‘Não ficaria à vontade com políticos, meu meio é o futebol’, diz Tite

‘Não ficaria à vontade com políticos, meu meio é o futebol’, diz Tite

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Futebol e política fazem uma tabelinha famosa no Brasil. Mas o técnico Tite não quer continuar a jogada. Ao deixar o país rumo à Copa, a seleção tradicionalmente visita o presidente em Brasília. Desta vez, Tite foi claro. Ao ser questionado sobre como se sentiria ao lado do presidente Michel Temer, o treinador rebateu: “Não me sentiria à vontade com nenhum político. O meu meio é o futebol”, disse o treinador à Folha no início da tarde deste sábado (2), em Moscou, onde no dia anterior participou do sorteio dos grupos da Copa do Mundo.

“Não se deve confundir uma coisa com a outra”, acrescentou o técnico, que não contou na Rússia com a companhia do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, acusado pelo FBI de ser um dos beneficiários do esquema de recebimento de propina para a venda de direitos de torneios. Desde 2015, o cartola não sai do Brasil.

Com a seleção apontada como favorita pelos técnicos que foram à Rússia, ele preferiu ser mais cauteloso após a festa em Moscou.

“Não tenho condição de prometer. Não sou demagogo”, disse o treinador ao ser questionado se prefere vencer o Mundial ou dar espetáculo. A entrevista completa está na Folha de São Paulo.

‘Governo populista não faz bem à economia’. Entrevista – Fabio Schvartsman,presidente da Vale

‘Governo populista não faz bem à economia’. Entrevista – Fabio Schvartsman,presidente da Vale

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Para Fabio Schvartsman, o populismo produz benefícios em um primeiro momento, mas “a conta vem depois”. “Passamos por duríssimo aprendizado nos últimos anos.” Ele acredita ainda que 2018 será um ano volátil por causa da campanha. A entrevista com o presidente da Vale é a primeira de uma série com empresários sobre eleições. A entrevista completa está em O Estado de São Paulo.

Koff repete sentimento de 83 e 95 e está confiante do tricampeonato da América

Koff repete sentimento de 83 e 95 e está confiante do tricampeonato da América

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Mais uma vez, o presidente Fábio Koff está confiante que o Grêmio irá conquistar o tricampeonato da América. Para dirigente mais vitorioso da história do clube, comandante nos títulos de 83 e 95, o trabalho desenvolvido por Romildo Bolzan Júnior e Renato Portaluppi é merecedor de um título importante. Confira a entrevista completa para o programa Agora, com o jornalista Felipe Vieira:

Como o senhor está nesta quarta-feira dia da final da Libertadores?

Koff: “Está pulsando acelerado. Embora tenha vivido grandes momentos da minha vida envolvido com o Grêmio e emoções que vi, não posso ficar insensível com um momento tão importante na história do clube”.

Romildo Bolzan e Renato Portaluppi estão no momento certo para conquistar o tricampeonato?

Koff: “Demonstraram que sim. O Romildo foi uma escolha unânime do conselho de administração que eu presidia na última gestão que tive no Grêmio. É propositivo, inteligente, um homem sério e que gosta do que faz. Está fazendo uma gestão perfeita no clube”.

“O Renato está ligado a história do Grêmio. E as páginas mais vitoriosas do clube registram o nome dele como atleta e como treinador. E tem demonstrado muita competência. Me sinto orgulhoso por ter iniciado a vida profissional dele quanto era presidente do Grêmio em 1982/1983. O Renato praticamente começou lá na reserva do Ênio Andrade. Surgiu em uma final do Campeonato Brasileiro contra o Flamengo. Daí para frente só se consagrou, como atleta e como treinador. Ele é extremamente inteligente e uma figura singular na história do Grêmio”.

Em 28 de julho de 1983, conquista do primeiro título contra o Peñarol, o senhor tinha certeza da conquista?

