Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

Feira do Livro: Painel debateu boxe e literatura

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O escritor argentino Julio Cortázar certa vez comparou a literatura ao boxe, afirmando que o romance sempre ganha por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute. A mesa desta tarde de quinta-feira, 16 de novembro, trouxe o tema boxe e literatura para a discussão a partir do lançamento do livro “Quatro Contos de Boxe” (Editora Diadorim, 2017) no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo. Participaram da mesa a doutoranda em Teoria Literária Gabriela Silva e a tradutora Cássia Zanon.

O volume é o primeiro da coleção “Contos Temáticos” e traz histórias de Arthur Conan Doyle, Roberto Arlt, Robert E. Howard e Liliana Heker. Os contos têm tradução de Cássia Zanon (inglês) e Flávio Ilha (espanhol). “O valentão de Brocas” (1923), que abre o volume, é um raro registro do britânico Arthur Conan Doyle sobre o esporte que mais admirava – a ponto de escrever um romance sobre o tema. Imaginativa e violenta, a narrativa contém também toques de mistério e suspense que fizeram a fama universal do criador de Sherlock Holmes. Gabriela, que também escreveu a apresentação do livro, conta que sempre achou Doyle um escritor chato. “Foi uma grata surpresa esse conto, conseguiu reverter para mim, porque ele é sempre maçante, repetitivo. Para mim foi muito bom de ler”, revela.

A tradutora Cássia revela que ao traduzir contos ela tem essa sensação de arrebatamento também. “Eu sei que quando eu vou traduzir um conto, eu vou traduzir em um dia só. Eu não consigo largar o conto no meio, porque se o conto é bom, a gente quer chegar logo no arrebatamento, no nocaute”, diz. Gabriela acredita que o boxe é um dos esportes que mais lida com o processo humanístico da competição. “Essa arquitetura literária tem muito a ver com o jogo de boxe, de encarar, de surpreender”, conclui. ( Rafael Gloria/CRL)

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Livros: Editora Record lança “O homem que abalou a República”, biografia não autorizada de Roberto Jefferson

Livros: Editora Record lança “O homem que abalou a República”, biografia não autorizada de Roberto Jefferson

Agenda Cultura Destaque Feira do Livro Poder Política

Poucas leituras são mais satisfatórias do que um livro de bom jornalismo. No caso, a biografia não autorizada de um dos mais polêmicos personagens da política brasileira dos últimos 30 anos – e veja que a concorrência é grande. Estamos falando de “Roberto Jefferson – O homem que abalou a república”, do jornalista Cássio Bruno. Leitura obrigatória para quem quer (tentar) entender a vida do país da Lava-Jato.

Cássio retrata a atuação de Roberto Jefferson como elemento principal do Mensalão, o escândalo de corrupção que mexeu com meio Brasil há pouco mais de dez anos e, pela primeira vez, levou para a cadeia alguns importantes figurões do país. Em entrevista ao blog da editora Record, o jornalista explica por que o episódio foi um marco no combate à corrupção , defende que as denúncias de Roberto Jefferson não ocorreram por amor ao país e relaciona o caso com a operação Lava Jato.

“O mensalão criou precedentes no combate à corrupção no Brasil. Abriu caminho para a Operação Lava Jato. Até estourar o mensalão, os brasileiros nunca tinham visto gente poderosa da República e do Congresso ir, de fato, para a cadeia. A cooperação realizada nas investigações da Lava Jato entre instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público começou a se desenhar e amadurecer de forma bem-sucedida no mensalão. O caso Collor e PC Farias, obviamente, chocou o país. Mas Collor, no fim das contas, foi inocentado pelo Supremo. Na época, os ministros colocaram no banco dos réus um governo derrotado, com o ex-presidente já afastado. No mensalão, não. Figuras do alto escalão da política foram condenados e acabaram presos.

O jornalista defende que Roberto só denunciou o mensalão porque o nome dele apareceu envolvido no escândalo de corrupção nos Correios e porque a imprensa começou a mostrar as suas negociatas nos porões da República junto com o PT. “Caso contrário, o silêncio dele continuaria. Ele não denunciou o PT por amor à pátria. Isso é ilusão. O livro desvenda tudo isso”, completa.

Sem juízo de valor, para que cada leitor chegue às suas próprias conclusões, “Roberto Jefferson – O homem que abalou a república” narra fatos, bastidores e histórias inéditas em um grande esforço de reportagem que custaram ao autor quase 90 entrevistas, madrugadas em claro, madrugadas em claro e viagens ao Brasil.

Cássio Bruno nasceu em Mesquita, na Baixada Fluminense, em 1979. Começou no jornalismo no Jornal de Hoje e passou por O Dia e O Globo, no qual permaneceu por mais de uma década, boa parte na cobertura política. Colaborou ainda para a revista Veja e para o site G1. Em 2008, venceu o 10° Prêmio Imprensa Embratel coma série de reportagens “A ditadura nas favelas”, publicada em O Globo. Em 2010, conquistou o VI Prêmio de Jornalismo, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), na categoria Nacional Impresso, pela série de reportagens “Relações perigosas”, também publicada em “O Globo”. No mesmo ano, foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo. É casado e tem uma filha.

