Porto Alegre: Flávio Ilha autografa “Longe daqui, aqui mesmo” hoje no Baden Café

Porto Alegre: Flávio Ilha autografa “Longe daqui, aqui mesmo” hoje no Baden Café

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Depois de escrever textos em coletâneas, finalmente Flávio Ilha, lança um “livro solo”.  Jornalista com JOTA maiúsculo, Ilha na verdade é um arquipélago na função que desempenha com absoluta desenvoltura. Repórter, editor, cronista do nosso tempo e crítico ácido em seus comentários, seja nas redes sociais, seja em artigos…  tive o prazer de acompanhar o trabalho “in loco”, nas muitas vezes que nos encontramos em diferentes pautas. Pois agora, o talentoso jornalista resolveu tirar da gaveta e publicar textos que só João Gilberto Noll, colegas de oficina literária e amigos próximos conheciam. Hoje, no Baden Café, ele autografa seu primeiro livro de contos: Longe daqui, aqui mesmo.

capa_flavio_2Sobre o livro, que reúne oito contos, diz o escritor Tailor Diniz: “Entre um movimento e outro de criaturas que carregam a precariedade da vida no limite do pesadelo com a realidade, quando a própria realidade pode ser o pesadelo ou vice-versa, entre a rotina de ida e volta de personagens sombrios, perpassa o texto uma visão social e psicológica aparentemente fora da narrativa, sutil, mas que, no final, deixa a sensação de um efeito único, fazendo do livro uma obra para ser lida com vagar, com os sentidos atentos às entrelinhas, àquela corrente de águas que vaza invisível, lá no fundo, além da superfície, o que sempre vem a ser o viés mais gratificante da leitura.”

Já o escritor Paulo Scott, considera Longe Daqui, aqui mesmo: “Aqui, intrincados narrativos acomodando extratos variados de tragédias não ditas, não reveladas. Aqui, narradores que variam, sempre dentro de uma função: a de velar a noção oblíqua de que todos nós estamos perdidos e de que continuaremos perdidos – narradores produzidos por um autor talentoso que, consciente ou inconscientemente, dialoga com um de seus mestres da literatura universal. Aqui, uma obra sutil, mas ao mesmo tempo estrondosa, na medida em que toma como matéria-prima o movimento fantasmagórico das esperanças e dos jogos dos relacionamentos que aos poucos vão rachando, eventualmente implodindo, como tudo que precisa, desesperadamente, seguir adiante, e segue.”

 O livro editado pela Diadorim, foi totalmente produzido na oficina de literatura de Noll, em 2016.  As ilustrações são do artista visual João Salazar, que também é músico e autor do EP “Entrópico” (2017)

SERVIÇO:

O lançamento, com sessão de autógrafos, ocorre no Baden Cafés Especiais (rua Jerônimo de Ornelas, 431) a partir das 20h.

LONGE DAQUI, AQUI MESMO
Diadorim Editora
64 páginas
R$ 35
ISBN 9788593107047

Porto Alegre: Jamil Chade palestra segunda-feira na PUC sobre o lançamento de “O caminho de Abraão”. O livro é o primeiro “romance-denúncia” do autor de livros que mostraram a corrupção na FIFA e Comitê Olímpico Internacional

Porto Alegre: Jamil Chade palestra segunda-feira na PUC sobre o lançamento de “O caminho de Abraão”. O livro é o primeiro “romance-denúncia” do autor de livros que mostraram a corrupção na FIFA e Comitê Olímpico Internacional

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Na segunda-feira, 14 de maio, o jornalista Jamil Chade, fala aos alunos da Famecos/PUC sobre seu trabalho como correspondente internacional do Estadão e também sobre o lançamento de seu primeiro livro de ficção, “O Caminho de Abraão”. Aberto ao público, o evento é  uma promoção da Famecos e da Associação Riograndense de Imprensa e acontece no Auditório da Famecos/PUC, a partir das 19h30.  O local tem 180 lugares e será observada a ordem de chegada para ocupação do espaço.

Nos encontramos só uma vez. Foi em 2015 no estúdio da Rádio Guaíba, quando Jamil Chade lançou por aqui o instigante “Política, Propina e Futebol”, denunciando a corrupção na Fifa. Depois disso viramos “amigos virtuais” e comecei a prestar mais atenção no trabalho do correspondente do jornal O Estado de São Paulo e outros veículos na Europa. Jamil faz parte de um seleto time de jornalistas brasileiros no exterior. Em 2014, foi um dos pesquisadores que colheu material para a Comissão Nacional da Verdade. Seu 29513282_10155152418181555_2013723489353923195_ntrabalho consistiu em pesquisar os arquivos da ONU para entender qual foi a participação da diplomacia brasileira na defesa do regime militar. É autor junto com o búlgaro Momchil Indjov, do livro “Rousseff”: A história de uma família marcada por um abandono, o comunismo e a Presidência do Brasil., que conta em paralelo as histórias da presidente Dilma Rousseff e de seu meio-irmão Luben-Kamen Russev, a quem ela jamais conheceu pessoalmente. A obra explica como Dilma e seu meio-irmão búlgaro formaram suas visões de mundo, ambos perseguidos por aparelhos repressores estatais. Enquanto a brasileira foi presa e torturada por se identificar com o marxismo e opor-se à ditadura militar, Luben-Kamen foi perseguido por não apoiar o regime comunista.”Observar esse paralelo é mapear a tragédia do século 20. Ambos viveram a ditadura, mas cada um de um lado da Cortina de Ferro”, explica. Chade escreveu também de “O Mundo Não é Plano” (2010) finalista do Prêmio Jabuti. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier, principal reconhecimento jornalístico do país;  do e-book “A Copa como ela é” pela editora Cia das Letras e co-autor de Olympic dreams, hard realities – lançado apenas nos estados Unidos pelo Brookings Institute Press.

