Em Brasília, Bolsonaro abandona linguajar de candidato e adota estilo conciliador de político profissional; por Amanda Almeida/O Globo O presidente eleito Jair Bolsonaro ao lado do presidente do STF, Dias Toffoli, em sessão do Congresso Foto: Jorge William/Agência O Globo/06-11-2018

Em Brasília, Bolsonaro abandona linguajar de candidato e adota estilo conciliador de político profissional; por Amanda Almeida/O Globo

Eleito presidente, Jair Bolsonaro desembarcou em Brasília, na última terça-feira, convencido de que sua missão agora é desfazer a imagem do candidato agressivo, que entrou em conflito com integrantes dos Três Poderes durante a campanha. Trocou críticas ao presidente Michel Temer e ao Supremo Tribunal Federal (STF) por declarações de conciliação. Conselheiros dele dizem que, “político experimentado”, Bolsonaro sabe que precisará ser “pacificador”, em nome da governabilidade.

—  Ele está dando um recado para aqueles que falavam que ele seria um ditador, um tirano. Não. Ele está começando a transição de forma harmônica e democrática, com discurso conciliador. Isso é sabedoria política —  diz o cientista político Antônio Flávio Testa, integrante da equipe de transição de Bolsonaro.

A decisão de Bolsonaro de participar da solenidade em homenagem aos 30 anos da Constituição, no Congresso, como sua primeira agenda em Brasília foi “extremamente estratégica”, diz um parlamentar próximo ao presidente eleito. Segundo ele, Bolsonaro comentou que, depois de seu respeito à Constituição ser colocado em xeque pelos adversários durante a campanha, “fazia questão” de dar demonstração de reverência à Carta Magna.

A confirmação da presença dele surpreendeu a equipe do presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), que estava pensando em “algo menor” na organização do evento. Ao lado das autoridades, Bolsonaro, defensor da ditadura militar e de ditadores nos últimos anos, deu uma declaração enfática de que a Constituição é o “norte”, sendo elogiado pelos parlamentares presentes.

Com o presidente Michel Temer, Bolsonaro se reuniu na quarta-feira. O tom foi completamente diferente do que usou em maio do ano passado, já em pré-campanha. Em vídeo, perguntou:

– Que governo de porcaria é esse do Temer? Ainda fica com essa porcaria de reforma da Previdência, 65 anos. Não vai aprovar. Você, Temer, sua excelência, Temer, não vai aprovar a reforma da Previdência. Toma vergonha na cara. Assuma a pipoca desse governo. Assuma, pô. Corta a cabeça de quem está aí. (…) Seja homem.

Em entrevista depois do encontro com Temer, disse que “muita coisa (do atual governo) continuará” e agradeceu pela acolhida.

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