Koff: “Olha se é para confirmar o que estou sentindo hoje, aquela oportunidade também tinha o sentimento que o Grêmio seria campeão. Desde o momento que viajamos para Montevidéu e aceitamos a proposta do Peñarol de que houvesse uma inversão no mando de jogos, com o primeiro jogo no Uruguai e o segundo no Olímpico, para proporcionar ao clube uruguaio um evento (amistoso) de colocação de faixas em um campeão da Europa… Lembro até hoje que o presidente do Peñarol agradeceu e disse que a equipe dele jogava melhor fora de casa. Não foi o que mostrou o resultado. Com jogadas do Renato que culminaram com um gol antológico. Tive o privilégio de ter vivido três momentos da história do Grêmio. Sou torcedor de arquibancada de madeira e de cimento. Depois vivi momentos de glória no Olímpico, como torcedor e como dirigente. Agora estou vivenciando esse momento tão bom do clube se projetando no cenário internacional”.

Presidente em 30 de agosto de 1995 também estava com o palpite do bicampeonato?

Koff: “Estava e o interessante é que uma das razões que me fizeram voltar foi uma conversa em uma viagem. A minha mulher me perguntou: ‘Por que tu vai voltar? Já foste campeão, então, por que voltar agora?’. Disse que queria voltar para que Grêmio voltasse a ser campeão da Libertadores de novo”.

O senhor irá repetir algum ritual que teve nas últimas duas vezes?

Koff: “Eu me visto durante os jogos com as cores do Grêmio. Tem uma camisa que eu guardo por simpatia. Ela é azul com uma faixa branca e azul mais clara nos ombros”.

Conversou com Romildo Bolzan ou com o Renato Portaluppi nas últimas horas?

Koff: “Não tenho conversado. Não tive oportunidade”.

E a última vez que conversou com o Renato?

Koff: “Quase sempre eu converso com o Renato. Procuro me não envolver emocionalmente neste período que estou, pois não é possível”.

E com o Romildo?

Koff: “Tenho conversado. (…) Se ele pedir (conselhos), sim. Senão fico na minha. Gosto muito dele e ele tem a experiência suficiente, é muito inteligente e vive um grande momento”.

Recado para os gremistas…

Koff: “Que os gremistas acreditem que vai ser possível. Vamos conquistar o título”.                         (Correio do Povo e Rádio Guaíba)

Folha de São Paulo/Entrevista da 2a. – Jermyn Brooks : Dar bônus a executivos estimula atos de corrupção

Folha de São Paulo/Entrevista da 2a. – Jermyn Brooks : Dar bônus a executivos estimula atos de corrupção

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Uma das armas para reduzir a corrupção é mexer nos bônus que executivos ganham para atingir metas. A avaliação é de Jermyn Brooks, 70, membro da Transparência Internacional e conselheiro de empresas como Siemens e Odebrecht. O governo deveria ainda, diz, dar incentivo à empresa, e não só punir.  A entrevista completa está na Folha de São Paulo.

Dória desmente “fixação” no PT, mas fala em riscos com “extrema esquerda e extrema direita”; por Flávia Bemfica/Correio do Povo

Dória desmente “fixação” no PT, mas fala em riscos com “extrema esquerda e extrema direita”; por Flávia Bemfica/Correio do Povo

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Confira o que disse  o prefeito de São Paulo, João Dória em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba.
O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), abusou das frases de efeito e do tom motivacional na palestra que proferiu, nesta segunda-feira, no Fórum de Gestão do RS, durante almoço no Leopoldina Juvenil. Dória começou a explanação dizendo que não existem “heróis solitários” na gestão privada e, por consequência, nem na área pública. Em diversas ocasiões, elogiou a “coragem” e a “competência” dos gaúchos, fazendo referência às comemorações da Semana Farroupilha. Também não poupou autoelogios: “tenho ousadia”, resumiu.

Esbanjando na técnica de envolvimento do público, o prefeito falou sobre a trajetória de vida, deu ênfase à “hombridade” do pai, deputado cassado pelo regime militar, e à capacidade de “guerreira” da mãe, e lembrou fases de dinheiro curto. “Precisei ir para a escola pública, enfrentamos dificuldades financeiras e várias vezes tivemos a luz de casa cortada.”

