Guedes diz que vai conversar com Bolsonaro sobre intervenção do governo na Petrobras.  O governo marcou uma série de reuniões para discutir a pressão dos caminhoneiros e os efeitos da intervenção na Petrobras e na economia. O governo marcou uma série de reuniões para discutir a pressão dos caminhoneiros e os efeitos da intervenção na Petrobras e na economia. Foto: EBC

Guedes diz que vai conversar com Bolsonaro sobre intervenção do governo na Petrobras. O governo marcou uma série de reuniões para discutir a pressão dos caminhoneiros e os efeitos da intervenção na Petrobras e na economia.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste sábado (13) que vai conversar com Jair Bolsonaro sobre a decisão do presidente de vetar o reajuste do diesel. O governo marcou uma série de reuniões para discutir a pressão dos caminhoneiros e os efeitos da intervenção na Petrobras e na economia.

Logo de manhã, a ministra da Agricultura foi ao Palácio da Alvorada. Tereza Cristina levou ao presidente Jair Bolsonaro a demanda de produtores rurais contra a tabela do frete. E tudo gira em torno do diesel, essencial no transporte rodoviário de cargas, pivô da ação do presidente, que barrou o aumento de 5,74%, anunciado pela Petrobras.

A estatal terminou a semana valendo R$ 32 bilhões a menos na bolsa de valores. Diante da reação negativa dos investidores, o governo se apressou em declarar a independência da política de preços da Petrobras.

“O Ministério de Minas e Energia reafirma seu compromisso de não intervenção no mercado, de defesa dos interesses do país nas questões energéticas e, também, dos consumidores quanto a preço, qualidade e oferta de combustíveis. Dessa forma, seguimos em diálogo com os envolvidos na busca pelas soluções mais adequadas”, diz a nota.

O desafio, agora, é convencer a todos de que a política definida vai ser praticada. O vice-presidente Hamilton Mourão tratou a interferência do governo como “fato isolado”.

O próprio presidente Jair Bolsonaro disse que não pretende dar “canetaços” na política de preços da Petrobras. Neste sábado (13), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o caso de agora foi episódico, havia necessidade de preservar o transporte de cargas e os caminhoneiros, para evitar que se repetisse o transtorno que parou o país no ano passado.

O ministro Lorenzoni, que aconselhou o presidente, afirmou que Bolsonaro tomou a atitude porque considerou indispensável. E que a Petrobras reavaliou o aumento e concluiu que havia margem para esperar alguns dias.

Numa encruzilhada entre respeitar a política de preços da Petrobras ou atender a pressão dos caminhoneiros, sem prejuízo da autonomia da empresa, o governo busca uma saída.

Duas reuniões estão agendadas. Na segunda-feira (15), os ministros do Planalto, de Minas e Energia, Infraestrutura, Agricultura e representantes da economia e da Petrobras vão discutir, na Casa Civil, a questão dos caminhoneiros. Na terça-feira (16), será uma reunião mais ampla, com o presidente Jair Bolsonaro. Vão tratar especificamente de combustíveis, Petrobras e economia.

Em Washington, onde participa de reuniões do FMI, o ministro da Economia admitiu que houve efeitos negativos do veto do presidente ao aumento do diesel.

“É evidente que aparentemente já houve um efeito ruim lá fora”, disse Paulo Guedes.

Ao correspondente Luís Fernando Silva Pinto, Paulo Guedes disse que o presidente deve ter se preocupado com “os efeitos políticos” do aumento.

“O presidente já disse para vocês que ele não é um especialista em economia. Então, é possível que alguma coisa tenha acontecido lá. Ele, ao mesmo tempo, é preocupado com efeitos políticos. Estavam falando em greve de caminhoneiros, esse tipo de coisa. Então, é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, afirmou o ministro.

JN: Mas o Brasil ceder, o governo ceder tão rapidamente a uma demanda, ou até a uma ameaça, isso joga que mensagem?
Guedes: Eu vou me informar e eu concordo com as suas preocupações. Ao mesmo tempo em que eu concordo com as suas preocupações e indagações, eu acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito a economia. Então, se ele eventualmente fizer alguma coisa que não seja muito razoável, eu tenho certeza que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo. (Jornal Nacional)

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