Bolsonaro ganhará principal palco de Davos ao abrir sessão inaugural do Fórum; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Bolsonaro ganhará principal palco de Davos ao abrir sessão inaugural do Fórum; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Destaque Economia Mundo

Jair Bolsonaro será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural do Fórum Econômico Mundial, que começa na semana que vem na Suíça. O espaço privilegiado foi dado ao brasileiro pelos organizadores diante do interesse internacional que hoje existe tanto sobre o que ocorre no Brasil, mas também por conta da curiosidade que se tem sobre o que é de fato o novo governo brasileiro.

O lugar de Bolsonaro em Davos estava sendo cuidadosamente negociado entre o Itamaraty e os organizadores do evento, desde sua vitória nas eleições presidenciais, em outubro. Klaus Schwab, fundador do evento, já havia antecipado na terça-feira para a imprensa brasileira que o presidente seria “muito bem recebido” na estação aos pés da Montanha Mágica.

A fala, que deve ter entre 30 minutos e 45 minutos, promete ser uma espécie de apresentação de Bolsonaro à elite das finanças internacionais e da imprensa global. A sessão de abertura é, na maioria das vezes, acompanhada com uma atenção especial, já que dá o tom do evento. Ela não é a primeira fala do Fórum que, de fato, já começa na noite de segunda-feira. Mas é o evento mais aguardado no primeiro dia de fato de debates.

Leia a íntegra da reportagem de Jamil Chade, em O Estado de S.Paulo

Ditador da Venezuela fala em democracia na posse e ataca Bolsonaro

Ditador da Venezuela fala em democracia na posse e ataca Bolsonaro

Comunicação Mundo Notícias

Poucos chefes de estado acompanharam a cerimônia de posse, entre eles, Evo Morales, da Bolívia; Miguel Díaz-Canel, de Cuba; e Daniel Ortega, da Nicarágua.

Nicolás Maduro vestiu a faixa presidencial. Foi aplaudido, fez o sinal de vitória com os dedos e disse:

“Aqui estou, pronto, de pé, para democraticamente assumir as rédeas da nossa pátria”.

Ele voltou a acusar os Estados Unidos de tentarem liderar uma guerra mundial contra a Venezuela e defendeu a legalidade da cerimônia de posse, que foi realizada no Supremo Tribunal de Justiça, e não na Assembleia Nacional, como previsto na Constituição.

O Departamento de Estado americano chamou a posse de maduro de “usurpação de poder” e afirmou que é hora de a Venezuela começar um processo para restaurar a ordem democrática. A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução que declara o governo de Nicolás Maduro ilegítimo e propõe a realização de novas eleições presidenciais.

A crise política da Venezuela vem se agravando desde 2015, quando a oposição obteve uma vitória histórica nas eleições legislativas e assumiu o controle da Assembleia Nacional, que é o Congresso do país.

Em 2017, Maduro anunciou a criação de uma Assembleia Constituinte. A oposição denunciou que era uma manobra do presidente para controlar o Legislativo e governar como um ditador e manteve a Assembleia Nacional funcionando.

Em 2018, a Constituinte antecipou a eleição presidencial de dezembro para maio. Só 46% dos eleitores compareceram. Essa eleição para um novo mandato de seis anos não foi acompanhada por observadores internacionais e líderes de oposição foram impedidos de participar.

O historiador Alejandro Velasco, da Universidade de Nova York, viajou para Caracas para acompanhar a posse. Disse que, apesar de toda a expectativa, o dia foi supreendentemente calmo na capital.

“O clima é de resignação. É mais um dia de crise política sem nenhuma solução à vista”, disse ele.

A crise econômica também é crescente. A inflação passa de um milhão por cento ao ano. Faltam alimentos e remédios e a estimativa é que mais de três milhões de venezuelanos tenham deixado o país.

O diretor do Conselho das Américas, Guilhermo Zubillaga, diz que este será um ano muito duro para a Venezuela e que a crise econômica pode provocar o enfraquecimento de Nicolás Maduro, com a perda de apoio das Forças Armadas.

E foi exatamente diante das Forças Armadas que Nicolás Maduro participou de uma solenidade complementar da posse.

Em discurso, Nicolás Maduro afirmou que Jair Bolsonaro é “um fascista” contaminado pela direita venezuelana e que esta contamina a “direita de toda a região”. O Itamaraty publicou nota afirmando que o mandato de Maduro é ilegítimo e que “continuará trabalhando para a restauração da democracia na Venezuela”.

