Farmácias Mais Econômica ingressa com pedido de recuperação judicial Em março de 2017, a Mais Econômica ingressou na Justiça com uma ação indenizatória contra a Brasil Pharma e o Banco BTG Pactual por abuso de poder de controle e gestão temerária, Foto: Alexandre Moreira/ Divulgação

Farmácias Mais Econômica ingressa com pedido de recuperação judicial

Como parte de uma nova fase de um amplo programa de reestruturação, a Farmácias Mais Econômica anunciou, nesta terça-feira (18), que ingressou com pedido de Recuperação Judicial na Comarca de Porto Alegre. A medida permitirá sanar a empresa, restabelecer a normalidade das operações, repor o estoque de produtos e preservar empregos.

A Mais Econômica tem 26 anos de existência e é a terceira maior rede do varejo farmacêutico gaúcho. Possui 140 lojas, sendo 100 lojas atualmente em operação, em 52 municípios, e mais de 850 funcionários. A rede tem foco em medicamentos genéricos, produtos de higiene e beleza produzidos por indústrias gaúchas, oferece o Programa Farmácia Popular em todas as suas lojas e tem a capacidade de empregar mais de 2.000 funcionários com carteira assinada.

A empresa enfrenta dificuldades financeiras decorrentes da gestão temerária e obrigações não contabilizadas por sua antiga controladora, a BR Pharma, holding farmacêutica do banco BTG Pactual. Tais problemas afetaram principalmente a tomada de financiamento pela Mais Econômica, provocando a interrupção no pagamento de fornecedores, com impacto no abastecimento das lojas e atraso de salários. No ano passado, a situação foi agravada pela recessão na economia brasileira, que reduziu drasticamente a oferta de crédito pelos bancos e o volume de vendas ao consumidor. O faturamento da rede em 2016 foi de R$ 296 milhões, abaixo dos R$ 466 milhões do ano anterior.

Salários – Com a recuperação judicial, os salários dos funcionários voltarão a ser pagos integralmente no dia quinto dia último do mês, e os valores em atraso serão pagos parceladamente nos próximos meses. Os funcionários que foram desligados anteriormente terão seus direitos quitados após aprovação do plano de recuperação em assembleia de credores, dentro do que prevê a legislação.

Renegociação das dívidas – A partir do pedido de recuperação judicial, fundamentado na Lei 11.101/2005, a empresa poderá desbloquear recursos próprios existentes, renegociar suas dívidas e buscar financiamento, ganhando fôlego para superar os problemas e voltar a crescer. Conforme a lei, após o deferimento do pedido pela Justiça, a Mais Econômica apresentará o plano de recuperação no prazo de até 60 dias. A prioridade é realizar o pagamento aos funcionários e retomar o abastecimento das lojas.

A origem da crise – A Mais Econômica foi adquirida em 10 de novembro de 2015 pelos sócios da VERTICapital, após um breve período de negociações com o Banco BTG Pactual. Na época da aquisição, a rede já apresentava sérios problemas de gestão e de caixa, com prejuízos acumulados em torno de R$ 300 milhões. Em 2015, registrou enormes perdas, decorrentes da gestão de seus ex-controladores, a Brasil Pharma e o Banco BTG Pactual. No começo de 2016, as primeiras demonstrações financeiras auditadas entregues à nova administração pela Brasil Pharma e pelo Banco BTG Pactual revelaram inúmeras inconsistências, dentre as quais dívidas não-declaradas, aluguéis de lojas não contabilizados e obrigações existentes não refletidas na contabilidade. Em função disso, a Mais Econômica foi obrigada a fazer um grande desembolso de recursos, que provocou um rombo no caixa da empresa. Essa foi a principal causa da recuperação judicial.

Em março de 2017, a Mais Econômica ingressou na Justiça com uma ação indenizatória contra a Brasil Pharma e o Banco BTG Pactual por abuso de poder de controle e gestão temerária, ‘com grave prejuízo à Mais Econômica e ao próprio mercado’. O valor envolvido na ação pode superar os R$ 100 milhões.

Mais Econômica pode gerar 1,3 mil empregos – Apesar dos problemas, os atuais controladores não têm dúvida sobre o potencial da rede, do seu time de vendas e do setor de saúde.

– Não somos investidores, somos empresários. Assumimos o desafio de tornar essa rede lucrativa e levar saúde a preços acessíveis para todo o Estado. Não viemos para fechar a empresa, mas para fazê-la crescer e aumentar o volume de negócios – afirma Cauê Cardoso, presidente e sócio da Mais Econômica.

Além da Recuperação Judicial, considerada uma medida protetiva, Cauê ressalta que direção e funcionários estão trabalhando fortemente em várias frentes para melhorar processos, reorganizar custos e buscar investimentos para recuperar a empresa e torná-la rentável:

Nossa prioridade é cuidar de quem fica e garantir o pleno funcionamento das lojas, com a segurança e a qualidade de atendimento que nossos clientes conhecem há 26 anos. Vamos sanEar os problemas e voltar a crescer.

Desde que assumiram, os novos gestores promoveram uma série de mudanças, entre as quais transferir o centro de decisões de São Paulo para o Rio Grande do Sul, contratar um time de gestores local, investir em treinamento de lideranças e da equipe de vendas, renegociar contratos para gerenciar custos, reposicionar a marca e manter o programa Farmácia Popular, do governo federal, em 100% das lojas.

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