Com missões a mais de 70 países, ele sabe como poucos, o que acontece em boa parte do Planeta. Jamil já viajou ao lado de personalidades mundiais. Cobriu grandes eventos políticos, econômicos e esportivos em meio a presidentes, reis e rainhas, astros do esporte, showbiss,  grandes empresários, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, , os papas Bento XVI e Francisco… em salas climatizadas, carpete alto, comidas e bebidas de qualidade. Mas, Jamil é REPÓRTER, com todas letras maiúsculas. Ele não fica só no circulo da fonte oficial. É daqueles que se embrenha por estradas, come poeira e se preciso outras coisas piores, para alimentar o corpo e suas reportagens. Com o olfato de um cão farejador, sabe reconhecer os sinais das grandes histórias. Nos últimos anos percorreu a África acompanhando refugiados no Iraque, Somália, Darfur e Libéria. Nesta peregrinação conversou com muita gente e agora colocou tudo isso no papel. Chega às livrarias em maio meu primeiro “romance-denúncia”, “O caminho de Abraão” (Editora Planeta). Trata-se de um grito desesperado contra o populismo, demagogia e a xenofobia. Contra líderes de todos os lados que, em nome do suposto bem de uma comunidade, defendem injustiças abomináveis contra outros seres humanos.

Os horrores da guerra da Síria e a tocante história do patriarca das maiores religiões do mundo se entrelaçam na trajetória de Hagar, uma francesa filha de imigrantes argelinos que supera todas as limitações de sua vida na periferia de Marselha para estudar nas melhores universidades da França. Contratada por uma multinacional, ela é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica de cimento na Síria, antes da guerra. Mas o confronto iniciado em 2011 leva a jovem a cumprir ordens criminosas de sua direção em Paris, e ela se envolve em um dos conflitos mais sangrentos e cruéis das últimas décadas. A história de Hagar se mistura à de milhares de sírios que tentam driblar diariamente a morte, na tentativa desesperada de escapar dos horrores da guerra. Nessa fuga, seus caminhos pelo Oriente Médio acabam refletindo os míticos passos que Abraão, o patriarca das três grandes religiões monoteístas do mundo, traçou há milênios.

A obra trata  das incoerências, dilemas e debates de nossos tempos. Jamil Chade, mergulha no trajeto de Hagar em busca de seu caminho e sua identidade. “O livro é, acima de tudo, um apelo para que passemos a ver o mundo em sua complexidade e o impacto profundo da desigualdade e da perda de direitos fundamentais.” O texto é ficcional, mas quem conhece o trabalho de Jamil lerá nas páginas de “O Caminho de Abraão”,  o que o jornalista vivenciou acompanhando os refugiados, ” Desejaria que esse livro fosse apenas uma ficção. Mas, lamentavelmente, não o é. Vivemos um período perigoso. Liberdades de pensamento e conquistas garantidas nas últimas décadas estão sob ameaça. Um mundo em que líderes populistas contam meias-verdades e vendem soluções fracassadas. Em partes do mundo, essa política é traduzida na construção de muros. Em outras, num extremismo religioso à serviço de um projeto de poder.” Para Jamil Chade, “Não temos líderes, mas charlatões e vendedores de ilusão, sustentados pela arma do ódio e do medo. Como humanidade, estamos perdemos todas as grandes batalhas das últimas décadas: Afeganistão, Iraque, Líbia, a das drogas na América Latina, a da criminalidade no Brasil, a do terrorismo. A paz sustentável e a segurança jamais virão da mera vitória militar em uma guerra. Mas da garantia de que todos tenham seus direitos assegurados, inclusive aqueles que não pensam como nós.”

 

SERVIÇO:

Palestra com Jamil Chade e lançamento de O Caminho de Abraão

Auditório da Famecos/PUC – Avenida Ipiranga, 6681 – Prédio 7

Promoção Famecos/PUC e Associação Riograndense de Imprensa

Segunda-feira – 14 de maio – 19h30

*Após a palestra, Jamil Chade estará a disposição para autografar a obra

 

 

​​Jornalistas criam editora voltada para livros de memórias. Capítulo 1 será lançada no dia 08 de maio, em Porto Alegre

​​Jornalistas criam editora voltada para livros de memórias. Capítulo 1 será lançada no dia 08 de maio, em Porto Alegre

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A Capítulo 1 – Conteúdo e Design Editoriais foi criada pelas jornalistas Carolina Ruwer e Cláudia Coutinho para atuar no segmento de livros de memórias institucionais, bem como prestar serviços a terceiros nas diferentes etapas da produção editorial. O lançamento oficial da editora acontece na próxima terça-feira, dia 8 de maio, em evento direcionado para profissionais da área, parceiros e clientes. Carolina e Cláudia trabalham juntas desde 2000 em muitos projetos editoriais, incluindo jornais, revistas, cases, relatórios institucionais e livros. Graças a essa sinergia e à experiência adquirida também em trabalhos individuais para diferentes agências de comunicação e de marketing, as duas profissionais decidiram oficializar a parceria.