Leia mais na Folha de S.Paulo

Brasil deixa Pacto Global pela Imigração da ONU; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Brasil deixa Pacto Global pela Imigração da ONU; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Destaque Mundo

O governo brasileiro informou nesta terça-feira,8, oficialmente à ONU em Nova Iorque e em Genebra que o País está se retirando do Pacto Mundial de Migração, assinado em dezembro ainda pelo governo de Michel Temer. Diplomatas brasileiros confirmaram ao Estado que a ONU já foi notificada da decisão do governo de Jair Bolsonaro de se retirar do acordo. A notícia foi recebida nas Nações Unidas com muita preocupação, diante do que o gesto poderia significar em termos da posição do Brasil em assuntos como migração, cooperação internacional e mesmo direitos humanos.

Negociando por quase dois anos, o Pacto era uma resposta internacional à crise que havia atingido diversos países por conta de um fluxo sem precedentes de migrantes e refugiados. O texto do acordo, porém, não suspendia a soberania de qualquer país e nem exigia o recebimento de um certo volume de estrangeiros.

O anúncio do afastamento do novo governo foi feito pelo Twitter pelo chanceler Ernesto Araújo, no mesmo dia em que o Itamaraty aprovava o acordo, em uma reunião da ONU no Marrocos. “A imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país”, disse Araujo, chamando o marco de “ferramenta inadequada para lidar com o problema”.

“O Brasil buscará um marco regulatório compatível com a realidade nacional e com o bem-estar de brasileiros e estrangeiros. No caso dos venezuelanos que fogem do regime Maduro, continuaremos a acolhê-los”, afirmou. O pacto foi aprovado por mais de 150 países na a conferência intergovernamental da ONU, em Marraquexe.

Agências lamentaram decisão do futuro governo brasileiro sobre o Pacto Global de Migração
Agências lamentaram decisão do futuro governo brasileiro sobre o Pacto Global de Migração Foto: FETHI BELAID / AFP

Naquele momento, a ONU comentou a intenção brasileira. “É sempre lamentável quando um estado se dissocia de um processo multilateral, em especial um (país) tão respeitável de especificidades nacionais”, declarou Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional de Migrações, ao ser questionado sobre a informação relativa ao Brasil. Segundo ele, apesar da saída de alguns países, 164 governos assinaram o documento. “Esse é um quadro para cooperação”, alertou.

Leia a reportagem completa em O Estado de São Paulo.

Artistas cubanos são presos antes de protesto em Havana

Artistas cubanos são presos antes de protesto em Havana

Cultura Destaque Mundo
Tania Bruguera e diversos outros artistas cubanos foram detidos em Havana, na segunda-feira (3), após tentarem realizar um protesto contra um novo decreto que acreditam que irá coibir a criatividade e aumentar a censura contra a cultura em Cuba.

Tania, a mais célebre dos detidos, foi presa pouco depois de sair de casa de manhã e antes de chegar ao Ministério da Cultura, onde os artistas pretendiam fazer a manifestação, disse sua mãe, Argelia Fernandez, à Reuters.

A artista performática, que já foi presa antes por protestar publicamente contra o governo comunista, foi solta de noite, disse Argelia, mas foi imediatamente ao ministério para protestar contra a prisão de outros artistas.

“Tudo que posso fazer é mostrar solidariedade”, escreveu Tania em sua conta no Facebook no início da manhã de segunda-feira, publicando uma foto de si mesma com uma camiseta com os dizeres “Não ao Decreto 349”. “Se me detiverem, farei greve de fome e de sede”.

Tania foi detida novamente na noite de segunda-feira, de acordo com Iris Ruiz, atriz e coordenadora do que tem sido uma campanha rara nos últimos meses contra o Decreto 349, uma das primeiras leis assinadas por Miguel Díaz-Canel desde que sucedeu Raúl Castro como presidente em abril.

Argelia disse à Reuters que não tem como localizar a filha porque seu celular parece ter sido bloqueado pela segurança estatal.

Detenções curtas são a reação padrão a protestos de oposição no país, que rejeita a dissidência pública e vê os dissidentes como mercenários pagos pelos Estados Unidos para subverter o governo.

Leia mais no R7.

