Livros: O americano R.S.Rose narra trajetória de Filinto Müller, torturador e chefe de polícia da ditadura Vargas

Livros: O americano R.S.Rose narra trajetória de Filinto Müller, torturador e chefe de polícia da ditadura Vargas

Cultura Destaque Feira do Livro

O historiador americano R. S. Rose morou por mais de 20 anos no Brasil e é um especialista na história do país. Coube a ele traçar um perfil pouco óbvio de Filinto Müller, militar que foi figura de destaque em determinado período político do país, tendo sido presidente do Senado, líder de dois partidos e chefe de polícia do governo autoritário de Vargas, dentre outras funções. Para escrever “O homem mais perigoso do país”, que chega às livrarias em novembro pela Civilização Brasileira, o autor recorreu a uma pesquisa extensa, que incluiu mais de 66 mil documentos, 500 recortes de jornais e material impresso, além de 165 itens audiovisuais pertencentes ao acervo da Fundação Getulio Vargas.

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R. S. Rose

Filinto Müller serviu a quatro diferentes ditadores na história do Brasil, mandando torturar e matar suspeitos e adversários. Para entender sua trajetória, R. S. Rose conta a história de Müller desde seu nascimento, em Mato Grosso, em uma família de origem alemã, passando pela educação católica, até sua morte, em 1973, em um acidente aéreo no qual a esposa, Consuelo, e o neto Pedro também foram vítimas.

ORELHA (por Anita Leocádia Prestes):

“A obra de R. S. Rose nos ajuda a conhecer a trajetória de Filinto Müller: o oficial rebelde do Exército brasileiro – que na década de 1920 abandonou a luta, traindo seus companheiros –, facínora a serviço das duas ditaduras que infelicitaram nosso país

Durante a Era Vargas, o militar, fiel cumpridor dos desígnios do ditador, não vacilou no papel de carrasco. Torturou, assassinou e deportou presos políticos e cidadãos inocentes. Impossível esquecer a deportação de Olga Benário Prestes e de Elise Ewert para a Alemanha nazista, decidida por Vargas e executada por Filinto Müller, o qual jamais foi processado e punido. Mais tarde, a partir do Golpe civil-militar de 1964, Müller colaborou com a ditadura prestando apoio incondicional ao anticomunismo e ao autoritarismo dos generais que governaram o país durante 21 anos. Ocupou cargos de destaque, foi presidente da Arena e do Senado, tornando-se peça importante no esquema de sustentação de todos os governos militares e, em especial, nos períodos de maior repressão, como o do governo do general Emílio G. Médici.

Vale a pena, portanto, ler a obra de R. S. Rose.”

TRECHO:

“Filinto Müller era conservador, nacionalista e imperturbável em seu apoio a duas ditaduras, em guerra com um adversário persistente, seu adversário, a chamada ameaça comunista.

Ele foi um representante da geração de tenentes que pensava que eles, e somente eles, sabiam o que era melhor para o país. Sua receita para um Brasil melhor não incluía o comunismo de Luiz Carlos Prestes, mas sim a ditadura dos militares ‘sabichões’. Müller serviu aos governos autoritários de Vargas, Castello Branco, Costa e Silva e Médici com entusiasmos diferentes – mas os serviu.”

R. S. Rose nasceu na Califórnia, nos Estados Unidos. Tem doutorado em sociologia na Universidade de Estocolmo, na Suécia. Viveu 22 anos no Brasil e já escreveu cinco livros sobre o país, entre eles “Johnny: A vida do espião que delatou a rebelião comunista de 1935”, em parceria com Gordon D. Scott, lançado pela Record. Foi professor visitante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

O-homem-mais-perigoso(1)O HOMEM MAIS PERIGOSO DO PAÍS: BIOGRAFIA DE FILINTO MÜLLER

R. S. ROSE

Páginas: 406

Preço: R$ 64,90

Editora: Civilização Brasileira | Grupo Editorial Record

Porto Alegre: Feira do Livro tem queda nas vendas pelo segundo ano consecutivo

Porto Alegre: Feira do Livro tem queda nas vendas pelo segundo ano consecutivo

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 A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre teve queda de 14% na venda de exemplares no comparativo com o ano passado. O número total de livros comercializados nos dois últimos anos, no entanto, não foi divulgado pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). Em 2014, ocorreu uma diminuição de 19% nas vendas, enquanto em 2015 o crescimento havia sido de 11,25%, com um total de 445 mil exemplares vendidos. Mesmo assim, o saldo é considerado positivo pela organização do evento.

O presidente da CRL, Marco Cena, avalia que as projeções pessimistas previam uma queda de até 30% nas vendas devido ao cenário de desemprego, parcelamento salarial do funcionalismo público e insegurança. Por outro lado, Cena destaca que a presença do público se manteve em 1,4 milhão de pessoas, assim como em 2016, demonstrando a importância da feira para o público. “Se (o visitante) não saiu com um livro embaixo do braço, saiu de alma nova e isso importa muito”, ressaltou.

Para os organizadores, os principais resultados da Feira estão no que diz respeito ao enfoque na diversidade étnica e de orientação sexual, debates com autores negros e programação promovendo o exercício de empatia. Para o presidente da entidade, o evento trouxe uma vitória da sociedade contra a intolerância.

O número de participantes nos debates promovidos durante o evento subiu de 17 mil (2016) para 19 mil (2017). ”A maior conquista foi uma Feira de debates, com respeito, sobre assuntos que estavam nas rodas de conversa e que foram aprofundados”, destaca Jussara Rodrigues, coordenadora da programação para o público adulto.

No total, foram realizadas 739 sessões de autógrafos, 331 palestras e debates e 25 oficinas. Participaram da feira 91 expositores na Área Geral, 13 na Área Infantil e Juvenil e cinco na Área Internacional. O evento, realizado na Praça da Alfândega, no Centro da Capital, teve duração de 19 dias e encerrou neste domingo. (Daiane Vivatti/Rádio Guaíba)

Livros: No centenário da Revolução Russa, obras do cientista político Moniz Bandeira relacionadas ao conflito ganham edições revistas e ampliadas

Livros: No centenário da Revolução Russa, obras do cientista político Moniz Bandeira relacionadas ao conflito ganham edições revistas e ampliadas

Cultura Feira do Livro Mundo Notícias

Ao escrever sobre O ANO VERMELHO, o professor titular de História Contemporânea e chefe do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), Osvaldo Coggiola, diz que: ” A reedição revista e ampliada, com novos documentos, de O ano vermelho, publicado originalmente pela Civilização Brasileira em 1967, é oportuna, cinquenta anos depois, em virtude do centenário da Revolução de Outubro e da primeira greve geral do Brasil. A nova edição, porém, traz muito mais do que isso.

