Direitos Humanos identifica Presídio Central como local de prática de tortura no regime militar Cerca de 90 presos políticos ficaram detidos no Presídio Central, conforme o Movimento de Justiça e Direitos Humanos do RS

Direitos Humanos identifica Presídio Central como local de prática de tortura no regime militar

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (MJDH) identificou, na tarde de hoje, mais um local utilizado pela Ditadura Militar para a prática de crimes de prisão e tortura em Porto Alegre. Dando continuidade ao Projeto Marcas da Memória, a entidade instalou a sétima placa que menciona os centros militares na calçada em frente ao Presídio Central, o primeiro prédio estadual incluído na lista. Até o fim do ano, mais três pontos serão identificados pelo Movimento, incluindo um setor do Daer, que era conhecido como Ilha do Presídio, na zona Sul, e a Penitenciária Feminina Madre Pelletier.

No Central, cerca de 90 presos políticos ficaram detidos durante o regime militar. Além disso, também foi registrada a morte do taxista e militante do Grupo M3G, Ângelo Cardoso da Silva. Dado como suicida, Silva foi encontrado pendurado por um lençol amarrado ao pescoço, em uma altura de 1,30m e com os pés no chão.

O Movimento estima que mais de mil pessoas tenham sido alvo do regime militar no Rio Grande do Sul. Conforme o presidente da entidade, Jair Krischke, a iniciativa visa relembrar a prática ditatorial para que não se repitam os erros do passado. “É muito importante, especialmente, que a juventude do Brasil saiba o que aconteceu neste País durante o período da Ditadura. Nesses últimos tempos, a gente escuta gente jovem pedindo a volta da Ditadura. Eles ignoram o que foi a Ditadura e não sabem absolutamente nada sobre as atrocidades que foram cometidas durante esse período. Essas marcações têm o proposito de contar essa história”, disse.

O governador do Estado, José Ivo Sartori, também apoiou o projeto ao destacar que a demarcação desses locais resgata momentos dramáticos da história. “Essa iniciativa promove uma reflexão sobre o assunto”, avaliou.

Sobre o projeto Marcas da Memória

O projeto Marcas da Memória prevê a identificação dos locais que abrigaram tortura durante a Ditadura Militar (1964-1985). A intenção é tornar públicos todos os espaços que foram centros de detenção e tortura, bem como incentivar atividades culturais que propiciem o conhecimento e a reconstrução da memória dessa época. Uma placa com descrição histórica é colocada na calçada de prédios ligados a esse período da vida política brasileira.

Locais que já haviam recebido placas

– Praça Raul Pilla, local do antigo Quartel da Polícia do Exército.

– Calçada em frente ao Colégio Paulo da Gama, local que serviu como Presídio Militar Especial.

– Calçada em frente ao Palácio da Polícia, onde presos políticos foram torturados durante o regime militar e no segundo andar, houve tortura e homicídios nas salas onde funcionaram o Departamento de Ordem Política e Social (Dops/RS).

– Rua Santo Antônio, 600, onde funcionou o chamado Dopinho, primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul.

– Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), onde foram detidos mais de 300 presos políticos durante o período da ditadura.

– Avenida Bento Gonçalves, em frente ao número 4.592, onde existiu um local da prática de tortura sob controle da Infantária do Exército. (Lucas Rivas/Rádio Guaíba)

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