Livros: Liga da Canela Preta reconta trajetória negra no futebol em Porto Alegre

Livros: Liga da Canela Preta reconta trajetória negra no futebol em Porto Alegre

Cultura Destaque

Para quem gosta de futebol, uma leitura obrigatória e se você não gosta do esporte bretão, mas gosta da boa história, leia também. Está nas livrarias o mais novo lançamento da  Diadorim Editora, “Liga da Canela Preta: a história do negro no futebol”. Escrito pelo historiador e pesquisador José Antônio dos Santos, a obra é resultado de uma pesquisa de seis anos. O livro investiga uma das passagens menos documentadas do futebol gaúcho: a história dos clubes e associações esportivas que, na primeira metade do século XX, promoveram campeonatos de futebol onde o povo negro era o protagonista e que iam contra a estrutura então estabelecida pelos grandes clubes dos primórdios do futebol gaúcho.

47577485_122466022030747_617431519081791488_n (1)O autor demonstra, no livro, que o futebol se desenvolveu de múltiplas formas e com diferentes protagonistas. E que as elites não foram, necessariamente, o centro desse processo. “Para além das representações correntes, as quais definem as elites como principais atores no desenvolvimento do jogo de bola na cidade, me afasto das perspectivas que afirmam que o futebol teria surgido entre os grupos privilegiados e irradiou-se para os grupos subalternos”, define Santos. O livro terá sessão de autógrafos no próximo sábado (15/12), às 15h, no Boteko do Caninha (rua Barão do Gravataí, 577). Sobre o livro, o jornalista Jones Lopes da Silva, que assina a apresentação, diz o seguinte: “A obra do historiador José Antônio dos Santos vem esclarecer fantasias, informações desencontradas, afirmações não comprovadas e narrativas consagradas a respeito.

Em “Liga da Canela Preta: a história do negro no futebol”, José Antônio afirma que não houve exatamente uma Liga da Canela Preta no início do século XX em Porto Alegre. Segundo Santos, desde 1913 os moradores dos bairros negros constituíram ligas de futebol de várzea com pomposos nomes que lhes concediam identidade e um sentido associativo. Surgiu assim a Liga de Futebol Sul-Americana e, mais tarde, brotaram tantas outras. Em 1920 nasceram na várzea a Liga Nacional de Football Porto-Alegrense, a Associação Esportiva de Football e a Associação de Amadores de Football. Seus times jogavam entre si nos mesmos campos dos baixios da cidade. E se sucederam associações ao longo dos tempos”. E prossegue: “Santos vasculha sobre o nascimento do futebol em Porto Alegre, de como as comunidades alemã e portuguesa incentivaram a prática do esporte bretão com o propósito de alternativa saudável de lazer. E de como, à parte os amistosos de pioneiros clubes de euro-descendentes, a exemplo do Grêmio, Fuss-Ball e Rio Grandense, negros e brancos pobres se organizaram em sociedades, agremiações bailantes, culturais, beneficentes e blocos de carnaval em demonstração de força política de identidade e de sobrevivência social, 15, 20, 25 anos adiante da Abolição da Escravatura, de 1888”.

 

Liga da Canela Preta: a história do negro no futebol, de José Antônio dos Santos

Diadorim Editora 192 páginas

Projeto gráfico: Roberto Schmitt-Prym

Capa: Poti Silveira Campos

Preço: R$ 40

Porto Alegre: Prêmio Inquieto de Jornalismo da UniRitter reconhece talentos da profissão

Porto Alegre: Prêmio Inquieto de Jornalismo da UniRitter reconhece talentos da profissão

Agenda Cidade Comunicação Cultura Notícias Trabalho

O Prêmio Inquieto de Jornalismo da UniRitter chega à sua terceira edição com novidades. Duas novas categorias ampliam o reconhecimento  ao talento dos estudantes, além do “Destaque Profissional”, que irá premiar um profissional com notável destaque no mercado gaúcho. Selecionados pelo corpo docente do Curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da UniRitter, concorrem nesta primeira edição os jornalistas Rosane Marchetti, Daniel Scola e Elói Zorzetto. O profissional mais votado pelos alunos será conhecido e premiado durante o evento, que acontece no próximo dia 13 de dezembro, no auditório Master do Campus Zona Sul.

 “É uma oportunidade para os estudantes gerarem portfólio e se aproximarem do mercado. Este ano também inovamos ao reconhecer profissionais que fazem a diferença, o que contribui para  valorizar  a profissão”, destaca Leandro Olegário, coordenador do Curso de Jornalismo da UniRitter. Com 130 trabalhos em 12 categorias, esta edição  registrou quase 20% a mais de inscritos do que no ano passado.

 No dia 07 de dezembro será divulgada a lista com os cinco finalistas em cada categoria. Destes, serão escolhidos o 1º e 2º lugares e a menção honrosa. Os trabalhos foram avaliados por um júri de 36 profissionais de mercado, especialistas em diversas áreas da comunicação.