Em 1967, pela primeira vez, militantes socialistas e operários, pesquisadores e intelectuais brasileiros tinham acesso, com este livro, a uma visão do conjunto dos acontecimentos que punha, para sempre, a questão operária (ou social) no centro da agenda política e histórica do Brasil. Era o resultado da irrupção das relações capitalistas, a partir da segunda metade do século XX, da Abolição, da grande imigração e dos surtos econômicos que possibilitaram a primeira industrialização do Brasil, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial. Pelo seu vínculo explícito, político e ideológico com os acontecimentos revolucionários que desaguaram, em novembro de 1917, na Revolução Soviética, O ano vermelho brasileiro significou também a incorporação do país à história política mundial, pela via do movimento internacional dos explorados.

No período, não havia sequer um texto que tratasse cientificamente do conjunto dessa virada decisiva, que condicionou as mudanças políticas posteriores (tenentismo, Revolução de 1930, “varguismo” e incorporação do sindicato e da legislação trabalhista e social à estrutura política brasileira). Este livro o fez, não só de maneira pioneira, mas também magistral, e, até o presente, insuperável. A historiografia posterior, certamente, enriqueceu a análise de diversos aspectos, como a situação social à época, as diversas ideologias (anarquismo, sindicalismo, socialismo) presentes no movimento operário, a conjuntura política etc., mas nenhuma conseguiu tratar da questão na sua totalidade, isto é, tendo em seu cerne a luta de classes e todas as suas manifestações: sociais, políticas, ideológicas, culturais. E tendo como base, principalmente, as fontes primárias e os escassos trabalhos produzidos a respeito naquele tempo.

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Luiz Alberto Moniz Bandeira

Pode-se creditar a este livro, portanto, a inauguração de uma nova fase da produção historiográfica e intelectual brasileira. Não apenas como trabalho pioneiro, mas como trabalho exemplar. A vasta obra posterior de Moniz Bandeira valeu-lhe a indicação, pela União Brasileira de Escritores, ao Prêmio Nobel de Literatura. Pode-se dizer que todas as virtudes que levaram a essa indicação já estavam, embrionária ou explicitamente, presentes em O ano vermelho. Um livro que honra a luta dos trabalhadores manuais e intelectuais brasileiros.”

O autor Luiz Alberto Moniz Bandeira é formado em Direito, doutor em Ciência Política pela USP e professor titular de política exterior do Brasil no Departamento de História da UnB. Recebeu o título de doutor honoris causa da Unibrasil e da UFBA. Em 2006, a UBE elegeu-o, por aclamação, Intelectual do Ano de 2005, conferindo-lhe o Troféu Juca Pato, por sua obra Formação do império americano. Recebeu, em 2014 e em 2015, a indicação ao Prêmio Nobel de Literatura, pela UBE, em reconhecimento ao seu trabalho com “intelectual que vem pensando o Brasil há mais de 50 anos”.

Autor de mais de 20 obras, publicadas em diversos países, Moniz Bandeira foi professor-visitante de universidades da Alemanha, na Suécia, em Portugal e na Argentina e conferencista-visitante em universidades da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina. É portador da Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (Brasil), comendador da Ordem do Mérito Cultural (Brasil), comendador da Ordem de Mayo (Argentina) e condecorado com a Cruz do Mérito, 1ª classe, da República Federal da Alemanha.

Para Karl Johann Kautsky, filósofo tcheco-austríaco, jornalista e teórico marxista e um dos fundadores da ideologia social-democrata.: “Ele [Lenin] foi uma figura colossal, das quais pouco se pode encontrar na história do mundo. Entre os governantes dos grandes Estados de nosso tempo, há somente um, em certa medida, que a ele aproxima-se em termos de impacto, e esse é Bismark, os dois têm muito em comum. Seus objetivos estavam diametralmente opostos: em um caso, a dominação da Alemanha pela dinastia Hohenzollern; no outro, a revolução proletária. Esse é contraste entre água e fogo. O Objetivo de Bismarck era pequeno, o de Lenin, tremendamente grande.”

Para a Historiadora, professora titular na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuárias da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Regina Maria A. F. Gadelha, a vida e a obra de Lenin realmente se confundem e Moniz Bandeira, é modesto ao escrever ser Lenin – vida e obra apenas um livro de divulgação. Trata-se de leitura essencial. Mais do que biografia, o livro analisa com profundidade o pensamento político do grande marxista e estadista estratégico russo, Vladimir I. Lenin. Esta edição, revista e ampliada, coincide de forma feliz com os cem anos da Revolução Russa.

É profundo o conhecimento do autor sobre a história da Rússia e da Revolução de Outubro de 1917. Como tudo o que escreve, esta também é uma obra de muita erudição, com sólida base documental e interpretativa, mas de fácil e apaixonante leitura. Moniz Bandeira nos faz acompanhar os passos do jovem Lenin – os redutos dos movimentos sociais e políticos, a crise russa, a formação dos partidos social-democrata, socialista e comunista até a queda do regime czarista e a vitória da revolução, a guerra civil, a invasão do território russo pelos Aliados, a formação, contradições e dissidências do Partido Comunista (PC) e movimentos operário/camponês e trabalhadores, nos primeiros anos da revolução.

Dotado de conhecimento profundo dos escritos de Lenin, o autor tem o mérito de nos inserir, de forma crítica, ao âmago do contexto de seu pensamento e ação política, o que faz deste livro um instrumento fundamental para o conhecimento, obra a figurar ao lado dos grandes autores e obras da ciência política, como O príncipe, de Maquiavel, fundamental para a compreensão dos mecanismos e do exercício do poder político. Mas o autor não se prende apenas à análise da obra e ação de Lenin, o homem e suas circunstâncias. Analisa, também, as grandes lideranças da época – de Plekhanov a Trotsky, passando por Kautsky, Rosa Luxemburg e outros teóricos da social-democracia europeia e do movimento socialista mundial, da fundação da I Internacional ao ambiente do X Congresso dos Sovietes (fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), nos estertores da luta incessante de Lenin contra todas as formas de tirania, inclusive a de Stalin, cuja remoção da secretaria-geral do PC recomendou, pouco antes de sua morte.

