Livros: Léo Gerchmann lança “Jayme Copstein ao quadrado”. Uma obra que mostra a essência de um dos mais importantes comunicadores gaúchos.

Livros: Léo Gerchmann lança “Jayme Copstein ao quadrado”. Uma obra que mostra a essência de um dos mais importantes comunicadores gaúchos.

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Um dia antes de morrer, o meu guru, ídolo, amigo, grande jornalista e escritor Jayme Copstein entregou ao editor Marco Cena, originais de um novo livro.  O editor da Besouro Box, prometeu a Jayme que trabalharia todo aquele rico material e pensaria como transformar em um ou mais livros. Conversei com Cena sobre esta obra, em entrevista na Rádio Guaíba. Em outro momento, na TVU falamos sobre a riqueza intelectual da vida de Jayme e ali ele revelou a ideia de uma biografia, reafirmou o compromisso de uma homenagem póstuma ao grande comunicador e a promessa foi cumprida. Foi com emoção que recebi no início desta semana um exemplar  de “Jayme Copstein ao quadrado”, escrito pelo também meu amigo Léo Gerchmann. Jornalista experiente, formado pela UFRGS, autor de livros sobre a história do Grêmio. Se antes de ler, eu acreditava que Léo era a pessoa certa para escrever sobre Jayme, após a leitura tenho a convicção de que ninguém faria melhor.

jayme2Na introdução feita pelo autor da biografia, a explicação para o nome do livro: “Uma curiosidade pra lá de casual (ou não): Jayme Copstein usava o nome original, sem qualquer apelo artístico, e, apesar de adotar apenas um dos sobrenomes, contemplava também o da mãe – ou seja, tinha dois sobrenomes num só. Como o pai e a mãe eram primos de segundo grau, ele poderia ser Kopstein Copstein (o “K” da mãe de Jayme ainda tinha a grafia usada pela família na Europa). Era, então, nome real e artístico.
– Sou Copstein ao quadrado – costumava brincar.
Pode parecer algo banal, mas essa situação alcança forte simbolismo: Jayme sempre foi uma pessoa intensa. Radialista? Ok, mas muito mais que isso. Ele tinha o orgulho de ser jornalista. Mais que isso: homem de comunicação. Ainda mais: homem das artes.”

Em um texto que escrevi logo após a morte de Jayme relatei minhas visitas ao ídolo já internado na Santa Casa de Misericórdia. Apesar do quadro de saúde, seguia criativo e cheio de ideias. Rodeado de livros, anotações e reclamando da baixa velocidade de conexão da internet no apartamento 313, que ocupava no Pavilhão Pereira Filho, se negava a parar de trabalhar. Em uma caderneta tinha notas para vários artigos e algumas frases para um perfil que pretendia escrever sobre o médico José Jesus de Camargo que o tratava. “Conheci” Jayme aos 19 anos, quando comecei a ouvi-lo no Gaúcha na Madrugada. Me apaixonei pelo tom coloquial, pelo comentário bem elaborado que fazia o ouvinte refletir mesmo que estivesse sonolento e pelo respeito ao que hoje é comum, mas naquela época não era… a interatividade. Quando cheguei na Gaúcha em 1989, muitas vezes varei madrugadas quieto dentro do estúdio acompanhando a realização do programa e algumas vezes tive a honra de substituir Jayme Copstein. Graças ao conselhos do Antônio Carlos Niederauer não mexi na estrutura e mantive o programa como meu amigo o fazia. E por isso recebi elogios inesquecíveis do Jayme, Niederauer, Ranzólin e outros. Era simples, mas não era facil subsituir o gênio criativo, excelente redator, produtor de mão cheia, leitor voraz e jornalista perfeccionista. Na simplicidade está a genialidade. O programa era feito, o horário era mantido, mas sem a genialidade do mestre.  Jayme trabalhou nos principais jornais e emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Conquistou vários prêmios de jornalismo, entre eles a Medalha de Prata no Festival Internacional de Rádio de Nova York e vai se juntar ao Streck, Flávio(de quem era grande amigo e tinham entre eles uma admiração reciproca), Julio Rosemberg e tantos outros. Jayme, faz falta, muita falta no rádio e nas mesas de bar onde bebemos “alguns muitos chopes”.

