Morre Jake LaMotta, o boxeador que inspirou “Touro Indomável”. Lenda do esporte tinha 95 anos e morreu em função de uma pneumonia

Morre Jake LaMotta, o boxeador que inspirou “Touro Indomável”. Lenda do esporte tinha 95 anos e morreu em função de uma pneumonia

Cultura Destaque

Assista aos comentários de Moisés Liporage sobre o clássico de Martin Scorsese que deu o Oscar a Robert De Niro

 

Jake LaMotta, lendário campeão de boxe que inspirou o filme “Touro Indomável” (1980), vivido por Robert De Niro, morreu na terça-feira, aos 95 anos. O anúncio foi feito por sua filha no Facebook: “Descanse em paz, papai”, postou Christi LaMotta.

O boxeador, que conquistou um título mundial ao derrotar o francês Marcel Cerdan em 1949, em Detroit, morreu em função de uma pneumonia, informou sua esposa ao site TMZ.  “Só queria que as pessoas soubessem que ele era um grande homem, sensível, forte e com um grande senso dehumor”, afirmou ainda.

LaMotta foi apelidado de “Touro do Bronx”, devido à sua força e em referência ao bairro de Nova Iorque onde nasceu sob o nome de Giacobbe La Motta. Seus pais eram imigrantes italianos. Campeão mundial do peso médio entre 1949 e 1951, Jake era conhecido por aguentar golpes violentos e a agressividade de seus adversários.

Sua primeira façanha foi tirar a invencibilidade de Sugar Ray Robinson, que perdeu pela primeira vez no dia 5 de fevereiro de 1943. Os dois protagonizaram outras grandes lutas que marcaram a história do esporte. Em 16 de junho de 1949, Marcel Cerdan e Jake LaMotta fizeram uma das disputas que entraram na lista das “lutas do século”. Cerdan colocou em jogo seu título mundial e acabou perdendo, depois de deslocar o ombro esquerdo e desistir da luta no nono round. A revanche nunca aconteceu, pois Cerdan morreu em um acidente de avião no mesmo ano.

Robert De Niro, que ganhou um Oscar ao interpretar La Motta no clássico dirigido por Martin Scorcese em 1980, também postou uma homenagem: “Descanse em paz, campeão”.  (Correio do Povo)

Bon Jovi conquista público ao revisitar carreira em Porto Alegre; por Júlia Endress/Correio do Povo

Bon Jovi conquista público ao revisitar carreira em Porto Alegre; por Júlia Endress/Correio do Povo

Cidade Cultura Destaque Porto Alegre

Os relógios ainda nem tinham batido 21h30min, o horário previsto, quando as luzes se apagaram e uma bandeira do Brasil tomou conta do telão, levando o público ao delírio. Depois de uma sequência de imagens, o Bon Jovi subiu ao palco do estádio Beira-Rio para fazer sua estreia em Porto Alegre diante de um público estimado em cerca de 40 mil pessoas, de todas as idades.

Como tem acontecido ao longo da atual turnê, “This House Is Not For Sale” foi a escolhida para abrir a apresentação. A música dá titulo ao último disco do grupo norte-americano, o primeiro após a saída do guitarrista Richie Sambora. Após essa, veio a primeira das mais antigas: “Raise Your Hands”, com Jon Bon Jovi comandando a coreografia de mãos levantadas.

A primeira interação chegou logo depois dessa canção com um boa noite do icônico vocalista. Simpático, ele conquistou a galera dizendo que a cidade é mais bonita ao vivo e ainda lembrou que fazia tempo que não vinha ao Brasil, mas agora veio para três noites – depois da Capital, a banda segue para o Rock in Rio, na sexta, e para o São Paulo Trip, no sábado. Na sequência, uma dobradinha de clássicos dos anos 80: “You Give Love a Bad Name”, do álbum “Slippery When Wet (1986), e que ganhou um coro dos fãs no último refrão, e “Born to Be My Baby”, do disco “New Jersey” (1988).