 “Nosso objetivo é trabalhar com livros de memórias, seja para lideranças em diferentes áreas de atuação, seja para organizações”, diz Cláudia Coutinho. “Mas também direcionamos nosso trabalho para prestar serviços a outros profissionais, editoras ou agências, nas diferentes etapas da produção editorial, do planejamento à finalização do produto, no formato impresso ou digital”, completa Carolina Ruwer.

Carolina é jornalista diplomada pela Famecos/PUCRS, especializada em design editorial, e trabalha com planejamento visual, projeto gráfico e diagramação de publicações impressas ou digitais (e-books). Cláudia também é formada em Jornalismo pela Famecos/PUCRS, com especialização em Marketing (PUCRS), com MBA em Gestão, Marketing e Direito no Esporte (FGV/FIFA/CIES) e, atualmente, cursa o MBA Book Publishing, da Casa Educação, com término previsto para o primeiro semestre em 2019.

Mais informações sobre o novo projeto das duas jornalistas poderão ser obtidos no site da editora – www.capitulo1.com.br –, que entra no ar próximo dia 8.​

Livros: “A mais bela história da filosofia” conta a história do pensamento filosófico da Antiguidade até os dias de hoje

Livros: “A mais bela história da filosofia” conta a história do pensamento filosófico da Antiguidade até os dias de hoje

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“A mais bela história da filosofia” conta de maneira clara e acessível a história do pensamento filosófico. Ao narrar a gênese e o desenvolvimento da obra dos maiores filósofos, o autor mostra o que cada um deles trouxe de insubstituível, seus desdobramentos, suas espetaculares mudanças de direção e os conceitos que transformaram radicalmente nossa forma de pensar.

De forma original, nesta conversa com Claude Capelier, Luc Ferry apresenta a filosofia como uma busca fundamental, ao mesmo tempo milenar e furiosamente atual, que nos aproxima progressivamente da essência do home. Em que ponto nos encontramos na era da globalização e dos fundamentalismos reciclados à nossa desorientação ante um universo que ainda, e sempre, nos escapa entre os dedos? Lucy Ferry, doutor em Filosofia, foi Ministro da Educação da França entre 2002 e 2004. Foi professor universitário e atualmente é escritor em tempo integral. Claude Capelier é filósofo e escritor, ex-membro do Conselho de Programas Nacionais da França e assessor científico do Conselho de Análise da Sociedade no país.

Em um mundo em crise, no qual a condição humana parece estar submetida ao incessante desdobramento das inovações tecnológicas e do isolamento digital, a filosofia gera cada vez mais interesse e, também, a esperança de reencontrar um sentido para a existência humana, para além dos interesses das individualidades.

 

A MAIS BELA HISTÓRIA DA FILOSOFIA

(La plus belle histoire de la philosofie)

322 páginas

R$ 49,90

Difel/ Editora Bertrand Brasil

Livros: O americano R.S.Rose narra trajetória de Filinto Müller, torturador e chefe de polícia da ditadura Vargas

Livros: O americano R.S.Rose narra trajetória de Filinto Müller, torturador e chefe de polícia da ditadura Vargas

Cultura Destaque Feira do Livro

O historiador americano R. S. Rose morou por mais de 20 anos no Brasil e é um especialista na história do país. Coube a ele traçar um perfil pouco óbvio de Filinto Müller, militar que foi figura de destaque em determinado período político do país, tendo sido presidente do Senado, líder de dois partidos e chefe de polícia do governo autoritário de Vargas, dentre outras funções. Para escrever “O homem mais perigoso do país”, que chega às livrarias em novembro pela Civilização Brasileira, o autor recorreu a uma pesquisa extensa, que incluiu mais de 66 mil documentos, 500 recortes de jornais e material impresso, além de 165 itens audiovisuais pertencentes ao acervo da Fundação Getulio Vargas.

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R. S. Rose

Filinto Müller serviu a quatro diferentes ditadores na história do Brasil, mandando torturar e matar suspeitos e adversários. Para entender sua trajetória, R. S. Rose conta a história de Müller desde seu nascimento, em Mato Grosso, em uma família de origem alemã, passando pela educação católica, até sua morte, em 1973, em um acidente aéreo no qual a esposa, Consuelo, e o neto Pedro também foram vítimas.

ORELHA (por Anita Leocádia Prestes):

“A obra de R. S. Rose nos ajuda a conhecer a trajetória de Filinto Müller: o oficial rebelde do Exército brasileiro – que na década de 1920 abandonou a luta, traindo seus companheiros –, facínora a serviço das duas ditaduras que infelicitaram nosso país

Durante a Era Vargas, o militar, fiel cumpridor dos desígnios do ditador, não vacilou no papel de carrasco. Torturou, assassinou e deportou presos políticos e cidadãos inocentes. Impossível esquecer a deportação de Olga Benário Prestes e de Elise Ewert para a Alemanha nazista, decidida por Vargas e executada por Filinto Müller, o qual jamais foi processado e punido. Mais tarde, a partir do Golpe civil-militar de 1964, Müller colaborou com a ditadura prestando apoio incondicional ao anticomunismo e ao autoritarismo dos generais que governaram o país durante 21 anos. Ocupou cargos de destaque, foi presidente da Arena e do Senado, tornando-se peça importante no esquema de sustentação de todos os governos militares e, em especial, nos períodos de maior repressão, como o do governo do general Emílio G. Médici.

Vale a pena, portanto, ler a obra de R. S. Rose.”

TRECHO:

“Filinto Müller era conservador, nacionalista e imperturbável em seu apoio a duas ditaduras, em guerra com um adversário persistente, seu adversário, a chamada ameaça comunista.