Por isso, ler o livro  foi um alento, concordo com a minha querida Cíntia Moscovich, “Não se trata de mera sucessão de datas ou de eventos: aqui dentro, Jayme Copstein se movimenta, fala, gesticula, ri, numa narração vívida e afetuosa.”  O jornalista e biógrafo, Léo Gerchmann ancora a obra na trajetória profissional de Jayme. Ali você entenderá como um homem das letras enveredou para o rádio e o revolucionou. Jayme ficou conhecido pelo grande público como o jornalista de voz serena que criou um icônico programa de talk show na madrugada da rádio gaúcha e brasileira. Mas antes disso ele foi um literato, um homem de crônicas altamente líricas, contos divertidos, edições de Mario Quintana no Caderno H. Na Rádio Gaúcha, o comunicador, nascido em Rio Grande, exerceu todo seu conhecimento erudito para fazer melhor a vida dos notívagos. Em uma situação que surgiu quase que por acaso, ele abriu o microfone para as angústias dos ouvintes. Desbravou o vasto campo da comunicação interativa. O livro conta sobre o homem Jayme e seus trabalhos também como roteirista de radionovela e radioteatro. Mostra até mesmo o humanismo e a ousadia que levaram a Rádio Gaúcha a um prêmio internacional. Enfim, este livro trata de ir à essência de Jayme Copstein.  Ao escrever, Léo tinha a pretensão de mostrar ao leitor quem foi Jayme por inteiro. Conseguiu!
Anos-1980-Foto-10-Brasil-na-Madrugada-733x1024Lançamento(s) agendados:

Sinagoga Centro Israelita – 17/10/2019 (quinta) às 19h30– (Rua Henrique Dias, 73 – Bom Fim). Bate-papo com Lucy Copstein, Cintia Moscovich e Léo Gerchmann (dirigido a comunidade judaica)

Sarau Elétrico – Sarau do Rádio com Mauro Borba e Léo Gerchamnn – 05/11/2019 (terça) às 21h no Ocidente.

65ª Feira do Livro de Porto Alegre – 10/11/2019 (domingo), às 15h encontro com Léo Gerchmann, Felipe Vieira, Cláudio Brito, Luiz Ferraretto e Carlos Nélson seguido de sessão de autógrafos (aberto ao público em geral)

 

 

 

 

SBT Entrevista: Martha Medeiros revela que está com um roteiro original pronto para o cinema. Escritora fala de futuro, da paixão pelo Inter, situação política do país e o “novo” movimento feminista

SBT Entrevista: Martha Medeiros revela que está com um roteiro original pronto para o cinema. Escritora fala de futuro, da paixão pelo Inter, situação política do país e o “novo” movimento feminista

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Nesta quarta-feira a escritora porto-alegrense Martha Medeiros, conversou comigo no SBT Rio Grande – Segunda Edição e falou sobre o lançamento da sua obra mais recente, “O Meu Melhor”, coletânea de crônicas que selecionou entre textos bem-sucedidos junto aos leitores. Até aqui, 25 anos de cronista, foram mais de dois mil textos publicados. Essa edição comemorativa, lançada pela Editora Planeta, é antologia com cem textos já conhecidos e quatro inéditos. Ela confirmou para outubro a encenação em Porto Alegre de peça com o roteiro adaptado de sua obra e Júlia Lemmertz, outra gaúcha e colorada como Martha, no papel de protagonista. A montagem “Simples Assim”, baseada em duas crônicas, fala sobre temas da modernidade, como relações superficiais e o uso de aplicativos de relacionamento. O espetáculo teve casa cheia no eixo Rio-São Paulo.

Martha tem obras adaptadas para o teatro, cinema e televisão. Está com um roteiro original vendido, a produtora ainda não começou a rodar o filme no Rio de Janeiro. Ela tem a opção de escrever um livro baseado no próprio roteiro, por direito contratual, e já está fazendo isso. Consagrada e premiada, autora de obras como Divã e Doidas e Santas, seus livros já ultrapassaram a marca de um milhão de exemplares comercializados. Não é pouca coisa.

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Confira abaixo a íntegra da entrevista que fiz com Martha Medeiros.