Moniz Bandeira ressalta as contradições de um homem político cuja obra, ação e caráter individual iriam muito além da vontade férrea de luta pela mudança revolucionária. O livro instiga o leitor a refletir sobre a crise da esquerda, ao trazer para a contemporaneidade, de forma nunca repetida, os fatos daquela que foi a maior revolução do século XX.

image003(14)O ANO VERMELHO

Luiz Alberto Moniz Bandeira

642 páginas

R$ 89,90

Editora Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record

 

 

 

 

image005LENIN VIDA E OBRA

Luiz Alberto Moniz Bandeira

224 páginas

R$ 44,90

Editora Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record

Feira do Livro: Último sábado tem escritores nórdicos, espiritualidade, amor & sexo, homenagem a Wole Soyinka, Lobão, Maria do Rosário, Cíntia Moscovich e encontro com Eduardo Bueno e Jorge Caldeira

Feira do Livro: Último sábado tem escritores nórdicos, espiritualidade, amor & sexo, homenagem a Wole Soyinka, Lobão, Maria do Rosário, Cíntia Moscovich e encontro com Eduardo Bueno e Jorge Caldeira

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No último sábado da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, véspera do dia de encerramento, ocorre a participação de dois autores nórdicos e homenagem à obra do Nobel de literatura de 1986, o nigeriano Wole Soyinka, que participa da Feira no dia seguinte. A deputada federal, Maria do Rosário (PT) e o cantor Lobão, estarão às 18h na Praça da Alfândega, a menos de 100 metros. Ela participa do encontro Crônicas do Golpe, na sala Oeste do Santander Cultural, em foco, o retrospecto dos acontecimentos durante o ano seguinte ao impeachment de Dilma Rousseff e a atuação da imprensa brasileira nesse processo. Já ele, estará no Teatro Carlos Urbim , entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul, falando sobre o Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock, onde Lobão revisita os anos 1980 e revela fatos, segundo ele da época mais exuberante e autodestrutiva da música brasileira. Quem quiser saber mais sobre a história do Brasil, pode conferir o encontro História da riqueza no Brasil, no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV). O evento terá Jorge Caldeira e Eduardo Bueno falando sobre cinco séculos de pessoas, costumes e governos.

Confira outros destaques:

Raízes negras

9h – 20h30min

Colóquio de Literatura e Infância – Diálogos com as matrizes africanas

Auditório do Memorial – Primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul 9h às 10h30min – Visitar a África pela Literatura Infantil, palestra de abertura com Júlio Emílio Braz

15h30min

O mundo africano na obra de Wole Soyinka

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Oficina que busca dar a conhecer alguns dos principais temas e características da obra e do pensamento de Wole Soyinka, explorando algumas de suas ideias sobre literatura, arte e a visão de mundo africana. Com Adriano Moraes Migliavacca.

Público juvenil

10h – 19h

Harry Potter: A Mágia das Páginas, sala temática

Sala de Vídeo – Primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul

A exposição traz edições internacionais dos livros da série Harry Potter, ambientação temática, objetos dos filmes e cenário para fotos. Promoção: Grupo Alohomora.

14h – 18h

2º Encontro de Influenciadores Literários e Seguidores

Espaço do Conhecimento Petrobras – Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul

Convidados especiais: youtubers e escritores Vitor Martins e Pam Gonçalves

Público: booktubers, blogueiros literários e instagramers literários.

Promoção: Site Fetiche Literário e Resenhando Sonhos. Coordenação: Cadu Barzotto e Tamirez Santos

Espiritualidade

14h

Vencendo a dor da morte

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Célia Diniz vivenciou a dor de perder dois de seus filhos. Essa história é tão marcante que foi levada para os cinemas. A dolorosa experiência de vida de Célia e os ensinos de Chico Xavier, com quem a autora conviveu desde a sua infância. Célia conversa com o público sobre sua trajetória.

Brasil – Costumes e Governos

15h

História da riqueza no Brasil Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Cinco séculos de pessoas, costumes e governos. Com Jorge Caldeira e Eduardo Bueno.

18h

Crônicas do Golpe

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Em foco, o retrospecto dos acontecimentos durante o ano seguinte ao impeachment de Dilma Rousseff e a atuação da imprensa brasileira nesse processo. Com Felipe Pena e Maria do Rosário.

18h

Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock

Teatro Carlos Urbim – Entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul

Lobão revisita os anos 1980 e revela todas as verdades da época mais exuberante e autodestrutiva da música brasileira. Mediação de Ticiano Paludo.

Nórdicos

16h30min

Presença nórdica: Iben Sandahl (Dinamarca) – com a presença do Sr. Embaixador da Dinamarca Kim Højlund Christensen.

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Crianças dinamarquesas: a filosofia dinamarquesa de como educar os filhos gera resultados poderosos – crianças felizes, emocionalmente seguras e resilientes, que se tornam também adultos felizes, emocionalmente seguros e resilientes, e que reproduzem esse estilo de criação quando têm seus próprios filhos. Com Iben Sandahl, Kim Højlund Christensen (embaixador da Dinamarca) e Cristiano Frank. Tradução Simultânea

18h

Presença nórdica: Einar Már Gudmundsson (Islândia)

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Um dos maiores nomes da literatura islandesa contemporânea apresenta seu primeiro livro editado no Brasil, “Anjos do Universo” (Hedra, 2013), que fala sobre o outro lado das coisas, das nossas mentes, da realidade, com a terra do frio como cenário. Retrato da capital da Islândia do séc XX e da própria condição humana, sob a visão da esquizofrenia. Com Luciano Domingues Dutra e mediação de Pedro Gonzaga. Tradução Simultânea.

Amor e sexo

18h30min

Qualquer forma de paixão, e de literatura, vale a pena

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Encontro que tem por objetivo lançar as bases de um diálogo sobre as diferentes formas de paixão (erótica, intelectual, sexual, platônica, homossexual, pansexual, pictórica, melômana, etc.) e as formas de expressão literária. Com Cíntia Moscovich e Júlia Dantas.

Livros: Lya Luft lança obra que mistura romance, ensaio e autoficção. “A casa inventada” leva o leitor aos cômodos de sua casa imaginária, onde estão guardados os amores, as dores, as frustrações, as alegrias e lembranças das famílias, numa metáfora da própria existência

Livros: Lya Luft lança obra que mistura romance, ensaio e autoficção. “A casa inventada” leva o leitor aos cômodos de sua casa imaginária, onde estão guardados os amores, as dores, as frustrações, as alegrias e lembranças das famílias, numa metáfora da própria existência

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Capítulo a capítulo, os cômodos de uma casa ganham vida. A porta de espiar, a sala da família, o porão das aflições, o pátio cotidiano. Cada espaço revela suas ambiguidades e seus mistérios, desvelando “clarões de ternura e riso” nos desvãos da memória. No espelho, Pandora sacode os cabelos e devolve as indagações da menina que, em pleno espanto, investiga o que move as pessoas e a arquitetura ao redor.

Em A casa inventada, Lya Luft se confronta, mais uma vez, com os temas que marcam sua carreira de mais de 50 anos na literatura. As contradições da vida humana, a infância e a morte, a família como motor de liberdade e de opressão. O espaço da casa, cotidiano, cresce com as metamorfoses secretas de quem o habita. É, como a caixa guardada pela personagem mitológica, um repositório de desejos, euforias, alegrias e sombras. Ao abri-la, Lya Luft mostra, mais uma vez, sua habilidade em construir uma prosa poética desconcertante, singular.