 O Prêmio é realizado desde 2016 com o objetivo de reconhecer os talentos do curso de Jornalismo da UniRitter, premiando os melhores trabalhos desenvolvidos em sala de aula e em projetos de pesquisa e extensão. O reconhecimento também ajuda a abrir portas para o mercado de trabalho,  já que o corpo de jurados é formado por profissionais de destaque da imprensa gaúcha, além de promover a fidelização da marca Jornalismo – UniRitter.

 Confira as categorias do Prêmio Inquieto de Jornalismo

– Pesquisa em Jornalismo

– Reportagem especial digital

– Jornalismo digital

– Revista

– Fotojornalismo

– Assessoria de Comunicação

– Documentário: Áudio e Vídeo

– Telejornalismo – Programa

– Telejornalismo – Reportagem*

– Radiojornalismo – Programa

– Radiojornalismo – Reportagem*

– Jornalismo impresso

 – Destaque profissional*

*Novas categorias desta edição 

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Alunos da UNiRitter Fotos: Agência INQUniRitter

Porto Alegre:  Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e Oscar dos Reis apresentam Tributo à Piazzolla

Porto Alegre: Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e Oscar dos Reis apresentam Tributo à Piazzolla

Agenda Comunicação Cultura Notícias

Com regência e direção artística do Maestro André Munnari, o Theatro São Pedro, em Porto Alegre, receberá o concerto Tributo à Piazzolla, uma parceria entre a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e Oscar dos Reis. O espetáculo acontece na terça-feira, 11 de dezembro, às 21 horas. Ingressos à venda na bilheteria do teatro ou em www.vendas.teatrosaopedro.com.br.

Um dos mais conceituados músicos argentinos, Astor Piazzolla se destacou no meio artístico por ser um grande bandeonista e é considerado o mais importante compositor de tango da segunda metade do século XX. O concerto contará com revisitações de algumas das mil obras deixadas por Piazolla, conduzidas pela Orquestra em parceria com um dos mais importantes acordeonistas da atualidade, Oscar dos Reis.

A realização é um oferecimento Racon Consórcios, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, “Apoiar um evento desta magnitude é muito importante para nós. O Theatro São Pedro é um patrimônio do povo gaúcho e proporcionar um espetáculo tão bonito como este em um espaço tão grandioso é uma honra para a Racon Consórcios”, afirma o Gerente Comercial e de Marketing da Randon Consórcios, administradora da marca Racon, Cleber Sanguanini.

SERVIÇO
O quê: Tributo à Piazzolla, com OCTSP e Oscar dos Reis.
Quando: 11 de dezembro
Horário: 21h
Onde: Theatro São Pedro, Praça Mal. Deodoro, S/N – Centro Histórico
Valor: A partir de R$20

Porto Alegre: Léo Ustárroz lança seu segundo livro “Resgate Em Pamplona”. Sessão de autógrafos acontece nesta terça-feira, no Barranquinho

Porto Alegre: Léo Ustárroz lança seu segundo livro “Resgate Em Pamplona”. Sessão de autógrafos acontece nesta terça-feira, no Barranquinho

Agenda Cidade Cultura Destaque

Depois da estreia com “Sala de Embarque”, Léo Ustárroz lança nesta terça-feira, dia 11 seu segundo romance, “Resgate em Pamplona”, pela editora Metamorfose. Na nova obra, com instigante história, um vídeo postado no Youtube, é a ponta do novelo para o personagem Miguel Zabalea resgatar pessoas e afetos, especialmente aquela que desapareceu sem deixar rastros no revolto ano de 1968.

48082775_708444522875969_1414976670724521984_nNarrado em primeira pessoa, “Resgate em Pamplona” coloca Zabalea remexendo na história em que foi um dos protagonistas no passado, na busca do que parecia faltar em sua narrativa de vida. Ao fecharmos o livro ficamos sem saber o que é realidade e ficção, afinal uma ou outra parecem a mesma coisa. Com “Resgate em Pamplona”, Ustárroz consolida sua trajetória como escritor, com seus personagens ganhando vida em diferentes cenários, do distrito de Palmas, em Bagé, à Pamplona, na Espanha.

 

LANÇAMENTO DE “RESGATE EM PAMPLONA”, de Léo Ustárroz

Data: 11 de dezembro

Local: Barranquinho, Av. Protásio Alves, 1538

Horário: a partir das 18h30

Porto Alegre: Tarsilinha do Amaral participa nesta quinta-feira do projeto cultural Arte & Artistas 2018 da Na’Amat Pioneiras Brasil

Porto Alegre: Tarsilinha do Amaral participa nesta quinta-feira do projeto cultural Arte & Artistas 2018 da Na’Amat Pioneiras Brasil

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A Na’Amat Pioneiras Brasil e o Grupo Ahava Porto Alegre lançam, nesta quinta-feira, 6 de dezembro, a partir das 18 horas, o Projeto Arte & Artistas 2018. Inédito na região sul, o projeto cultural tem como convidada especial Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da renomada artista Tarsila do Amaral. A mostra contará com réplicas de obras consagradas, com produção devidamente autorizada e edições limitadas, que poderão ser adquiridas pelo público. O Grupo Ahava, da Na’Amat Pioneiras Porto Alegre, foi criado em 08 de março de 2017 e é composto por Carolina Heller Pereira, Cristiane Bisch Piccoli, Débora Nigri Libis, Michelle Squeff (presidente), Mirele Alves Brás, Mylene Ryba Siegmann e Rosita Wolfrid.