O rápido histórico familiar serviu de preâmbulo para o ponto alto da palestra, quando Dória saiu do palco e começou a circular entre as mesas do salão principal do Juvenil, surpreendendo parte do público, e dando um salto na narrativa direto para a vitória nas eleições do ano passado. “Foi a primeira vez em 28 anos que alguém venceu no primeiro turno a prefeitura em São Paulo. E, principalmente, vencemos o PT. Alguns dizem que eu tenho fixação no PT. Não é isso. É que eu enxergo a realidade do PT, o mal que este partido fez ao Brasil. E é um risco que não está distante de voltar ao país se nós aqui, pessoas de bem, não estivermos mobilizados pela defesa do Brasil. O risco vem da esquerda, da extrema esquerda e da extrema direita”, completou, repetindo uma estratégia que já vem adotando há algum tempo e deixando claro que já escolheu os adversários em uma provável disputa à presidência da República. O tucano, contudo, desmente ser candidato. “Quero deixar claro que não estou aqui como candidato. Estou fazendo política pública.”

Ao final da palestra, com entonação encorajadora, conclamou: “Estou orgulhoso e feliz, mas vou ficar mais orgulhoso se cada um de vocês praticar a brasilidade a partir de agora. É preciso ser brasileiro. Lutem, lutem pelo Brasil”, encerrou ele. Motivado, o público aplaudiu de pé enquanto a explanação se encerrou ao som do “Hino da Vitória”, aquele que era executado nas ocasiões em que ex-piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna vencia uma corrida.

Tão logo a palestra se encerrou, Dória foi cercado por apoiadores em busca de selfies e jornalistas, e acabou concedendo a coletiva de imprensa, marcada para ocorrer após o almoço, no próprio salão. Na entrevista, ele voltou a dizer que não está percorrendo o país para se fortalecer como candidato à presidência da República em 2018, afirmou que o governo Michel Temer (PMDB) não perdeu a legitimidade para fazer as reformas, bateu de novo no PT e evitou assuntos polêmicos.

Questionado sobre o final da exposição Queermuseu em Porto Alegre e o papel do MBL, informou que não tinha acompanhado o tema o suficiente para emitir uma avaliação. Sobre o fato de o Ministério Público de São Paulo abrir na semana passada investigação para apurar se está se valendo do cargo para fazer campanha antecipada, e lhe dar 20 dias de prazo para se manifestar, disse que as respostas serão enviadas hoje. “Não tenho nenhum problema em provar o óbvio, que estou fazendo política pública. Eu viajo com o meu dinheiro, no meu avião, e uso os meus recursos. Ao contrário do PT, que adora um dinheirinho público para viajar, contratar vantagens, sítio, tríplex, contas no exterior. Eu sou diferente. Por isso eles não gostam de mim e eu não gosto do PT.”

A palestra no Juvenil teve promoção do Lide (a entidade fundada pelo próprio Dória), em conjunto com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), o Sindilojas Porto Alegre, o CDLPOA e o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa). Antes do almoço o prefeito se reuniu com lideranças políticas e empresariais. Hoje à tarde, ele palestra em outro evento, na Feevale.

Em Porto Alegre, prefeito de São Paulo João Dória promete encaminhar explicações ao Ministério Público sobre viagens em horário de trabalho

Em Porto Alegre, prefeito de São Paulo João Dória promete encaminhar explicações ao Ministério Público sobre viagens em horário de trabalho

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Confira o que disse  o prefeito de São Paulo, João Dória em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba.

 

 

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), confirmou, em entrevista ao programa  Agora/Rádio Guaíba, que sua equipe vai protocolar junto ao Ministério Público, ainda hoje, um documento com as explicações relacionadas à investigação que apura as viagens que ele realizou durante horário de trabalho. O prefeito paulistano tem mais duas semanas para encaminhar respostas aos questionamentos do promotor público Marcelo Milani, mas defendeu que “nem precisa de 20 dias pra discorrer sobre o óbvio”.