França critica Bolsonaro e coloca acordo climático como condição para tratado com Mercosul. Macron questiona comportamento de novo governo brasileiro sobre clima; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

França critica Bolsonaro e coloca acordo climático como condição para tratado com Mercosul. Macron questiona comportamento de novo governo brasileiro sobre clima; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Agenda Destaque Economia Mundo

Em meio ao debate sobre a decisão do Brasil de não sediar a reunião sobre mudanças climáticas da ONU, em 2019, a França deixa claro que condiciona a assinatura de um acordo comercial com o Mercosul à participação de todos os governos da região ao Acordo Climático de Paris. O alerta foi dado em reuniões em Buenos Aires nesta semana por parte de diplomatas franceses aos seus homólogos argentinos. Mas o principal ataque veio do próprio presidente da França, Emmanuel Macron, numa coletiva de imprensa nesta quinta-feira na capital argentina. A partir desta quinta-feira, 29, o presidente Maurício Macri recebe os líderes de todo o mundo para o encontro do G-20.
Nesta semana, o governo do Brasil anunciou que não irá mais sediar a COP25 em 2019, o que criou um mal-estar diplomático, obrigando a ONU a se apressar para procurar um novo lugar disposto a receber o evento.

A retirada da candidatura do Brasil foi decidida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, que também indicou que o seu governo resistiria às propostas de compromissos climáticos. “Houve participação minha nessa decisão”, disse Bolsonaro, na quarta-feira. Ele explicou que existe a possibilidade de o País sair do acordo do clima e não quer “anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil”.

Durante a campanha eleitoral, ele falou em sair do acordo do clima e, nesta semana, insistiu que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. “Não pode uma política ambiental atrapalhar o desenvolvimento do Brasil”, ressalvou. “Hoje a economia quase está dando certo apenas – quase – na questão do agronegócio. E eles estão sufocados por questões ambientais que não colaboram em nada para o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente.”

Em sua primeira visita à América do Sul, porém, o presidente da França não poupou críticas a essa postura brasileira.

Segundo ele, houve um encontro no início do ano em Paris com Macri e certos compromissos foram adotados por ambos os lados para garantir que houvesse um avanço nas negociações entre Mercosul e UE. Um desses compromissos foi de que todos em um eventual acordo comercial respeitassem os princípios do Acordo de Paris.

O francês indicou que todos sabem das “sensibilidades” que existem sobre a abertura dos mercados agrícolas. “A França tem limites. Mas conseguimos em janeiro encontrar compromissos que permitiu um avanço”, disse.

Macron explicou, porém, que um acordo com o Mercosul terá de ir além do comércio. “Nós assumimos um compromisso claro no que se refere ao Acordo de Paris”, disse Macron. “Esses acordos comerciais contemporâneos precisam responder aos desafios contemporâneos. Ocorre que há uma mudança política maior no Mercosul que acaba de ocorrer no Brasil. Portanto, é do lado do Mercosul que a questão está colocada para saber qual é a natureza do impacto que essa mudança vai ter”, alertou.

“Do lado francês, eu digo claramente que não sou favorável à assinatura de um acordo comercial amplo com potências que não respeitam o Acordo de Paris e que anunciam que não vão respeitar o Acordo de Paris”, disse Macron.

 

Confira  a reportagem completa de Jamil Chade,  em O Estado de São Paulo.

Decisão do Brasil de não sediar reunião climática causa mal-estar diplomático; por Jamil Chade/O Estado de São Paulo

Decisão do Brasil de não sediar reunião climática causa mal-estar diplomático; por Jamil Chade/O Estado de São Paulo

Destaque Economia Educação Mundo

A decisão do Brasil de não mais sediar a COP25 em 2019 cria um mal-estar diplomático, obrigando a ONU a se apressar para procurar um novo lugar disposto a receber o evento e abrindo uma crise com parceiros que haviam dado seu apoio a Brasília. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que atuou diretamente na retirada da candidatura.

O Estado apurou que estava tudo planejado para que a entidade internacional chancelasse a conferência no País durante a reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) que ocorre a partir de segunda-feira, na Polônia e onde estarão 50 chefes-de-estado, chamada de COP24. Não havia sequer outro candidato, diante de um acordo que foi costurado em diversas capitais.  Mas, com a retirada da proposta brasileira, a entidade passou a se mobilizar para encontrar uma solução, enquanto governos estrangeiros não disfarçam a irritação com a postura do Brasil.