Ele foi um representante da geração de tenentes que pensava que eles, e somente eles, sabiam o que era melhor para o país. Sua receita para um Brasil melhor não incluía o comunismo de Luiz Carlos Prestes, mas sim a ditadura dos militares ‘sabichões’. Müller serviu aos governos autoritários de Vargas, Castello Branco, Costa e Silva e Médici com entusiasmos diferentes – mas os serviu.”

R. S. Rose nasceu na Califórnia, nos Estados Unidos. Tem doutorado em sociologia na Universidade de Estocolmo, na Suécia. Viveu 22 anos no Brasil e já escreveu cinco livros sobre o país, entre eles “Johnny: A vida do espião que delatou a rebelião comunista de 1935”, em parceria com Gordon D. Scott, lançado pela Record. Foi professor visitante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

O-homem-mais-perigoso(1)O HOMEM MAIS PERIGOSO DO PAÍS: BIOGRAFIA DE FILINTO MÜLLER

R. S. ROSE

Páginas: 406

Preço: R$ 64,90

Editora: Civilização Brasileira | Grupo Editorial Record

Porto Alegre: Feira do Livro tem queda nas vendas pelo segundo ano consecutivo

Porto Alegre: Feira do Livro tem queda nas vendas pelo segundo ano consecutivo

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 A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre teve queda de 14% na venda de exemplares no comparativo com o ano passado. O número total de livros comercializados nos dois últimos anos, no entanto, não foi divulgado pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL). Em 2014, ocorreu uma diminuição de 19% nas vendas, enquanto em 2015 o crescimento havia sido de 11,25%, com um total de 445 mil exemplares vendidos. Mesmo assim, o saldo é considerado positivo pela organização do evento.

O presidente da CRL, Marco Cena, avalia que as projeções pessimistas previam uma queda de até 30% nas vendas devido ao cenário de desemprego, parcelamento salarial do funcionalismo público e insegurança. Por outro lado, Cena destaca que a presença do público se manteve em 1,4 milhão de pessoas, assim como em 2016, demonstrando a importância da feira para o público. “Se (o visitante) não saiu com um livro embaixo do braço, saiu de alma nova e isso importa muito”, ressaltou.

Para os organizadores, os principais resultados da Feira estão no que diz respeito ao enfoque na diversidade étnica e de orientação sexual, debates com autores negros e programação promovendo o exercício de empatia. Para o presidente da entidade, o evento trouxe uma vitória da sociedade contra a intolerância.

O número de participantes nos debates promovidos durante o evento subiu de 17 mil (2016) para 19 mil (2017). ”A maior conquista foi uma Feira de debates, com respeito, sobre assuntos que estavam nas rodas de conversa e que foram aprofundados”, destaca Jussara Rodrigues, coordenadora da programação para o público adulto.

No total, foram realizadas 739 sessões de autógrafos, 331 palestras e debates e 25 oficinas. Participaram da feira 91 expositores na Área Geral, 13 na Área Infantil e Juvenil e cinco na Área Internacional. O evento, realizado na Praça da Alfândega, no Centro da Capital, teve duração de 19 dias e encerrou neste domingo. (Daiane Vivatti/Rádio Guaíba)

Livros: No centenário da Revolução Russa, obras do cientista político Moniz Bandeira relacionadas ao conflito ganham edições revistas e ampliadas

Livros: No centenário da Revolução Russa, obras do cientista político Moniz Bandeira relacionadas ao conflito ganham edições revistas e ampliadas

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Ao escrever sobre O ANO VERMELHO, o professor titular de História Contemporânea e chefe do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), Osvaldo Coggiola, diz que: ” A reedição revista e ampliada, com novos documentos, de O ano vermelho, publicado originalmente pela Civilização Brasileira em 1967, é oportuna, cinquenta anos depois, em virtude do centenário da Revolução de Outubro e da primeira greve geral do Brasil. A nova edição, porém, traz muito mais do que isso.

Em 1967, pela primeira vez, militantes socialistas e operários, pesquisadores e intelectuais brasileiros tinham acesso, com este livro, a uma visão do conjunto dos acontecimentos que punha, para sempre, a questão operária (ou social) no centro da agenda política e histórica do Brasil. Era o resultado da irrupção das relações capitalistas, a partir da segunda metade do século XX, da Abolição, da grande imigração e dos surtos econômicos que possibilitaram a primeira industrialização do Brasil, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial. Pelo seu vínculo explícito, político e ideológico com os acontecimentos revolucionários que desaguaram, em novembro de 1917, na Revolução Soviética, O ano vermelho brasileiro significou também a incorporação do país à história política mundial, pela via do movimento internacional dos explorados.

No período, não havia sequer um texto que tratasse cientificamente do conjunto dessa virada decisiva, que condicionou as mudanças políticas posteriores (tenentismo, Revolução de 1930, “varguismo” e incorporação do sindicato e da legislação trabalhista e social à estrutura política brasileira). Este livro o fez, não só de maneira pioneira, mas também magistral, e, até o presente, insuperável. A historiografia posterior, certamente, enriqueceu a análise de diversos aspectos, como a situação social à época, as diversas ideologias (anarquismo, sindicalismo, socialismo) presentes no movimento operário, a conjuntura política etc., mas nenhuma conseguiu tratar da questão na sua totalidade, isto é, tendo em seu cerne a luta de classes e todas as suas manifestações: sociais, políticas, ideológicas, culturais. E tendo como base, principalmente, as fontes primárias e os escassos trabalhos produzidos a respeito naquele tempo.