Nesta segunda-feira, João Doria está em Porto Alegre e ressaltou que chegou em seu avião particular. “Não uso dinheiro público, estou a bordo do meu avião, pago o meu combustível, a minha tripulação, uso o meu automóvel, devolvo o meu salário todo o mês para uma instituição do terceiro setor, uso o meu carro, eu não preciso de dinheiro público para viajar”, argumenta.

A investigação sobre suposta irregularidade praticada por Doria, que teria viajado, no dia 14 de agosto de 2017, para a Cidade de Palmas/TO com o status de candidato à Presidência da República, foi aberta pela Promotoria do Patrimônio Público e Social de São Paulo, a pedido da Procuradoria-Geral de Justiça. Entre os questionamentos do promotor estão o roteiro e as circunstâncias das viagens, quem participou das comitivas e como é feito o pagamento dos custos. O inquérito surgiu a partir de uma representação feita pelo diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) da Capital paulista, que acusa o prefeito de usar o cargo para fazer campanha antecipada.

“O PT faz o seu papel. Como eles sabem que nós temos força e, em São Paulo, ganhamos a eleição arrasadoramente em todos os bairros, nós liquidamos o PT em São Paulo. Então, evidentemente que eles não tem nenhuma razão para gostar de mim e eu estou cheio de razões para não gostar deles”, destaca. Durante a entrevista, o prefeito recebeu críticas de ouvintes enviadas por aplicativos e rebateu dizendo que “petistas são preguiçosos e tem tempo para ficar escrevendo mensagens (…) já os liberais estão trabalhando”.

Além disso, o prefeito disse que não se apresenta como candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB, pois essa decisão deve ser tomada pela executiva nacional do partido, o que deve ocorrer até março. Além de Doria, a disputa interna traz o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Utilizando mecanismos talvez das prévias, pesquisas eleitorais que também devem ser levadas em consideração, aí toma-se a decisão de qual vai ser o candidato do PSDB. E quero reafirmar aqui minha admiração, amizade e meu profundo respeito pelo governador Geraldo Alckmin”, aponta. Sobre a escolha do próximo candidato diz que “o futuro dirá, mas essa amizade não se romperá”.

Visita ao Rio Grande do Sul

João Doria destacou que está na Capital gaúcha para se reunir com o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Conforme o prefeito paulistano, o encontro ocorre para a definição de quatro acordos de cooperação mútua entre as duas capitais, nas áreas de saúde, educação, zeladoria urbana e inovação. Ele também participa do 2º Fórum de Desenvolvimento Econômico na Feevale, em Novo Hamburgo. (Texto: Daiane Vivatti/Rádio Guaíba)

Porto Alegre: Prefeitura prevê multas e punições para empresas de ônibus que descumprirem licitação

Porto Alegre: Prefeitura prevê multas e punições para empresas de ônibus que descumprirem licitação

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 O diretor-presidente da EPTC, Marcelo Soletti, afirmou, em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba, nesta sexta-feira, que existe previsão de multas e punições caso as empresas de ônibus venham a “entrar em colapso” e não cumpram o que está previsto no contrato de licitação. Apesar de emitir um discurso muito próximo daquele feito pelos próprios empresários de ônibus, o representante da prefeitura de Porto Alegre destacou que, entre as penalizações, está a impossibilidade de que as empresas participem de novas licitações.

“Se realmente as empresas deixarem de prestar o serviço, com certeza serão penalizadas e responderão por processo administrativos. O que pode causar é, inclusive, a impossibilidade de participar de novos processos de licitação”, disse Soletti.

Ontem, o diretor-executivo da Associação dos Transportadores Públicos (ATP) de Porto Alegre afirmou, em entrevista à Rádio Guaíba, que “o sistema (de ônibus) vai entrar em colapso a curto prazo” caso não se encontrem alternativas para o déficit econômico registrado nos últimos anos.

