Dória desmente “fixação” no PT, mas fala em riscos com “extrema esquerda e extrema direita”; por Flávia Bemfica/Correio do Povo

Dória desmente “fixação” no PT, mas fala em riscos com “extrema esquerda e extrema direita”; por Flávia Bemfica/Correio do Povo

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Confira o que disse  o prefeito de São Paulo, João Dória em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba.
O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), abusou das frases de efeito e do tom motivacional na palestra que proferiu, nesta segunda-feira, no Fórum de Gestão do RS, durante almoço no Leopoldina Juvenil. Dória começou a explanação dizendo que não existem “heróis solitários” na gestão privada e, por consequência, nem na área pública. Em diversas ocasiões, elogiou a “coragem” e a “competência” dos gaúchos, fazendo referência às comemorações da Semana Farroupilha. Também não poupou autoelogios: “tenho ousadia”, resumiu.

Esbanjando na técnica de envolvimento do público, o prefeito falou sobre a trajetória de vida, deu ênfase à “hombridade” do pai, deputado cassado pelo regime militar, e à capacidade de “guerreira” da mãe, e lembrou fases de dinheiro curto. “Precisei ir para a escola pública, enfrentamos dificuldades financeiras e várias vezes tivemos a luz de casa cortada.”

O rápido histórico familiar serviu de preâmbulo para o ponto alto da palestra, quando Dória saiu do palco e começou a circular entre as mesas do salão principal do Juvenil, surpreendendo parte do público, e dando um salto na narrativa direto para a vitória nas eleições do ano passado. “Foi a primeira vez em 28 anos que alguém venceu no primeiro turno a prefeitura em São Paulo. E, principalmente, vencemos o PT. Alguns dizem que eu tenho fixação no PT. Não é isso. É que eu enxergo a realidade do PT, o mal que este partido fez ao Brasil. E é um risco que não está distante de voltar ao país se nós aqui, pessoas de bem, não estivermos mobilizados pela defesa do Brasil. O risco vem da esquerda, da extrema esquerda e da extrema direita”, completou, repetindo uma estratégia que já vem adotando há algum tempo e deixando claro que já escolheu os adversários em uma provável disputa à presidência da República. O tucano, contudo, desmente ser candidato. “Quero deixar claro que não estou aqui como candidato. Estou fazendo política pública.”

Ao final da palestra, com entonação encorajadora, conclamou: “Estou orgulhoso e feliz, mas vou ficar mais orgulhoso se cada um de vocês praticar a brasilidade a partir de agora. É preciso ser brasileiro. Lutem, lutem pelo Brasil”, encerrou ele. Motivado, o público aplaudiu de pé enquanto a explanação se encerrou ao som do “Hino da Vitória”, aquele que era executado nas ocasiões em que ex-piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna vencia uma corrida.

Tão logo a palestra se encerrou, Dória foi cercado por apoiadores em busca de selfies e jornalistas, e acabou concedendo a coletiva de imprensa, marcada para ocorrer após o almoço, no próprio salão. Na entrevista, ele voltou a dizer que não está percorrendo o país para se fortalecer como candidato à presidência da República em 2018, afirmou que o governo Michel Temer (PMDB) não perdeu a legitimidade para fazer as reformas, bateu de novo no PT e evitou assuntos polêmicos.

Questionado sobre o final da exposição Queermuseu em Porto Alegre e o papel do MBL, informou que não tinha acompanhado o tema o suficiente para emitir uma avaliação. Sobre o fato de o Ministério Público de São Paulo abrir na semana passada investigação para apurar se está se valendo do cargo para fazer campanha antecipada, e lhe dar 20 dias de prazo para se manifestar, disse que as respostas serão enviadas hoje. “Não tenho nenhum problema em provar o óbvio, que estou fazendo política pública. Eu viajo com o meu dinheiro, no meu avião, e uso os meus recursos. Ao contrário do PT, que adora um dinheirinho público para viajar, contratar vantagens, sítio, tríplex, contas no exterior. Eu sou diferente. Por isso eles não gostam de mim e eu não gosto do PT.”