Durante o evento, o público verá, de perto, reproduções de obras como O Abaporu e o Cartão Postal, de Tarsila do Amaral, e O Vazio da Cidade Grande, de Benjamin Rothstein – que participará do evento. A atividade contará com palestra da Tarsilinha, sobre vida e obra de sua tia, artista homônima. “É uma oportunidade única para os amantes das artes plásticas, que conhecerão mais sobre a obra e a vida de uma das mais importantes artistas da primeira fase do movimento modernista do Brasil”, afirma a coordenadora do departamento cultural da Na’Amat Pioneiras, Lúbia Zilberknop. Arte & Artistas é uma ação beneficente em que a renda será integralmente revertida para a Na’Amat Pioneiras, que recentemente comemorou 70 anos de atuação no Brasil. O evento, que já teve sua edição no Rio de Janeiro e São Paulo, é aberto ao público e será realizado no Instituto Ling de Porto Alegre, com entrada gratuita. As vagas são limitadas, por isso é necessário confirmar presença no site: https://www.surveymonkey.com/r/NXNCP9N.

Serviço:

Evento: Projeto Cultural Arte & Artistas 2018
Quando: Quinta-feira, 06 de dezembro, às 18h
Local: Instituto Ling (Rua João Caetano, 440)
Realização: Na’Amat Pioneiras Porto Alegre

Artistas cubanos são presos antes de protesto em Havana

Artistas cubanos são presos antes de protesto em Havana

Cultura Destaque Mundo
Tania Bruguera e diversos outros artistas cubanos foram detidos em Havana, na segunda-feira (3), após tentarem realizar um protesto contra um novo decreto que acreditam que irá coibir a criatividade e aumentar a censura contra a cultura em Cuba.

Tania, a mais célebre dos detidos, foi presa pouco depois de sair de casa de manhã e antes de chegar ao Ministério da Cultura, onde os artistas pretendiam fazer a manifestação, disse sua mãe, Argelia Fernandez, à Reuters.

A artista performática, que já foi presa antes por protestar publicamente contra o governo comunista, foi solta de noite, disse Argelia, mas foi imediatamente ao ministério para protestar contra a prisão de outros artistas.

“Tudo que posso fazer é mostrar solidariedade”, escreveu Tania em sua conta no Facebook no início da manhã de segunda-feira, publicando uma foto de si mesma com uma camiseta com os dizeres “Não ao Decreto 349”. “Se me detiverem, farei greve de fome e de sede”.

Tania foi detida novamente na noite de segunda-feira, de acordo com Iris Ruiz, atriz e coordenadora do que tem sido uma campanha rara nos últimos meses contra o Decreto 349, uma das primeiras leis assinadas por Miguel Díaz-Canel desde que sucedeu Raúl Castro como presidente em abril.

Argelia disse à Reuters que não tem como localizar a filha porque seu celular parece ter sido bloqueado pela segurança estatal.

Detenções curtas são a reação padrão a protestos de oposição no país, que rejeita a dissidência pública e vê os dissidentes como mercenários pagos pelos Estados Unidos para subverter o governo.

Leia mais no R7.

Porto Alegre: Mostra coletiva de fotografias “Percursos Poéticos” está em cartaz no Memorial do RS

Porto Alegre: Mostra coletiva de fotografias “Percursos Poéticos” está em cartaz no Memorial do RS

Agenda Cidade Cultura Destaque

O Memorial do Rio Grande do Sul, apresenta  em seu primeiro andar, a exposição coletiva de fotografias “Percursos Poéticos”. A curadoria é do arquiteto e artista visual Fábio André Rheinheimer, que propôs aos fotógrafos um tema central: o espaço urbano da capital, com especial atenção às edificações de interesse histórico-cultural remanescente do bairro Moinhos de Vento. A mostra apresenta registros de 26 profissionais, com diferentes formações e entendimentos sobre a arte da fotografia. A visitação acontece até 27 de janeiro de 2019, de terça a sábado, das 10h às 18h; domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca.

Natural de Tenente Portela, Fábio André é arquiteto, artista visual e curador independente. Cursou Desenho no Atelier Livre de Porto Alegre, em 1989. Participou de diversas exposições coletivas, individuais e salões de arte. Atua profissionalmente nas áreas de arquitetura e artes visuais, em Porto Alegre.

Segundo ele, o projeto surge como uma oportunidade de reverenciar espaços com edificações históricas, “a partir de uma visão múltipla, mais ampla e abrangente, uma reverência à memória edificada remanescente, neste caso, o bairro Moinhos de Vento.”