Em entrevistas, Cássio Bruno explica por que o Mensalão foi um marco no combate à corrupção no país. E que as denúncias de Roberto Jefferson não ocorreram por amor ao país… Além disso, deixa claro que, se existe alguma moral nessa história toda, ela fica por conta do leitor. Cabe a este, afinal, tirar suas conclusões – mais uma prova de que o livro é um representante legítimo do velho e bom jornalismo.

Como surgiu a ideia do livro?

Foi num dos intermináveis plantões em frente à casa do Roberto Jefferson, em Comendador Levy Gasparian, no interior do Rio. Ele foi o último dos condenados do mensalão a ir para a cadeia.

Quais questões o livro aborda?

Não foi escrito para jornalistas que cobrem política em Brasília. A ideia é o público em geral ter noção de como foi o período antes, durante e depois do mensalão. Tem bastidores, curiosidades e furos jornalísticos.

O que, por exemplo?

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´Ele quis matar José Dirceu´, diz autor da biografia não autorizada de Roberto Jefferson

As regalias que o Roberto Jefferson recebeu na cadeia são um dos pontos altos. Visitas irregulares e até doação de dinheiro para o churrasco dos carcereiros. Para se ter ideia, ele coordenou duas campanhas eleitorais dentro da cela: da filha Cristiane Brasil para deputada federal e a do ex-genro Marcus Vinícius para deputado estadual.

Temos como relacionar o sucesso das denúncias e do julgamento do Mensalão à operação Lava-Jato? Em ambos os casos, temos rios de dinheiro público desviados, corrupção envolvendo grandes nomes, delação, punição, cadeia. Podemos dizer que o Mensalão abriu caminho para investigações que resultaram na Lava-Jato?

O mensalão criou precedentes no combate à corrupção no Brasil. Abriu caminho para a Operação Lava Jato. Até estourar o mensalão, os brasileiros nunca tinham visto gente poderosa da República e do Congresso ir, de fato, para a cadeia. A cooperação realizada nas investigações da Lava Jato entre instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público começou a se desenhar e amadurecer de forma bem-sucedida no mensalão. O caso Collor e PC Farias, obviamente, chocou o país. Mas Collor, no fim das contas, foi inocentado pelo Supremo. Na época, os ministros colocaram no banco dos réus um governo derrotado, com o ex-presidente já afastado. No mensalão, não. Figuras do alto escalão da política foram condenados e acabaram presos.

Alguma novidade sobre os bastidores do mensalão?

Roberto Jefferson quis matar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, seu maior inimigo político. Ele próprio me confessou na entrevista para o livro. Roberto, inclusive, viajou do Rio para Brasília, de jipe, com uma arma para não chamar atenção nos aeroportos.

Roberto Jefferson teria mesmo coragem de explodir uma granada dentro do Congresso, como chegou a afirmar? Ou seria apenas mais uma de seus jogos de cena?

O Roberto estava acuado com a pressão que estava sofrendo por causa da repercussão da denúncia do mensalão. A operação da Polícia Federal na casa da filha dele, em Petrópolis, o abalou muito. Os policiais foram atrás de documentos que pudessem incriminar o então marido dela, o Marcus Vinícius, hoje deputado estadual no Rio, mas que, em 2005, estava sendo investigado por ser suspeito de ser o carregador das malas de dinheiro do Roberto. Marcus era muito jovem e ia prestar depoimento na CPI. Eu conto todo esse bastidor no livro. Na véspera do depoimento, o Marcus chegou no apartamento do Roberto, em Brasília, e o encontrou sentado na mesa de jantar, sozinho, num ambiente de penumbra. Em cima da mesa, havia uma arma e uma granada. Ele estava disposto a explodir caso o ex-genro recebesse voz de prisão.

O quanto Roberto Jefferson colaborou para desmanchar o poder do PT – que parecia eterno?

O Roberto só denunciou o mensalão porque o nome dele apareceu envolvido no escândalo de corrupção nos Correios e a imprensa começou a mostrar as suas negociatas nos porões da República junto com o PT. Caso contrário, o silêncio dele continuaria. Ele não denunciou o PT por amor à pátria. Isso é ilusão. O livro desvenda tudo isso.

A cadeia, evidentemente, não estava nos planos de Roberto Jefferson. Onde foi que ele errou?

Como político corrupto, a sensação dele e de outros era, na verdade, de impunidade. Deu no que deu. Foi condenado e preso por corrupção. Hoje, qual é o político que duvida que a Operação Lava Jato pode lavar à cadeia?

Roberto Jefferson ainda “rasga dinheiro”, como diziam quando ele estava preso?

O Roberto ganha uma boa aposentadoria da Câmara e ainda recebe salário como presidente do PTB. Tem duas motos Harley-Davidson, carros, imóveis. Na prisão, ele era visto pelos colegas detentos como um homem rico. Ele ajudava todo mundo porque não queria sofrer retaliações dentro do presídio. Por isso, ele e a família foram bem tratados. No livro, eu relato tudo: a rotina, as regalias, as novas amizades que fez. O Roberto ajudou até a comprar a carne do churrasco dos agentes penitenciários. Fez reuniões políticas e coordenou campanhas eleitorais lá de dentro.

Até que ponto a prática do pagamento de mensalões e mensalinhos diminuiu (ou desapareceu) da política brasileira?