Nosso bate-papo rolou solto na simpática livraria L&PM Pocket. Tanto que ele foi publicado na íntegra, sem nenhuma edição do que falamos no YouTube e Facebook, do SBT RS. Poucas pessoas imaginam que pudessem encontrar uma das autoras mais bem-sucedidas da literatura contemporânea nacional, anos atrás, num jogo do Inter contra o Aimoré em pleno Estádio Beira-Rio. Hoje em dia, poucos imaginam que possam encontrá-la sobre as águas do Guaíba, remando equilibrada em sua prancha Stand Up Paddle.  Ex-aluna do colégio Bom Conselho, Martha Medeiros formou-se em Comunicação Social e atuou mais de uma década como redatora publicitária. Se iniciou em literatura com poemas, o primeiro exercício de criação literária autoral.

Lá pelo meio da década de 80, após contato com a Editora Brasiliense, que havia editado Leminski e Caio Fernando Abreu na série Cantadas Literárias, recebeu carta elogiosa do editor Graco Prado e a promessa de novo contato, que ocorreu meses depois, junto com o convite para estrear em livro. Strip-Tease foi publicado na mesma coleção Cantadas Literárias, que admirava como leitora. O segundo livro, Meia Noite e Um Quarto, saiu em 1987 com apresentação de Caio Fernando Abreu. Houve o terceiro livro de poemas, Persona non Grata, com texto de Millôr Fernandes nas orelhas de capa. Isso ainda nos anos 90, quando embarcou para o Chile junto com o então marido, transferido por causa de trabalho. Com a oportunidade, interrompe a carreira publicitária e inicia a produção em prosa. Por intermédio do amigo e jornalista Fernando Eichenberg, começa despretensiosamente a carreira de cronista em Zero Hora. O resto da história todos já sabem, falar sobre ela é chover no molhado.

 

Abaixo, destacados em tópicos, alguns trechos selecionados da entrevista e o vídeo com a íntegra, contendo momentos inéditos, que não foram ao ar, no SBT.

O novo livro

“Textos que repercutiram e viralizaram nas redes”.

Do sucesso

“Nem em meus delírios mais lisérgicos imaginei que pudesse um dia fazer esse sucesso com leitores fidelizados. Eu me belisco até hoje, porque tem muita gente boa escrevendo”.

Referências

“Luiz Fernando Verissimo, o papa da crônica, e Marina Colasanti, escritora e jornalista que publicava livros e crônicas em revistas como a Cláudia. Eu costumo dizer que ela e minha mãe me formataram como mulher”.

O “novo” movimento feminista

“A sociedade continua violenta, cada vez mais, e a mulher acabou ganhando um novo alto-falante para os seus problemas, inclusive é um dos temas que abordo no livro, embora eu não goste do termo “empoderar”, que acho meio totalitário.  Em 8 de julho de 1994, estreei com a primeira crônica e já tinha um tom feminista, entre aspas”.

Sobre o tempo

“A idade me deixa inquieta, mas acho um privilégio chegar nessa etapa e dizer que estou na melhor fase de minha vida, às vésperas de completar 58 anos. A maturidade é um prêmio, porque a gente filtra as coisas e vai direto no que interessa”.

O processo de criação

“Sou focada na palavra escrita, não concebo meus textos pensando em adaptações para o teatro e o cinema, a televisão. Eu penso nos leitores, o resto é consequência”.

A torcedora colorada

“Quase ninguém sabe, ou lembra. Aos 16 anos, eu vivia dentro do Beira-Rio. Assistia até Inter e Aimoré, em partidas disputadas no inverno”. Martha, não por acaso, é Medeiros e parente de grandes dirigentes colorados como o atual presidente Marcelo Medeiros.

Livros que está lendo e relendo

Está lendo “A vegetariana”, de Han Kang (premiada obra de autora sul-coreana que ganhou o Man Booker Prize e agora chega à segunda tradução no Brasil. O livro é de 2007). Martha diz que gosta de reler obras de filosofia, de onde costuma tirar ideias para crônicas, que considera o gênero literário mais livre. “É um bate-papo de bar, só que o bar é a casa do leitor”.