O diretor presidente da EPTC disse que multas já são aplicadas em casos de má prestação do serviço e que, a partir do próximo ano, empresas que não atingirem 50% nos critérios de qualidade terão perdas de receita. “Existem multas, inclusive por má prestação de serviço. Por exemplo, temos a multa de não cumprimento da tabela horária que é a multa administrativa, além de um processo de penalização. Ao final, nos critérios de qualidade ainda tem a redução dos repasses desses valores às empresas. Então se a empresa não atingir dos sete critérios de qualidade mais de 50% deles, ela terá perda da sua receita. Vamos ter essas aplicações a partir de 2018″, afirmou.

Comum a fala do presidente da ATP, Soletti admitiu que o setor vive um momento difícil e reiterou que a prefeitura busca alternativas para contornar essa situação. Hoje a queda do número de passageiros chega a 11%. “Com o passar o tempo a situação vem se agravando mais. Hoje nós temos uma crise econômica no país, onde as pessoas estão tentando optar por outras alternativas e também tem a questão do desemprego e a insegurança. A questão dos aplicativos também deram uma possibilidade de concorrência ao transporte coletivo. Então ocorreu uma mudança no cenário. Nunca houve uma queda tão grande de um ano pro outro. Geralmente fica em torno de no máximo 4%, mas esse ano nós temos uma queda de 11%. Realmente há um desiquilibrio e isso vai refletir principalmente na próxima tarifa” afirma.

Segundo o diretor-executivo da Associação dos Transportadores Públicos (ATP), Gustavo Simionovschi o prejuízo das empresas chegou a R$ 51,7 milhões em 2016. Cinco anos antes, em 2011, o déficit havia sido bem menor – de R$ 6 milhões. No total, o sistema transporta 21 milhões de passageiros ao mês, com apenas 16 milhões pagando efetivamente pela passagem.

De acordo com o balanço da ATP, entre 1994 e 2012 houve uma redução de 29,35% no número de passageiros transportados na Capital, número acrescido de mais 12,89% em usuários a menos entre 2013 e 2016. (Rádio Guaíba)

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

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Em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba na manhã desta terça-feira, o promotor da Infância e Juventude de Porto Alegre, Júlio Almeida, afirmou que “não há nenhuma referência à pedofilia” na exposição “Queermuseu”, encerrada pelo Santander Cultural no último domingo. Motivados pela repercussão do fechamento da mostra, Almeida e a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Família e Sucessões, Denise Villela, visitaram o espaço localizado no Centro de Porto Alegre na segunda-feira e obtiram acesso a todo o material da mostra que tem curadoria de Gaudêncio Fidelis.

“Encontramos um porcentual ínfimo que poderia configurar alguma coisa como situação de sexo explítico, como exemplo pornográfico, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. É um número bastante reduzido de peças e expressões artísticas diante do contexto, mas efetivamente há algumas peças que não deveriam ter acesso a crianças e adolescentes”, disse, destacando, no entanto, que não se constatou registro ou ingresso de crianças ao local, embora adolescentes possivelmente tenham visitado a mostra. Portanto, a questão, conforme o promotor, é determinar se o eventual acesso de adolescentes está dentro da legislação da infância e juventude e da própria legislação constitucional.

Apesar do conteúdo que seria impróprio para crianças e adolescentes, que somaria quatro ou cinco obras, Almeida ressalta que não há nenhuma referência à pedofilia. “Pedofilia, por definição legal, é a utilização de criança e adolescente em cena de sexo explícito, reprodução de sexo explítico ou simulação de sexo explícito, ou ainda a exposição de genitália de criança e adolescente. Isso não existe na exposição. Pedofilia não acontece”, explicou.

Almeida leu um trecho do estatuto para esclarecer: “Para efeito dos crimes previstos nesta lei, a expressão cena de sexo explítico ou pornográfico compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explíticas, reais ou simuladas, ou a exibição de genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexual”. “Então, nós estamos restritos a uma leitura deste artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente, que aliás é o único momento na legislação brasileira que define o que seja sexo explícito ou pornografia”, assegura.