É difícil responder. O sistema político brasileiro está corrompido. No Congresso, teve mensalinho até para o funcionamento de um simples restaurante lá dentro.

Quem tem medo de Roberto Jefferson hoje?

Não sei. Mas posso dizer que ele continua operando a todo vapor em Brasília. Ao ponto de quase fazer da filha dele, a Cristiane Brasil, que é investigada na Operação Lava Jato, ministra do amigo Temer. O Roberto viaja o Brasil inteiro para estruturar o PTB e possíveis candidaturas para 2018, inclusive a dele. Nas redes sociais, ele continua atirando no Lula e no PT. Mas não tem mais aquela força que tinha em 2005.

Roberto Jefferson diz que, diferentemente do José Dirceu ou do Waldemar Costa Neto, ele tem um limite. Qual o limite dele?

É difícil dizer o limite de cada pessoa. Vai de acordo com as circunstâncias e os interesses.

Podemos apostar que o deputado esteja regenerado?

Regenerado da corrupção? Um político que ainda opera nos porões de Brasília? Não sei dizer realmente.

Existe “a moral da história”?

O meu trabalho foi expressamente jornalístico. Sem juízo de valor. No livro, narro fatos, conto bastidores e histórias inéditas em um grande esforço de reportagens que me custaram quase 90 entrevistas, madrugadas em claro, viagens pelo Brasil, meses e meses de apurações intermináveis, checagens de informações em tempo integral, ausências de casa. A “moral da história” fica por conta do leitor quando acabar de ler o livro.

ROBERTO JEFFERSON- O HOMEM QUE ABALOU A REPÚBLICA

Cássio Bruno

364 páginas

R$ 49,90

Editora Record

(Grupo Editorial Record)

*Felipe Vieira com informações da Editora Record e site Baixada Viva

Feira do Livro: Mercado editorial gaúcho, protagonismo feminino, a vida de Belchior e muito mais nesta terça-feira

Feira do Livro: Mercado editorial gaúcho, protagonismo feminino, a vida de Belchior e muito mais nesta terça-feira

Cidade Destaque Educação Feira do Livro

Na Feira do Livro, nesta terça-feira (14/11), entre os temas estão amor, mulheres na literatura, trajetória de personalidades nacionais renomadas e o mercado editorial – produção, edição, distribuição e venda de livros. O seminário da Publishnews, em oito sessões e com diferentes convidados, debate a previsão para o mercado editorial em 2018, o contexto dos livros digitais, a tradição dos livros de bolso, a formação acadêmica de editores e escritores, as edições independentes e os desafios enfrentados por livreiros. As sessões encerram com uma homenagem ao editor Henrique Kiperman, do Grupo A, falecido em setembro. Confira os destaques desta terça-feira abaixo:

 

9h – 9h30min Narrativas e criatividade, oficina com Henrique Zanella.

Espaço do Conhecimento Petrobras – Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul Promoção: Idear – Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo e Inovação da PUCRS

 

10h – 18h Abertura do Pub-Livro – Encontro PublishNews de Profissionais do Livro.

Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223) Em sua fala de abertura, o fundador do PublishNews, Carlo Carrenho, vai mostrar o que o mercado editorial deve esperar em 2018 e quais as ações e estratégias que poderão ser adotadas. Tendências, cases e soluções serão abordados neste panorama do mercado do livro. O Pub-Livro tem outras sessões no mesmo dia e local às 10h30min, 11h30min, 14h, 14h45min, 15h, 15h45min, 16h30min. A programação completa pode ser acessada no site www.feiradolivro-poa.com.br.

 

MULHERES NA LITERATURA

15h #LeiaMulheres – Por quê precisamos dessa hashtag?

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

Promovendo a leitura e a discussão de obras escritas por mulheres, os clubes de leitura Leia Mulheres, iniciados no Brasil em 2015, já se espalharam por mais de 60 cidades brasileiras e 23 estados através de articulações em redes sociais. Com as mediadoras do Leia Mulheres POA, Clarissa Xavier, Maurem Kayna e Helen Pinho.

 

18h30min – 20h30min Ó mãe, me diz o que é ser feminina! Protagonismo das mulheres na literatura
Biblioteca Moacyr Scliar – Térreo do Memorial do Rio Grande do Sul

Participantes: escritora Moema Vilela, jornalista Priscila Pasko e escritora Natália Borges Polesso. Mediação de Christina Dias. Promoção: Associação Gaúcha de Escritores

 

TRAJETÓRIAS

17h Flavio Koutzii: biografia de um militante revolucionário

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

A trajetória de um dos mais respeitados nomes da esquerda, desde sua infância no Bairro Bom Fim, a formação política, a resistência ao golpe militar e a longa e cruel prisão na Argentina, até o retorno ao Brasil, após a anistia. Com Flávio Koutzii e Rafael Guimaraens.

 

18h Belchior: do sertão aos pampas Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

A trajetória de Antonio Carlos Belchior, do nascimento, no interior do Ceará ao derradeiro autoexílio, em Santa Cruz do Sul (RS). As pistas, na obra, da profissão de fé na migração contínua, ao não pertencimento (“Quem tem raiz é árvore”, disse); tudo já estava indicado em seu primeiro disco, na canção Rodagem (“Afina os ouvidos e os olhos, Luzia, que eu venho de longe: Oropa, França e Bahia”). Com Jotabê Medeiros e Juremir Machado da Silva.