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Visitação acontece até 27 de janeiro de 2019, com entrada gratuita – Foto: Divulgação/ Wanderlei Oliveira

A mostra pretende dar visibilidade às áreas urbanas relevantes de Porto Alegre. Essa edição de 2018 resultou de um levantamento poético na Praça Maurício Cardoso, em que foi “proposto (e estabelecido) um novo olhar diante do espaço urbano consolidado”, acrescenta Fábio André.

47142550_2449485338399042_4963050167562403840_nParticipam da exposição: Alexandre Eckert, Bia Donelli, Carlos Eduardo Vaz, Douglas Fischer, Fábio Petry, Fernanda Garcia, Fernando Castro, Fernando Kokubun, Fernando Pires, Flavio Wild, Gutemberg Ostemberg, Helena Stainer, Ivana Werner, Laércio de Menezes, Leandro Facchini, Leonardo Kerkhoven, Manoel Petry, Marcelo Leal, Nattan Carvalho, Rafael Karam, Ricardo Filippon, Roberto Martinez, Rogerio Fritsch, Sílvia Dornelles, Wanderlei Oliveira e William K Clavijo.

 

SERVIÇO

Pauta: Percursos Poéticos (mostra coletiva de fotografias, com curadoria de Fábio André Rheinheimer)

Quando:  A visitação acontece até 27 de janeiro de 2019, de terça a sábado, das 10h às 18h; domingos e feriados, das 13h às 17h

Local: Memorial do RS (primeiro andar) – Rua Sete de Setembro, nº 1.020, em Porto Alegre.

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

Agenda Comunicação Cultura Destaque Porto Alegre Tecnologia Trabalho

“Pelo jornalismo faria tudo de novo”, a frase é de Alberto André, poderia ser minha ou de milhares de outros apaixonados pela profissão que escolhemos. O ano de 2018, já tinha entrado para minha vida profissional, com a volta ao comando de um telejornal, o SBT Rio Grande – Segunda Edição. O desafio proposto pelo gerente de jornalismo da emissora, Danilo Teixeira, me encantou e acredito que estejamos no rumo certo. A busca da qualidade é uma obsessão diária da equipe e a resposta dos telespectadores, mostra uma audiência crescente no programa que apresento com Luciane Kohlmann,  ou seja estamos acertando mais que errando. Nem tudo é perfeito, a ida para o SBT me tirou do veículo Rádio – o que espero seja temporário -, sinto saudade da interatividade dos ouvintes. A compensação vem através de encontros com o público nas minhas andanças pelas ruas, no Zaffari da Otto, no açougue do Zanini, no Beira-Rio… e algumas vezes em forma de troféus e medalhas. Fiquei muito contente ao receber o Prêmio Press de Melhor Apresentador de TV 2018, eu estava afastado da televisão aberta – por vontade própria -, desde 2012. Já havia conquistado a premiação 7 vezes, mas esse ano teve um “gosto especial”, ainda mais que minha indicação foi feito pelos colegas de profissão. No segundo semestre incentivado por Guaracy Andrade, Ricardo Orlandini e Zento Kulczynski colocamos no ar, no BAH TV, o programa de entrevistas BahTchêPapo! que tem me oportunizado conversar com personalidades gaúchas. Por tudo isso, o ano profissional já seria maravilhoso.

Todavia, o ano só termina dia 31 de dezembro, eis que para coroar 2018, recebo o telefonema do meu professor e amigo, Luiz Adolfo Lino de Souza, presidente da nossa ARI – Associação Riograndense de Imprensa -,  comunicando que serei um dos homenageados com a medalha Alberto André. Quem me conhece sabe o que aconteceu pós despedida do Luiz Adolfo, chorei de alegria e emoção. Receber uma honraria de uma entidade do tamanho e história da nossa ARI e entrar para um seleto grupo onde estão grandes profissionais e amigos como: Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani; me deixa contente demais. Lembro daquele 16 de janeiro de 1979, inauguração da Rádio Sobral / Butiá, que mudou minha vida. Sim,  na quarta-feira, 16 de janeiro de 2019, se completarão 40 anos da primeira vez que falei em uma Rádio,  ainda como ouvinte. Mas logo depois em fevereiro de 1979, eu já atuava à convite de Heron oliveira, como repórter mirim na programação esportiva comandada por Brasil Oliveira Lucas. Aos 13 anos, o “vírus da comunicação” entrou pelo ouvido e tomou conta do corpo inteiro. Nunca me curei da “doença” e espero literalmente morrer trabalhando em jornalismo e comunicação, ativo como o homem que da nome a medalha que receberei.

imageConvivi pouco, mas o suficiente para conhecer a retidão, o caráter e a paixão pelo jornalismo de Alberto André. Por isso, a honra de receber uma distinção destas me deixa com a responsabilidade de tentar todos os dias fazer um jornalismo ético e de relevância para quem acompanha o meu trabalho. Em 29 de dezembro de 2015, o jornalista e pesquisador da Comunicação Social, Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, na edição 883 do Observatório da Imprensa, resumiu assim a vida de um dos grandes jornalistas do Rio Grande do Sul, cujo centenário de nascimento havia acontecido dia 02 de dezembro de 2015:

Há 100 anos, no dia 2 de dezembro de 1915, sob o signo de Sagitário, nascia um dos maiores expoentes do jornalismo gaúcho: Alberto André (1915 – 2001). Filho dos imigrantes libaneses, Miguel e Sada André, ele nasceu em Porto Alegre. Ao longo de sua existência, desenvolveu um importante trabalho no campo do jornalismo, da política e da cultura, destacando-se como um exemplo de cidadania, dedicação e amor por sua terra.