A situação política do país

“Estamos vivendo um momento sem precedentes. Estou assustada, parece que fomos à beira do precipício, tomara que não cheguemos a cair. Não tenho como ficar completamente alheia ao que está acontecendo, seria quase um atestado de alienação. Estamos vivendo um momento atípico. Espero que a política não esteja presente em minhas crônicas, espero que não seja necessário, a coisa acalme. No momento, estou aflita”.

Futuro

“Não estou jogando para o futuro, tendo a puxar o freio de mão. Pretendo me dedicar à literatura. Tenho vontade de voltar à poesia, com enorme material inédito guardado. Eu quero botar um pouco de mais loucura, não de mim, a minha experiência pessoaL, mas criar personagens e louquear um pouco”.

Confira abaixo a íntegra da minha conversa com a grande Martha Medeiros

 

SBT Entrevista: Ratinho quer ampliar negócios no Rio Grande do Sul. Confira a entrevista de Felipe Vieira com Carlos Massa.

SBT Entrevista: Ratinho quer ampliar negócios no Rio Grande do Sul. Confira a entrevista de Felipe Vieira com Carlos Massa.

Comunicação Destaque Entrevistas Notícias

Após adquirir uma primeira emissora de Rádio no estado, o apresentador Ratinho, através de seu Grupo Massa, está de olho em novos investimentos para fazer no Rio Grande do Sul. Ratinho disse na entrevista para o SBT RS que pretende investir cada vez mais em rádios e televisão.

Veja aqui a entrevista completa

SBT RS: CEO das lojas Renner, José Galló é entrevistado no SBT Rio Grande 2ª Edição nesta quarta-feira

SBT RS: CEO das lojas Renner, José Galló é entrevistado no SBT Rio Grande 2ª Edição nesta quarta-feira

Comunicação Destaque Economia Entrevistas Negócios
Nesta quarta-feira, 30 de janeiro, o SBT Rio Grande 2ª edição exibe o quadro “SBT entrevista”. O apresentador Felipe Vieira bateu um papo, por mais de uma hora, com José Galló, no escritório do executivo, em Porto Alegre.
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Entre os assuntos estão: a visão de Galló sobre os governos de Eduardo Leite e Jair Bolsonaro, a criação do Instituto Caldeira por empresários gaúchos; e o futuro do executivo quando deixar a função de CEO da Renner. “Uma ótima entrevista e o que mais me chamou a atenção do Galló é por ele querer fazer mais para a sociedade brasileira e gaúcha. Muito inspirador”, declara Felipe Vieira.

SBT RIO GRANDE – 2ª EDIÇÃO
De segunda a sexta, às 19h20, no SBT RS
Eduardo Leite vai pedir que Sartori envie logo para Assembleia projeto com manutenção das alíquotas de ICMS. Governador eleito pode anunciar nos próximos dias os Secretários da Fazenda e Casa Civil

Eduardo Leite vai pedir que Sartori envie logo para Assembleia projeto com manutenção das alíquotas de ICMS. Governador eleito pode anunciar nos próximos dias os Secretários da Fazenda e Casa Civil

Destaque Eleições 2018 Entrevistas Vídeo

Conversei com o governador eleito Eduardo Leite, no SBT RIO GRANDE – 2ª Edição. Ele deve definir ainda hoje o nome de quem coordenará a transição de governo com os representantes de José Ivo Sartori. No primeiro contato nesta terça-feira, Leite jÁ encaminhará com Sartori a data de envio para a Assembleia Legislativa do projeto pedindo que atual alíquota do ICMS seja mantida por dois anos. Para ele, mesmo que 56% dos atuais deputados não tenham sido reeleitos, não deve haver maiores problemas para aprovação porque o assunto foi debatido de forma transparente na campanha. Leite não espera nenhum tipo de retaliação da bancada do PMDB, em função dos tucanos terem votado contra o plebiscito para privatização das estatais em 2018.