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Luiz Alberto Moniz Bandeira

Pode-se creditar a este livro, portanto, a inauguração de uma nova fase da produção historiográfica e intelectual brasileira. Não apenas como trabalho pioneiro, mas como trabalho exemplar. A vasta obra posterior de Moniz Bandeira valeu-lhe a indicação, pela União Brasileira de Escritores, ao Prêmio Nobel de Literatura. Pode-se dizer que todas as virtudes que levaram a essa indicação já estavam, embrionária ou explicitamente, presentes em O ano vermelho. Um livro que honra a luta dos trabalhadores manuais e intelectuais brasileiros.”

O autor Luiz Alberto Moniz Bandeira é formado em Direito, doutor em Ciência Política pela USP e professor titular de política exterior do Brasil no Departamento de História da UnB. Recebeu o título de doutor honoris causa da Unibrasil e da UFBA. Em 2006, a UBE elegeu-o, por aclamação, Intelectual do Ano de 2005, conferindo-lhe o Troféu Juca Pato, por sua obra Formação do império americano. Recebeu, em 2014 e em 2015, a indicação ao Prêmio Nobel de Literatura, pela UBE, em reconhecimento ao seu trabalho com “intelectual que vem pensando o Brasil há mais de 50 anos”.

Autor de mais de 20 obras, publicadas em diversos países, Moniz Bandeira foi professor-visitante de universidades da Alemanha, na Suécia, em Portugal e na Argentina e conferencista-visitante em universidades da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina. É portador da Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (Brasil), comendador da Ordem do Mérito Cultural (Brasil), comendador da Ordem de Mayo (Argentina) e condecorado com a Cruz do Mérito, 1ª classe, da República Federal da Alemanha.

Para Karl Johann Kautsky, filósofo tcheco-austríaco, jornalista e teórico marxista e um dos fundadores da ideologia social-democrata.: “Ele [Lenin] foi uma figura colossal, das quais pouco se pode encontrar na história do mundo. Entre os governantes dos grandes Estados de nosso tempo, há somente um, em certa medida, que a ele aproxima-se em termos de impacto, e esse é Bismark, os dois têm muito em comum. Seus objetivos estavam diametralmente opostos: em um caso, a dominação da Alemanha pela dinastia Hohenzollern; no outro, a revolução proletária. Esse é contraste entre água e fogo. O Objetivo de Bismarck era pequeno, o de Lenin, tremendamente grande.”

Para a Historiadora, professora titular na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuárias da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Regina Maria A. F. Gadelha, a vida e a obra de Lenin realmente se confundem e Moniz Bandeira, é modesto ao escrever ser Lenin – vida e obra apenas um livro de divulgação. Trata-se de leitura essencial. Mais do que biografia, o livro analisa com profundidade o pensamento político do grande marxista e estadista estratégico russo, Vladimir I. Lenin. Esta edição, revista e ampliada, coincide de forma feliz com os cem anos da Revolução Russa.

É profundo o conhecimento do autor sobre a história da Rússia e da Revolução de Outubro de 1917. Como tudo o que escreve, esta também é uma obra de muita erudição, com sólida base documental e interpretativa, mas de fácil e apaixonante leitura. Moniz Bandeira nos faz acompanhar os passos do jovem Lenin – os redutos dos movimentos sociais e políticos, a crise russa, a formação dos partidos social-democrata, socialista e comunista até a queda do regime czarista e a vitória da revolução, a guerra civil, a invasão do território russo pelos Aliados, a formação, contradições e dissidências do Partido Comunista (PC) e movimentos operário/camponês e trabalhadores, nos primeiros anos da revolução.

Dotado de conhecimento profundo dos escritos de Lenin, o autor tem o mérito de nos inserir, de forma crítica, ao âmago do contexto de seu pensamento e ação política, o que faz deste livro um instrumento fundamental para o conhecimento, obra a figurar ao lado dos grandes autores e obras da ciência política, como O príncipe, de Maquiavel, fundamental para a compreensão dos mecanismos e do exercício do poder político. Mas o autor não se prende apenas à análise da obra e ação de Lenin, o homem e suas circunstâncias. Analisa, também, as grandes lideranças da época – de Plekhanov a Trotsky, passando por Kautsky, Rosa Luxemburg e outros teóricos da social-democracia europeia e do movimento socialista mundial, da fundação da I Internacional ao ambiente do X Congresso dos Sovietes (fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), nos estertores da luta incessante de Lenin contra todas as formas de tirania, inclusive a de Stalin, cuja remoção da secretaria-geral do PC recomendou, pouco antes de sua morte.