A palestra no Juvenil teve promoção do Lide (a entidade fundada pelo próprio Dória), em conjunto com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), o Sindilojas Porto Alegre, o CDLPOA e o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa). Antes do almoço o prefeito se reuniu com lideranças políticas e empresariais. Hoje à tarde, ele palestra em outro evento, na Feevale.

Em Porto Alegre, prefeito de São Paulo João Dória promete encaminhar explicações ao Ministério Público sobre viagens em horário de trabalho

Em Porto Alegre, prefeito de São Paulo João Dória promete encaminhar explicações ao Ministério Público sobre viagens em horário de trabalho

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Confira o que disse  o prefeito de São Paulo, João Dória em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba.

 

 

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), confirmou, em entrevista ao programa  Agora/Rádio Guaíba, que sua equipe vai protocolar junto ao Ministério Público, ainda hoje, um documento com as explicações relacionadas à investigação que apura as viagens que ele realizou durante horário de trabalho. O prefeito paulistano tem mais duas semanas para encaminhar respostas aos questionamentos do promotor público Marcelo Milani, mas defendeu que “nem precisa de 20 dias pra discorrer sobre o óbvio”.

Nesta segunda-feira, João Doria está em Porto Alegre e ressaltou que chegou em seu avião particular. “Não uso dinheiro público, estou a bordo do meu avião, pago o meu combustível, a minha tripulação, uso o meu automóvel, devolvo o meu salário todo o mês para uma instituição do terceiro setor, uso o meu carro, eu não preciso de dinheiro público para viajar”, argumenta.

A investigação sobre suposta irregularidade praticada por Doria, que teria viajado, no dia 14 de agosto de 2017, para a Cidade de Palmas/TO com o status de candidato à Presidência da República, foi aberta pela Promotoria do Patrimônio Público e Social de São Paulo, a pedido da Procuradoria-Geral de Justiça. Entre os questionamentos do promotor estão o roteiro e as circunstâncias das viagens, quem participou das comitivas e como é feito o pagamento dos custos. O inquérito surgiu a partir de uma representação feita pelo diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) da Capital paulista, que acusa o prefeito de usar o cargo para fazer campanha antecipada.

“O PT faz o seu papel. Como eles sabem que nós temos força e, em São Paulo, ganhamos a eleição arrasadoramente em todos os bairros, nós liquidamos o PT em São Paulo. Então, evidentemente que eles não tem nenhuma razão para gostar de mim e eu estou cheio de razões para não gostar deles”, destaca. Durante a entrevista, o prefeito recebeu críticas de ouvintes enviadas por aplicativos e rebateu dizendo que “petistas são preguiçosos e tem tempo para ficar escrevendo mensagens (…) já os liberais estão trabalhando”.

Além disso, o prefeito disse que não se apresenta como candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB, pois essa decisão deve ser tomada pela executiva nacional do partido, o que deve ocorrer até março. Além de Doria, a disputa interna traz o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Utilizando mecanismos talvez das prévias, pesquisas eleitorais que também devem ser levadas em consideração, aí toma-se a decisão de qual vai ser o candidato do PSDB. E quero reafirmar aqui minha admiração, amizade e meu profundo respeito pelo governador Geraldo Alckmin”, aponta. Sobre a escolha do próximo candidato diz que “o futuro dirá, mas essa amizade não se romperá”.

