Coração de Leão; por Cesar Cidade Dias*

Coração de Leão; por Cesar Cidade Dias*

O Sport Club Internacional foi fundado em 1909 pela força dos irmãos Poppe e, curiosamente, o nome de um deles levava uma expressão que se faria presente em muitas passagens na história colorada. Leão era o sobrenome adotado pelo mais entusiasmado dos três irmãos. Henrique Poppe Leão estava à frente nas primeiras reuniões que alimentaram o sonho de criação de um clube que conquistaria o mundo antes mesmo do seu centenário.

Voamos no tempo, chegamos ao ano de 1945, e o famoso rolo compressor de Nena, Tesourinha e Carlitos, encontrando a cidade de Porto Alegre com um pouco mais de 300 mil habitantes, e que vivia a recessão trazida pelos difíceis anos da 2a Guerra. A essa altura, no entanto, a sua população já via o futuro com otimismo. E foi neste cenário que Afonso Paulo Feijó, avô do nosso convidado, assumiu a presidência do Internacional, dando início a uma dinastia de dirigentes que elevou a bandeira colorada por gerações.

Foi no ano de 45 que, em 30 de setembro, o Internacional venceu o Grêmio, superando o rival no número de grenais, fato que se sustenta até os dias atuais.

Os anos foram passando, e o estádio dos Eucaliptos recebia cada vez mais torcedores, com grandes vitórias e com uma crescente rivalidade.

E era preciso crescer.

E assim se fez.

Em uma construção feita por pessoas que moveram toda a sociedade gaúcha, surgiu o Beira-Rio e a sua grandeza.

Neste período, outro nome já trabalhava com força nos bastidores do Internacional. Surgia Marcelo Feijó, tio do nosso convidado, e presidente do título mais improvável e impossível da história. O título brasileiro invicto de 1979 é uma bandeira fundamental que só os gigantes conseguem erguer.

Mas depois dos anos de ouro, os problemas voltaram. Os ciclos no futebol são certezas indissolúveis, e precisam ser encarados e combatidos. E só os homens com coração de Leão conseguem enfrentar essas contrariedades.

A crise financeira chegou forte ao Internacional, e o clube passou a viver um difícil momento. Os problemas de caixa, associados aos maus resultados dentro do campo, diminuíram o número de postulantes ao cargo máximo colorado. Era preciso, mais uma vez, de um homem com um coração de Leão.

E ele existia.

Gilberto Leão de Medeiros, pai do nosso convidado, assumiu a presidência do Internacional com uma frase que virou história:

“Eu estou aqui para pagar títulos. Não para ganhá-los”.

E o Inter renovou-se, recolocou-se nos trilhos e voltou a vencer. Reencontrou-se por meio da evolução política, do investimento em patrimônio e do respeito, encontrando a América e o mundo. Virou referência.

Mas as dificuldades ressurgiram, e o clube, de fato, encontrou o seu pior momento. E quis o destino que a esperanca renascece em um nome moldado durante toda a história.

Neto de Afonso Paulo, sobrinho de Marcelo e filho de Gilberto, foi em Marcelo Feijó de Medeiros que o Internacional buscou forças para se reconstruir.

E assim fez.

Eleito presidente para recolocar o Inter na primeira divisão. Marcelo colocou a camisa vermelha à frente de tudo, e com o mesmo coração de Leão dos seus antepassados refez a verdade e a história do clube do Menino Deus.

A recuperação da “glória do desporto nacional” foi a missão de Marcelo Feijó de Medeiros, e junto aos milhões de corações de apaixonados torcedores do Internacional, estavam em outra dimensão, três homens (Afonso, Marcelo e Gilberto) que, sentados à uma mesa, sorrindo, de vermelho, vibravam convictos de que as suas paixões deixaram um legado real e em forma de presidente.

67585455_10218906994324385_4922813745702371328_n*Cesar Cidade Dias, Radialista

** Cesar Cidade Dias escreveu esse texto para abertura de evento, mediado por ele, na Associação Comercial de Porto Alegre com o Presidente do S.C. Internacional, Marcelo Medeiros

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