Moniz Bandeira ressalta as contradições de um homem político cuja obra, ação e caráter individual iriam muito além da vontade férrea de luta pela mudança revolucionária. O livro instiga o leitor a refletir sobre a crise da esquerda, ao trazer para a contemporaneidade, de forma nunca repetida, os fatos daquela que foi a maior revolução do século XX.

image003(14)O ANO VERMELHO

Luiz Alberto Moniz Bandeira

642 páginas

R$ 89,90

Editora Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record

 

 

 

 

image005LENIN VIDA E OBRA

Luiz Alberto Moniz Bandeira

224 páginas

R$ 44,90

Editora Civilização Brasileira / Grupo Editorial Record

Feira do Livro: Último sábado tem escritores nórdicos, espiritualidade, amor & sexo, homenagem a Wole Soyinka, Lobão, Maria do Rosário, Cíntia Moscovich e encontro com Eduardo Bueno e Jorge Caldeira

Feira do Livro: Último sábado tem escritores nórdicos, espiritualidade, amor & sexo, homenagem a Wole Soyinka, Lobão, Maria do Rosário, Cíntia Moscovich e encontro com Eduardo Bueno e Jorge Caldeira

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No último sábado da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, véspera do dia de encerramento, ocorre a participação de dois autores nórdicos e homenagem à obra do Nobel de literatura de 1986, o nigeriano Wole Soyinka, que participa da Feira no dia seguinte. A deputada federal, Maria do Rosário (PT) e o cantor Lobão, estarão às 18h na Praça da Alfândega, a menos de 100 metros. Ela participa do encontro Crônicas do Golpe, na sala Oeste do Santander Cultural, em foco, o retrospecto dos acontecimentos durante o ano seguinte ao impeachment de Dilma Rousseff e a atuação da imprensa brasileira nesse processo. Já ele, estará no Teatro Carlos Urbim , entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul, falando sobre o Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock, onde Lobão revisita os anos 1980 e revela fatos, segundo ele da época mais exuberante e autodestrutiva da música brasileira. Quem quiser saber mais sobre a história do Brasil, pode conferir o encontro História da riqueza no Brasil, no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV). O evento terá Jorge Caldeira e Eduardo Bueno falando sobre cinco séculos de pessoas, costumes e governos.

Confira outros destaques:

Raízes negras

9h – 20h30min

Colóquio de Literatura e Infância – Diálogos com as matrizes africanas

Auditório do Memorial – Primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul 9h às 10h30min – Visitar a África pela Literatura Infantil, palestra de abertura com Júlio Emílio Braz

15h30min

O mundo africano na obra de Wole Soyinka

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Oficina que busca dar a conhecer alguns dos principais temas e características da obra e do pensamento de Wole Soyinka, explorando algumas de suas ideias sobre literatura, arte e a visão de mundo africana. Com Adriano Moraes Migliavacca.

Público juvenil

10h – 19h

Harry Potter: A Mágia das Páginas, sala temática

Sala de Vídeo – Primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul

A exposição traz edições internacionais dos livros da série Harry Potter, ambientação temática, objetos dos filmes e cenário para fotos. Promoção: Grupo Alohomora.

14h – 18h

2º Encontro de Influenciadores Literários e Seguidores

Espaço do Conhecimento Petrobras – Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul

Convidados especiais: youtubers e escritores Vitor Martins e Pam Gonçalves

Público: booktubers, blogueiros literários e instagramers literários.

Promoção: Site Fetiche Literário e Resenhando Sonhos. Coordenação: Cadu Barzotto e Tamirez Santos

Espiritualidade

14h

Vencendo a dor da morte

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Célia Diniz vivenciou a dor de perder dois de seus filhos. Essa história é tão marcante que foi levada para os cinemas. A dolorosa experiência de vida de Célia e os ensinos de Chico Xavier, com quem a autora conviveu desde a sua infância. Célia conversa com o público sobre sua trajetória.

Brasil – Costumes e Governos

15h

História da riqueza no Brasil Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Cinco séculos de pessoas, costumes e governos. Com Jorge Caldeira e Eduardo Bueno.

18h

Crônicas do Golpe

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Em foco, o retrospecto dos acontecimentos durante o ano seguinte ao impeachment de Dilma Rousseff e a atuação da imprensa brasileira nesse processo. Com Felipe Pena e Maria do Rosário.

18h

Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock

Teatro Carlos Urbim – Entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul

Lobão revisita os anos 1980 e revela todas as verdades da época mais exuberante e autodestrutiva da música brasileira. Mediação de Ticiano Paludo.

Nórdicos

16h30min

Presença nórdica: Iben Sandahl (Dinamarca) – com a presença do Sr. Embaixador da Dinamarca Kim Højlund Christensen.

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Crianças dinamarquesas: a filosofia dinamarquesa de como educar os filhos gera resultados poderosos – crianças felizes, emocionalmente seguras e resilientes, que se tornam também adultos felizes, emocionalmente seguros e resilientes, e que reproduzem esse estilo de criação quando têm seus próprios filhos. Com Iben Sandahl, Kim Højlund Christensen (embaixador da Dinamarca) e Cristiano Frank. Tradução Simultânea

18h

Presença nórdica: Einar Már Gudmundsson (Islândia)

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223

Um dos maiores nomes da literatura islandesa contemporânea apresenta seu primeiro livro editado no Brasil, “Anjos do Universo” (Hedra, 2013), que fala sobre o outro lado das coisas, das nossas mentes, da realidade, com a terra do frio como cenário. Retrato da capital da Islândia do séc XX e da própria condição humana, sob a visão da esquizofrenia. Com Luciano Domingues Dutra e mediação de Pedro Gonzaga. Tradução Simultânea.

Amor e sexo

18h30min

Qualquer forma de paixão, e de literatura, vale a pena

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Encontro que tem por objetivo lançar as bases de um diálogo sobre as diferentes formas de paixão (erótica, intelectual, sexual, platônica, homossexual, pansexual, pictórica, melômana, etc.) e as formas de expressão literária. Com Cíntia Moscovich e Júlia Dantas.