Visita ao Rio Grande do Sul

João Doria destacou que está na Capital gaúcha para se reunir com o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Conforme o prefeito paulistano, o encontro ocorre para a definição de quatro acordos de cooperação mútua entre as duas capitais, nas áreas de saúde, educação, zeladoria urbana e inovação. Ele também participa do 2º Fórum de Desenvolvimento Econômico na Feevale, em Novo Hamburgo. (Texto: Daiane Vivatti/Rádio Guaíba)

Porto Alegre: Prefeitura prevê multas e punições para empresas de ônibus que descumprirem licitação

Porto Alegre: Prefeitura prevê multas e punições para empresas de ônibus que descumprirem licitação

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 O diretor-presidente da EPTC, Marcelo Soletti, afirmou, em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba, nesta sexta-feira, que existe previsão de multas e punições caso as empresas de ônibus venham a “entrar em colapso” e não cumpram o que está previsto no contrato de licitação. Apesar de emitir um discurso muito próximo daquele feito pelos próprios empresários de ônibus, o representante da prefeitura de Porto Alegre destacou que, entre as penalizações, está a impossibilidade de que as empresas participem de novas licitações.

“Se realmente as empresas deixarem de prestar o serviço, com certeza serão penalizadas e responderão por processo administrativos. O que pode causar é, inclusive, a impossibilidade de participar de novos processos de licitação”, disse Soletti.

Ontem, o diretor-executivo da Associação dos Transportadores Públicos (ATP) de Porto Alegre afirmou, em entrevista à Rádio Guaíba, que “o sistema (de ônibus) vai entrar em colapso a curto prazo” caso não se encontrem alternativas para o déficit econômico registrado nos últimos anos.

O diretor presidente da EPTC disse que multas já são aplicadas em casos de má prestação do serviço e que, a partir do próximo ano, empresas que não atingirem 50% nos critérios de qualidade terão perdas de receita. “Existem multas, inclusive por má prestação de serviço. Por exemplo, temos a multa de não cumprimento da tabela horária que é a multa administrativa, além de um processo de penalização. Ao final, nos critérios de qualidade ainda tem a redução dos repasses desses valores às empresas. Então se a empresa não atingir dos sete critérios de qualidade mais de 50% deles, ela terá perda da sua receita. Vamos ter essas aplicações a partir de 2018″, afirmou.

Comum a fala do presidente da ATP, Soletti admitiu que o setor vive um momento difícil e reiterou que a prefeitura busca alternativas para contornar essa situação. Hoje a queda do número de passageiros chega a 11%. “Com o passar o tempo a situação vem se agravando mais. Hoje nós temos uma crise econômica no país, onde as pessoas estão tentando optar por outras alternativas e também tem a questão do desemprego e a insegurança. A questão dos aplicativos também deram uma possibilidade de concorrência ao transporte coletivo. Então ocorreu uma mudança no cenário. Nunca houve uma queda tão grande de um ano pro outro. Geralmente fica em torno de no máximo 4%, mas esse ano nós temos uma queda de 11%. Realmente há um desiquilibrio e isso vai refletir principalmente na próxima tarifa” afirma.

Segundo o diretor-executivo da Associação dos Transportadores Públicos (ATP), Gustavo Simionovschi o prejuízo das empresas chegou a R$ 51,7 milhões em 2016. Cinco anos antes, em 2011, o déficit havia sido bem menor – de R$ 6 milhões. No total, o sistema transporta 21 milhões de passageiros ao mês, com apenas 16 milhões pagando efetivamente pela passagem.

De acordo com o balanço da ATP, entre 1994 e 2012 houve uma redução de 29,35% no número de passageiros transportados na Capital, número acrescido de mais 12,89% em usuários a menos entre 2013 e 2016. (Rádio Guaíba)

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

Queermuseu: “Não há referência à pedofilia”, diz promotor da infância e juventude. Júlio Almeida visitou mostra para verificar se existe violação do Estatuto da Criança e Adolescente

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Em entrevista ao programa Agora/Rádio Guaíba na manhã desta terça-feira, o promotor da Infância e Juventude de Porto Alegre, Júlio Almeida, afirmou que “não há nenhuma referência à pedofilia” na exposição “Queermuseu”, encerrada pelo Santander Cultural no último domingo. Motivados pela repercussão do fechamento da mostra, Almeida e a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Família e Sucessões, Denise Villela, visitaram o espaço localizado no Centro de Porto Alegre na segunda-feira e obtiram acesso a todo o material da mostra que tem curadoria de Gaudêncio Fidelis.