Embora seu pai o incentivasse a formar-se em Medicina, Alberto André já sonhava, desde cedo, com o universo de uma sala de redação. Sua base educacional foi construída na Escola Lassalista de São João, no Colégio das Dores e no Colégio Júlio de Castilhos.

O profissional do jornalismo

Em 1936, começou a trabalhar na Rádio Sociedade Gaúcha, com o apoio do diretor da emissora, Nilo Ruschel (1911-1975), tendo apenas cinco minutos, duas vezes por semana, para falar acerca dos problemas de Porto Alegre, à qual devotou um amor incondicional. No ano seguinte, iniciaria sua vida acadêmica no Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas sem abandonar sua paixão pelo jornalismo.

A sua primeira experiência na redação de um periódico foi no Jornal da Noite. Tratava-se de um jornal vespertino e político, sob a orientação de Flores da Cunha (1880-1959) e seu Partido Republicano Liberal. Com a criação do Estado Novo (1937-1945), o periódico encerrou a sua circulação. Nele, Alberto André redigia matérias muito ricas sobre a cidade de Porto Alegre.

Ainda em 1937, começou a trabalhar no jornal A Nação que pertencia à Tipografia do Centro e à Cúria Metropolitana de Porto Alegre, ganhando experiência em assuntos internacionais. Nesse período, ele teve o primeiro contato com a violência de origem ideológica contra a imprensa. O jornal A Nação, de origem germânica, acabou, em 1942, sendo depredado durante a II Guerra Mundial. Este episódio ficou conhecido, em nosso jornalismo, como a “Noite do Quebra-Quebra”. Alberto André trabalhou também no Correio da Noite, na Agência Brasileira de Notícias e colaborou no jornal, ligado ao Partido Libertador, O Estado do Rio Grande, fundado, em 1929, pelo médico e jornalista Raul Pilla (1892-1973).

O Estado Novo de Getúlio Vargas e o jornalismo

Em 1940, Alberto André recebeu o convite de Manoelito de Ornellas (1903-1969) – figura de destaque em nossas letras – para trabalhar como censor de notícias sobre a II Guerra Mundial (1939-1945), do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, ligado Alberto-Andreao DIP. A princípio isso parece ir de encontro a sua figura democrática, porém, como censor, poupou jornais de empastelamento e avisou colegas acerca do risco de uma prisão iminente. A liberdade de informação foi o foco e a razão principal de sua carreira, como jornalista, ao longo dos anos.

Em 1941, Alberto André passou a lecionar Contabilidade no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Na condição de professor, Alberto André assumiu a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, um dos núcleos da futura PUCRS, lecionando em várias matérias durante 45 anos.

O jornalista do Correio do Povo

No ano em que ocorreu a famosa “Enchente de 41”, inundando de forma trágica a cidade, Alberto André se casou com Lourdes Cafruni, cuja união permaneceu sólida até a sua morte em 2001. O casal teve três filhos: Marlene (já falecida), Roberto e Fernando. Em 1941, Alberto André ingressou na redação do mais antigo e tradicional jornal da capital gaúcha, o Correio do Povo, onde trabalhou por 43 anos, atuando também como articulista na Folha da Tarde e na Folha da Tarde Esportiva que pertenciam à Empresa Jornalística Caldas Júnior. De 1942 a 1956 era Alberto André que dava a ordem para a rodagem do Correio do Povo. No ano de 1941, publicou o seu primeiro livro: Aspectos da Vida Internacional, pela Editora A Nação.

O presidente da ARI e sua visão democrática

Em 1943, formou-se em Direito pela UFRGS, atuando, por 15 anos, nessa área. Cinco anos depois, ele se filiou à Associação Riograndense de Imprensa (ARI), ocupando alguns cargos administrativos. Devido à insistência dos amigos da redação do Correio do Povo, Alberto André se candidatou à presidência da ARI, em 1956, e ganhou de forma excepcional o pleito por um voto de diferença. Dirigiu a entidade por 34 anos, posto no qual enfrentou o período do regime militar (1964-1985), auxiliando, principalmente, durante “os anos de chumbo” vários jornalistas e intelectuais, a exemplo de Flávio Tavares e Reinaldo Moura (1900-1965), então, diretor da Biblioteca pública do Estado, a escapar dos tentáculos do regime de força e repressão que havia se estabelecido no Brasil em 1964. Neste ano de 2015, no dia 19 de dezembro, a ARI comemora 80 anos de existência.