 

AMOR ESSENCIAL

18h Amor para corajosos

Sala Oeste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

O poeta Vinícius de Moraes ensinava a amar “porque não há nada melhor para a saúde que um amor correspondido”. Se não há nada mais importante do que amar, pensar o amor em suas diversas formas e vínculos é fundamental. Com Luiz Felipe Pondé e Eduardo Wolf.

 

18h30min Quintana traduz Saint-Exupéry. A permanente atualidade de O pequeno Príncipe

Sala Leste do Santander Cultural – Rua 7 de Setembro, 1028

As crianças de hoje, os jovens, e, sobretudo, os adultos que estão mergulhados na sociedade de consumo de nossa época terão uma oportunidade excepcional de tomarem conhecimento de um clássico. Ninguém esquecerá jamais o que a Raposa disse ao Principezinho: “O essencial é invisível aos olhos”. Quintana, nosso Poeta-Maior, verteu essa fábula com a sua competência inigualável de tradutor e a sua genialidade de poeta. Com Armindo Trevisan, Valesca de Assis, Marô Barbieri e Paula Sperb.

 

18h30min SMC na Feira do Livro – Clássicos da Modernidade

Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

Homem invisível, de Ralph Ellison, pelo professor convidado da UFRGS Luiz Mauricio Azevedo.

 

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre é uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Patrocinadores máster: Braskem, BNDES, Zaffari. Banco Oficial da Feira: Banrisul. Seja Vero. Patrocínio Especial Encontros com o Livro: Santander Cultural. Patrocínio Especial Tenda de Pasárgada: SulGás. Patrocinador Especial da Praça de Alimentação: Dado Bier. Patrocinador Especial do Espaço do Conhecimento: Petrobras. Apoio Especial: Prefeitura de Porto Alegre. Financiamento: Pró-cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Agenda Destaque Feira do Livro Negócios Porto Alegre

Nesta segunda-feira, o presidente das Lojas Renner, José Galló ensina como colocar em prática a filosofia de encantamento: “encantar significa superar as expectativas, indo um passo adiante da satisfação, ao entregar algo mais do que aquilo que já esperam de nós.”  A palestra “O poder do encantamento”,  acontece no Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223, a partir das 18 hs. Depois Galló autografará na Praça, às 19h30.

Confira outros destaques da Feira:

Programação Infantil

Às 14h, a atividade “Rádio Pirada – Oficina do Programa Brinkaredo”, no Espaço do Conhecimento Petrobras (Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul), vai ensinar as crianças como funciona uma rádio on line.

Às 15h30min, no Teatro Carlos Urbim (entre o Margs e o Memorial do RS) tem “O Autor no Palco” com Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Escritores Gaúchos

Às 16h, tem início o Ciclo de Palestras da Academia Rio-Grandense de Letras. Com Waldomiro Manfroi. O tema de hoje é “Autores que fizeram nossa cabeça – Caldre Fião”. Sempre no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1031), a série tem programação até o dia 11 de novembro.

Às 17h, na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega, diante do Memorial do RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU/RS promove encontros com escritores gaúchos sobre suas inspirações em arquitetura para criação de cenários na ficção. Com Carol Bensimon e mediação de Liana Timm.

Clássicos da Modernidade

18h30min e 19h30, na Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo CCCEV – (Rua dos Andradas, 1223), ocorrem duas sessões da série “SMC na Feira do Livro – Clássicos da Modernidade”. O tema da primeira é “A experiência da modernidade”, por Sérgius Gonzaga. O da segunda, “A democracia da América (Tocqueville)”, por Rodrigo Lemos. Durante toda a Feira, o ciclo tem lugar na grade de programação.

 

CONFIRA MINHA ENTREVISTA COM JOSÉ GALLÖ SOBRE O LIVRO “O PODER DO ENCANTAMENTO”NA RÁDIO GUAÏBA

Feira do Livro: Alcy Cheuiche relança obra confiscada pela ditadura militar 50 anos depois; por Thaís Seganfredo

Feira do Livro: Alcy Cheuiche relança obra confiscada pela ditadura militar 50 anos depois; por Thaís Seganfredo

Agenda Destaque Feira do Livro Porto Alegre

A história do escritor Alcy Cheuiche se confunde com a da Feira do Livro de Porto Alegre. O escritor, que foi patrono da 52ª edição, em 2006, teve um início de carreira marcante sob os jacarandás da praça da Alfândega, há exatos 50 anos. O Brasil vivia os primeiros anos da ditadura militar, em 1967, quando ele lançou “O Gato e a Revolução”, uma sátira ao regime autoritário.

O livro, que foi confiscado na sede da Editora Sulina dois anos depois, após a promulgação do AI-5, será relançado em 3ª edição na próxima terça-feira, 7 de novembro. Às 17h, na Sala Leste do Santander Cultural, está prevista uma roda de conversa em comemoração ao lançamento, com a presença do escritor e de Olívio Dutra, Luís Augusto Fischer e Paulo Flávio Ledur. Às 18h30, Alcy autografa na praça. Nesta segunda-feira, o autor realizou uma oficina sobre o livro “Contos Contemporâneos 2017”.