A obra é publicada em um momento triste da vida da autora: Lya perdeu um de seus três filhos, André Luft, no início deste mês. Num dos trechos do livro, numa triste coincidência, ela conta como a morte de um menino, vizinho seu, e o lamento de seu pai a marcaram pelo resto da vida. Em entrevista concedida no fim de outubro ao blog da editora, a autora falou sobre como construímos as casas das nossas vidas, com “tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos”.

Leia entrevista que a autora concedeu à jornalista e escritora Juliana Krapp, antes da trágica notícia da perda do filho no início de novembro, em que fala sobre como construímos as casas das nossas vidas, com “tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos:

Neste novo livro, a senhora afirma não fazer autobiografia, tampouco falar só em terceira pessoa. Em vez disso, lida com ‘lembranças, incertezas, coisas que flutuam como destroços num mar revolvido pelas correntes da ficção’. Como alcançou e trabalhou esses destroços, para compor A casa inventada?

As ideias e emoções estão sempre dentro de mim, de nós. Basta abrir espaços de silêncio, de liberdade, para que essas coisas emerjam quando se tem o dom ou a profissão de escrever, de criar com palavras. Geralmente as ideias me assediam meses, às vezes anos a fio, até que, atraídas por algum objetivo, como inventar essa Casa, se manifestam. Cada escritor tem lá seu jeito.

O que é, para a senhora, uma casa?   

Tudo. Quase tudo. Conforto, orientação, sentido, raiz. Sempre tive alguma casa (pode ser, como agora, um apartamento), que sinto que é meu ninho, minha caverna boa, onde me sinto bem e recebo amigos e família com tranquilidade. Talvez a importância de uma casa seja a medida de minha insegurança ou vulnerabilidade, quem sabe? Assim como acho que de certa forma inventamos, criamos a nossa casa com seu aconchego ou frieza, seu regaço ou impessoalidade, penso que vamos até certo ponto criando a casa da nossa vida. Com  tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos. E, como escrevi, nessa tarefa não somos arquitetos, pedreiros: somos amadores.

Memória, família, reflexões sobre a ambiguidade humana e sobre a morte são temas recorrentes em sua obra, que retornam neste novo título. Como é o seu convívio com essa matéria-prima que parece sempre à espreita? O quanto, no interior de tal temática, ainda surge o espanto e a reinvenção de si?

Cada artista, pintor, escritor, tem seus temas predominantes. O meu é sempre a família, os laços pessoais, a estranha alma humana. E eu respeito isso. Acho que viver, acordar cada dia, é espanto e reinvenção de si. Claro que não de maneira expressa, mas sutil e subliminar, ou morreríamos logo. Por isso a vida é interessante, difícil e fascinante. Porque precisamos intervir, agir, não nos deixar levar como folhas mortas num rio.

Vários poemas se integram ao corpo de A casa inventada. Qual sua relação, hoje, com a poesia?

Comecei, em 1964, com um livrinho de poemas, Canções de Limiar. Nunca deixei de fazer poesia, como em Para Não Dizer Adeus. Com o tempo, gostei de começar capítulos de ficção ou ensaio com um poema, em geral escrito sobre aquele tema, ainda que não na mesma hora. Sempre espontâneo. Faço isso habitualmente, porque gosto, é um jeito meu. Para o próximo ano preparo uma coletânea de poemas meus: ou de outros livros, ou “perdidos” em livros em prosa.

E com o trabalho em geral? A senhora tem um cotidiano muito produtivo. Escreve uma coluna no jornal Zero Hora, continua criando livros como este novo romance, pinta em seu ateliê. O que lhe dá mais prazer, hoje?

Viver me dá prazer. Estar com pessoas queridas, família, amigos, parceiro. Ficar quieta em casa, olhando a paisagem, lendo, ouvindo música, pensando, às vezes pintando no meu atelier aqui na cobertura (sou bem amadora nisso). Escutar a chuva. Por aí…

A senhora ainda gosta do silêncio? Como preservar esse dom – o apreço ao silêncio – em tempos como o nosso, de tamanha algaravia? 

Se houver muito barulho em torno, posso criar meu silêncio interior. Isso me ensinou há décadas o poeta Mario Quintana, que trabalhava numa redação de jornal na época das barulhentas máquinas de escrever, todos conversando etc. E ele me disse isso: “Aqui dentro posso fazer tudo ficar quieto”. Depende de cada um, mais uma vez. Mas em geral minha casa é bastante silenciosa, embora com gente, conversas, risos, música. Tudo sem exageros. Natural.

São mais de 50 anos de carreira. O que a move a escrever, hoje, é diferente do que a movia em 1964, quando estreou com Canções do Limiar?

No começo, muita insegurança, medo, dúvidas. Hoje, tudo muito mais natural, escrevo como respiro, e fico feliz quando escrevo. Mas, claro, [tenho] terror de lançamentos e noites de autógrafo, pois apesar do imenso carinho dos leitores em todos esses anos, minha neurose me faz sempre achar que vou estar sozinha.

Pandora ainda existe? E Penélope?

Elas e muitas mais: as da minha fantasia, sempre cheia de criaturas belas ou sinistras, boas ou ferozes. É assim. E a vida me ensinou que a realidade não é muito real. Que o simbólico e o imaginário são também muito reais…

 

image003(13)TRECHO:

Os porões da alma podem esconder esse grande enigma, o desaparecimento, o nunca mais, escondendo pessoas amadas em suas largas mangas.

— Pandora, Pandora, por que temos de morrer?

Nessas horas ela desvia os olhos, se pudesse escapava para dentro de um espelho, mas desta vez eu seguro firme:

— Me diz, me explica, me fala!!! Me consola! Ou me condena!!!

Ela resiste, ela quer ser livre, então eu a deixo ir.

Não sei se ela sabe a resposta. Nem adivinho se ela entende o que se move, sombra e apelo, naquele lugar de que pouco falamos: eu deveria criar uma Sala dos Mortos?

As mortes se multiplicam para quase todos como amargos, tristes frutos: amigos, amigas, parentes, velhos, jovens, pais, parceiro ou parceira de vida.

A primeira morte de que tomei notícia, morte mais tremenda, mais pungente, foi a de uma criança que avistei poucas vezes, há tanto tempo, e cujo nome nem recordo. É a primeira de que me lembro, e pela qual, sem nada presenciar, eu sofri: meus pais procuravam me proteger de todo o medo, e perigo, e mal.

Numa casa vizinha, um homem imenso, muito gordo, simpático, bonachão, e sua mulher, depois de muitos anos, tiveram um filhinho. O menino devia ter dois anos, mal caminhava naquele trotezinho dos bebês. Muito louro, o pai o chamava “meu patinho”.