Para a balada “Lost Highway”, Jon Bon Jovi pegou o violão e se manteve cantando de olhos fechados e concentrado (como nas tantas vezes em que cerrou os punhos ao redor do microfone). Em seguida houve a primeira mudança em relação ao setlist apresentado nos dois primeiros shows da tour pela América do Sul, que começou no Chile na semana passada e depois passou pela Argentina no final de semana, com a execução de “Because We Can”, a única que aparece do álbum “What About Now”, de 2013.

A segunda surpresa da turnê sul-americana surgiu após “I’ll Sleep When I’m Dead” e “Runaway” com a execução de “We Got It Going On”, do álbum “Lost Highway”, de 2006. Ao fim, o cantor pediu para as luzes se apagarem e abriu caminho para uma versão acústica de “Someday I’ll Be Saturday Night”, acompanhada a cada sílaba pelos fãs. Foi então que uma chuva de luzes de celular tomou conta do Beira-Rio para “Bed Roses”, um dos maiores clássicos da banda. A música acaba sendo uma das que mais evidencia que a voz de Jon talvez já não tenha o mesmo alcance ou potência de outros tempos, algo que já vem sendo apontado há alguns anos e inclusive foi muito citado na última passagem dele pelo Rock in Rio. Contudo, isso não chega a prejudicar o espetáculo. Pelo contrário, mostra que ele soube se adaptar e ainda recorrer ao suporte dos vocais do resto do grupo – e, claro, também do público, que aqui se entregou à noite histórica e desfrutou de cada segundo que pudesse cantar junto do ídolo.

Cheio de energia e sem dar tempo para os fãs se recuperarem, o grupo logo puxou outro sucesso absoluto. “It’s My Life” colocou todo mundo a pular e cantar a plenos pulmões seu “it’s now or never” popularizado no ano 2000, comprovando, de quebra, que o Bon Jovi atravessou gerações e conseguiu se renovar ao longo da sua história. Seguindo na mesma década, veio “Who Says You Can’t Go Home”, gravada originalmente com Jennifer Nettles. Essa foi deixa para Jon apresentar seus colegas de banda Hugh McDonald, Tico Torres, David Bryan e Phil X (o substituto de Sambora), sendo os dois últimos os mais carismáticos e aplaudidos. Os “reforços” Everett Bradley e John Shanks também foram mencionados por ele.

“Roller Coster”, também novidade nestas apresentações no continente, voltou a representar o álbum “This House Is Not For Sale” e foi seguida por outra velha conhecida. Com ar nostálgico, “Wanted Dead or Alive” embalou o estádio em um momento em que o show já tinha mais de uma hora e meia de duração. Porém, como se para ninguém sentir o cansaço, “Lay Your Hands On Me” fez ecoar palmas por todo lado. E os aplausos pareciam servir de combustível para o norte-americano, que mostrou que nem mesmo o passar do tempo tirou dele seu conhecido sex appeal: sobrou sensualidade ao performático vocalista, que provou saber conduzir com maestria seus fãs.

O clima animado seguiu com duas canções de distintos períodos do grupo, mais precisamente “Have a Nice Day” e “Keep the Faith”. A segunda, de 1992, trouxe um Jon Bon Jovi dançante tocando um par de chocalhos e solos dos músicos. Para encerrar a primeira parte do show, outra do início da carreira (a fase dos maiores hits e, consequentemente, a mais valorizada na apresentação): “Bad Medicine” levou o vocalista a descer do palco e cantar junto ao público que estava na grade, percorrendo toda a extensão dela. De volta ao seu posto, ele se enrolou em uma bandeira do Brasil e terminou a canção com a plateia em êxtase.