Ninguém na entidade acredita, porém, que a decisão de cancelar a COP25 tenha uma relação com a questão orçamentária, como indicou o governo brasileiro. “Esse é um sinal do que poderá ser a política de meio ambiente do novo governo brasileiro”, indicou um membro de alto escalão da entidade, na condição de anonimato.

“Tradicionalmente, todos sabem que o Brasil mantém uma prática diplomática de manter seus compromissos internacionais”, disse outra fonte. “Essa decisão é uma ruptura na postura do País”, lamentou.

Oficialmente, a candidatura do Brasil não era apenas um projeto nacional. O País, no fundo, representava a América Latina e havia sido escolhido pela região para receber o evento. Agora, os governos latino-americanos estão sendo obrigados a se reunir de forma emergencial para buscar uma solução e um país que possa receber o evento.

Leia a reportagem completa de Jamil Chade, em O Estado de São Paulo.

A ‘conversa íntima’ de Michelle Obama com 20 mil pessoas. Ex-primeira dama faz turnê de lançamento de livro em Washington e recebe vista surpresa – e flores – do marido; por Beatriz Bulla, correspondente/O Estado de S.Paulo

A ‘conversa íntima’ de Michelle Obama com 20 mil pessoas. Ex-primeira dama faz turnê de lançamento de livro em Washington e recebe vista surpresa – e flores – do marido; por Beatriz Bulla, correspondente/O Estado de S.Paulo

Cultura Feira do Livro Mundo Notícias

Não fossem os sapatos de salto fino calçados nos pés do início ao fim da noite, o evento de divulgação do livro de memórias de Michelle Obama em Washington pareceria um encontro de amigas na sala de estar. Neste sábado, 17, a ex-primeira dama fez na capital dos Estados Unidos, onde vive com o marido e as duas filhas, a terceira parada da turnê de lançamento do seu livro “Minha História”. E, com a performance em casa, ficou mais fácil contar com uma surpresa – se não para Michelle, ao menos para o público: a entrada de Barack Obama, nos últimos dez minutos do show.

Com um buquê de rosas nas mãos para a esposa, Obama foi ovacionado pela plateia, ouviu gritos de “sentimos sua falta” e sentou no braço da poltrona de Michelle para uma breve participação. “Isso é como…Sabe quando o Jay-Z aparece no show da Beyoncé?”, disse o ex-presidente, se comparando com o rapper americano casado com a estrela pop. “Eu sabia que ela me desafiaria”, disse Obama, perto das 22h30, ao descrever como se apaixonou por Michelle, depois de falar que a esposa é “extraordinariamente inteligente” e bonita.

Durante uma hora e meia, Michelle Obama conversou com Valerie Jarret, ex-conselheira da Casa Branca e próxima da ex-primeira dama há quase 30 anos sobre detalhes da vida íntima como terapia de casal, tratamentos de fertilidade, o desafio de ser mãe e profissional e, claro, a vida como esposa do presidente dos Estados Unidos.

Michelle fala direto com seu público, basicamente composto por mulheres, e justifica o nome da turnê: “uma conversa íntima com Michelle Obama”, mesmo em uma arena com capacidade para 20 mil pessoas e ingressos esgotados. Com humor, fala de situações cotidianas e humaniza até protocolos formais como a cerimônia de posse presidencial e a chegada à Casa Branca: “de repente nos mudamos para uma casa onde nunca estive”.

Leia a íntegra em O Estado de São Paulo.

Bob Woodward: “A imprensa mordeu o anzol de Trump”. Jornalista pede aos meios de comunicação que mantenham a calma e façam seu trabalho sem entrar no jogo do inquilino da Casa Branca; por Amanda Mars/El País

Bob Woodward: “A imprensa mordeu o anzol de Trump”. Jornalista pede aos meios de comunicação que mantenham a calma e façam seu trabalho sem entrar no jogo do inquilino da Casa Branca; por Amanda Mars/El País

