Febravar 2016: Ricardo Cappra e o uso de dados como estratégia nos negócios

Febravar 2016: Ricardo Cappra e o uso de dados como estratégia nos negócios

“Entender uma forma diferente de como pode-se trabalhar com marketing e fazer negócios. Isso pode ser simples”. A declaração é do especialista em business analytics, Ricardo Cappra, que abriu a manhã de palestras no Congresso Brasileiro do Varejo, no Auditório Sicredi, com a conferência “Marketing Hacking: Hackeando o marketing através da ciência”. Cappra, que lidera um time de cientistas de dados pelo mundo, explica que os dados devem ser “torturados” até que eles confessem algo ao seu favor.

Atendendo marcas como Coca Cola, Google, Rede Globo, o cientista faz uma relação entre dados, ciência e poder. “Todos geramos dados de alguma forma. Mesmo que você não esteja usando a internet ou clicando no seu smartphone, você está gerando um número como a latitude e a longitude de uma companhia telefônica, por exemplo”, explicou, acrescentando que a partir do momento que você compartilhar alguma coisa em mídias sociais, o volume de dados que você está gerando aumenta de forma contínua. “Em 1970 a gente gerava dados que não estavam armazenados. Hoje tudo está relacionado a alguma plataforma, reproduzir dados não é linear. É exponencial”, destacou.

O palestrante trouxe ao público a questão do Big Data e a história por trás dos dados. “Eles têm três vertentes. Crescem com grande velocidade, em uma variedade de formatos que não temos como demonstrar (fotos, vídeos, textos, lives, conversas) e em um volume de informação inexplicável”, enumerou. Ele apresentou como funciona as conexões de informações. “Se você fala muito sobre algum assunto ele te perseguirá em todos os meios online. E isso não é estratégia de poucos, ao contrário, os dados estão acessíveis a todos”, pontuou, destacando que a mentalidade abriu e é possível utilizar esse recurso ao seu favor com poucas ferramentas.

Ainda, Cappra afirmou que hoje o agente de transformação é a informação. “O Instagram, por exemplo, foi comprado pelo grande armazenamento de dados que vinha com ele e não pela ferramenta em si”, revelou, levantando que a nova geração está com a mente aberta para isso se, em troca, eles receberem valor de volta. “É uma decodificação social. Se você tem dados, você tem ciência e, em consequência, tem poder”, disse.

O Facebook, utilizado como modelo, produz cerca de 60 milhões de dados que são atualizados diariamente e analisados sob o comportamento desses usuários. “Conseguimos notar que as pessoas que estão em relacionamento sério convivem menos entre amigos, em contrapartida, elas são mais felizes, mais positivas. É possível, inclusive, prever quando uma pessoa ficará solteira. O diferencial, nesse sentido, é como transformar o padrão desse comportamento em uma informação”, realçou.

Outro ponto levantado é a questão dos seis graus de separação, que era tido como certo a algum tempo atrás. Hoje, esse número diminuiu, estamos a 3.57 graus de separação de qualquer pessoas do mundo. “Por isso, a análise de comportamento ficou mais possível, já que estamos com distâncias menores entre todas as pessoas no mundo.” Ele brinca expondo gráficos que mostram que 15% dos brasileiros (9 bilhões de pessoas) riem online todos os dias. As formas “haha”, “hehe”, “emoticon rindo” e “lol” são as mais usadas, sendo que as mulheres utilizam o emoticon mais que os homens, esses que mais se expressam com o “haha”.

Trazendo o tema para o universo do varejo, Cappra alertou que é preciso olhar para o comportamento e não apenas para a marca. “Já era feito isso de forma intuitiva. O empresário achava que o consumidor gostava de tal coisa. Hoje não é mais centrado na percepção e, sim, faz-se a apropriação de modelos analíticos”, frisou, questionando: “quem sabe eu não começo a usar a informação ao meu favor”?

Por fim, Cappra discorreu sobre o que mudou após tudo isso. “Mudou a forma de pensar. Repito: olhe para o comportamento. O dado deve ser transformado em informação, sabedoria e conhecimento. Ter muitos dados não significa ter mais valor e nem mais poder é preciso transformá-los em informação”, finalizou, constatando que o futuro será cada vez mais analítico.

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