COMPORTAMENTO: Imigrantes na seleção da França faz país repensar xenofobia’; por Ana Beatriz Rosa/Huffpostbrasil Seleção francesa é composta por imigrantes.. Foto: CHRISTOPHE SIMON via Getty Images

COMPORTAMENTO: Imigrantes na seleção da França faz país repensar xenofobia’; por Ana Beatriz Rosa/Huffpostbrasil

Talvez tenha sido em 1970 que a França começou a perceber uma mudança em jogo. Na Copa de 1978, na Argentina, um jovem nascido em Guadalupe foi o precursor do que viria a acontecer no futebol – e também na sociedade francesa.

Márius Tresor chamava atenção por sua agilidade e força, além de sua coragem em campo. O imigrante da colônia francesa escancarava para a sociedade local a sua habilidade. Em troca, ele conquistava não só o seu lugar na história do futebol frânces, mas também melhores condições de vida para a sua família.

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Depois dele, outros nomes vieram, como Jean Tigana, jogador de origem malinês.

Em 1998, N’Golo Kanté, aos 7 anos, catava lixo nas ruas de Paris para depois enviá-los para empresas de reciclagem. Com esse trabalho, ele ajudava no orçamento dos pais imigrantes do Mali. Hoje, duas décadas depois, ele integra a equipe que pode levar o Mundial.

Naquele mesmo ano, Benjamin Mendy crescia em um subúrbio da capital. Aos 7 ou 8 anos, ele não se reconhecia como Bejamin, mas como Zidane ou Ribéry. Foi essa imaginação que tornou possível que Mendy se tornasse um profissional no esporte.

Para o pesquisador Jamil Chade, a vitória da frança na Copa de 1998 só foi possível com a presença dos jogadores imigrantes. E essa vitória inspirou as futuras gerações.

Porém, o título no esporte não é suficiente para que os imigrantes superassem as contradições e os desafios de viver às margens da sociedade europeia.

“Quando esses jogadores conquistam importantes vitórias, são usados como exemplos de uma integração que funciona. Quando perdem, são questionados por sua lealdade questionável vis-a-vis o país que lhes acolheu”, comenta Chade.

O futebol passou a ganhar importância na França e o campo serviu como um espelho das mudanças culturais. De um lado, uma França xenófoba e racista. De outro, um país que sabia valorizar sua diversidade e, com isso, tornar-se uma potência.

A maioria branca e os defensores das raízes nacionalistas passaram a conviver – ou ao menos assistir – os franceses de pele escura que, mesmo incluídos, ainda são vistos como exceções. Leia a íntegra do texto de Aana Beatriz Rosa, no HuffpostBrasil.

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