O homem político

Eleito, em 1951, para a Câmara Municipal de Porto Alegre, foi reeleito três vezes seguidas até 1963. Na condição de vereador, dedicou-se a buscar soluções para os problemas urbanos e sociais da nossa cidade, considerando isso um dever ético. Ainda em 1956, consegue seu registro, como professor, na Secretaria de Educação. Elege-se também para deputado estadual, no período de 56/60, exercendo o cargo por apenas dois meses. No ano seguinte, assumiu o cargo de Delegado Conselheiro da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), permanecendo por dois anos. Nesse ano, publicou o livro Coletânea de Legislação Tributária Municipal pela Editora Sulina.

O professor universitário

No ano de 1962, Alberto André começou a lecionar na cadeira de Direito Aplicado à Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, aposentando-se ao completar 70 anos, após 31 anos de trabalho como professor adjunto e chefe de departamento dessa universidade Ainda, em 1962, ele assumiu a presidência da Câmara Municipal de Porto Alegre, exercendo, com dignidade e altruísmo, essa importante função.

Em 1966, Alberto André é homenageado com a Medalha do Porto de Bremen na Alemanha Ocidental, que havia visitado em 1956. Um ano depois, publica, pela Editora Sulina, o livro Alemanha Hoje, no qual narra as duas viagens que fez a esse país.

No ano em que o Brasil ganhou a Copa Jules Rimet, em 1970, ele é escolhido, para assumir a direção da Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUCRS (Famecos). Ele permaneceu no cargo função até o ano de 1975. Ainda nesse ano, publica Ética e Códigos da Comunicação nos Cadernos de Comunicação da PUCRS. Em 1972, recebe o prêmio Destaques do Diário de Notícias e Medalha da Assembleia Legislativa. Passados dois anos, recebe o título de Comendador da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) / Secção Rio grande do Sul.

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Medalha Alberto André: ​Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani já receberam a homenagem Foto Luiz Ávila

O apoiador cultural

Durante o período nevrálgico da nossa política, que sucedeu ao golpe militar de 64, ele se envolveu em campanhas de interesse público, a exemplo da criação do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Musecom), em 10 de setembro de 1974, em plena ditadura militar. O jornalista Sérgio Dillenburg – fundador e idealizador dessa instituição – teve o apoio incondicional da ARI e de seu presidente, em exercício, o jornalista e escritor Alberto André. Essa instituição prestou a sua homenagem, criando, no espaço do Musecom, a Sala Alberto André, na qual ocorrem diversos eventos culturais ligados à Comunicação. A campanha, para que fosse criada também a Casa de Cultura Mário Quintana, no prédio em que funcionou o famoso Hotel Majestic e morou o nosso poeta maior, teve a fundamental participação de Alberto André, então, representante da ARI no Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre,

Porto Alegre reconhece Alberto André

No ano de 1977, Alberto André recebe o título de professor Emérito da PUC, Ao iniciar a década de 80, Alberto André é agraciado com o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre – fato que se repetiu em 1982.

Em 1980, é também escolhido Membro do Conselho Municipal do Plano Diretor de Porto Alegre, além de ser eleito chefe de Departamento de Direito Econômico e do Trabalho da UFRGS, aposentando-se em 1985. Em 1988, ele é homenageado como Patrono da 34ª Feira do Livro de Porto Alegre, em reconhecimento pelo seu trabalho, em prol da cultura gaúcha, e também por ter oficializado, por meio da criação de uma lei, esse tradicional evento cultural a céu aberto, criado, em 1955, pelo jornalista Say Marques do Diário de Notícias. A Feira do Livro ocorre, anualmente, na Praça da Alfândega no centro da capital gaúcha.

Em 1992, Alberto André publica 50 anos de imprensa, pela Editora FEPLAM. Um ano depois, ele recebe o título de Patrono das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul. Em 1995, o Jockey Club institui o Páreo Alberto André, sendo sua figura escolhida Decano dos Jornalistas do RS. O jornalista é homenageado pela Biblioteca da Câmara Municipal de Porto Alegre, cujo nome é Alberto André, localizando-se no terceiro andar do Legislativo.

Alberto André teve uma trajetória profissional notável, cuja palavra escrita foi utilizada, como instrumento, para o bem social e engrandecimento da cidade de Porto Alegre e do nosso estado. Esse exemplar profissional desenvolveu tantas atividades, no decorrer de sua existência, que é impossível enumerá-las nesse breve texto. A intenção, que me moveu a escrever, acerca da vida desse importante jornalista, foi a de prestar uma homenagem em seu centenário de nascimento. Alberto André fez escola, em nosso jornalismo, pela sua postura ética e tão cosmopolita em sua forma de pensar, ver e atuar como cidadão.

A presença do presidente Alberto André, na Associação Riograndense de Imprensa, foi tão marcante e significativa que recebeu o apelido de “Seu ARI”. Embora tenha se aposentado, ele jamais deixou de colaborar com artigos para jornais de todo o Rio Grande do Sul, escrevendo em sua velha e companheira máquina de escrever Remington.

