Eleições 2016: apesar de impeachment, PT e PMDB estão coligados em 135 cidades gaúchas; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Eleições 2016: apesar de impeachment, PT e PMDB estão coligados em 135 cidades gaúchas; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Apesar da rivalidade nacional intensa entre PT e PMDB, desencadeada após o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, as duas legendas permanecem aliadas em disputas municipais, inclusive no Rio Grande do Sul. Os dois partidos se coligaram para a disputa de 135 prefeituras gaúchas, conforme levantamento feito pela reportagem da Rádio Guaíba, o que representa 27% do total.

O presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, fala que as coligações municipais com o PMDB decorrem de acordos anteriores ao processo de impeachment de Dilma. Apesar de o partido não ter ainda todos os dados sobre coligações levantados, Vanazzi projeta que as alianças com partidos de esquerda cresceram, enquanto aquelas com o PMDB diminuíram em comparação ao pleito de 2012.

“Ainda existem coligações (entre as duas legendas) porque teve algumas decisões nossas de acordos já assumidos (em eleições anteriores) e que nós honramos, como é o caso de Erechim e outras cidades. A nossa avaliação é que nós avançamos muito nas coligações do campo de esquerda, com PDT e PC do B, nos principais municípios do Estado, as nossas alianças se deram no campo de esquerda”, avaliou Vanazzi.

Em maio, o diretório nacional do PT já havia decidido não proibir, mas somente restringir, alianças com peemedebistas nas eleições. Naquela oportunidade, Vanazzi defendeu que o processo de distanciamento com o PMDB deve ocorrer de forma gradual. “Não dá para dar um cavalinho de pau”, resumiu, naquele momento.

O presidente estadual do PMDB, Ibsen Pinheiro, vê com naturalidade o grande número de coligações formadas com o PT. Isso se deve, segundo ele, ao fato de o partido ter uma ideologia moderada, aceitando alianças com partidos bastante diferentes entre si.

“A eleição é municipal e a realidade local tem preponderância. O PMDB, por ser um partido com um viés de equilíbrio no plano ideológico, é muito sujeito a aliança. No Rio Grande do Sul o enfrentamento (entre as legendas) é muito agudo. Mas isso não impede, não veta, às coligações locais. Graças a isso nós continuaremos a ser o maior partido do Estado”, avaliou Ibsen, lembrando que em alguns municípios a disputa segue sendo entre PMDB e PP, reproduzindo a dicotomia do período ditatorial entre MDB e Arena.

A reportagem da Rádio Guaíba analisou também os casos em que PT e PMDB não só compõem uma coligação, como também fazem a dobradinha de candidato a prefeito e vice. São 37 situações do tipo, sendo que em 26 o PMDB indicou o candidato a prefeito e em 11, o PT. (Colaborou Diego Oyarzabal/Rádio Guaíba)

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