Conversamos com o escritor, que falou sobre a época do lançamento, a emoção de relançar a obra na Feira do Livro de Porto Alegre e a situação política atual no país. Confira a entrevista na íntegra:

LV-2332-web-1024x682Que lembranças tu tens daquela época, especialmente quando o livro foi proibido pelo AI5? E qual é a tua avaliação sobre os episódios atuais de censura na arte?

Foram dois episódios que se sucederam, um logo após o lançamento do livro, na Feira de 1967, e o outro em maio de 1969, alguns meses depois do Ato Institucional nº5, que fechou o Congresso e voltou a cassar, prender e torturar opositores. Logo após a Feira, a Brigada Militar instaurou um processo contra mim, para estabelecer se houvera difamação, uma vez que o personagem principal da narrativa é um brigadiano, soldado pobre, com dificuldades para viver com seu soldo. Nesse processo fui absolvido, uma vez que o Major Relator reconheceu que os soldados da corporação eram mal pagos e com baixa escolaridade, não sendo raros os Nondinhos [um dos personagens do livro] entre eles.

Já, depois do AI5, não havia necessidade de processo algum. Alguns homens chegaram na Editora Sulina com uma viatura e, sem apresentarem nenhum documento, apenas dizendo que eram da Polícia Federal, requisitaram os cerca de 600 exemplares em estoque e os levaram, decerto para picotá-los ou queimá-los. Quanto a mim, fui obrigado a deixar meu cargo na UFRGS e tive que  procurar distância e emprego em São Paulo, onde vivi nos dez anos seguintes. Diferente dos dias de hoje em um aspecto essencial: não havendo uma ditadura de fato, a censura à arte, mesmo hipócrita e destrutiva, se faz sem queima de quadros ou livros.

Em relação à narrativa, é impressionante como ela reflete na situação política atual do Brasil, exatos 50 anos depois. O que tu destacas destas semelhanças?

Tudo. Os intelectuais e artistas brasileiros continuamos sonhando com um mínimo de justiça social, de igualdade de oportunidade, enquanto os donos do poder obedecem às regras do capitalismo selvagem: lucro a qualquer preço, mesmo à custa da miséria sem assistência (ou não são cidadãos brasileiros os homens e mulheres que vivem debaixo de pontes e viadutos?), da crônica falta de verbas para educação, cultura, saúde, segurança. Isso sem falar no roubo ao dinheiro público que, na ditadura, fabricou lideranças até hoje emblemáticas, como Paulo Maluf.

A sátira, que acabou sendo um dos eixos do livro, continua sendo uma boa estratégia contra o conservadorismo e o autoritarismo?

Sim, ontem, hoje e sempre. Para entender isso basta ler o estudo de Freud, escrito em 1907: O humor é o prazer afirmando-se contra a crueldade das circunstâncias reais. Ou o recurso de Eça de Queiroz, aquele das sete gargalhadas em torno da muralha, até que a muralha caia. Como disse o poeta Moacir Santana, logo após a cassação do livro: Argumentar com a burrice quando ela tem força e poder? Seria outra burrice. Por isso “O Gato e a Revolução” tem o gosto de uma gargalhada.

O livro foi lançado aqui na Feira do Livro. Como é pra ti trazer novamente a obra aqui para a praça?

O que mais me impressiona é que parece ser o primeiro livro aqui lançado que volta (junto com o autor) meio século depois. Eu o escrevi na Alemanha (embora todos os fatos se passem aqui) com 26 anos e continuo acreditando em tudo que acreditava naquela época. Não renego nada e sinto-me feliz por isso. Imaginem se tivesse sido um livro laudatório à Revolução Redentora de 1964? Houve gente que fez isso, podem ter certeza.

Falando em polarização política entre esquerda e direita, como seria o Nondinho hoje?

Nondinho não era de esquerda nem de direita. Era uma pessoa pobre que só entrou na Brigada para sobreviver. Hoje, por falta de escolaridade, não poderia ser admitido como soldado. Certamente estaria dormindo debaixo do viaduto.

Os personagens que você criou para compor a obra formam uma espécie de mosaico da sociedade portoalegrense, mas também da brasileira. Como você avalia as representações da diversidade da sociedade hoje em dia e a presença cada vez maior de escritores de variadas etnias, gêneros e origens?

Com todas as barbaridades que estão acontecendo, não podemos negar que, depois da Constituição de 1988,  o índice de escolaridade aumentou, que a mortalidade infantil caiu (principalmente depois que foi incentivada a amamentação com leite materno, em que as mulheres brasileiras são as primeiras do mundo, as vacinações e o soro caseiro), que diminuiu a discriminação de raça (principalmente com as cotas universitárias), que a Lei Maria da Penha é um marco (com todas suas falhas) em defesa da mulher, cada vez mais atuante em todos os segmentos da sociedade brasileira (vide a nossa Feira do Livro, em que, pela primeira vez uma patrona (Cintia) passa a honraria para outra patrona (Valesca), que a consciência ecológica ganhou poder (graças a idealistas como Lutzenberger e Magda Renner); mas que, infelizmente, tudo isso parece muito pouco diante dos abismos, cada vez maiores, que separam ricos e pobres no Brasil. O que não nos impede, aos escritores, de ser patriotas, de acreditar na literatura como arma legítima para a justiça social, e não perder ternura, e também a esperança, jamais.