A morte do ícone

O presidente de Honra e do Conselho Deliberativo da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) faleceu, em 06 de setembro de 2001, em sua residência, devido a uma insuficiência hepática, após anos de dedicação ao jornalismo, ao magistério, à advocacia e à política. Seu velório ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado. O prefeito de Porto Alegre, na época, Tarso Genro assinou o decreto N° 13.379, determinando luto oficial, por três dias, na capital gaúcha.

Em abril de 2010, A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), inaugurou o Laboratório de Recuperação do Acervo que contempla a vida e o legado cultural do Jornalista Alberto André.

O amor pelo jornalismo, que está presente em sua alma, não desapareceu com sua morte, aos 85 anos, pois, com certeza, transcende, noutra dimensão, o seu legado cultural e a intensa influência de seu trabalho na área da Comunicação Social, eternizado em sua amada Porto Alegre.

A medalha será recebida em conjunto com outros colegas – que ainda não tive acesso aos nomes -, pois muitos estão sendo comunicados da homenagem hoje. A cerimônia acontece na próxima segunda-feira(10.12.2018 ), na sede da ARI, em Porto Alegre.

Porto Alegre: Grupo de amigos promove encontro “Lembrando Aldyr Schlee” nesta segunda-feira na Sala Álvaro Moreira

Porto Alegre: Grupo de amigos promove encontro “Lembrando Aldyr Schlee” nesta segunda-feira na Sala Álvaro Moreira

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Nesta segunda-feira, 3, às 18h, na Sala Álvaro Moreira  (avenida Erico Veríssimo, 307) um grupo de admiradores do escritor Aldyr Garcia Schlee estará conversando a respeito de sua figura humana e do significado de sua obra no contexto da literatura brasileira.    Nascido em Jaguarão em 1934,   Schlee faleceu em 15 de novembro de 2018.  Ele foi escritor, jornalista, tradutor, desenhista e professor universitário. A sua criação literária, mistura literatura uruguaia e gaúcha, mesclando a identidade cultural e as relações fronteiriças. Publicou 12 livros ao longo de mais de três décadas de carreira literária. A sua obra mais recente, o romance “O Outro Lado”, foi lançada este ano. Além da sua obra literária, Aldyr Garcia Schlee é conhecido mundialmente por ter sido o criador do uniforme da Seleção Brasileira de Futebol, ao vencer um concurso nacional, em 1953.

Já confirmaram presença: Flávio Loureiro Chaves, Alfredo Aquino, Gilberto Perin, Pedro Gonzaga, Maria Eunice Moreira, Sergio Faraco, Patrícia Langlois, José Francisco Botelho, Regina Ungaretti e Sergius Gonzaga.

   

Lembrando Aldyr Schlee

Segunda-fera, 3/12, 18h

Sala Álvaro Moreira, Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues  (avenida Erico Veríssimo, 307, Menino Deus)

Entrada franca.

 

 

Livros:  A churrasqueira Clarice Chwartzmann, Ricardo Bueno e Carin Mandelli autografam nesta sexta-feira “Os gaúchos e o churrasco – uma jornada ao redor do fogo”.

Livros: A churrasqueira Clarice Chwartzmann, Ricardo Bueno e Carin Mandelli autografam nesta sexta-feira “Os gaúchos e o churrasco – uma jornada ao redor do fogo”.

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WhatsApp Image 2018-11-29 at 07.49.08Que o gaúcho é apaixonado por churrasco, todos sabem. Mas como essa história começou e como foi mesmo que essa prática se popularizou, resultado de distintas influências culturais, agregando peculiaridades regionais e compartilhada no Brasil e no mundo? O resgate dessa trajetória emocionante é o tema do livro “Os Gaúchos e O Churrasco – uma jornada ao redor do fogo”, que será lançado nesta sexta-feira, 30 de novembro, às 19h30min, na Churrascaria Galpão Crioulo, em Porto Alegre (Rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 300 – Parque da Harmonia), em evento para convidados. O lançamento será acompanhado de uma exposição com imagens captadas ao longo das viagens para a produção do livro. A mostra estará aberta à visitação gratuita do público de 1º a 15 de dezembro, na churrascaria, juntamente com a venda de uma tiragem especial da obra, a preço promocional.

A publicação surgiu a partir de uma entrevista do jornalista e escritor Ricardo Bueno com Clarice Chwartzmann. A ideia era inserir em um livro sobre o churrasco o perfil da chef que percorre o País, ensinando mulheres as técnicas do preparo das carnes nas brasas. Clarice percebeu que a história poderia ir além e a proposta inicial do livro se transformou nessa obra de abordagem inédita que mostra os diferentes modos de assar o churrasco e suas origens, em cada região do Estado. A dupla ganhou a companhia da fotógrafa Carin Mandelli e os três seguiram, ao longo de seis meses, em expedições pelo Rio Grande do Sul para reconstituir a trajetória do churrasco e da própria formação da identidade do gaúcho.

