Debate na Guaíba reúne nove candidatos a prefeito e prioriza segurança e educação. Mobilidade urbana, funcionalismo, saúde, cultura, infraestrutura, desenvolvimento e sustentabilidade também foram abordados ao longo de mais de três horas e meia Segurança e educação dominaram debate de candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. Foto: Daiana Camillo / Especial / CP

Debate na Guaíba reúne nove candidatos a prefeito e prioriza segurança e educação. Mobilidade urbana, funcionalismo, saúde, cultura, infraestrutura, desenvolvimento e sustentabilidade também foram abordados ao longo de mais de três horas e meia

Segurança, educação e mobilidade urbana foram os principais temas abordados no debate dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, realizado pela Rádio Guaíba na tarde desta terça-feira. Com mais de três horas e meia, o debate foi dividido em três blocos, além da primeira manifestação em que cada candidato teve dois minutos para se apresentar aos ouvintes. No primeiro e no segundo blocos, os candidatos debateram temas sorteados pela produção. No terceiro e último bloco, as perguntas foram com temas livres.

Estiveram no debate os nove candidatos a prefeito: Fábio Ostermann (PSL), João Carlos Rodrigues (PMN), Júlio Flores (PSTU), Luciana Genro (PSOL), Marcello Chiodo (PV), Maurício Dziedricki (PTB), Nelson Marchezan Junior (PSDB), Raul Pont (PT) e Sebastião Melo (PMDB). Além de segurança, educação e mobilidade urbana, foram abordados temas relacionados ao funcionalismo, saúde, cultura e projetos de infraestrutura, desenvolvimento e sustentabilidade.

Vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB) defendeu a gestão José Fortunati diante de ataques dos concorrentes. Uma das principais críticas à atual gestão se refere à demora para que as obras sejam finalizadas. Melo ressaltou que a Prefeitura aproveitou a Copa do Mundo para tirar do papel projetos que a cidade tinha a necessidade de realizar. “Tenho recebido como representante do governo muitas críticas sobre as obras da Copa. A oportunidade de buscar recursos foi aproveitada. Você vai no Beira-Rio e vê como a área foi valorizada. A saída da rodoviária também é um exemplo. Fazer obra em uma cidade viva não é fácil, mas podem ter certeza que todas essas obras ajudarão muito quando ficarem prontas. A cidade esperava por essas obras por 60 anos e nós tiramos elas do papel”, defendeu Melo.

A licitação do transporte pública, realizada no ano passado, foi outro ponto que gerou grande debate e críticas dos candidatos de oposição. Raul Pont (PT) criticou o fato de as empresas já estarem pedindo reajuste nos valores das passagens. “O transporte coletivo é um problema que o porto-alegrense vive diariamente. Saímos de uma licitação em que foi aumentado o valor das passagens, mas agora as empresas querem um novo reajuste. A inflação vem diminuindo e as empresas querem aumentar os valores A resposta da prefeitura com a EPTC é de que vai diminuir linhas e tabelas, prejudicando a população”, criticou.

Dentro do mesmo tema, Luciana Genro (PSol), defendeu o fortalecimento da Carris e a ampliação do transporte hidroviário. “O problema do transporte público em Porto Alegre é muito grave. Precisamos fazer uma auditoria na planilha de custos das empresas. Queremos também garantir que o dinheiro do Tri, pago antecipadamente, seja administrado pela Prefeitura e não pela ATP. Também queremos diversificar os modais de transporte em Porto Alegre. Já era para existir um catamarã da Ilha da Pintada, diminuindo para cinco minutos um percurso que atualmente leva 40. No meu governo o sistema hidroviário vai ser utilizado. Podemos ligar as zonas sul e norte e ainda as ilhas dessa forma”, projetou.

Nelson Marchezan Júnior (PMDB) defendeu a diminuição de gastos nas secretárias e com cargos de confiança (CCs). “Hoje temos 27 secretarias e 37 órgãos com status de secretaria. Se o prefeito for fazer uma reunião com todos os seus secretários, vai demorar 12 horas. Isso é impossível. Isso ocorre para acabar colocando a pressão de vários partidos que compõem a base para formar o tempo de TV de uma candidatura. Hoje temos mais de mil CCs. São R$ 150 milhões por ano. Pensamos em agir em interesse da sociedade, nas pessoas, e não na nossa próxima campanha para prefeito. Por essa razão os serviços públicos não são tão bem utilizados como desejamos”, avaliou.

No tema educação, Júlio Flores (PSTU) defendeu a ampliação das escolas de educação infantil no município. “Teremos de ampliar e muito as escolas de educação infantil para dar conta desse déficit. Mães e pais sofrem efetivamente com isso. Temos ainda que diminuir as escolas conveniadas que nada mais são que conceder a iniciativa privada e isso não serve para o governo. Temos de ter as escolas nas mãos da prefeitura e no controle dos trabalhadores. Precisamos, inclusive, de creches 24 horas que atendam crianças desassistidas. Temos que direcionar o nosso ensino para a população. Hoje, o ensino está a serviço de formar mão de obra barata, não qualificando os filhos dos trabalhadores. Esse projeto precisa ser construído e apoiado nos convênios que temos que aplicar na sociedade”.

O assunto segurança também foi amplamente debatido pelos candidatos. Maurício Dziedricki (PTB) ressaltou a necessidade de integração entre a Guarda Municipal e a Brigada Militar. “Fui secretário de obras e fizemos a substituição de toda a iluminação pulica. Conseguimos reduzir assim 70% dos crimes nas áreas que ficaram melhor iluminadas. A prefeitura pode investir mais com a criação do fundo municipal de segurança, uma integração com motoristas do Uber e de táxi. Temos de ampliar as parcerias com o governo do Estado, que deu as costas para a Porto Alegre. Queremos fazer com que a Guarda Municipal atue ao lado da Brigada Militar”, defendeu.

A infraestrutura de Porto Alegre gerou críticas do candidato Fábio Ostermann (PSL). “A infraestrutura de Porto Alegre vem sofrendo por anos e anos de má gestão. Temos de entender por que as obras em Porto Alegre demoram tanto tempo, porque as pavimentações são tão precárias, temos fios desencapados nas ruas. Por que a nossa infraestrutura é tão precária? Penso que é porque a prefeitura abrange muitas obrigações e não tem capacidade para executar essas políticas públicas para modernizar e adaptar as nossas vias ao fluxo de pedestres, carros e motos”, disse.

Uma aproximação da prefeitura com os servidores foi defendida pelo candidato João Carlos Rodrigues (PMN). “Dentro do meu projeto está trabalhar em parceria com o servidor público. É ele quem sabe como gira a máquina. O servidor vai nos auxiliar no governo que queremos implantar, que é técnico e qualificado. O técnico não é quem representa um partido político, é o concursado que está no serviço público e conhece. Temos de qualificar e investir no servidor público. Temos de ter o servidor engajado no processo de construção”, disse.

No mesmo assunto, Marcelo Chiodo (PV), defendeu a criação de mecanismos para que a sociedade possa avaliar a prestação de serviços públicos. “Trabalhei dentro do serviço público e todos que estavam comido trabalhavam muito. O secretário adjunto não pode ser um CC ou político. Tem que ser um funcionário de carreira porque ele fica com a memória da secretária. Segundo passo é a avaliação do funcionário, que hoje é a própria secretária. Quem deve avaliar é a população. Queremos inovar. Qualquer obra ou serviço da cidade deve ter um acompanhamento por aplicativo com avaliação, ali veremos o que houve naquela parte da gestão. Não adianta a secretária avaliar secretária”, completou. (Rádio Guaíba e Correio do Povo)

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