Conversei com ele “fora do ar”, sobre a divulgação de nomes do secretariado. Leite me disse que, se revelasse, eu ficaria sem pauta para próximas entrevistas. Como ele não fala… Eu repasso informações colhidas com fontes. O que eu posso afirmar sobre secretariado é que Leite sonha com  grandes nomes para a equipe.  Já que o nome preferido Aod Cunha, já disse a interlocutores que não aceitaria voltar ao cargo que já ocupou no governo Yeda Crusius, economistas de projeção nacional estão sendo sondados para a Fazenda, Se a opção for local, o nome mais cotado é o de Leonardo Busatto, atual secretário do governo de Marchezan Jr,  em Porto Alegre. Já para a Casa Civil, o perfil é de alguém com habilidade política e técnica, nesse caso o nome mais cotado é o deputado federal eleito, Lucas Redecker, que foi secretário de estado e cumpre até 01 de fevereiro de 2019, mandato na Assembleia Legislativa.

 

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

 

 

 

 

Eduardo Leite: “Governar é muito mais que o governo e o próprio caixa”

Eduardo Leite: “Governar é muito mais que o governo e o próprio caixa”

Entrevistas Notícias

Eduardo Figueiredo Cavalheiro Leite, aos 33 anos, disputa pela primeira vez o posto de governador do Estado, depois de ser o prefeito mais jovem eleito em sua cidade natal, Pelotas. Filho de professores universitários, é o caçula de três irmãos. Formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas, estudou Gestão Pública na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e é mestrando em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Correio do Povo – Como equilibrar as finanças públicas? O regime de recuperação fiscal é a única alternativa?
Leite – Governar é muito mais que o governo e o próprio caixa. Tem desequilíbrio que exige ações para reduzir despesa e incrementar receita. Para o primeiro ponto, é preciso ter reformas de estrutura da máquina administrativa (privatização, parceria pública-privada). O que eu puder tirar como despesa é importante, mas preciso alavancar receitas. É preciso combater sonegação, rever benefícios fiscais, ações concretas para estimular economia. Temos uma divergência com o atual governo, ele olha apenas para a caixa do governo. Ele é um gestor da crise em si mesma, sem proporcionar soluções a partir da dinamização da economia. O regime de recuperação é um ponto importante. Nosso adversário o tem colocado como plano seu e não é verdade. O plano do governo federal permite ficar três anos sem pagar parcelas da dívida com a União, prorrogável por mais três. Porém, não soluciona as contas do Estado, mas pagará com juros. A conta será paga lá na frente. Cada governo tem feito seus mandatos resolvendo o problema dos seus quatro anos e cavando um buraco lá na frente. Entendo que o regime é importante, mas não é ele que recupera o Estado. Quem faz isso é o que vai ser feito neste período no qual não estaremos pagando a dívida para alavancar o desenvolvimento do nosso Estado, gerando riqueza para que lá na frente tenhamos outro perfil econômico para que tenhamos condições de honrar com os nossos compromissos, senão é empurrar com a barriga para que outros governos resolvam. O plano nos ajuda no equilíbrio das finanças, mas associado a isso uma série de medidas tem que ser feitas, redução da burocracia, redução da carga tributária e investimento pesado em infraestrutura e um programa de concessão de rodovias e parcerias com o setor privado em hidrovias e aviação regional.

CP – Quanto ao pagamento dos servidores, alguma estratégia para que terminem os atrasos e os parcelamentos?
Leite – As primeiras medidas são encaminhar as reformas para contermos os avanços das despesas. Associado a medidas de estímulo da economia e incremento da receita, reorganizando a política de fluxo de caixa do governo, com calendário de pagamento dos fornecedores ajustado e para o funcionalismo, poderemos colocar o salário em dia no primeiro ano. Esse é o nosso compromisso. Quando fui prefeito de Pelotas, os servidores recebiam no quinto dia útil do mês seguinte, organizamos e conseguimos, no primeiro ano do governo, puxar para o último dia útil do mês.