CONFIRA A ENTREVISTA DE ALCY CHEUICHE AO 21h30/TVU

 

 

Livros: Diadorim Editora lança sua primeira obra de ficção. ‘Quatro Contos de Boxe’ têm tradução de Cássia Zanon, do Inglês, e Flávio Ilha, do Espanhol

Livros: Diadorim Editora lança sua primeira obra de ficção. ‘Quatro Contos de Boxe’ têm tradução de Cássia Zanon, do Inglês, e Flávio Ilha, do Espanhol

Cultura Feira do Livro Notícias
 

A Diadorim Editora lançará seu primeiro livro de ficção. ‘Quatro Contos de Boxe’, com narrativas no Brasil de autores de língua inglesa e espanhola, é o primeiro volume da coleção ‘Contos Temáticos’ e traz histórias de Arthur Conan Doyle, Robert Arlt, Robert E. Howard e Liliana Heker. Os contos têm tradução de Cássia Zanon, do Inglês, e Flávio Ilha, do Espanhol.

O primeiro conto é ‘O valentão de Brocas’ (1923). A narrativa é um registro do britânico Arthur Conan Doyle sobre o esporte que mais admirava. Imaginativa e violenta, a história contém toques de mistério e suspense. Do argentino Roberto Arlt a coletânea traz ‘Aula de boxe’ (1931), que se revela um retrato da frustração e da perseverança contidas no atormentado telegrafista Simoens. O autor usa o esporte como fonte de reflexão sobre a velhice, o reconhecimento e o medo do abandono.

O norte-americano Robert E. Howard participa com ‘General Punhos de Ferro’ (1934), sobre mercenários e aventureiros. A argentina Liliana Heker, por sua vez, apresenta ‘Os que viram a sarça ardente’ (1966), narrativa sobre os efeitos devastadores do fracasso na vida de uma família. ‘Quatro Contos de Boxe’, que tem apresentação de da doutora em Teoria da Literatura pela PUC, Gabriela Silva está disponível na Feira do Livro de Porto Alegre.

A editora também relançará a obra sobre a ocupação dos Lanceiros Negros durante a feira literária. A sessão de autógrafos ocorrerá em 9 de novembro, a partir das 18h30. O livro-reportagem ‘Os Lanceiros Negros – Histórias de vida e de luta pela moradia’, do jornalista Luís Eduardo Gomes, conta a história da ocupação iniciada em novembro de 2015 em prédio público na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, em Porto Alegre.

A programação se iniciará às 18h30, com um debate sobre as causas sociais das ocupações, como o déficit habitacional, o desemprego e a falta de políticas públicas de moradia. O evento terá participação do autor, da coordenadora estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Nana Sanches, e da professora, jurista e urbanista Betânia Alfonsin. (Coletiva.net)

O Domingo na Feira do Livro: Empoderamento trans e feminino, literatura de autoria negra, saúde espiritual e muito mais

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Cidade Comunicação Destaque Feira do Livro Porto Alegre Tecnologia

A grade de programação deste primeiro domingo da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre é intensa e variada. O público de todas as idades encontra, em diversos horários e espaços em torno da Praça da Alfândega, atrações culturais e artísticas relacionados ao livro e à leitura. Entre as atividades, estão o debate sobre questões de identidade e empoderamento e discussões que incentivam a reflexão, a meditação e a busca por melhor qualidade de vida.

 

O domingo também é marcado por forte presença da Suécia, país da região homenageada nesta edição do evento.

 

Identidade e empoderamento

 

Às 17h, na Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) – (Rua dos Andradas, 1223), ocorre o III Encontro de Escritores Negros do RS. Será apresentado

um panorama histórico da literatura negra produzida não só no Brasil, mas também nos países africanos e nas diásporas africanas pelo mundo.

 

Às 18h30min, na Biblioteca Moacyr Scliar (Térreo do Memorial do RS), a temática transexual conduz a conversa em “Escrevendo Existências: Filosofia, Transantropologia e Literatura”, sobre a abordagem do assunto em ambientes de leitura e educacionais, com a professora e escritora Atena Beauvoir.

 

Na mesma hora (18h30min), no Espaço do Conhecimento Petrobras (Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul), acontece a mesa redonda “Ciberfeminismo: ativismo e tecnologia” com Tatiana Vargas Maia, Evelyn Mendes e Amanda Silva Vieira.

 

Às 19h30min, no Teatro Carlos Urbim (entre o Margs e o Memorial do RS) tem “Slam Conexões”. Movimento de poesia falada que se consolida hoje no mundo e também nas principais cidades brasileiras, o SLAM parece um sarau literário, uma batalha de MCs e está tomando conta de bares e de espaços culturais de Porto Alegre. Participam do encontro representantes dos coletivos de poetas urbanos Slam RS, Slam Liberta, Slam das Mina e Slam Peleia.

Corpo, Meditação e Yoga

 

Às 13h30min, em frente ao Santander Cultural, a atividade “Domingos de criação: Meditação da Abundância” leva o participante a se conectar com o seu melhor e a sua essência, gerando fluidez na vida. Com a médica psiquiatra, palestrante e escritora Anmol Arora.

 

Às 15h, na Sala Oeste do Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028), o tema é meditação Zen na vida diária. Ricardo Ensho e Ênio Burgos apresentam “Shigetsu – o dedo que aponta a lua”.