Livros: Lya Luft lança obra que mistura romance, ensaio e autoficção. “A casa inventada” leva o leitor aos cômodos de sua casa imaginária, onde estão guardados os amores, as dores, as frustrações, as alegrias e lembranças das famílias, numa metáfora da própria existência

Livros: Lya Luft lança obra que mistura romance, ensaio e autoficção. “A casa inventada” leva o leitor aos cômodos de sua casa imaginária, onde estão guardados os amores, as dores, as frustrações, as alegrias e lembranças das famílias, numa metáfora da própria existência

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Capítulo a capítulo, os cômodos de uma casa ganham vida. A porta de espiar, a sala da família, o porão das aflições, o pátio cotidiano. Cada espaço revela suas ambiguidades e seus mistérios, desvelando “clarões de ternura e riso” nos desvãos da memória. No espelho, Pandora sacode os cabelos e devolve as indagações da menina que, em pleno espanto, investiga o que move as pessoas e a arquitetura ao redor.

Em A casa inventada, Lya Luft se confronta, mais uma vez, com os temas que marcam sua carreira de mais de 50 anos na literatura. As contradições da vida humana, a infância e a morte, a família como motor de liberdade e de opressão. O espaço da casa, cotidiano, cresce com as metamorfoses secretas de quem o habita. É, como a caixa guardada pela personagem mitológica, um repositório de desejos, euforias, alegrias e sombras. Ao abri-la, Lya Luft mostra, mais uma vez, sua habilidade em construir uma prosa poética desconcertante, singular.

A obra é publicada em um momento triste da vida da autora: Lya perdeu um de seus três filhos, André Luft, no início deste mês. Num dos trechos do livro, numa triste coincidência, ela conta como a morte de um menino, vizinho seu, e o lamento de seu pai a marcaram pelo resto da vida. Em entrevista concedida no fim de outubro ao blog da editora, a autora falou sobre como construímos as casas das nossas vidas, com “tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos”.

Leia entrevista que a autora concedeu à jornalista e escritora Juliana Krapp, antes da trágica notícia da perda do filho no início de novembro, em que fala sobre como construímos as casas das nossas vidas, com “tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos:

Neste novo livro, a senhora afirma não fazer autobiografia, tampouco falar só em terceira pessoa. Em vez disso, lida com ‘lembranças, incertezas, coisas que flutuam como destroços num mar revolvido pelas correntes da ficção’. Como alcançou e trabalhou esses destroços, para compor A casa inventada?

As ideias e emoções estão sempre dentro de mim, de nós. Basta abrir espaços de silêncio, de liberdade, para que essas coisas emerjam quando se tem o dom ou a profissão de escrever, de criar com palavras. Geralmente as ideias me assediam meses, às vezes anos a fio, até que, atraídas por algum objetivo, como inventar essa Casa, se manifestam. Cada escritor tem lá seu jeito.

O que é, para a senhora, uma casa?   

Tudo. Quase tudo. Conforto, orientação, sentido, raiz. Sempre tive alguma casa (pode ser, como agora, um apartamento), que sinto que é meu ninho, minha caverna boa, onde me sinto bem e recebo amigos e família com tranquilidade. Talvez a importância de uma casa seja a medida de minha insegurança ou vulnerabilidade, quem sabe? Assim como acho que de certa forma inventamos, criamos a nossa casa com seu aconchego ou frieza, seu regaço ou impessoalidade, penso que vamos até certo ponto criando a casa da nossa vida. Com  tropeços, grandes pedras, terremotos, mas também pequenos paraísos. E, como escrevi, nessa tarefa não somos arquitetos, pedreiros: somos amadores.

Memória, família, reflexões sobre a ambiguidade humana e sobre a morte são temas recorrentes em sua obra, que retornam neste novo título. Como é o seu convívio com essa matéria-prima que parece sempre à espreita? O quanto, no interior de tal temática, ainda surge o espanto e a reinvenção de si?

Cada artista, pintor, escritor, tem seus temas predominantes. O meu é sempre a família, os laços pessoais, a estranha alma humana. E eu respeito isso. Acho que viver, acordar cada dia, é espanto e reinvenção de si. Claro que não de maneira expressa, mas sutil e subliminar, ou morreríamos logo. Por isso a vida é interessante, difícil e fascinante. Porque precisamos intervir, agir, não nos deixar levar como folhas mortas num rio.

Vários poemas se integram ao corpo de A casa inventada. Qual sua relação, hoje, com a poesia?

Comecei, em 1964, com um livrinho de poemas, Canções de Limiar. Nunca deixei de fazer poesia, como em Para Não Dizer Adeus. Com o tempo, gostei de começar capítulos de ficção ou ensaio com um poema, em geral escrito sobre aquele tema, ainda que não na mesma hora. Sempre espontâneo. Faço isso habitualmente, porque gosto, é um jeito meu. Para o próximo ano preparo uma coletânea de poemas meus: ou de outros livros, ou “perdidos” em livros em prosa.

E com o trabalho em geral? A senhora tem um cotidiano muito produtivo. Escreve uma coluna no jornal Zero Hora, continua criando livros como este novo romance, pinta em seu ateliê. O que lhe dá mais prazer, hoje?

Viver me dá prazer. Estar com pessoas queridas, família, amigos, parceiro. Ficar quieta em casa, olhando a paisagem, lendo, ouvindo música, pensando, às vezes pintando no meu atelier aqui na cobertura (sou bem amadora nisso). Escutar a chuva. Por aí…

A senhora ainda gosta do silêncio? Como preservar esse dom – o apreço ao silêncio – em tempos como o nosso, de tamanha algaravia? 

