Governadores querem carência de 60% nas parcelas da dívida com a União; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba Governador Raimundo Colombo foi palestrante hoje na Federasul. Foto: Voltaire Ponto/Rádio Guaíba

Governadores querem carência de 60% nas parcelas da dívida com a União; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, do PSD, demonstrou otimismo em relação à retomada das negociações a respeito da dívida dos estados com a União junto à equipe econômica do governo interino. Ele disse apostar em uma carência de 60% no pagamento das parcelas por pelo menos um ano, mas não descartou uma insistência dos governadores reivindicando o dobro do período. “Eu não gostaria de antecipar proposta por ser um dos interlocutores, mas é quase um pré-requisito para os estados a carência de um ano. O governo federal sinaliza uma carência de 60% na parcela e também temos expectativa de ser no valor integral”, adiantou.

Colombo lembrou que Santa Catarina tomou R$ 4 bilhões em empréstimo com a União, pagou R$ 9 bilhões e deve outros R$ 13 bi. O governador do estado vizinho esteve na Capital gaúcha para participar de audiência com José Ivo Sartori e também para palestrar na Federasul. O entendimento do gestor catarinense é o mesmo do governo gaúcho em relação à proposta de renegociação apresentada na gestão de Dilma Rousseff. O consenso é de que é insuficiente prolongar o prazo de pagamento em 20 anos e oferecer carência de 40% nas parcelas por dois anos.

O Rio Grande do Sul, em 1998, renegociou a dívida da União no valor de R$ 9,4 bilhões e, de lá para cá, já pagou R$ 24,8 bi e deve ainda R$ 51,6 bilhões. Hoje, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, esteve reunido com a nova equipe econômica do governo federal para retomar as discussões.

Os estados também não descartaram apresentar a proposta de uma moratória para a União, sem pagar absolutamente nada por um período de dois anos. O saldo, nesse caso, pode ser quitado no resíduo final.

Colombo e Dilma

O governador de Santa Catarina respondeu as afirmações de que a presidente afastada, Dilma Rousseff, do PT, se mostrou chateada com ele, em função de um apoio ao impeachment. Dilma alertou que ele foi um dos governadores mais beneficiados pela gestão federal. Colombo reagiu garantindo que a amizade entre eles permanece. “Eu e a presidente continuamos sendo amigos. A questão era a evidência de a governabilidade estar comprometida. Com todo o respeito, o Brasil tinha que migrar para uma situação diferente e não se via mais nenhuma perspectiva. As relações são preservadas , embora tenhamos que cumprir o dever da gente e não existe ingratidão”, amenizou.

Colombo ainda salientou que a crise superlotou o atendimento em postos de saúde do estado vizinho, a partir do cancelamento da população nos planos de saúde privados. O quadro compromete o setor, de acordo com ele, e a mesma situação se repete na rede pública de ensino catarinense, que teve a demanda de matrículas aumentada com o abandono de alunos das escolas particulares.

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