CP – Sobre a privatização e/ou concessão de estatais. Qual a sua opinião? Quais estatais podem ser privatizadas no seu governo? Existe alguma que não será privatizada de jeito nenhum?
Leite – Banrisul e Corsan não. Banrisul é um banco superavitário, não é um problema para o Estado e pode ajudar na solução com linhas de crédito facilitadas em setores estratégicos. A Corsan também não porque ela é um agente importante de articulações de soluções regionais em saneamento. Por ser uma empresa pública, permite que as prefeituras façam contratação direta do seu sistema de saneamento, de abastecimento de água e a Corsan também pode fazer o chamado subsídio cruzado, em que uma cidade que não sustenta a sua própria atividade de saneamento tem o apoio de outros municípios que, conjuntamente, dão sustentabilidade econômica à prestação de serviço. Então, a Corsan se mantém pública, com parcerias com o setor privado. Vamos fazer parcerias, não é o caso de privatizações, que é uma alienação do patrimônio. CRM, CEEE e Sulgás eu sou a favor. Entendo que essas companhias devem ser conduzidas à iniciativa privada. Estamos falando claramente que vamos fazer isso com respeito ao servidor, inclusive com absorção da mão de obra. A culpa da ineficiência da CEEE, por exemplo, não é de quem está no poste ligando a energia. Essa também é uma divergência nossa com a atual gestão. O governo vendeu ações do Banrisul, por exemplo, o que é privatização. Não entregou o controle acionário, mas alienou. Vendeu patrimônio público para botar no custeio da máquina. E isso é uma irresponsabilidade, na minha visão. Você pode fazer privatização, desde que seja para alavancar um novo projeto de desenvolvimento. Nós queremos constituir, com recurso de privatizações, um fundo garantidor de investimento privado em PPPs no Estado, para alavancarmos os investimentos em infraestrutura, que vão ser determinantes para nos tornarmos mais competitivos no ponto de vista logístico. E, além disso, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) deve ser extinta. Não é papel do Estado ser o operador direto da manutenção dessas estradas em regime de concessão e sim de conceder para a iniciativa privada que ganha em eficiência, que vem em redução de custo e melhores serviços para a população, além de viabilizar investimentos em infraestrutura, que são estratégicos.

CP – Como será a relação com o governo federal, dependendo de qual for o presidente eleito?
Leite – Republicana, como sempre foi. Eu fui prefeito e tinha no governo do Estado um governador do Partido dos Trabalhadores e no governo federal também. Sempre estabeleci uma relação republicana em defesa dos interesses da comunidade e, agora, como governador, a mesma coisa. Nós temos voto declarado na candidatura do Jair Bolsonaro por exclusão ao caminho do PT, porque o PT ajudou a quebrar o país. Gerou 13 milhões de desempregados. Fez uma gestão que gerou 170 bilhões de déficit primário para as contas públicas do governo. Então, entendemos que essa alternativa seria pior para o Brasil. Isso não significa adesão incondicional às ideias do candidato Jair Bolsonaro.

A entrevista completa está no Correio do Povo.

Luciano Huck: ‘Não consigo voltar para a caixinha em que eu estava’; por Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

Luciano Huck: ‘Não consigo voltar para a caixinha em que eu estava’; por Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

Destaque Eleições 2018 Entrevistas
Na eleição mais polarizada da história recente, o apresentado Luciano Huck diz que não tem lado. “Eu não me sinto representado por nenhum dos dois”, afirma, em entrevista ao Estado. Mesmo insatisfeito, não se arrepende de não ter concorrido ao cargo de presidente da República. Sua candidatura foi articulada no início do ano por integrantes do movimento Agora, grupo de renovação política criado por ele, e incentivada por Fernando Henrique Cardoso.

No fim de semana passado, em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Huck disse que nunca votaria no PT. As falas no vídeo deram a entender que apoiaria Jair Bolsonaro, o que ele não confirma. Na seguinte entrevista, ele afirma que Fernando Haddad é “um cara ótimo”, mas “está inserido em um contexto do PT, que cometeu erros muito grandes nos últimos anos.”

Acredita que o País pode se reconciliar depois de uma eleição tão polarizada?

Acho que a gente não tem outra opção. Está sendo um processo muito dolorido para todos, mesmo quem está em campos opostos ou quem não se sente representado, ninguém gosta desse clima polarizado, divergente. A gente precisa fazer um esforço para conseguir uma conciliação. Se não, vão ser tempos muitos difíceis.

Esse esforço depende de quem?

Sem a menor dúvida, do presidente eleito, qualquer um dos dois. Ele vai estar representando todos os brasileiros, inclusive quem não votou nele.

Você vê isso acontecendo?