A criança adoeceu, ou caiu da escada da casa, não sei mais. Lembro comentários confusos. Sei que morreu, e durante toda a noite, toda a madrugada, eu ouvia de meu quarto de menina os desesperados gritos do pai chamando o filhinho morto. Gritos, berros, urros. E agarrava-se a ele, contaram depois, e o mantinha firmemente seguro em seus braços fortes, e não deixava que o levassem. E assim foi a noite toda, até que um médico amigo lhe deu uma injeção, e ele afrouxou o abraço, cedeu, deitou-se, dormiu — e ficou para sempre órfão do seu menininho.

Foi o mais terrível lamento que até ali eu tinha escutado: e ainda hoje, se apuro o ouvido em alguma madrugada, ele continua lá, como tudo continua enquanto dele tivermos lembrança.

 

A CASA INVENTADA

Lya Luft

Páginas: 112

Preço: R$ 29,90

Editora: Record / Grupo Editorial Record

Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

Cultura Esporte Feira do Livro Notícias

 

O escritor argentino Julio Cortázar certa vez comparou a literatura ao boxe, afirmando que o romance sempre ganha por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute. A mesa desta tarde de quinta-feira, 16 de novembro, trouxe o tema boxe e literatura para a discussão a partir do lançamento do livro “Quatro Contos de Boxe” (Editora Diadorim, 2017) no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo. Participaram da mesa a doutoranda em Teoria Literária Gabriela Silva e a tradutora Cássia Zanon.

O volume é o primeiro da coleção “Contos Temáticos” e traz histórias de Arthur Conan Doyle, Roberto Arlt, Robert E. Howard e Liliana Heker. Os contos têm tradução de Cássia Zanon (inglês) e Flávio Ilha (espanhol). “O valentão de Brocas” (1923), que abre o volume, é um raro registro do britânico Arthur Conan Doyle sobre o esporte que mais admirava – a ponto de escrever um romance sobre o tema. Imaginativa e violenta, a narrativa contém também toques de mistério e suspense que fizeram a fama universal do criador de Sherlock Holmes. Gabriela, que também escreveu a apresentação do livro, conta que sempre achou Doyle um escritor chato. “Foi uma grata surpresa esse conto, conseguiu reverter para mim, porque ele é sempre maçante, repetitivo. Para mim foi muito bom de ler”, revela.

A tradutora Cássia revela que ao traduzir contos ela tem essa sensação de arrebatamento também. “Eu sei que quando eu vou traduzir um conto, eu vou traduzir em um dia só. Eu não consigo largar o conto no meio, porque se o conto é bom, a gente quer chegar logo no arrebatamento, no nocaute”, diz. Gabriela acredita que o boxe é um dos esportes que mais lida com o processo humanístico da competição. “Essa arquitetura literária tem muito a ver com o jogo de boxe, de encarar, de surpreender”, conclui. ( Rafael Gloria/CRL)

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Livros: Editora Record lança “O homem que abalou a República”, biografia não autorizada de Roberto Jefferson

Livros: Editora Record lança “O homem que abalou a República”, biografia não autorizada de Roberto Jefferson

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Poucas leituras são mais satisfatórias do que um livro de bom jornalismo. No caso, a biografia não autorizada de um dos mais polêmicos personagens da política brasileira dos últimos 30 anos – e veja que a concorrência é grande. Estamos falando de “Roberto Jefferson – O homem que abalou a república”, do jornalista Cássio Bruno. Leitura obrigatória para quem quer (tentar) entender a vida do país da Lava-Jato.

Cássio retrata a atuação de Roberto Jefferson como elemento principal do Mensalão, o escândalo de corrupção que mexeu com meio Brasil há pouco mais de dez anos e, pela primeira vez, levou para a cadeia alguns importantes figurões do país. Em entrevista ao blog da editora Record, o jornalista explica por que o episódio foi um marco no combate à corrupção , defende que as denúncias de Roberto Jefferson não ocorreram por amor ao país e relaciona o caso com a operação Lava Jato.

“O mensalão criou precedentes no combate à corrupção no Brasil. Abriu caminho para a Operação Lava Jato. Até estourar o mensalão, os brasileiros nunca tinham visto gente poderosa da República e do Congresso ir, de fato, para a cadeia. A cooperação realizada nas investigações da Lava Jato entre instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público começou a se desenhar e amadurecer de forma bem-sucedida no mensalão. O caso Collor e PC Farias, obviamente, chocou o país. Mas Collor, no fim das contas, foi inocentado pelo Supremo. Na época, os ministros colocaram no banco dos réus um governo derrotado, com o ex-presidente já afastado. No mensalão, não. Figuras do alto escalão da política foram condenados e acabaram presos.

O jornalista defende que Roberto só denunciou o mensalão porque o nome dele apareceu envolvido no escândalo de corrupção nos Correios e porque a imprensa começou a mostrar as suas negociatas nos porões da República junto com o PT. “Caso contrário, o silêncio dele continuaria. Ele não denunciou o PT por amor à pátria. Isso é ilusão. O livro desvenda tudo isso”, completa.

Sem juízo de valor, para que cada leitor chegue às suas próprias conclusões, “Roberto Jefferson – O homem que abalou a república” narra fatos, bastidores e histórias inéditas em um grande esforço de reportagem que custaram ao autor quase 90 entrevistas, madrugadas em claro, madrugadas em claro e viagens ao Brasil.

Cássio Bruno nasceu em Mesquita, na Baixada Fluminense, em 1979. Começou no jornalismo no Jornal de Hoje e passou por O Dia e O Globo, no qual permaneceu por mais de uma década, boa parte na cobertura política. Colaborou ainda para a revista Veja e para o site G1. Em 2008, venceu o 10° Prêmio Imprensa Embratel coma série de reportagens “A ditadura nas favelas”, publicada em O Globo. Em 2010, conquistou o VI Prêmio de Jornalismo, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), na categoria Nacional Impresso, pela série de reportagens “Relações perigosas”, também publicada em “O Globo”. No mesmo ano, foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo. É casado e tem uma filha.

Em entrevistas, Cássio Bruno explica por que o Mensalão foi um marco no combate à corrupção no país. E que as denúncias de Roberto Jefferson não ocorreram por amor ao país… Além disso, deixa claro que, se existe alguma moral nessa história toda, ela fica por conta do leitor. Cabe a este, afinal, tirar suas conclusões – mais uma prova de que o livro é um representante legítimo do velho e bom jornalismo.

Como surgiu a ideia do livro?

Foi num dos intermináveis plantões em frente à casa do Roberto Jefferson, em Comendador Levy Gasparian, no interior do Rio. Ele foi o último dos condenados do mensalão a ir para a cadeia.

Quais questões o livro aborda?