“Encontramos um porcentual ínfimo que poderia configurar alguma coisa como situação de sexo explítico, como exemplo pornográfico, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. É um número bastante reduzido de peças e expressões artísticas diante do contexto, mas efetivamente há algumas peças que não deveriam ter acesso a crianças e adolescentes”, disse, destacando, no entanto, que não se constatou registro ou ingresso de crianças ao local, embora adolescentes possivelmente tenham visitado a mostra. Portanto, a questão, conforme o promotor, é determinar se o eventual acesso de adolescentes está dentro da legislação da infância e juventude e da própria legislação constitucional.

Apesar do conteúdo que seria impróprio para crianças e adolescentes, que somaria quatro ou cinco obras, Almeida ressalta que não há nenhuma referência à pedofilia. “Pedofilia, por definição legal, é a utilização de criança e adolescente em cena de sexo explícito, reprodução de sexo explítico ou simulação de sexo explícito, ou ainda a exposição de genitália de criança e adolescente. Isso não existe na exposição. Pedofilia não acontece”, explicou.

Almeida leu um trecho do estatuto para esclarecer: “Para efeito dos crimes previstos nesta lei, a expressão cena de sexo explítico ou pornográfico compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explíticas, reais ou simuladas, ou a exibição de genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexual”. “Então, nós estamos restritos a uma leitura deste artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente, que aliás é o único momento na legislação brasileira que define o que seja sexo explícito ou pornografia”, assegura.

Em razão disso, o promotor comenta que o que existe na “Queermuseu” são dois quadros que fazem uma referência a uma criança transgênero, “que tem uma expressão ali pouco adequada”. “Mas isso é uma manifestação artítica, isso não caracteriza pedofilia”, expressou. O promotor voltou a dizer que os quadros não apresentam sexo explícito pela lei, mas do ponto de vista do bullying cada um o interpreta como desejar. “Do meu ponto de vista como promotor da Infância e Juventude, eu não vi uma agressão à infância e juventude nesse sentido”, comentou. Além disso, “a questão de chamar alguém de viada, ou de gay, ou de lésbica, ou de sapatão, ou de qualquer outra expressão tecnicamente correta ou pejorativa, do ponto de vista objetivo, não diz respeito à infância e juventude”, argumentou.

A interpretação deste conjunto que obras que causou polêmica, de acordo com ele, é feita de acordo com a convicção e a consciência de cada um. “Do ponto de vista da criança e da juventude, não tenho que analisar essa questão. Do ponto de vista da criança e da juventude, eu tenho que analisar unicamente o seguinte: essa imagem, que é uma pintura, ofende o estatuto da criança e adolescente no sentido de acesso crianças e adolescentes a imagens que tenha simulação de sexo explícito?. É nesse sentido que será avaliado. Do ponto de vista artístico e da mensagem não diz respeito à promotoria da infância e juventude”, argumentou.

Conforme o promotor, um expediente está sendo instaurado para avaliar tecnicamente a questão, considerando que o Estatuto não trata especificamente de exposições em museus, como ocorre em teatros e cinemas, por exemplo. Almeida também enfatiza que o assunto é inédito em seus 20 anos de atuação na área de infância e juventude: “É a primeira vez que se discute uma exposição na modalidade de museu, exposição de arte. Nesse sentido, vou ter que estudar a fundo. Vou examinar do ponto de vista técnico. A questão basicamente vai ser se exposição em museu está regulamentada assim como as demais manifestações artísticas elencadas pela Estatuto da Criança e do Adolescente”, conclui, sem definir prazo para a análise do caso. (Correio do Povo)

Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista Gaudêncio Fidélis sobre cancelamento da exposição Queermuseu, no Santander Cultural

Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista Gaudêncio Fidélis sobre cancelamento da exposição Queermuseu, no Santander Cultural

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No Agora/Rádio Guaíba, conversei com o doutor em História da Arte pela Universidade do Estado de Nova Iorque Gaudêncio Fidélis, curador da mostra Queermuseu. A exposição havia sido aberta ao público em 15 de agosto e teve como proposta explorar a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos da produção artística.