Enquanto esperava o grupo voltar, o público mostrou que queria mais ligando a lanterna dos celulares e iluminando o local. Sem o vocalista, rolou um “olê olê olê” comandado pela banda e respondido com gritos de “Grêmio” e “Inter” por boa parte dos presentes. Jon então entoou “In These Arms” e depois “Blood on Blood”, uma espécie de lado B da banda.

E se o Brasil está no coração de Jon, conforme ele mesmo disse, o público em Porto Alegre mostrou que a recíproca é verdadeira com a catarse coletiva promovida com o sucesso absoluto “Livin’ on a Prayer”, responsável por encerrar em altíssimo estilo o show. Alguns até ensaiavam os versos de “Always” (grande ausência no repertório que vinha tendo um segundo “bis  ao lado de “I’ll Be There For You”), mas o fim já havia chegado. Após duas horas e meia, Jon Bon Jovi reverenciava o público e a banda agradecia o carinho e animação dos fãs, os quais pareciam querer apenas demonstrar que a espera foi longa, mas valeu a pena.

Confira o setlist:

1 – “This House Is Not for Sale”

2 – “Raise Your Hands”

3 – “Knockout”

4 – “You Give Love a Bad Name”

5 – “Born to Be My Baby”

6 – “Lost Highway”

7 – “Because We Can”

8 – “I’ll Sleep When I’m Dead”

9 – “Runaway”

10 – “We Got It Going On”

11 – “Someday I’ll Be Saturday Night”

12 – “Bed of Roses”

13 – “It’s My Life”

14 – “Who Says You Can’t Go Home”

15 – “Roller coaster”

16 – “Wanted Dead or Alive”

17 – “Lay Your Hands on Me”

18 – “Have a Nice Day”

19 – “Keep the Faith”

20 – “Bad Medicine”

Bis

21 – “In These Arms”

22 – “Blood on Blood”

23 – “Livin’ on a Prayer”

Justiça gaúcha garante apresentação no Porto Alegre em Cena de peça proibida em SP; por Ananda Müller/Rádio Guaíba

Justiça gaúcha garante apresentação no Porto Alegre em Cena de peça proibida em SP; por Ananda Müller/Rádio Guaíba

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 Uma decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre garantiu, na tarde de hoje, a exibição da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” no Porto Alegre em Cena 2017. O juiz José Antônio Coitinho negou o pedido de uma advogado, em uma ação individual, para proibir a exibição da peça teatral na cidade, a exemplo do que já foi feito em Jundiaí, no estado de São Paulo. Na ocasião, o juiz paulistano afirmou que “não se olvida a liberdade de expressão (…) mas que não pode ser tolerado o desrespeito a uma crença, religião, enfim, a uma figura venerada no mundo inteiro.”

A peça – um monólogo do Jo Clifford – retrata a história de Jesus Cristo como uma figura transexual. Para Coitinho, magistrado que garantiu a exibição em Porto Alegre, “transexual, heterossexual, homossexual, bissexual, constituem seres humanos idênticos na essência, não sendo minimamente sustentável a tese de que uma ou outra opção possa diminuir ou enobrecer quem quer que seja representado no teatro”.

O juiz ainda garante que a peça propõe uma reflexão sobre o preconceito que recai sobre orientações sexuais das pessoas, e que a atriz e travesti Renata Carvalho corporifica a figura religiosa no tempo presente, com o que não pratica ilícito algum. (Ananda Müller/Rádio Guaíba)

Mágico e ex-apresentador Tio Tony morre em Porto Alegre

Mágico e ex-apresentador Tio Tony morre em Porto Alegre

Cultura Destaque
Um dos principais mágicos do Brasil, Paulo Roberto Martins, conhecido como Tio Tony, morreu nesta segunda-feira (18), em Porto Alegre. O artista deu entrada no Hospital Independência na sexta-feira passada (15) com fortes dores e, hoje, não resistiu a uma parada cardíaca. Nascido em Rio Grande, Martins mudou-se para a Capital no fim dos anos 1960.
A alcunha de Tio Tony presta uma homenagem ao ator Tony Curtis, protagonista do filme Houdini, o homem miraculoso.  Mais informações e uma entrevista com Tio Tony, você confere no Jornal do Comércio
Ex-prefeito de Uruguaiana é condenado após “extravagância” em compra de piano