Eu tenho que tentar ver. A filosofia budista diz que não adianta você desejar o que você não tem, é preciso extrair o melhor do que você tem. Então, o nosso papel, enquanto sociedade, de quem não se sentia representado por nenhum dos dois, é de ser uma resistência positiva, atuante, que vai cobrar e exigir cada passo. Ver se a democracia vai ser preservada, se as liberdades serão respeitadas, se a imprensa vai ter liberdade, se as instituições estarão funcionando, se o Congresso e o cidadão serão respeitados. Se isso tudo acontecer, eu acho que a gente tem que apoiar as agendas positivas, seja quem for eleito.

A entrevista completa está em O Estado de São Paulo.

‘Homofobia de Bolsonaro é da boca para fora’, diz Regina Duarte. Para a atriz Regina Duarte, declarações do candidato – a quem ela apoia – são fruto de ‘jeito masculino’; por Ubiratan Brasil/O Estado de S.Paulo

‘Homofobia de Bolsonaro é da boca para fora’, diz Regina Duarte. Para a atriz Regina Duarte, declarações do candidato – a quem ela apoia – são fruto de ‘jeito masculino’; por Ubiratan Brasil/O Estado de S.Paulo

Cultura Eleições 2018 Entrevistas Notícias
Tão logo postou uma foto ao lado do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), a atriz Regina Duarte viu sua página no Instagram ganhar 300 mil seguidores em apenas quatro dias. Nas ruas, é festejada e cumprimentada, tornando-se um dos raros nomes da classe artística a abraçar a candidatura bolsonarista. “Ele tem uma alma democrática”, garante Regina, que interpreta as declarações consideradas homofóbicas e racistas do candidato como frutos de um homem com um “humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada”.

A situação é diferente da vivida por ela em 2002, quando foi muito criticada ao revelar seu temor pela primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. “Eu estava completamente alienada, pois o Lula já havia ganhado”, afirma. “Não me arrependo, mas, se pudesse voltar no tempo, teria me informado melhor sobre o que estava acontecendo naquele momento. O País queria o Lula e fui dar a cara a tapa à toa.”

Veja os principais trechos da entrevista, concedida no apartamento da atriz, na região dos Jardins, em São Paulo.

Quando você se sentiu à vontade para falar de Bolsonaro?

Foi há uns dois ou três meses. Eu estava “no armário”, e meu filho mais novo começou a me contestar: já que sempre fui uma pessoa democrática, aberta, justa, como eu podia me fechar no conceito de que Bolsonaro é bruto, tosco, ignorante, violento. “Você já chegou perto dele?” Respondi: “Não preciso me aproximar, sinto que é o candidato da raiva, da impotência, do ódio, contra a corrupção e não quero votar no emissário da raiva”. Mas, quando conheci o Bolsonaro pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e que dizia que lugar de negro é na cozinha. Eu tinha algumas opções de voto, como o (Geraldo) Alckmin e o (João) Amoêdo, mas, nesse momento, me caíram fichas inacreditáveis, como as omissões do PSDB. Foi tudo ficando muito feio. Quantos equívocos, quantos enganos! Foi quando notei o tamanho da adesão desse país ao Bolsonaro e pensei: eu sou esse país, eu sou a namoradinha desse país.

Bolsonaro passa a imagem de ser truculento quando o assunto é homossexualidade, feminismo, quando fala sobre índios e nega efeitos negativos da ditadura.

São imagens montadas, pois mostram a reação dele, mas não a de quem provocou a reação. É unilateral. Quando souberam que ele ia se candidatar, começaram a editar todas as gravações e também a provocá-lo para que reagisse a seu estilo, que é brincalhão, machão. Daí fica a imagem de um homem tosco, bruto. Acredito que 80% dessas reações eram brincadeiras dele: você manda uma porrada e ele devolve outra. O homem com quem conversei durante 65 minutos quer chegar lá democraticamente, seguindo todas as regras das nossas instituições. Ele não estudou filosofia, mas o importante é seu preparo para nos proteger da roubalheira descarada. Bolsonaro é fruto do País, é resultado dos erros monstruosos do PT e da falta de mea-culpa.

Você abriu uma porta para outros artistas ao defender abertamente o Bolsonaro? 

