Deputados e Senadores do PP desmentem presidente nacional e exigem reunião do Diretório para discutir saída do governo Dilma Para o deputado federal Jerônimo Goergen, anúncio de Ciro Nogueira, de que o PP segue no governo até votação do impeachment, não é válido, já que não houve deliberação partidária

Deputados e Senadores do PP desmentem presidente nacional e exigem reunião do Diretório para discutir saída do governo Dilma

Integrantes da bancada do PP na Câmara e no Senado rebateram as declarações do presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), de que o grupo pró-impeachment decidiu cancelar a reunião das duas bancadas, prevista para esta quarta-feira, por ter constatado insuficiência de votos para romper com o governo.

“Temos que deixar bem claro que o que nós estamos aguardando é a marcação de uma reunião do Diretório Nacional, de maneira extraordinária, porque conseguimos mais de um terço de assinaturas, conforme prevê o estatuto, para que ela seja convocada e decidir a permanência ou a saída do governo”, esclareceu o deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen.

O parlamentar lembrou que, quando o grupo anunciou a intenção de ingressar em juízo para pedir a data do encontro, Nogueira os chamou para uma conversa e definiu uma reunião com as duas bancadas para deliberar. “Nosso grupo posicionou claramente e formalmente que reunião de bancada não é o fórum competente para decidir uma posição partidária. Por isso nós pedimos o cancelamento da reunião para evitar que ela fosse usada, independente do quórum que tivesse, para manifestar o apoio ao governo e mantivemos nosso pedido da reunião do diretório”, acrescentou.

Jerônimo salienta, ainda que o anúncio feito pelo presidente nacional é inválido, uma vez que não houve deliberação partidária. Pelo menos 22 dos 52 deputados da bancada e quatro dos seis senadores progressistas assinaram o requerimento solicitando a reunião extraordinária do Diretório Nacional.

Pela manhã, Ciro Nogueira anunciou que o partido vai permanecer na base de apoio de Dilma, pelo menos, até a conclusão do processo de impeachment na Câmara. Sobre a reunião de hoje, ele alegou que um levantamento preliminar apontou que, “dos 57 votantes, mais de 40 queriam a permanecia do partido na base”. O senador disse, porém, que ainda não sabe se vai liberar a bancada para se posicionar como quiser na votação do impeachment, e acrescentou que essa decisão ainda precisa ser discutida.

Nogueira também negou que a decisão tenha sido tomada em troca de um espaço maior no governo que pode incluir até o Ministério da Saúde. Durante a tarde, o presidente do PP gaúcho, Celso Bernardi, e a senadora Ana Amélia Lemos emitiram notas também contestando as decisões do comando nacional. Confira abaixo:

Celso Bernardi – Presidente do PP-RS

Mais uma vez faltou bom senso ao presidente Ciro Nogueira. Ao contrário, agiu de maneira arbitrária ao se recusar convocar o diretório para deliberar a posição do partido. Quis transformar uma reunião da bancada federal em órgão deliberativo do conjunto da sigla. Para o presidente Ciro Nogueira, o coletivo partidário é menor do que a convivência interesseira com o governo federal, reduzindo nossa agremiação a interesses paroquiais.

Senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS)

Sobre as decisões anunciadas nesta quarta-feira pela presidência nacional do Partido Progressista, esclareço que mantenho meu posicionamento pelo afastamento do PP do governo liderado pelo PT, com a devolução imediata dos cargos. Essa foi a posição tomada por 24 parlamentares em documento entregue, recentemente, ao presidente da sigla, senador Ciro Nogueira.

Reafirmo meu posicionamento em defesa do impeachment da Presidente da República, Dilma Rousseff, em tramitação na Câmara dos Deputados. Defendo que essa seja a atitude adotada pelos parlamentares do PP.

Sobre as decisões do presidente do PP, entendo que o foro adequado para essa deliberação é a convenção nacional, com a presença dos membros do diretório, espalhados por todo o País, e que representam o anseio das bases.

Reitero meu posicionamento em defesa do impeachment e pela definição, como exige o estatuto partidário, de uma data para a convenção, visando uma decisão que represente a vontade da maioria. (Rádio Guaíba)

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