Ex-prefeito de Uruguaiana é condenado após “extravagância” em compra de piano

Cultura Destaque Direito Poder Política
 A Justiça condenou por improbidade administrativa o ex-prefeito de Uruguaiana José Francisco Sanchotene Felice, à época ligado ao PSDB, pela compra de um piano importado no valor de R$ 407,5 mil. Segundo o juiz Carlos Eduardo de Miranda Faraco, da 3ª Vara Cível de Uruguaiana, a aquisição do instrumento, feita em 2012, foi uma “extravagância” que feriu os princípios da administração pública da economicidade, eficiência e moralidade.

Com a decisão, Sanchotene Felice teve suspensos os direitos políticos por três anos, foi condenado a pagar multa no valor equivalente a três vezes a última remuneração no cargo de Prefeito, e fica impedido de contratar com o Poder Público ou receber benefício fiscais ou creditícios também por três anos. Cabe recurso da sentença em segunda instância.

O piano da marca alemã Stenway não chegou a ser desembalado e, conforme relatado na decisão, exigia altos custos mensais de manutenção e afinação. A compra foi realizada com recursos oriundos da taxa de outorga, para a empresa Foz do Brasil, da concessão do serviço de água no município. Ainda durante a tramitação da ação, a peça foi vendida em leilão pelo valor de R$ 500 mil.

Caso

O Ministério Público moveu a ação apontando falta de licitação e sobrepreço na compra do piano. Os vereadores que provocaram o MP exigiam, ainda, a condenação do ex-prefeito a devolver cerca de R$ 100 mil aos cofres da cidade.

A defesa negou o sobrepreço e o enriquecimento ilícito e disse que a licitação era dispensável, uma vez que há exclusividade na importação do instrumento para o Brasil. Argumentou que o piano havia sido pensado como atração para o novo teatro de Uruguaiana. No processo, testemunhas relataram que a cidade já dispunha de quatro pianos no mobiliário público. (Lucas Rivas/Rádio Guaíba)

Porto Alegre: Tânia Moreira deixa a prefeitura de Porto Alegre. Jornalista é a sexta integrante do governo a deixar cargo importante em 9 meses de mandato

Porto Alegre: Tânia Moreira deixa a prefeitura de Porto Alegre. Jornalista é a sexta integrante do governo a deixar cargo importante em 9 meses de mandato

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A jornalista Tânia Moreira, não é mais secretária de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre,. Ela anunciou hoje que  pediu demissão do cargo ao prefeito Nelson Marchezan. nesta sexta-feira. Oficialmente, ela diz que está deixando o governo porque deve trabalhar com marketing nas eleições do próximo ano. Tânia assumiu a Secretária após trabalhar com Marchezan na campanha que o levou à prefeitura. Ligada ao Partido Progressista, Tânia é mais uma baixa do PP no governo. Antes dela Kevin Krieger e Ricardo Gomes deixaram seus postos no governo.  Além deles, o procurador-geral do município, Bruno Miragem, o presidente da Carris Fernando Ferreira e o secretário-adjunto da Cultura, Eduardo Wolf deixaram seus cargos.

Porto Alegre: Antonio Villeroy Quarteto se apresentam hoje no Sgt Peppers

Porto Alegre: Antonio Villeroy Quarteto se apresentam hoje no Sgt Peppers

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Samboleria não é apenas o título do premiado CD de Antonio Villeroy. É também uma forma de se fazer música,  uma abordagem meridional do samba e suas intersecções com outros ritmos brasileiros e latinos, realizando uma continuidade das fusões entre as culturas ibéricas, árabes e africanas, que no RS assumem matizes próprios. Nesse sentido, Samboleria vai se firmando como um gênero dentro da música popular.