Em razão disso, o promotor comenta que o que existe na “Queermuseu” são dois quadros que fazem uma referência a uma criança transgênero, “que tem uma expressão ali pouco adequada”. “Mas isso é uma manifestação artítica, isso não caracteriza pedofilia”, expressou. O promotor voltou a dizer que os quadros não apresentam sexo explícito pela lei, mas do ponto de vista do bullying cada um o interpreta como desejar. “Do meu ponto de vista como promotor da Infância e Juventude, eu não vi uma agressão à infância e juventude nesse sentido”, comentou. Além disso, “a questão de chamar alguém de viada, ou de gay, ou de lésbica, ou de sapatão, ou de qualquer outra expressão tecnicamente correta ou pejorativa, do ponto de vista objetivo, não diz respeito à infância e juventude”, argumentou.

A interpretação deste conjunto que obras que causou polêmica, de acordo com ele, é feita de acordo com a convicção e a consciência de cada um. “Do ponto de vista da criança e da juventude, não tenho que analisar essa questão. Do ponto de vista da criança e da juventude, eu tenho que analisar unicamente o seguinte: essa imagem, que é uma pintura, ofende o estatuto da criança e adolescente no sentido de acesso crianças e adolescentes a imagens que tenha simulação de sexo explícito?. É nesse sentido que será avaliado. Do ponto de vista artístico e da mensagem não diz respeito à promotoria da infância e juventude”, argumentou.

Conforme o promotor, um expediente está sendo instaurado para avaliar tecnicamente a questão, considerando que o Estatuto não trata especificamente de exposições em museus, como ocorre em teatros e cinemas, por exemplo. Almeida também enfatiza que o assunto é inédito em seus 20 anos de atuação na área de infância e juventude: “É a primeira vez que se discute uma exposição na modalidade de museu, exposição de arte. Nesse sentido, vou ter que estudar a fundo. Vou examinar do ponto de vista técnico. A questão basicamente vai ser se exposição em museu está regulamentada assim como as demais manifestações artísticas elencadas pela Estatuto da Criança e do Adolescente”, conclui, sem definir prazo para a análise do caso. (Correio do Povo)

Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista Gaudêncio Fidélis sobre cancelamento da exposição Queermuseu, no Santander Cultural

Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista Gaudêncio Fidélis sobre cancelamento da exposição Queermuseu, no Santander Cultural

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No Agora/Rádio Guaíba, conversei com o doutor em História da Arte pela Universidade do Estado de Nova Iorque Gaudêncio Fidélis, curador da mostra Queermuseu. A exposição havia sido aberta ao público em 15 de agosto e teve como proposta explorar a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos da produção artística.

A exposição, que adotou um modelo não cronológico de disposição, propunha desfazer hierarquias e mostrar que a diversidade surge refletida no modelo artístico, observada sob aspectos da variedade e da diferença. A exposição reunia mais de 270 obras de 85 artistas, oriundas de coleções públicas e privadas, que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje.

Queermuseu: Mario Sergio Cortella fala sobre liberdade de expressão e arte

Queermuseu: Mario Sergio Cortella fala sobre liberdade de expressão e arte

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Conversei hoje no Agora/Rádio Guaíba, com o Mario Sérgio Cortella, filósofo e professor titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e de pós-graduação em Educação da PUC-SP, sobre a decisão do Santander Cultural, encerrar 28 dias antes do previsto, a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira.

A Queermuseu havia sido aberta ao público em 15 de agosto e teve como proposta explorar a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos da produção artística. A exposição, que adotou um modelo não cronológico de disposição, propunha desfazer hierarquias e mostrar que a diversidade surge refletida no modelo artístico, observada sob aspectos da variedade e da diferença.

A exposição reunia mais de 270 obras de 85 artistas, oriundas de coleções públicas e privadas, que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje.

Falamos sobre questões ligadas a liberdade de expressão e arte.