A exposição, que adotou um modelo não cronológico de disposição, propunha desfazer hierarquias e mostrar que a diversidade surge refletida no modelo artístico, observada sob aspectos da variedade e da diferença. A exposição reunia mais de 270 obras de 85 artistas, oriundas de coleções públicas e privadas, que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje.

Queermuseu: Mario Sergio Cortella fala sobre liberdade de expressão e arte

Queermuseu: Mario Sergio Cortella fala sobre liberdade de expressão e arte

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Conversei hoje no Agora/Rádio Guaíba, com o Mario Sérgio Cortella, filósofo e professor titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e de pós-graduação em Educação da PUC-SP, sobre a decisão do Santander Cultural, encerrar 28 dias antes do previsto, a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira.

A Queermuseu havia sido aberta ao público em 15 de agosto e teve como proposta explorar a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos da produção artística. A exposição, que adotou um modelo não cronológico de disposição, propunha desfazer hierarquias e mostrar que a diversidade surge refletida no modelo artístico, observada sob aspectos da variedade e da diferença.

A exposição reunia mais de 270 obras de 85 artistas, oriundas de coleções públicas e privadas, que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje.

Falamos sobre questões ligadas a liberdade de expressão e arte.

José A. Giannotti: 0 PSDB morreu, não existe mais como um partido

José A. Giannotti: 0 PSDB morreu, não existe mais como um partido

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Referência intelectual do PSDB, o professor aposentado da USP José Arthur Giannotti, 87, diz que “o partido morreu” e que falta nome para aglutinar todos na sigla. Para ele, a turbulência atual ê pior que a de 1964, quando houve o golpe militar. “Quem diz ter a solução para a crise? Ninguém.” A entrevista completa está na Folha de São Paulo.

“Culpa de ninguém, responsabilidade de todos”, diz Feltes sobre parcela de R$ 350

“Culpa de ninguém, responsabilidade de todos”, diz Feltes sobre parcela de R$ 350

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Após efetuar um depósito de R$ 350 a cada servidor público do Estado como pagamento da primeira parcela do salário de agosto, o secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul defendeu, nesta quinta-feira, que o governo pagou o que foi possível. No entendimento de Giovani Feltes, ninguém tem culpa pelo depósito de uma primeira parcela com valor tão baixo aos servidores, mas todos têm responsabilidade.

“Não é culpa de ninguém e ao mesmo tempo é responsabilidade de todos. O Estado não tem recursos suficientes para pagar todas as suas contas e foi o que foi possível esse mês, é o que tinha de recursos para pagar”, afirmou.

No final desta tarde, será avaliada a possibilidade de mais um depósito de R$ 170, caso haja recursos suficientes no cofre do Estado. A parcela inicial de R$ 350 depositada nesta quinta foi a mais baixa desde o início do governo Sartori, que já soma 21 parcelamentos desde o início de sua gestão.

Em entrevista ao programa  Agora/Rádio Guaíba, Feltes defendeu que a situação não está relacionada com uma queda da receita neste mês, mas com a impossibilidade de utilizar outros recursos, dando como exemplo iniciativas como saques de depósitos judiciais, privatizações e abertura do capital do Banrisul.

“É natural que a recessão tenha produzido um efeito brutal nas contas públicas no Brasil como um todo, mas o que a gente está falando não é necessariamente sobre a arrecadação aqui e acolá. O fato é que o Estado do Rio Grande do Sul custa mais caro do que arrecada e, se ontem tinha fontes de financiamento, foram utilizadas e praticamente se esgotaram”, apontou.