“A verdade é que nenhum outro Estado brasileiro possui tanta diversidade cultural, ao menos quando o assunto é churrasco, como o Rio Grande do Sul. E tudo graças às diferentes imigrações que aqui aportaram, mas também ao compartilhamento de saberes nas fronteiras e, ainda, à cultura da pecuária, tão presente em nossa formação histórica”, analisa Clarice.

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Clarice e Ricardo

Ricardo Bueno detalha: “A entrada do gado com os jesuítas, em 1634, que daria origem aos imensos rebanhos que alimentariam os gauchos durante centenas de anos, e, mais tarde, a chegada das raças britânicas, introduzidas por Assis Brasil na região do Bioma Pampa, no início do século 20, são alguns marcos importantes”. Mas o jornalista também destaca outros ‘pioneirismos’ gaúchos nesta jornada, como a primeira casa do Brasil a oferecer churrasco no cardápio (o Restaurante e Churrascaria Santo Antônio, em 1935); a criação do espeto corrido, provavelmente por assadores saídos de Nova Bréscia, sistema que popularizou o consumo do churrasco no País e mundo afora. Também do Estado é o primeiro frigorífico brasileiro a dar ‘nome aos bois’, criando uma marca própria nos anos 1970 – o Frigorífico Silva, de Santa Maria. “São todos fatos que marcam a relação afetiva dos gaúchos com o churrasco ao longo de cinco séculos, uma história repleta de peculiaridades no jeito de assar e que é preservada por personagens encantadores”, conclui Bueno.

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Carin

Das Missões para o mundo: uma jornada sem fim
Com 172 páginas, no formato de 23cm x 28cm e fino acabamento, a publicação retrata uma trajetória que une os gaúchos e o churrasco e se inicia na região das Missões, onde o padre jesuíta Cristóvão de Mendonça introduziu o gado franqueiro, em 1634. À época, a carne originária dos rebanhos que se espalhariam pelos campos, reproduzindo-se livremente, era salgada no lombo do cavalo, depois espetada em galhos pontudos e assada junto às brasas, em valas no chão. E tudo em um território então disputado por lusos e hispânicos, quando as fronteiras entre Brasil, Argentina e Uruguai ainda não estavam definidas.

Para contar a jornada do churrasco e dos gaúchos ao redor do fogo, a equipe visitou São Miguel das Missões, Lagoa Vermelha, Cambará do Sul, Sant’Ana do Livramento, Pelotas, Flores da Cunha e Santa Maria, registrando o uso dos espetos ou da grelha; as peculiaridades da salga; os cortes diferenciados, de acordo com a região; a preferência pela brasa ou pela labareda. O livro detalha, ainda, como se deu a introdução de novos cortes e acompanhamentos e, também, as características da cadeia produtiva gaúcha, alicerçada na perfeita aclimatação das raças britânicas no Bioma Pampa, em uma atividade econômica cada vez mais apoiada na qualidade do manejo dos animais, no aprimoramento genético e na tecnologia aplicada ao processamento das carnes.

É assim que o churrasco, de origem campeira, insere-se na rotina das grandes cidades, ganha ares “gourmet” em butiques que oferecem cortes nobres, alcança públicos distintos em festivais a céu aberto. Trata-se de um hábito que segue vivo no costume de reunir a família e amigos, em encontros caseiros ou em churrascarias, sejam elas “top” ou “pop”; nos parques e nas praças, nos espaços de convívio dos edifícios e condomínios, mas também nas fazendas e sítios, interior adentro, litoral afora. Segue, portanto, congregando ao redor da calorosa chama pessoas de todas as idades, que protagonizam diferentes formas de preparo dos assados, compartilhando, assim, eternos rituais dos séculos passados que continuam fazendo parte de uma jornada que começou nas Missões jesuíticas e não dá sinais de esmorecer, muito antes pelo contrário. Uma jornada que coloca os gaúchos em uma posição privilegiada e referencial quando o assunto é churrasco.

O livro “Os Gaúchos e o Churrasco – uma jornada ao redor do fogo” e a exposição de mesmo nome são uma realização do Ministério da Cultura – Lei Rouanet e da Criati Produções, com produção da Quattro Projetos e patrocínio de Banrisul, Tramontina, Polar, Frigorífico Silva e Supra.

Livro e Exposição “Os Gaúchos e o Churrasco – uma jornada ao redor do fogo”
Idealização e curadoria: Clarice Chwartzmann
Textos e edição: Ricardo Bueno
Imagens: Carin Mandelli
Lançamento: 30 de novembro, às 19h30min
Exposição: de 1º a 15 de dezembro (entrada gratuita)
Local: Churrascaria Galpão Crioulo
Endereço: R. Otávio Francisco Caruso da Rocha, 300 – Parque da Harmonia / Porto Alegre
Exemplares de uma edição limitada do livro, com preço promocional de R$ 50, estarão sendo comercializados no local

E neste domingo dia 02/12, eu converso  com Clarice Chwartzmann, sobre o livro e outros assuntos. Não perca !!