Dilma e Sartori, parem de bater minha carteira

Dilma e Sartori, parem de bater minha carteira

2015 começou com um pacote de aumento de impostos pelo Governo Dilma. Ok! Foi no início do ano, e a gente tem a tendência de esquecer com o tempo. Tivemos elevação de IOF nos financiamentos e dos juros para financiamento da casa própria, volta da Cide nos combustíveis e, claro, a falta de uma correção verdadeira na tabela do imposto de renda. Isso direto no bolso do cidadão. Outras medidas atingiram diretamente os setores produtivos com a elevação do custo do dinheiro e dificuldade de acesso ao crédito. No âmbito Estadual  a partir de janeiro/2016 teremos o aumento das alíquotas do ICMS, entre outras medidas.Ou seja, os governos gastam mal o dinheiro que arrecadam, não conseguem diminuir a níveis aceitáveis (se é que existe algum nível aceitável) a sonegação e seguem aumentando a carga tributária. Na minha opinião, isso leva a mais sonegação. A roda gira, e quando se imagina que ela vai atropelar os governos… Com agilidade – apesar do peso morto do Estado brasileiro – eles saem da frente e deixam que nós sejamos atropelados pela ineficiência estatal. Afinal de contas, quem paga a conta da irresponsabilidade deles somos nós com mais taxas e impostos.

Além disso, a taxa Selic esse ano resolveu pegar o elevador e ir em direção à cobertura do prédio do Banco Central. 14,25%, e a desculpa é combater à inflação. Na pindaíba em que está o País, o Banco Central decide que o bom é subir a Selic e fazer todo mundo frear investimentos na produção já que se ganha muito mais investindo no mercado financeiro. Além disso, de forma pouco inteligente, pois se paga mais com o aumento de gastos com juros para o governo.

Isso acaba de vez com a história do ajuste fiscal. O governo gastará  mais ou menos R$ 250 bilhões com o pagamento de juros em 2015. O cálculo dos especialista indica um ponto percentual de aumento da Selic significa R$ 10 bilhões/ano para os cofres do Tesouro Nacional. economiza de um lado para deixar escorrer pelo outro.

Eu não aguento mais ouvir os tucanos dizendo que os petistas são burros e quebraram o País e no “retruco” ouvir petistas dizendo que a herança foi maldita e o Brasil tava quebrado. “Felipe, mas isso é sério nós temos razão!” Sim! Todos têm razão! E quem paga a conta da briga de vocês e da falta de um planejamento de longo prazo? Nós, eu e você caro leitor.

Ontem, quem estava na Assembleia do Rio Grande do Sul ou na frente da TV viu que a troca de acusações entre oposição e governo foi ridícula. Ao ponto do deputado estadual governista Gabriel de Souza ser vaiado pela claque da oposição quando começou o seu discurso citando frases de ex-deputados petistas defendendo aumento de impostos no governo Olívio Dutra. Grande jogada! Brilhante! Mas, logo depois, a deputada Stela Farias, lembrou a ele que o padrinho político Eliseu Padilha faz parte do governo Dilma. Exceção do PSol e partidos que nunca assumiram uma cidade ou Estado representativo, todos já passaram por governos e em algum momento comandando ou fazendo parte de coligações aumentaram impostos. Alguém pode me dizer que em uma determinado lugar houve uma redução de alíquotas, é verdade. Mas, quanto isso significou na prática de mais dinheiro no bolso do contribuindo daquele espaço geográfico? Nada ou quase nada.

Uma análise simples das contas públicas gaúcha e brasileira em 31/12/2014 mostrava que grandes ajustes fiscais teriam que ser colocado em prática. Muitas do lado da receita e tantas outras do lado da despesa. O problema é que nós vemos muito mais ações querendo financiar o déficit com aumento da arrecadação via majoração dos impostos do que usando a tesouro de corte. Aí não fecha. A arrecadação aumenta e a despesa também. Não tem como!

Os governos Sartori e Dilma precisam se flagrar que  aumentos de impostos não são o único remédio a serem administrados ao paciente Estado que sofre de obesidade mórbida. Eles precisam se mexer e colocar os governos em movimento, diminuindo os custos do Rio Grande do Sul e do Brasil.  A reforma tributária de que ouço falar desde o fim do governo Sarney tem que sair do papel.  O sistema tributário é complexo e favorece a sonegação e a dispersão de dinheiro.

Qualquer candidato à Presidência da República tem em seu discurso que era moleza baixar a Selic e fazer o dinheiro ser aplicado na produção. Sentam na cadeira no Palácio do Planalto, e esquecem do que disseram. Não é possível com esses spreads e juros escorchantes pedir que os empresários façam girar a roda que movimenta suas empresas ou nós saiamos por aí consumindo irresponsavelmente como se não houvesse amanhã.

Os governos sabem que o caminho passa pela melhoria da infraestrutura com dinheiro privado sendo usado para alavancar as PPPs. Estradas, portos e aeroportos não podem ficar na mão dos governos. É mais barato e eficiente realizar um grande projeto de concessões públicas. Sim! Eu sei que o anúncio está feito. Mas, em se tratando de Brasil, prefiro esperar para ver a conclusão dos trabalhos e a passagem para a empreendedores desses negócios que na mão do estado custam bem mais caro que o pagamento de pedágios.

A política cambial do governo foi tão errada, que esse dólar acima de R$ 4,00 favorável ao setor produtivo exportador está assustando todo mundo. Já que tem muita gente com dívidas contraídas na moeda americana, e aí o bicho pega.

Não sou vidente, não tenho bola de cristal, exceto por algumas vezes que sonhei e vi o sonho se materializar… Estou tranquilo em dizer que não tenho pretensão de ser um futurólogo. Nem precisaria dizer tudo isso! Na real basta um pouco de poder de observação para notarmos que Sartori e Dilma não têm um planejamento. Eles estão acomodando as caixas conforme o balanço da esburacada estrada que decidiram trilhar. Crateras essas abertas por seus antecessores, mas, quando candidatos, eles passavam a convicção de que sabiam o que fazer. Se sabiam, façam!

O pior nessa história toda é deixar o caminhão parado à beira da estrada. Ele, que já não é novo, enferrujará, e cada vez será mais difícil movimentá-lo. Se o problema era de arranque, consertem a peça, ajustem o GPS e sigam em uma velocidade constante, não da mais para correr adoidado em alguns trechos e depois frear e ficar parado por um longo tempo em alguns casos inclusive tendo que dar uma ré, infelizmente sem conseguir visualizar no retrovisor o buraco que está logo ali atrás.

Sartori e Dilma, sabemos que não é fácil fazer a manutenção de jamantas do tamanho do Rio Grande do Sul e do Brasil, mas, por favor, coloquem esses monstrengos em andamento usando um mapa que mostra o ponto de saída e o de chegada com combustível suficiente para todo o trajeto. Não parem a cada quilômetro ou obstáculo para meter a mão no meu bolso e dizer que sem o pingo de combustível que eu represento vocês não chegarão ao seu destino. Não façam isso, porque cada vez que vocês batem a minha carteira, o meu caminho e o da minha família fica mais curto e sem opções. Eu não aguento ficar sentado à beira do caminho que como já cantaram Roberto & Erasmo, não tem mais fim que são os gastos de vocês e seus harmônicos irmãos dos poderes Judiciário e Legislativo.

Economia Negócios Notícias Poder Política