Recentemente, organizando seus arquivos, Antonio encontrou mais de 30 canções inéditas. Algumas delas, como O Homem do Ano e Você Me Acelerou,, estarão no roteiro do show, ao lado de músicas dos seus sete discos, como Odisseia, From Ruins of a Town, Sinal dos Tempos, Pra Rua Me Levar, Samboleria e El Guión, além de canções de Alejandro Sanz e Gilson de Souza. Antonio estará acompanhado por Pedro Tagliani (guitarra), Everson Vargas (baixo) e Marquinhos Fê (bateria), além da participação especial de Demétrio Xavier.

Antonio gravou um DVD no ano passado no mesmo Sgt Peppers, que está sendo editado por Renato Falcão com lançamento previsto para o próximo mês de novembro.
Confira um vídeo da apresentação de Antonio Villeroy com o Quarteto de Pedro Tagliani, em setembro de 2016 no Sgt Peppers

 

 

ANTONIO VILLEROY QUARTETO

Dia 13 de setembro, 21h00

Sgt Peppers (Quintino Bocaiúva, 256)

Ingressos: R$ 50

Lista Amiga: R$ 30 pelo facebook/antoniovilleroy

Reservas : (51) 992.46.77.80

Queermuseu: Curador da Exposição e MBL debatem sobre exposição no Esfera Pública/Rádio Guaíba. Confira o programa na íntegra

Queermuseu: Curador da Exposição e MBL debatem sobre exposição no Esfera Pública/Rádio Guaíba. Confira o programa na íntegra

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O programa Esfera Pública recebeu, nesta terça-feira, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), o curador da exposição Queermuseu, o filho da artista Lygia Clark, que expunha na mostra, e o secretário municipal da Cultura de Porto Alegre para debater o fechamento antecipado do evento pelo Santander Cultural. Os debatedores trataram do tema por cerca de uma hora e 45 minutos, abordando temas como a Lei Rouanet e a suspeita de pedofilia e zoofilia nas obras, que ficaram 26 dias expostas ao público.

Durante o programa, o curador da Queermuseu, Gaudêncio Fidélis, relatou que a “exposição foi cancelada por toda uma cruzada moralista”. Ele ainda denunciou que “o MBL e seus seguidores invadiram a exposição”, com o objetivo de “dizer o que nós podemos e não podemos ver”. Sobre as denúncias de que a mostra fazia suposta apologia à pedofilia e à zoofilia, Fidélis explicou a origem das obras e o porquê de estarem lá, ressaltando que não há caráter de incentivo a ação nenhuma. O curador ainda acusou que o MBL “captou imagens dentro da exposição e editou uma visão deturpada e falsa da exposição”.

Já Paula Cassol, coordenadora estadual do MBL, afirmou que não compareceu à exposição pessoalmente, mas que “viu os vídeos e recebeu inúmeras críticas da sociedade civil organizada”, de pessoas que se disseram “chocadas” com as obras da Queermuseu. Ela explicou que, pelo fato de já ter como pauta o financiamento público pela Lei Rouanet, o MBL tomou parte no boicote à exposição, financiada com verba federal. Paula disse que “a sociedade civil organizada está sendo censurada quando é obrigada a aceitar que o poder público pague por uma exposição que não foi consultada, e se enfurece com o conteúdo dessa exposição, principalmente por conteúdo de zoofilia e pedofilia.”