Não foi escrito para jornalistas que cobrem política em Brasília. A ideia é o público em geral ter noção de como foi o período antes, durante e depois do mensalão. Tem bastidores, curiosidades e furos jornalísticos.

O que, por exemplo?

roberto
´Ele quis matar José Dirceu´, diz autor da biografia não autorizada de Roberto Jefferson

As regalias que o Roberto Jefferson recebeu na cadeia são um dos pontos altos. Visitas irregulares e até doação de dinheiro para o churrasco dos carcereiros. Para se ter ideia, ele coordenou duas campanhas eleitorais dentro da cela: da filha Cristiane Brasil para deputada federal e a do ex-genro Marcus Vinícius para deputado estadual.

Temos como relacionar o sucesso das denúncias e do julgamento do Mensalão à operação Lava-Jato? Em ambos os casos, temos rios de dinheiro público desviados, corrupção envolvendo grandes nomes, delação, punição, cadeia. Podemos dizer que o Mensalão abriu caminho para investigações que resultaram na Lava-Jato?

O mensalão criou precedentes no combate à corrupção no Brasil. Abriu caminho para a Operação Lava Jato. Até estourar o mensalão, os brasileiros nunca tinham visto gente poderosa da República e do Congresso ir, de fato, para a cadeia. A cooperação realizada nas investigações da Lava Jato entre instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público começou a se desenhar e amadurecer de forma bem-sucedida no mensalão. O caso Collor e PC Farias, obviamente, chocou o país. Mas Collor, no fim das contas, foi inocentado pelo Supremo. Na época, os ministros colocaram no banco dos réus um governo derrotado, com o ex-presidente já afastado. No mensalão, não. Figuras do alto escalão da política foram condenados e acabaram presos.

Alguma novidade sobre os bastidores do mensalão?

Roberto Jefferson quis matar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, seu maior inimigo político. Ele próprio me confessou na entrevista para o livro. Roberto, inclusive, viajou do Rio para Brasília, de jipe, com uma arma para não chamar atenção nos aeroportos.

Roberto Jefferson teria mesmo coragem de explodir uma granada dentro do Congresso, como chegou a afirmar? Ou seria apenas mais uma de seus jogos de cena?

O Roberto estava acuado com a pressão que estava sofrendo por causa da repercussão da denúncia do mensalão. A operação da Polícia Federal na casa da filha dele, em Petrópolis, o abalou muito. Os policiais foram atrás de documentos que pudessem incriminar o então marido dela, o Marcus Vinícius, hoje deputado estadual no Rio, mas que, em 2005, estava sendo investigado por ser suspeito de ser o carregador das malas de dinheiro do Roberto. Marcus era muito jovem e ia prestar depoimento na CPI. Eu conto todo esse bastidor no livro. Na véspera do depoimento, o Marcus chegou no apartamento do Roberto, em Brasília, e o encontrou sentado na mesa de jantar, sozinho, num ambiente de penumbra. Em cima da mesa, havia uma arma e uma granada. Ele estava disposto a explodir caso o ex-genro recebesse voz de prisão.

O quanto Roberto Jefferson colaborou para desmanchar o poder do PT – que parecia eterno?

O Roberto só denunciou o mensalão porque o nome dele apareceu envolvido no escândalo de corrupção nos Correios e a imprensa começou a mostrar as suas negociatas nos porões da República junto com o PT. Caso contrário, o silêncio dele continuaria. Ele não denunciou o PT por amor à pátria. Isso é ilusão. O livro desvenda tudo isso.

A cadeia, evidentemente, não estava nos planos de Roberto Jefferson. Onde foi que ele errou?

Como político corrupto, a sensação dele e de outros era, na verdade, de impunidade. Deu no que deu. Foi condenado e preso por corrupção. Hoje, qual é o político que duvida que a Operação Lava Jato pode lavar à cadeia?

Roberto Jefferson ainda “rasga dinheiro”, como diziam quando ele estava preso?

O Roberto ganha uma boa aposentadoria da Câmara e ainda recebe salário como presidente do PTB. Tem duas motos Harley-Davidson, carros, imóveis. Na prisão, ele era visto pelos colegas detentos como um homem rico. Ele ajudava todo mundo porque não queria sofrer retaliações dentro do presídio. Por isso, ele e a família foram bem tratados. No livro, eu relato tudo: a rotina, as regalias, as novas amizades que fez. O Roberto ajudou até a comprar a carne do churrasco dos agentes penitenciários. Fez reuniões políticas e coordenou campanhas eleitorais lá de dentro.

Até que ponto a prática do pagamento de mensalões e mensalinhos diminuiu (ou desapareceu) da política brasileira?

É difícil responder. O sistema político brasileiro está corrompido. No Congresso, teve mensalinho até para o funcionamento de um simples restaurante lá dentro.

Quem tem medo de Roberto Jefferson hoje?

Não sei. Mas posso dizer que ele continua operando a todo vapor em Brasília. Ao ponto de quase fazer da filha dele, a Cristiane Brasil, que é investigada na Operação Lava Jato, ministra do amigo Temer. O Roberto viaja o Brasil inteiro para estruturar o PTB e possíveis candidaturas para 2018, inclusive a dele. Nas redes sociais, ele continua atirando no Lula e no PT. Mas não tem mais aquela força que tinha em 2005.

Roberto Jefferson diz que, diferentemente do José Dirceu ou do Waldemar Costa Neto, ele tem um limite. Qual o limite dele?

É difícil dizer o limite de cada pessoa. Vai de acordo com as circunstâncias e os interesses.

Podemos apostar que o deputado esteja regenerado?

Regenerado da corrupção? Um político que ainda opera nos porões de Brasília? Não sei dizer realmente.

Existe “a moral da história”?

O meu trabalho foi expressamente jornalístico. Sem juízo de valor. No livro, narro fatos, conto bastidores e histórias inéditas em um grande esforço de reportagens que me custaram quase 90 entrevistas, madrugadas em claro, viagens pelo Brasil, meses e meses de apurações intermináveis, checagens de informações em tempo integral, ausências de casa. A “moral da história” fica por conta do leitor quando acabar de ler o livro.

ROBERTO JEFFERSON- O HOMEM QUE ABALOU A REPÚBLICA

Cássio Bruno

364 páginas

R$ 49,90

Editora Record

(Grupo Editorial Record)

*Felipe Vieira com informações da Editora Record e site Baixada Viva

Feira do Livro: Mercado editorial gaúcho, protagonismo feminino, a vida de Belchior e muito mais nesta terça-feira

Feira do Livro: Mercado editorial gaúcho, protagonismo feminino, a vida de Belchior e muito mais nesta terça-feira

Cidade Destaque Educação Feira do Livro

Na Feira do Livro, nesta terça-feira (14/11), entre os temas estão amor, mulheres na literatura, trajetória de personalidades nacionais renomadas e o mercado editorial – produção, edição, distribuição e venda de livros. O seminário da Publishnews, em oito sessões e com diferentes convidados, debate a previsão para o mercado editorial em 2018, o contexto dos livros digitais, a tradição dos livros de bolso, a formação acadêmica de editores e escritores, as edições independentes e os desafios enfrentados por livreiros. As sessões encerram com uma homenagem ao editor Henrique Kiperman, do Grupo A, falecido em setembro. Confira os destaques desta terça-feira abaixo:

 

9h – 9h30min Narrativas e criatividade, oficina com Henrique Zanella.