Mesmo com o governo de Michel Temer defendendo sinais de recuperação da economia no país, a arrecadação do Estado ainda não teve reflexos de melhora na arrecadação, o que, segundo o secretário da Fazenda, se explica pela diminuição da atividade econômica que ocorreu no Brasil.

“A recessão não acontece pelo governante de plantão, ela se mostra cada vez mais acentuada ou, eventualmente, começa a arrefecer o seu ímpeto nas medidas que são tomadas pelo governo e começa a produzir efeitos meses depois ou no ano seguinte”, defende.

O governo destacou que possuía R$ 221 milhões em caixa, o que possibilitou o depósito das duas primeiras faixas do salário, uma de R$ 200 e a outra de R$ 150, e o pagamento da nona parcela do 13º salário referente ao ano passado. A previsão do executivo estadual é integralizar os salários até o dia 13 de setembro. Já as consignações bancárias, de R$ 150 milhões, devem ser pagas até o dia 22 do próximo mês. A folha líquida do mês de agosto fechou em R$ 1,143 bilhão. O Estado soma hoje 344 mil vínculos – entre ativos, inativos e pensionistas.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) não descarta que, em outubro, pela primeira vez, ocorra o encontro de duas folhas – ou seja, de que não se consiga pagar os salários de setembro até o último dia do mês seguinte. Feltes diz que diversas medidas adotadas durante o período de governo evitaram que isso ocorresse antes, como a venda da folha para o Banrisul, o uso de depósitos judiciais e o acordo com a Ford.

Conforme a Sefaz, neste momento, a situação só não é pior porque, amparado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal, o Estado não vai pagar, pelo segundo mês consecutivo, a parcela da dívida com a União. Em agosto, o valor é de R$ 148 milhões, com vencimento previsto para esta quinta-feira. Em julho, o valor que deixou ser pago foi de R$ 142 milhões.

Os servidores vinculados ás fundações receberão os vencimentos integrais no próxima segunda-feira. A folha dos 5.200 celetistas é de R$ 25 milhões. (Daiane Vivatti/Rádio Guaíba)

“Vamos enxugar gelo enquanto não mudar o sistema”, diz coordenador da Lava Jato. Para Deltan Dallagnol, modelo proposto de reforma política não renova o parlamento

“Vamos enxugar gelo enquanto não mudar o sistema”, diz coordenador da Lava Jato. Para Deltan Dallagnol, modelo proposto de reforma política não renova o parlamento

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O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol, criticou a reforma política em andamento no Congresso, em entrevista ao jornalista Felipe Vieira, no programa Agora/Rádio Guaíba, nesta quarta-feira. Conforme o integrante do Ministério Público Federal, é necessário renovar o parlamento e o que a reforma proposta pelos atuais deputados faz é exatamente o contrário. “Nós vamos enxugar gelo enquanto nós não tivermos mudança no sistema (político). Nós precisamos de um posicionamento da população sobre a reforma política que está aí, que não é uma reforma para a sociedade, mas para a velha política”, defendeu.

O procurador destaca que a operação em andamento revelou os bastidores do sistema atual. “O que a Lava Jato revelou foi um sistema político corrompido, apodrecido, em que nós identificamos que, não só na Petrobras, pessoas eram colocadas em posições-chaves dos órgãos públicos para arrecadar propina, utilizada para enriquecimento próprio e financiamento de caríssimas campanhas eleitorais. Isso significa que, se não baratearmos as campanhas eleitorais, continuará existindo um incentivo para a prática da corrupção”, destaca o procurador.

A atual proposta de reforma política chegou a indicar a criação de um fundo público de R$ 3,6 bilhões para financiamento das campanhas, o que foi criticado pelo procurador. “Esse fundo é usado em campanhas hollywoodianas para manipular eleitores. Quem recebe voto é quem mais aparece em um mar de 500 mil candidatos que tivemos na última eleição. E os que aparecem mais são os que mais gastam, os que mais arrecadam via propinas. Com a Lava Jato fechando as portas contras as propinas, eles precisam buscar em outros fundos a própria eleição”, argumentou.

