Luís Augusto Lara (d) aponta que R$ 85 bi foram concedidos em 16 anos /MICHAEL PAZ/DIVULGAÇÃO/JC

Delação de Delcídio cita favorecimento de Marco Maia em ‘pedágio’ na Câmara. Deputado nega, diz que tomará medidas cabíveis e que a delação deixa clara a intenção em desgastar o Partido do qual Maia faz parte

O deputado Marco Maia (PT-RS) foi citado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral e liberada pela Justiça nesta terça-feira, 15. No texto, Delcídio destaca haver um “pedágio” que foi cobrado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que se encerrou no final de 2014. Segundo Delcídio, “houve apresentação de requerimentos convocando muitos empresários que tinham preocupação com exposição pública, que em razão disso, em determinado momento, Léo Pinheiro, diretor de OAS, começou a coordenar uma espécie de força tarefa envolvendo diversos empresários no intuito de blindá-los em razão desses requerimentos”.

Delcídio afirmou ainda que este grupo liderado por Pinheiro, “se reunia normalmente nas segundas-feiras; que essas reuniões ocorriam na casa de alguns dos participantes; que sabe dizer que essas reuniões ocorreram na casa do ex-senador Gim Argelo”, que quem organizava tais encontros era Pinheiro.

Segundo o senador, “participavam dessas reuniões empresários e membros da CPMI; que o objeto dessas reuniões era negociar a derrubada ou a não votação de requerimentos que fossem sensíveis, ou seja, que fossem desfavoráveis aos empresários que compunham o grupo liderado por Pinheiro. Esse grupo era integrado por Julio Camargo (Camargo Corrêa), Ricardo Pessoa (UTC), José Antunes Sobrinho (Engevix) e outros empresários”.

Ainda de acordo com o senador, “nessas reuniões, os parlamentares pediam dinheiro para os empresários em troca da derrubada dos requerimentos; que conversou com Ricardo Pessoa (deputado) sobre esse tema e o mesmo narrou ao depoente esses fatos e se mostrou “revoltado” com o pedido de dinheiro; que não tem certeza, mas tem a impressão, pelo comportamento de Pessoa, que a propina chegou a ser paga”.

Delcídio disse que não compareceu a nenhuma dessas reuniões, uma vez que não era membro da CPMI. De acordo com ele, “pelas informações que teve, participaram da reunião os parlamentares Marcoa Maia (PT-RS), Fernando Francischini, Vital do Rego e Gim Argelo. Esses nomes foram mencionados por Julio Camargo e Ricardo Pessoa. Gim Argelo coordenava o grupo de parlamentares; Julio Camargo também se mostrou bastante “revoltado” com o pedido de dinheiro; a revolta de Julio também indica que ele cedeu e pagou o “pedágio”; os parlamentares diziam que precisavam de dinheiro para uma campanha; porém, os valores foram pagos em espécie”.

O deputado Marco Maia é bastante identificado na região Alto Uruguai do Rio Grande do Sul, tendo feito expressiva votação nas duas últimas campanhas para deputado federal.

O QUE DIZ O DEPUTADO MARCO MAIA

Na tarde desta terça, após conhecer a denúncia feita por Delcídio, o deputado se manifestou através de uma nota.

“A delação deixa clara a intenção em desgastar o Partido do qual faço parte. Não fui investigado no escândalo do Petróleo e, fui relator da CPMI da Petrobrás em 2014, pedindo ao final, o que foi aprovado pela comissão, indiciamento de 52 pessoas, entre elas , as citadas pelo delator. Ainda pedi ao CADE a abertura de investigação por prática de cartel de 20 empresas, todas elas investigadas na CPMI”, destaca Marco Maia.

“Não recebi nenhuma doação, durante a campanha eleitoral de 2014, de qualquer empresa que estivesse sendo investigada pela CPMI, conforme comprova minha prestação de contas à Justiça Federal. Tal situação só se justifica pela tentativa de vingança, já que fui o primeiro a pedir o indiciamento de Nestor Cerveró, reconhecido amigo do ora delator”, amplia o deputado através de nota enviada à redação do jornal Atmosfera.

“Por fim, após análise detalhada do fato, tomarei as medidas cabíveis na esfera jurídica para sanar prejuízos a minha imagem”, encerra Marco Maia. (Atmosferaonine.com.br)

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