Espaço do Conhecimento Petrobras – Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul Promoção: Idear – Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo e Inovação da PUCRS

 

10h – 18h Abertura do Pub-Livro – Encontro PublishNews de Profissionais do Livro.

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223) Em sua fala de abertura, o fundador do PublishNews, Carlo Carrenho, vai mostrar o que o mercado editorial deve esperar em 2018 e quais as ações e estratégias que poderão ser adotadas. Tendências, cases e soluções serão abordados neste panorama do mercado do livro. O Pub-Livro tem outras sessões no mesmo dia e local às 10h30min, 11h30min, 14h, 14h45min, 15h, 15h45min, 16h30min. A programação completa pode ser acessada no site www.feiradolivro-poa.com.br.

 

MULHERES NA LITERATURA

15h #LeiaMulheres – Por quê precisamos dessa hashtag?

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Promovendo a leitura e a discussão de obras escritas por mulheres, os clubes de leitura Leia Mulheres, iniciados no Brasil em 2015, já se espalharam por mais de 60 cidades brasileiras e 23 estados através de articulações em redes sociais. Com as mediadoras do Leia Mulheres POA, Clarissa Xavier, Maurem Kayna e Helen Pinho.

 

18h30min – 20h30min Ó mãe, me diz o que é ser feminina! Protagonismo das mulheres na literatura
Biblioteca Moacyr Scliar – Térreo do Memorial do Rio Grande do Sul

Participantes: escritora Moema Vilela, jornalista Priscila Pasko e escritora Natália Borges Polesso. Mediação de Christina Dias. Promoção: Associação Gaúcha de Escritores

 

TRAJETÓRIAS

17h Flavio Koutzii: biografia de um militante revolucionário

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

A trajetória de um dos mais respeitados nomes da esquerda, desde sua infância no Bairro Bom Fim, a formação política, a resistência ao golpe militar e a longa e cruel prisão na Argentina, até o retorno ao Brasil, após a anistia. Com Flávio Koutzii e Rafael Guimaraens.

 

18h Belchior: do sertão aos pampas Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

A trajetória de Antonio Carlos Belchior, do nascimento, no interior do Ceará ao derradeiro autoexílio, em Santa Cruz do Sul (RS). As pistas, na obra, da profissão de fé na migração contínua, ao não pertencimento (“Quem tem raiz é árvore”, disse); tudo já estava indicado em seu primeiro disco, na canção Rodagem (“Afina os ouvidos e os olhos, Luzia, que eu venho de longe: Oropa, França e Bahia”). Com Jotabê Medeiros e Juremir Machado da Silva.

 

AMOR ESSENCIAL

18h Amor para corajosos

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

O poeta Vinícius de Moraes ensinava a amar “porque não há nada melhor para a saúde que um amor correspondido”. Se não há nada mais importante do que amar, pensar o amor em suas diversas formas e vínculos é fundamental. Com Luiz Felipe Pondé e Eduardo Wolf.

 

18h30min Quintana traduz Saint-Exupéry. A permanente atualidade de O pequeno Príncipe

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

As crianças de hoje, os jovens, e, sobretudo, os adultos que estão mergulhados na sociedade de consumo de nossa época terão uma oportunidade excepcional de tomarem conhecimento de um clássico. Ninguém esquecerá jamais o que a Raposa disse ao Principezinho: “O essencial é invisível aos olhos”. Quintana, nosso Poeta-Maior, verteu essa fábula com a sua competência inigualável de tradutor e a sua genialidade de poeta. Com Armindo Trevisan, Valesca de Assis, Marô Barbieri e Paula Sperb.

 

18h30min SMC na Feira do Livro – Clássicos da Modernidade

Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

Homem invisível, de Ralph Ellison, pelo professor convidado da UFRGS Luiz Mauricio Azevedo.

 

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre é uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Patrocinadores máster: Braskem, BNDES, Zaffari. Banco Oficial da Feira: Banrisul. Seja Vero. Patrocínio Especial Encontros com o Livro: Santander Cultural. Patrocínio Especial Tenda de Pasárgada: SulGás. Patrocinador Especial da Praça de Alimentação: Dado Bier. Patrocinador Especial do Espaço do Conhecimento: Petrobras. Apoio Especial: Prefeitura de Porto Alegre. Financiamento: Pró-cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Agenda Destaque Feira do Livro Negócios Porto Alegre

Nesta segunda-feira, o presidente das Lojas Renner, José Galló ensina como colocar em prática a filosofia de encantamento: “encantar significa superar as expectativas, indo um passo adiante da satisfação, ao entregar algo mais do que aquilo que já esperam de nós.”  A palestra “O poder do encantamento”,  acontece no Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223, a partir das 18 hs. Depois Galló autografará na Praça, às 19h30.

Confira outros destaques da Feira:

Programação Infantil

Às 14h, a atividade “Rádio Pirada – Oficina do Programa Brinkaredo”, no Espaço do Conhecimento Petrobras (Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul), vai ensinar as crianças como funciona uma rádio on line.

Às 15h30min, no Teatro Carlos Urbim (entre o Margs e o Memorial do RS) tem “O Autor no Palco” com Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Escritores Gaúchos

Às 16h, tem início o Ciclo de Palestras da Academia Rio-Grandense de Letras. Com Waldomiro Manfroi. O tema de hoje é “Autores que fizeram nossa cabeça – Caldre Fião”. Sempre no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1031), a série tem programação até o dia 11 de novembro.

Às 17h, na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega, diante do Memorial do RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU/RS promove encontros com escritores gaúchos sobre suas inspirações em arquitetura para criação de cenários na ficção. Com Carol Bensimon e mediação de Liana Timm.

Clássicos da Modernidade

18h30min e 19h30, na Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo CCCEV – (Rua dos Andradas, 1223), ocorrem duas sessões da série “SMC na Feira do Livro – Clássicos da Modernidade”. O tema da primeira é “A experiência da modernidade”, por Sérgius Gonzaga. O da segunda, “A democracia da América (Tocqueville)”, por Rodrigo Lemos. Durante toda a Feira, o ciclo tem lugar na grade de programação.

