CDL Porto Alegre explica o motivo da cesta básica na capital ser a segunda mais cara do Brasil Explicação leva em consideração os produtos incluídos por região, como o maior consumo de carne, a renda do trabalhador e ainda as alíquotas específicas de ICMS. Foto: Rádio Pampa

CDL Porto Alegre explica o motivo da cesta básica na capital ser a segunda mais cara do Brasil

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, DIEESE, concluiu que o custo da cesta básica em Porto Alegre é o segundo maior entre as 20 capitais analisadas. Em julho, foram necessários R$ 435,02 para a aquisição de 13 itens alimentícios considerados essenciais, conforme o Decreto-lei número 399 de 1938. A capital gaúcha ficou somente atrás de São Paulo (R$ 437,42) no ranking nacional, e bem acima da média simples das regiões investigadas (R$ 376,04).

De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre, em relação ao mesmo período de 2017 – comparativo adequado para dirimir os efeitos da sazonalidade característica referente a cada mês do ano –, a cesta básica caiu 4,1% em termos nominais em Porto Alegre, conforme tabela abaixo. Para todas as demais 19 capitais investigadas, também houve redução do valor de custo.

Custo da cesta básica nas capitais brasileiras

(Em R$ nominais e variação % de julho de 2018 em comparação com julho de 2017)

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Fonte: DIEESE. Elaboração: AE/CDL POA

 

Para o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, a capital gaúcha tem uma das cestas básicas mais caras do Brasil por variados motivos: “Primeiramente, é importante informar que o cruzamento das informações entre o valor da cesta básica e a renda dos trabalhadores mostra que o primeiro costuma estar, diretamente, associado com o segundo”. De acordo com as últimas estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra e Domicílios, PNAD, do IBGE, Porto Alegre está em terceiro lugar entre as capitais que possuem os maiores rendimentos efetivamente recebidos pelos empregados (incluindo aqueles com e sem carteira assinada, funcionários públicos, empregados por conta-própria, e outros) e na segunda posição no ranking do custo da cesta básica.

Outro ponto que afeta o valor da cesta-básica é a metodologia do DIEESE, que utiliza três diferentes composições da cesta básica para grupos de estados brasileiros, levando em consideração os hábitos alimentares de cada uma dessas regiões. Para o Rio Grande do Sul, a quantidade da carne definida na cesta (6,6 quilos) é maior do que a média brasileira (6 quilos). Como o corte gaúcho é reconhecido por sua qualidade, o preço mais alto para o consumidor acaba influenciando de forma considerável o valor da cesta em Porto Alegre. É importante lembrar também que cada estado pode determinar alíquotas específicas de ICMS para esse conjunto de bens, o que constitui outro fator de diferença entre as unidades da Federação. Da mesma forma, grandes centros tendem a ofertar cestas básicas mais baratas por conta do menor custo logístico.

 

Para saber o que esperar para os próximos meses, a CDL Porto Alegre sinaliza que o preço da cesta básica deve continuar estável nos próximos meses. “Isso devido a quatro fatores: (1) crescimento moderado da economia nos próximos trimestres e, consequentemente, da massa salarial da economia; (2) níveis estáveis de inflação; (3) a boa safra de grãos (mesmo que não repetindo o excelente resultado do ano passado) e (4) a normalização das redes de abastecimento pós-greve dos caminhoneiros”, analisa o economista-chefe da entidade, Oscar Frank.

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