 

Às 17h, Sala Leste do Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028), ocorre “ ÁSANA – do corpo à consciência”. É uma conversa sobre o corpo inteligente e suas possibilidades. Com Rosália Wayhs.

 

Os Suecos

 

Às 14h, o Ministro de Educação da Suécia, Gustav Fridolin, e demais representantes da delegação sueca serão apresentados na Sala Oeste do Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028).

 

Às 15h30, o estande dos Países Nórdicos, na Área Internacional (1ºandar do Memorial do RS), convida o público infantil para conhecer as aventuras de Pippi, de Rônia e de Karlsson no Telhado, da autora sueca Astrid Lindgren.

 

Às 16h, Kim W. Andersson fala aos fãs de quadrinhos e cultura pop no 12º Mutação na Feira (Tenda de Pasárgada)

 

Às 18h, a escritora sueca Christina Rickardsson fala sobre seu livro “Nunca deixe de acreditar” na Sala Oeste do Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028). O livro é autobiográfico e conta história de Christina, menina pobre que viveu em uma caverna no Brasil e transformou-se em escritora de sucesso na Suécia.

 

Os gaúchos

 

Às 18h, “Scliar: uma bio e muitas histórias” é o título do bate-papo sobre “Uma autobiografia literária” e “Histórias que os jornais não contam”, de Moacyr Scliar. Com Sérgius Gonzaga, Carlos Gerbase e leituras de crônicas por Paula Taitelbaum. Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo CCCEV (Rua dos Andradas, 1223).

 

Às 19h30, no mesmo espaço, Luiz Coronel, Sérgio Rojas e Nora Prado falam sobre “Luiz Coronel em Conto e Poesia”.

 

Criatividade

 

Às 12h30min, ocorre “Domingos de criação: Nocturna en trio” na Praça de Autógrafos. De Gardel a Piazzolla, o trio platino apresenta um repertório clássico de tangos e milongas em arranjos autorais. Com Derly Oviedo, Raul Iturria e Marcelo Egüez. Na sequência, no mesmo local, às 13h30min, é a vez de “Os 12 mandamentos verdes”. É uma atividade lúdica recreativa com público infantil, compreendida por ações interativas envolvendo o conteúdo do livro “Os 12 mandamentos verdes”. Com Denise Wéinreb, Edye Silva e o músico Cláudio Vera Cruz.

 

Às 14h, começa o 12º Mutação na Feira – Quadrinhos, Zines e Cultura Pop na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega, diante do Memorial do RS). Quadrinistas, colecionadores, professores e alunos que trabalham com a produção e a leitura de HQs tem encontros de hora em hora.

 

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre é uma realização da Câmara Rio-Grandense do Livro em parceria com Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Patrocinadores máster: Braskem, BNDES, Zaffari. Banco Oficial da Feira: Banrisul. Seja Vero. Patrocínio Especial Encontros com o Livro: Santander Cultural. Patrocínio Especial Tenda de Pasárgada: SulGás. Patrocinador Especial da Praça de Alimentação: Dado Bier. Patrocinador Especial do Espaço do Conhecimento: Petrobras. Apoio Especial: Prefeitura de Porto Alegre. Financiamento: Pró-cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Luiz Coronel marca presença hoje na Feira do Livro

Luiz Coronel marca presença hoje na Feira do Livro

Cultura Feira do Livro Notícias

O escritor Luiz Coronel é um dos destaques desse domingo na Feira do Livro. Junto com a atriz Nora prado e o músico Sérgio Rojas, Coronel promove às 17 horas, no Teatro Barbosa Lessa, no Centro Cultural Érico Veríssimo (Rua dos Andradas 1223), um recital/show. No repertório, a obra do poeta e seus escritores presentes na Coleção Dicionários, interpretados por Nora e Coronel. Já Rojas, interpreta uma seleção de composições primorosas.

Segundo Coronel o encontro prioporcionará: “A poesia amorosa, social, intercalada por soberanas melodias e o causo, com seu ingênuo humor.”

Domingo, dia 05 de novembro

Teatro Barbosa Lessa – 19 horas

Andradas 1223.

Entrada franca, em cada cadeira um livro/carta de brinde.

Feira do Livro: Débora Mutter apresenta estudo sobre Assis Brasil; por  Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo

Feira do Livro: Débora Mutter apresenta estudo sobre Assis Brasil; por Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo

Cultura Feira do Livro Notícias

O final da tarde deste sábado na Sala Leste do Santander Cultural foi um misto de fortuna crítica, ensaística, emoção, teoria literária e apreciação da obra “Um romancista ao Sul: a ficção de Luiz Antônio de Assis Brasil”, de Débora Mutter. O estudo crítico baseado na vida e obra de Assis Brasil é resultado da sua dissertação de Doutorado pela Ufrgs, em 2008. Além de um apanhado sobre a sua fortuna crítica, Débora Mutter analisa seis livros do autor nos quais a memória e as paixões humanas compõem uma equação mais ampla que incide sobre o imaginário dos leitores, humaniza a História e converte o passado em outrora. A mesa que tratou do livro na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre teve, além de Débora, a presença das professoras Maria Alice Braga e Márcia Ivana Lima Silva e do próprio autor estudado, Luiz Antônio de Assis Brasil. As seis obras analisadas por Débora no livro são “Perversas Famílias”, “Concerto Campestre”,  “A Margem Imóvel do Rio”, “O Pintor de Retratos”,  “Música Perdida” e “Figura na Sombra” (estas quatro compondo o conjunto da tetralogia de Visitantes ao Sul, sendo que “Figura na Sombra” foi lido após o doutoramento e incluído somente na obra lançada neste sábado).