Já Arthur do Val, do canal Mamãe Falei, afirmou que concorda com o curador quando ele cita o “alto teor acadêmico” da mostra. “Talvez eu ainda não tenha entendido a genialidade de um homem fazendo sexo com cabritos ou crianças em roupas de transexuais”, provocou. Também parabenizou Fidélis por abrir o debate e acusou o curador de “taxar quem discorda de censura, quando não sabe a diferença entre censura e boicote.” Também afirmou que “não era membro do MBL coisa nenhuma” o suposto autor de uma invasão e ameaça à exposição. Sobre o teor das obras polêmicas, Arthur disse que era ateu e que não se sentiu ofendido, e alegou que existe uma “implantação de ideologia de gênero, em que os pagadores de impostos são obrigados a colocar o seu dinheiro em exposições” que não conseguem se sustentar com verba própria.

Por sua vez, o secretário municipal de cultura, Luciano Alabarse, afirmou que é “tão a favor da liberdade” que respeita “todas as opiniões.” Afirmou que é de uma geração que lutou ferrenhamente contra a censura, e que “se há excessos, se há exceções, há também possibilidade de ajustes”, se referindo à mostra e às obras contestadas pelo MBL. Sobre o incômodo que a arte pode causar, exemplificou o caso com uma visita a um museu de Berlin: “puxa, que bom que a arte ainda me incomoda. Se eu não suportar, o que eu vou fazer? Vou jogar uma bomba? Não, vou sair!” O secretário finalizou dizendo que nunca gosta que outros pensem por ele. “É algo que eu não gostava lá atrás, não gosto hoje, e que provavelmente vou seguir não gostando depois de morto, que me tirem o direto de pensar por mim.”

Álvaro Clark, filho de Lygia Clark, lembrou a carreira da mãe e citou os preconceitos que ela sofreu ainda nos anos 60, incluindo uma denúncia por bruxaria. Sobre as obras, ressaltou que “o filho vê se você deixa”, colocando em pauta a questão da responsabilidade dos adultos sobre aquilo que as crianças veem ou assistem. Clark finalizou explicando uma das obras da mãe expostas na Queermuseu, detalhando o processo de elaboração e negando que tenha servido para crianças tocarem os corpos umas das outras, como denunciaram os críticos da mostra. (Rádio Guaíba)

Deputado entra com projeto que cria classificação etária em exposições de arte no RS

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Após a polêmica gerada em torno da suspensão da mostra Queermuseu pelo Santander Cultural, em Porto Alegre – que ganhou manchetes em jornais de todo o mundo -, o líder da bancada do PSDB na Assembleia, Lucas Redecker, protocolou na tarde de hoje projeto de lei que prevê classificação indicativa em mostras, exibições de arte e eventos culturais no Rio Grande do Sul. O tucano entende que a limitação de idade aos visitantes pode pacificar o debate em caso de exposições envolvendo obras com cunho semelhante.

Conforme o parlamentar, o texto não fere a legislação federal. A medida, se aprovada, vai ser semelhante à classificação que já existe para filmes, peças teatrais e programas de televisão. Para Redecker, o projeto supre uma lacuna. “O regramento é importante para que os pais saibam onde seus filhos são levados pela escola e saibam o que a obra de arte representa. Essa medida já acontece em museus da Europa, é muito natural, é uma coisa que vai nos dar uma posição muito clara do que é permitido e o que não é”, afirmou.

Atualmente, não existe um regramento estadual para exposições. O projeto se baseia no guia prático de classificação indicativa do Ministério da Justiça. De acordo com a proposta, os eventos culturais serão classificados nas categorias livre, não recomendado para menores de 10 anos, 12, 14, 16 e 18 anos. Informar a classificação indicativa se torna, pelo texto, responsabilidade exclusiva do responsável pela exposição.

Ainda de acordo com a proposta, fica com os técnicos das Secretarias de Cultura ou de órgãos de defesa dos direitos de crianças e adolescentes a incumbência de fiscalizar o cumprimento da lei. (Samantha Klein|Rádio Guaíba)

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

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Em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba na manhã desta terça-feira, o promotor da Infância e Juventude de Porto Alegre, Júlio Almeida, afirmou que “não há nenhuma referência à pedofilia” na exposição “Queermuseu”, encerrada pelo Santander Cultural no último domingo. Motivados pela repercussão do fechamento da mostra, Almeida e a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Família e Sucessões, Denise Villela, visitaram o espaço localizado no Centro de Porto Alegre na segunda-feira e obtiram acesso a todo o material da mostra que tem curadoria de Gaudêncio Fidelis.