 

CONFIRA MINHA ENTREVISTA COM JOSÉ GALLÖ SOBRE O LIVRO “O PODER DO ENCANTAMENTO”NA RÁDIO GUAÏBA

Feira do Livro: Alcy Cheuiche relança obra confiscada pela ditadura militar 50 anos depois; por Thaís Seganfredo

Feira do Livro: Alcy Cheuiche relança obra confiscada pela ditadura militar 50 anos depois; por Thaís Seganfredo

Agenda Destaque Feira do Livro Porto Alegre

A história do escritor Alcy Cheuiche se confunde com a da Feira do Livro de Porto Alegre. O escritor, que foi patrono da 52ª edição, em 2006, teve um início de carreira marcante sob os jacarandás da praça da Alfândega, há exatos 50 anos. O Brasil vivia os primeiros anos da ditadura militar, em 1967, quando ele lançou “O Gato e a Revolução”, uma sátira ao regime autoritário.

O livro, que foi confiscado na sede da Editora Sulina dois anos depois, após a promulgação do AI-5, será relançado em 3ª edição na próxima terça-feira, 7 de novembro. Às 17h, na Sala Leste do Santander Cultural, está prevista uma roda de conversa em comemoração ao lançamento, com a presença do escritor e de Olívio Dutra, Luís Augusto Fischer e Paulo Flávio Ledur. Às 18h30, Alcy autografa na praça. Nesta segunda-feira, o autor realizou uma oficina sobre o livro “Contos Contemporâneos 2017”.

Conversamos com o escritor, que falou sobre a época do lançamento, a emoção de relançar a obra na Feira do Livro de Porto Alegre e a situação política atual no país. Confira a entrevista na íntegra:

LV-2332-web-1024x682Que lembranças tu tens daquela época, especialmente quando o livro foi proibido pelo AI5? E qual é a tua avaliação sobre os episódios atuais de censura na arte?

Foram dois episódios que se sucederam, um logo após o lançamento do livro, na Feira de 1967, e o outro em maio de 1969, alguns meses depois do Ato Institucional nº5, que fechou o Congresso e voltou a cassar, prender e torturar opositores. Logo após a Feira, a Brigada Militar instaurou um processo contra mim, para estabelecer se houvera difamação, uma vez que o personagem principal da narrativa é um brigadiano, soldado pobre, com dificuldades para viver com seu soldo. Nesse processo fui absolvido, uma vez que o Major Relator reconheceu que os soldados da corporação eram mal pagos e com baixa escolaridade, não sendo raros os Nondinhos [um dos personagens do livro] entre eles.

Já, depois do AI5, não havia necessidade de processo algum. Alguns homens chegaram na Editora Sulina com uma viatura e, sem apresentarem nenhum documento, apenas dizendo que eram da Polícia Federal, requisitaram os cerca de 600 exemplares em estoque e os levaram, decerto para picotá-los ou queimá-los. Quanto a mim, fui obrigado a deixar meu cargo na UFRGS e tive que  procurar distância e emprego em São Paulo, onde vivi nos dez anos seguintes. Diferente dos dias de hoje em um aspecto essencial: não havendo uma ditadura de fato, a censura à arte, mesmo hipócrita e destrutiva, se faz sem queima de quadros ou livros.

Em relação à narrativa, é impressionante como ela reflete na situação política atual do Brasil, exatos 50 anos depois. O que tu destacas destas semelhanças?

Tudo. Os intelectuais e artistas brasileiros continuamos sonhando com um mínimo de justiça social, de igualdade de oportunidade, enquanto os donos do poder obedecem às regras do capitalismo selvagem: lucro a qualquer preço, mesmo à custa da miséria sem assistência (ou não são cidadãos brasileiros os homens e mulheres que vivem debaixo de pontes e viadutos?), da crônica falta de verbas para educação, cultura, saúde, segurança. Isso sem falar no roubo ao dinheiro público que, na ditadura, fabricou lideranças até hoje emblemáticas, como Paulo Maluf.

A sátira, que acabou sendo um dos eixos do livro, continua sendo uma boa estratégia contra o conservadorismo e o autoritarismo?

Sim, ontem, hoje e sempre. Para entender isso basta ler o estudo de Freud, escrito em 1907: O humor é o prazer afirmando-se contra a crueldade das circunstâncias reais. Ou o recurso de Eça de Queiroz, aquele das sete gargalhadas em torno da muralha, até que a muralha caia. Como disse o poeta Moacir Santana, logo após a cassação do livro: Argumentar com a burrice quando ela tem força e poder? Seria outra burrice. Por isso “O Gato e a Revolução” tem o gosto de uma gargalhada.

O livro foi lançado aqui na Feira do Livro. Como é pra ti trazer novamente a obra aqui para a praça?

O que mais me impressiona é que parece ser o primeiro livro aqui lançado que volta (junto com o autor) meio século depois. Eu o escrevi na Alemanha (embora todos os fatos se passem aqui) com 26 anos e continuo acreditando em tudo que acreditava naquela época. Não renego nada e sinto-me feliz por isso. Imaginem se tivesse sido um livro laudatório à Revolução Redentora de 1964? Houve gente que fez isso, podem ter certeza.

Falando em polarização política entre esquerda e direita, como seria o Nondinho hoje?

Nondinho não era de esquerda nem de direita. Era uma pessoa pobre que só entrou na Brigada para sobreviver. Hoje, por falta de escolaridade, não poderia ser admitido como soldado. Certamente estaria dormindo debaixo do viaduto.

Os personagens que você criou para compor a obra formam uma espécie de mosaico da sociedade portoalegrense, mas também da brasileira. Como você avalia as representações da diversidade da sociedade hoje em dia e a presença cada vez maior de escritores de variadas etnias, gêneros e origens?

Com todas as barbaridades que estão acontecendo, não podemos negar que, depois da Constituição de 1988,  o índice de escolaridade aumentou, que a mortalidade infantil caiu (principalmente depois que foi incentivada a amamentação com leite materno, em que as mulheres brasileiras são as primeiras do mundo, as vacinações e o soro caseiro), que diminuiu a discriminação de raça (principalmente com as cotas universitárias), que a Lei Maria da Penha é um marco (com todas suas falhas) em defesa da mulher, cada vez mais atuante em todos os segmentos da sociedade brasileira (vide a nossa Feira do Livro, em que, pela primeira vez uma patrona (Cintia) passa a honraria para outra patrona (Valesca), que a consciência ecológica ganhou poder (graças a idealistas como Lutzenberger e Magda Renner); mas que, infelizmente, tudo isso parece muito pouco diante dos abismos, cada vez maiores, que separam ricos e pobres no Brasil. O que não nos impede, aos escritores, de ser patriotas, de acreditar na literatura como arma legítima para a justiça social, e não perder ternura, e também a esperança, jamais.

CONFIRA A ENTREVISTA DE ALCY CHEUICHE AO 21h30/TVU