Não realizar outro modelo de reforma política diante do revelado pela Lava Jato, segundo Dallagnol, é como ir ao médico e não aceitar o tratamento. “A Lava Jato identificou essa doença, que é a corrupção, mas ela precisa ser tratada. E uma nova reforma é o tratamento para essa doença. Se quisermos combater a corrupção, precisamos renovar o parlamento, mas o distritão colocará 80% deles novamente no cargo”, completa.

Para Dallagnol, o maior problema é que a corrupção compensa no país, já que é difícil recuperar o dinheiro desviado e muitos dos criminosos passam pouco tempo na cadeia. ”A impunidade é regra. 97 a cada 100 casos de corrupção acabam em pizza, em completa impunidade e eu to falando dos casos comprovados, não dos que a gente nem sabe que aconteceu”, explica.

O procurador destacou ainda que os brasileiros “não podem ser ingênuos” e que “esse estado de corrupção não vai mudar da noite para o dia”. No entanto, defende que a Lava Jato já está promovendo uma mudança. “Precisamos olhar o copo meio cheio. Estamos quebrando uma série de tradições, poderosos estão indo para a cadeia. As pessoas precisam usar a sua energia não para reclamar, mas para para assumir a responsabilidade sobre a mudança do país”, afirmou.

Lava Jato

O coordenador da força-tarefa da operação, que já está em sua 45ª fase, destaca que as investigações permanecem e vão seguir até onde precisar. “A Lava Jato vai até onde ela tiver que ir, até onde eles foram, esse é o nosso objetivo. Algumas pessoas, por vezes, se preocupam: ah, mas a Lava Jato gera uma instabilidade. O que a gente tem que perceber é que a estabilidade colocada sobre os pilares corroídos da corrupção é falsa. É uma estabilidade que só sobrevive até o próximo grande escândalo de corrupção vir à tona”, ressalta.

Raquel Dodge

Dallagnol disse que, em visita a Curitiba durante a campanha para o cargo de procuradora-geral da República, a eleita Raquel Dodge expressou seu compromisso com o combate à corrupção, o pleno funcionamento da Força-Tarefa e a manutenção dos quadros da força-tarefa. “Ela tem um histórico de combate à corrupção, de atuação firme em casos criminais e nós temos a expectativa de que ela continuará na direção que ela vem percorrendo ao longo da vida dela”, aponta. (Rádio Guaíba e Correio do Povo)

‘Fachin e Janot ajudam o Centrão’. Principal articulador da fidelidade de seu filho a Temer, César Maia diz que DEM não deve estar ‘a reboque’ do PSDB; por Valmar Hupsel Filho/O Estado de S.Paulo

‘Fachin e Janot ajudam o Centrão’. Principal articulador da fidelidade de seu filho a Temer, César Maia diz que DEM não deve estar ‘a reboque’ do PSDB; por Valmar Hupsel Filho/O Estado de S.Paulo

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Principal articulador da fidelidade de seu filho, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ) e de seu partido, o DEM, ao presidente Michel Temer no momento mais crítico de seu governo, o vereador pelo Rio César Maia minimiza sua participação no processo. Para ele, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram os responsáveis pelo fortalecimento do Centrão e diz que o DEM não deve estar “a reboque” do PSDB em 2018.

A mosca azul de ver seu filho presidente não picou o sr.? Quais foram os motivos que levaram o sr. a aconselhá-lo a ficar ao lado do presidente Temer?

Rodrigo não é mais meu filho. Eu é que sou o pai dele. Eu não aconselhei. Eu concordei. Aquilo que a imprensa disse, que Rodrigo articula parado, é espetacular. Não teve mosca azul nenhuma. Pergunta lá quantas vezes eu fui a Brasília, na residência oficial da Câmara dos Deputados ou no gabinete dele. Nenhuma. A entrevista completa está em O Estado de São Paulo.