“Encontramos um porcentual ínfimo que poderia configurar alguma coisa como situação de sexo explítico, como exemplo pornográfico, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. É um número bastante reduzido de peças e expressões artísticas diante do contexto, mas efetivamente há algumas peças que não deveriam ter acesso a crianças e adolescentes”, disse, destacando, no entanto, que não se constatou registro ou ingresso de crianças ao local, embora adolescentes possivelmente tenham visitado a mostra. Portanto, a questão, conforme o promotor, é determinar se o eventual acesso de adolescentes está dentro da legislação da infância e juventude e da própria legislação constitucional.

Apesar do conteúdo que seria impróprio para crianças e adolescentes, que somaria quatro ou cinco obras, Almeida ressalta que não há nenhuma referência à pedofilia. “Pedofilia, por definição legal, é a utilização de criança e adolescente em cena de sexo explícito, reprodução de sexo explítico ou simulação de sexo explícito, ou ainda a exposição de genitália de criança e adolescente. Isso não existe na exposição. Pedofilia não acontece”, explicou.

Almeida leu um trecho do estatuto para esclarecer: “Para efeito dos crimes previstos nesta lei, a expressão cena de sexo explítico ou pornográfico compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explíticas, reais ou simuladas, ou a exibição de genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexual”. “Então, nós estamos restritos a uma leitura deste artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente, que aliás é o único momento na legislação brasileira que define o que seja sexo explícito ou pornografia”, assegura.

Em razão disso, o promotor comenta que o que existe na “Queermuseu” são dois quadros que fazem uma referência a uma criança transgênero, “que tem uma expressão ali pouco adequada”. “Mas isso é uma manifestação artítica, isso não caracteriza pedofilia”, expressou. O promotor voltou a dizer que os quadros não apresentam sexo explícito pela lei, mas do ponto de vista do bullying cada um o interpreta como desejar. “Do meu ponto de vista como promotor da Infância e Juventude, eu não vi uma agressão à infância e juventude nesse sentido”, comentou. Além disso, “a questão de chamar alguém de viada, ou de gay, ou de lésbica, ou de sapatão, ou de qualquer outra expressão tecnicamente correta ou pejorativa, do ponto de vista objetivo, não diz respeito à infância e juventude”, argumentou.

A interpretação deste conjunto que obras que causou polêmica, de acordo com ele, é feita de acordo com a convicção e a consciência de cada um. “Do ponto de vista da criança e da juventude, não tenho que analisar essa questão. Do ponto de vista da criança e da juventude, eu tenho que analisar unicamente o seguinte: essa imagem, que é uma pintura, ofende o estatuto da criança e adolescente no sentido de acesso crianças e adolescentes a imagens que tenha simulação de sexo explícito?. É nesse sentido que será avaliado. Do ponto de vista artístico e da mensagem não diz respeito à promotoria da infância e juventude”, argumentou.

Conforme o promotor, um expediente está sendo instaurado para avaliar tecnicamente a questão, considerando que o Estatuto não trata especificamente de exposições em museus, como ocorre em teatros e cinemas, por exemplo. Almeida também enfatiza que o assunto é inédito em seus 20 anos de atuação na área de infância e juventude: “É a primeira vez que se discute uma exposição na modalidade de museu, exposição de arte. Nesse sentido, vou ter que estudar a fundo. Vou examinar do ponto de vista técnico. A questão basicamente vai ser se exposição em museu está regulamentada assim como as demais manifestações artísticas elencadas pela Estatuto da Criança e do Adolescente”, conclui, sem definir prazo para a análise do caso. (Correio do Povo)