Se houver muito barulho em torno, posso criar meu silêncio interior. Isso me ensinou há décadas o poeta Mario Quintana, que trabalhava numa redação de jornal na época das barulhentas máquinas de escrever, todos conversando etc. E ele me disse isso: “Aqui dentro posso fazer tudo ficar quieto”. Depende de cada um, mais uma vez. Mas em geral minha casa é bastante silenciosa, embora com gente, conversas, risos, música. Tudo sem exageros. Natural.

São mais de 50 anos de carreira. O que a move a escrever, hoje, é diferente do que a movia em 1964, quando estreou com Canções do Limiar?

No começo, muita insegurança, medo, dúvidas. Hoje, tudo muito mais natural, escrevo como respiro, e fico feliz quando escrevo. Mas, claro, [tenho] terror de lançamentos e noites de autógrafo, pois apesar do imenso carinho dos leitores em todos esses anos, minha neurose me faz sempre achar que vou estar sozinha.

Pandora ainda existe? E Penélope?

Elas e muitas mais: as da minha fantasia, sempre cheia de criaturas belas ou sinistras, boas ou ferozes. É assim. E a vida me ensinou que a realidade não é muito real. Que o simbólico e o imaginário são também muito reais…

 

image003(13)TRECHO:

Os porões da alma podem esconder esse grande enigma, o desaparecimento, o nunca mais, escondendo pessoas amadas em suas largas mangas.

— Pandora, Pandora, por que temos de morrer?

Nessas horas ela desvia os olhos, se pudesse escapava para dentro de um espelho, mas desta vez eu seguro firme:

— Me diz, me explica, me fala!!! Me consola! Ou me condena!!!

Ela resiste, ela quer ser livre, então eu a deixo ir.

Não sei se ela sabe a resposta. Nem adivinho se ela entende o que se move, sombra e apelo, naquele lugar de que pouco falamos: eu deveria criar uma Sala dos Mortos?

As mortes se multiplicam para quase todos como amargos, tristes frutos: amigos, amigas, parentes, velhos, jovens, pais, parceiro ou parceira de vida.

A primeira morte de que tomei notícia, morte mais tremenda, mais pungente, foi a de uma criança que avistei poucas vezes, há tanto tempo, e cujo nome nem recordo. É a primeira de que me lembro, e pela qual, sem nada presenciar, eu sofri: meus pais procuravam me proteger de todo o medo, e perigo, e mal.

Numa casa vizinha, um homem imenso, muito gordo, simpático, bonachão, e sua mulher, depois de muitos anos, tiveram um filhinho. O menino devia ter dois anos, mal caminhava naquele trotezinho dos bebês. Muito louro, o pai o chamava “meu patinho”.

A criança adoeceu, ou caiu da escada da casa, não sei mais. Lembro comentários confusos. Sei que morreu, e durante toda a noite, toda a madrugada, eu ouvia de meu quarto de menina os desesperados gritos do pai chamando o filhinho morto. Gritos, berros, urros. E agarrava-se a ele, contaram depois, e o mantinha firmemente seguro em seus braços fortes, e não deixava que o levassem. E assim foi a noite toda, até que um médico amigo lhe deu uma injeção, e ele afrouxou o abraço, cedeu, deitou-se, dormiu — e ficou para sempre órfão do seu menininho.

Foi o mais terrível lamento que até ali eu tinha escutado: e ainda hoje, se apuro o ouvido em alguma madrugada, ele continua lá, como tudo continua enquanto dele tivermos lembrança.

 

A CASA INVENTADA

Lya Luft

Páginas: 112

Preço: R$ 29,90

Editora: Record / Grupo Editorial Record

Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

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O escritor argentino Julio Cortázar certa vez comparou a literatura ao boxe, afirmando que o romance sempre ganha por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute. A mesa desta tarde de quinta-feira, 16 de novembro, trouxe o tema boxe e literatura para a discussão a partir do lançamento do livro “Quatro Contos de Boxe” (Editora Diadorim, 2017) no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo. Participaram da mesa a doutoranda em Teoria Literária Gabriela Silva e a tradutora Cássia Zanon.

O volume é o primeiro da coleção “Contos Temáticos” e traz histórias de Arthur Conan Doyle, Roberto Arlt, Robert E. Howard e Liliana Heker. Os contos têm tradução de Cássia Zanon (inglês) e Flávio Ilha (espanhol). “O valentão de Brocas” (1923), que abre o volume, é um raro registro do britânico Arthur Conan Doyle sobre o esporte que mais admirava – a ponto de escrever um romance sobre o tema. Imaginativa e violenta, a narrativa contém também toques de mistério e suspense que fizeram a fama universal do criador de Sherlock Holmes. Gabriela, que também escreveu a apresentação do livro, conta que sempre achou Doyle um escritor chato. “Foi uma grata surpresa esse conto, conseguiu reverter para mim, porque ele é sempre maçante, repetitivo. Para mim foi muito bom de ler”, revela.

A tradutora Cássia revela que ao traduzir contos ela tem essa sensação de arrebatamento também. “Eu sei que quando eu vou traduzir um conto, eu vou traduzir em um dia só. Eu não consigo largar o conto no meio, porque se o conto é bom, a gente quer chegar logo no arrebatamento, no nocaute”, diz. Gabriela acredita que o boxe é um dos esportes que mais lida com o processo humanístico da competição. “Essa arquitetura literária tem muito a ver com o jogo de boxe, de encarar, de surpreender”, conclui. ( Rafael Gloria/CRL)

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