapso em horários de pico, se a prefeitura e os empresários investidores não se flagrarem disso vão perder dinheiro e estragar um cartão postal da cidade

O segundo turno começou mais cedo; por Bernardo Mello Franco/O Globo

O segundo turno começou mais cedo; por Bernardo Mello Franco/O Globo

Artigos Destaque Opinião

Agora é oficial. A julgar pelo Ibope, a eleição afunilou de vez entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Se não houver uma grande reviravolta, os dois estarão no segundo turno. Isso equivale a dizer que o duelo final pela Presidência começou mais cedo.

A nova pesquisa praticamente enterra as chances de uma terceira via. Ciro Gomes tentou ocupá-la, mas estacionou em 11% das intenções de voto. Ele precisaria dobrar seu eleitorado para empatar com Haddad na reta final. É uma missão quase impossível a menos de duas semanas das urnas.

Geraldo Alckmin também se esforçou, mas continua atolado na casa de um dígito. Sua campanha entrou no modo de crise permanente. Dia sim, outro também, o presidenciável é abandonado por um aliado do centrão ou do próprio PSDB.

Os partidos da coligação fixaram uma data-limite. Se o tucano não ressuscitar até o Datafolha de sexta-feira, será largado à própria sorte. Os mais afobados não querem esperar a missa de corpo presente. É o caso de seu ex-pupilo João Doria, que já entrou na dança do acasalamento com Bolsonaro.

O capitão manteve seus 28%, mas recebeu três notícias ruins. A primeira foi o crescimento de Haddad, que chegou a 22% e passou a ameaçar sua liderança. A segunda foi o crescimento de seu próprio índice de rejeição, que chegou a 46%. A terceira foi a mudança nos cenários de segundo turno.

Bolsonaro voltou a aparecer em desvantagem na maioria das simulações. Se a eleição fosse hoje, ele seria derrotado por Haddad, Ciro e Alckmin. Só empataria com Marina, que encolheu para 5% e corre o risco de terminar a eleição entre os nanicos.

Os números animaram os petistas, mas não significam que Haddad terá vida fácil. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, afirma que a verdadeira rejeição do petista é maior que os 30% indicados na pesquisa. Ele diz que o questionário capta a aversão à “pessoa física” do candidato. Seu desgaste tende a aumentar quando o eleitor que não deseja a volta do PT passar a identificá-lo como inimigo.

Leia mais em O Globo.