Alguém me falou que eu estou fazendo muito artista sair do armário, o voto envergonhado. Hoje, se tivesse de dizer alguma coisa para a juventude, usaria minha experiência do depoimento de 2002, quando disse ter medo do Lula. Eu estava completamente alienada, pois o Lula já havia ganhado a eleição. Aí fui botar a cara na TV, feito uma tonta, para falar de um sentimento, de uma intuição tão particular. Não me arrependo, mas, se pudesse voltar no tempo, teria me informado melhor sobre o que estava acontecendo naquele momento. O País queria o Lula e fui dar a cara a tapa à toa.

A entrevista completa está em O Estado de São Paulo.

Propostas inacabadas de candidatos para economia preocupam empresários

Propostas inacabadas de candidatos para economia preocupam empresários

Comunicação Destaque Entrevistas Notícias Vídeo

Propostas vagas, sem explicações de como as medidas serão adotadas e falta de clareza nos programas econômicos dos candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), têm gerado incertezas nos setores produtivo e financeiro e podem afetar o desempenho já pífio da economia brasileira em 2018 e em 2019.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reviu na quinta-feira, 11, sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,6% para 1,3%. Há setores, como o de calçados, que estão ainda mais pessimistas. “Acho que será uma façanha se chegar a 1,0%”, diz Heitor Klein, presidente da associação dos fabricantes de calçados, a Abicalçados.

Segundo o Informe Conjuntural da CNI, que tem por base pesquisas com as empresas, as incertezas em relação ao programa econômico do futuro governo, em especial no que se refere ao ajuste fiscal, frearam também decisões de ampliação da produção, do emprego e do investimento. A CNI cortou de 3,5% para 2,2% a previsão de crescimento dos investimentos públicos e privados neste ano.

“A propensão ao investimento tem caído desde março. Após o abandono da reforma da Previdência e, à medida que a eleição foi se aproximando, a incerteza com a economia ficou mais latente. O debate entre candidatos não focou na agenda econômica, mas em segurança e corrupção”, diz Flávio Castelo Branco, gerente executivo da CNI.

Na opinião de Klein, os investimentos só virão quando o setor reduzir sua capacidade ociosa, de até 35%. Para isso, são necessárias medidas para diminuir o custo Brasil, que tira a competitividade da indústria nacional. Ele ressalta, porém que, hoje, as propostas dos dois candidatos “não são suficientemente claras e detalhadas a ponto de dar confiança”.

 

Leia a íntegra em O Estado de S. Paulo.

*Eu conversei com o presidente da Fiergs, Gilberto Petry, sobre o segundo turno das Eleições em nível Nacional e Estadual.

‘Eleição de Bolsonaro ou volta do PT seriam tragédias’, diz Elena Landau; por Paulo Beraldo/O Estado de S.Paulo

‘Eleição de Bolsonaro ou volta do PT seriam tragédias’, diz Elena Landau; por Paulo Beraldo/O Estado de S.Paulo

Destaque Economia Eleições 2018 Entrevistas
 A economista e advogada Elena Landau, recém-empossada como presidente nacional do movimento suprapartidário Livres, de orientação liberal, afirmou em entrevista ao Estado que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ou a volta do PT seriam “duas tragédias para o País”. Landau, que foi uma das principais economistas do PSDB por 25 anos e se desligou do partido em 2017, assumiu a liderança do movimento em 21 de agosto e disse que encara o atual cenário político com “apreensão”. Ela também criticou o populismo das campanhas nas eleições 2018

Nos anos 1990, Landau colaborou com o Programa Nacional de Desestatização e, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde atuou de 1994 a 1996. Em agosto de 2017, Landau endereçou uma carta ao PSDB, escrita em conjunto com os economistas Edmar Bacha, Gustavo Franco e Luiz Roberto Cunha, anunciando o desligamento da sigla. A carta dizia que o PSDB deixou “vazio o centro político ético de que o País tanto precisa” porque foi “incapaz de se dissociar de um governo manchado pela corrupção”.

Entre as propostas, o Livres defende a criação de “bancadas da liberdade” ao redor do País, com a defesa de temas como a igualdade de oportunidades, a redução do tamanho do Estado, mais eficiência na máquina pública e a desburocratização da economia. O grupo se define como liberal “por completo”, tanto em temas econômicos quanto nos costumes.

Confira em O Estado de São Paulo os principais trechos da entrevista.