Comunicação Mundo Notícias

Ao se entrar na casa de Bob Woodward, um lindo imóvel no bairro washingtoniano de Georgetown, topa-se com dezenas de exemplares de seu último livro amontoados em caixas. Na sala aparece, sentada de costas, uma mulher cuja compleição, cabelo e negra indumentária poderiam fazê-la passar por Annie Leibovitz. Ao se levantar e cumprimentar os recém-chegados, revela-se o mistério: trata-se, de fato, da famosa fotógrafa. É meados de outubro, e Woodward (Geneva, Illinois, 1943) se encontra imerso na promoção de Medo: Trump na Casa Branca (editora Todavia, 2018), um apanhado de entrevistas e aparições televisivas que não parece entusiasmar o repórter, transformado em lenda quando ainda era muito jovem, como resultado do furo do Watergate. Responde com pressa, corta secamente quando acha necessário, mas, ao contrário do que se poderia esperar, não se cansa de falar da batalha que causou a renúncia do presidente Richard Nixon. Ao jornalista a aborda sem ser perguntado. Duas vezes ganhador do Pulitzer, dissecou todos os mandatários norte-americanos de seu tempo, sendo o último deles um dos personagens mais inesperados da política norte-americana.

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Capa do livro que será lançado no Brasil pela editora Todavia.

Pergunta. Você começa seu livro destacando uma frase de Trump: “O verdadeiro poder é o medo”. Ele tem razão?

Resposta. Sim, acho que parte do poder verdadeiro é o medo, embora não seja a parte principal. Ele disse isso no seu hotel, no final de março de 2016; foi um aparte, quase shakespeariano, disse-o praticamente num sussurro, mas foi muito claro: o poder real é o medo. Isso é o que ele pensava e estava disposto a divulgar abertamente. Eu estava procurando um título que capturasse sua forma, seu estilo na hora de operar, que tivesse saído de sua própria boca.

P. O livro desenha um cenário de loucura dentro do Governo do país mais poderoso do mundo. Acha que Trump é assim de maneira espontânea, ou isso é parte de uma estratégia?

R. Não é estratégico, ele age por impulsos. Não planeja. Uma vez pensei que se Melania lhe mandasse ao supermercado, iria sem a lista de compras. Chegaria lá e diria: “Isto é legal”, “Isto tem boa cara”, “vamos experimentar isto…”. E, claro, esse é um dos problemas, e é o que causa nervosismo entre os que estão perto dele, os que mais sabem.

P. Em política externa, fala-se da estratégia do louco. Você acha que Trump está jogando esse jogo na política doméstica?

R. Ele é assim. Passei dois anos olhando para ele, olhando o que ele faz. Você pode encarar o assunto Trump de três maneiras. Uma é com as coisas que ele diz e que não são verdade; outra é a investigação da trama russa de Robert Mueller; e outra, olhar o que faz como presidente. Esse é o meu enfoque. O que faz com a Coreia do Norte, com o Afeganistão, Oriente Médio, a área econômica… E, cena após cena, você pode ver que ele vai decidindo com o bonde andando. Não há uma estratégia global.

Leia a íntegra da reportagem em El País.

União Europeia quer fechar acordo com Mercosul antes da posse de Bolsonaro; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

União Europeia quer fechar acordo com Mercosul antes da posse de Bolsonaro; por Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Destaque Economia Mundo

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia – em negociação há quase 20 anos, mas já na reta final – ganhou um novo impulso após as declarações da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro de que o bloco sul-americano não será prioridade no novo governo. A intenção, segundo o presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul, o deputado português Francisco Assis, é tentar fechar algum tipo de entendimento comercial ainda durante o governo de Michel Temer.

“Estamos preocupados”, disse. “Há uma enorme incógnita sobre qual será o futuro do Mercosul e, portanto, sobre como ocorrerá essa relação de negociação com a União Europeia.” Segundo ele, o Mercosul entregou uma proposta aos europeus no dia 24 de outubro. “Haverá uma tentativa por parte da UE de fazer uma contraproposta”, disse. A negociação com o Mercosul entrou na pauta da reunião da UE da próxima quarta-feira, com a comissária de comércio exterior do bloco, a sueca Cecilia Malmström.

O acordo, se confirmado, será o mais importante já assinado pelo bloco europeu. Para levá-lo adiante, no entanto, é preciso vencer resistências dentro da própria União Europeia, já que grupos protecionistas fazem pressão para adiar o acordo.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro defendeu acordos bilaterais com países desenvolvidos e criticou a política externa dos governos do PT, que deram prioridade a acordos com países africanos, sul-americanos e asiáticos. Na primeira entrevista após o resultado do segundo turno, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a criação do Mercosul foi ideológica e que o bloco não seria prioridade.

Leia a íntegra em O Estado de São Paulo.