Diante de uma sala cheia, Débora falou da emoção de poder falar do livro e do seu estudo diante do próprio autor, o objeto de estudo presente.  O primeiro a falar foi o próprio Assis Brasil que exaltou os ficcionistas que organizam as histórias e as contam para que elas virem literatura para dizer um romance faz mais sentido ainda quando um crítico organiza e dá sentido à obra. “Estamos num momento cultural e literário em que não há quase livros de ensaios.  Vale lembrar a importância de grandes ensaístas que formaram gerações de críticos como Otto Maria Carpeaux e Antonio Cândido. O que a Débora conseguiu com este livro foi recuperar esta ensaística e nestes nove anos teve o grande acessório de estar partindo do seu doutoramento”, afirmou.

A análise de Maria Alice Braga partiu do fato de ser uma das professoras da banca de Débora na defesa do Doutorado há nove anos.  “Fui revisitar a dissertação e ler o livro e posso partir do tripé Tempo, Memória e História para analisar esta obra. A memória é individual e coletiva e nestas seis obras analisadas o olhar do narrador está sempre externo. Sobre o tempo, podemos pensar em Santo Agostinho, que dizia ser o tempo é a obrigação de pensar uma linguagem que fala do tempo e o que nela está embutida, que o tempo são as imagens recolhidas na memória, guardadas como vestígio.”  Maria Alice lembrou de um capítulo quase final do livro “Viagem ao Sul: a Dramatização do Olhar”, concluindo o seu pensamento com a frase: “Não há espaço sem tempo, nem tempo sem memória. E isto tudo não existiria sem a fundamentação da literatura”.

Márcia Ivana tratou de colocar a intertextualidade na conversa, analisando que a obra de Débora aborda a relação/jogo da literatura de Assis com a literatura universal. “Débora recupera, na análise da tetralogia, a noção de olhar que está por trás das obras. Os quatro protagonistas são sempre estrangeiros ao Rio Grande do Sul. O jogo que se estabelece entre realidade e imaginário faz pensar o quanto é difícil entender o outro, a cultura do outro. A narrativa surge para resolver o problema, para o imaginário poder substituir a realidade”, analisou Márcia. Para a professora da Ufrgs, Débora chama a atenção deste olhar como metonímia da realidade. Depois, Márcia leu um trecho da obra que inicia assim: “Na escritura assisiana, a transtextualidade e olhar do estrangeiro transfigurado pela experiência da viagem se estabelecem como realidade possível em uma hipertextualidade específica que pode ser lida como outra história de consolidação cultural do RS, e, por extensão, do Brasil”. O fechamento de Débora foi de emoção para dizer que a obra de Assis Brasil oferece uma infinidade de possibilidades e articulações e que muitas vezes as classificações quase não dão conta.  Depois da mesa, já na noite deste sábado, Débora teceu dedicatórias na Praça de Autógrafos.

Resistência e diversidade de pensamento marcam abertura da 63ª Feira do Livro, por Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo

Resistência e diversidade de pensamento marcam abertura da 63ª Feira do Livro, por Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo

Feira do Livro Notícias Porto Alegre

A solenidade de abertura da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre teve o signo da resistência e da diversidade de pensamento. O evento realizado no início da noite desta quarta-feira, no Teatro Carlos Urbim, teve início marcado por um protesto de municipários e professores estaduais contra os governantes.

A manifestação foi seguida de uma reação do presidente da Câmara Rio-grandense do Livro, Marco Cena Lopes: “Não importa de que ideologia você seja, esta Feira é do povo de Porto Alegre”, defendeu. Cena lembrou que a Feira só saiu este ano porque houve 62 feiras anteriores. “Acreditamos na literatura e na inclusão como agentes fundamentais da transformação da realidade que está aí. A instabilidade do momento só nos desafia”, frisou.

A patrona da edição anterior, Cíntia Moscovich, apresentou a atual titular da função, Valesca de Assis, como uma escritora que ela conhece há 23 anos e que se preocupa com as pessoas, com o outro, com os ratões de coquetel, tema do livro “Harmonia das Esferas”, ou a violência doméstica, tema da mais recente obra, “A Ponta do Silêncio”. Após receber a chave da Feira do Livro de Cíntia, Valesca destacou a resistência da Feira e da criação e manutenção de programas de leituras em todas as escolas do Estado. “Temos que nos inspirar com os países nórdicos homenageados, que são exemplo de saúde e educação, com os irmãos africanos com sua luta, esperança e alegria e com nossos escritores, professores, alunos, contadores de histórias para circular o sangue bom da literatura por todos os canais e povos”, disse.

O embaixador da Noruega, Nils Gunneng, falou que os países nórdicos agem em conjunto e que estão num momento em alta em sua literatura. “Sobre as manifestações de hoje, já servi em países onde não era permitido. Aqui sim, esta é a diferença do Brasil”, se referindo à liberdade de expressão. Depois, houve o cortejo de abertura da Feira do Livro, que segue sua programação até o dia 19 de novembro.