Idealizador do Conselhão, Tarso Genro sustenta que órgão consultivo só funcionará se Dilma ouvir entidades

 

Em entrevista ao programa Agora, da Rádio Guaíba, nesta quinta-feira, Tarso disse que já havia escrito um artigo sugerindo que a presidente Dilma Rousseff reativasse o Conselhão, tendo em vista que o órgão consultivo, formado por cerca de 90 representantes da sociedade civil, do empresariado e das centrais sindicais, não se reúne desde julho de 2014. Idealizador do projeto que reunia diversas representações da sociedade para discutir pautas e trazer ideias para os gestores públicos, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, afirmou que grandes projetos surgiram nos encontros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) – sugestão que foi trazida por Tarso para o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acabou sendo aplicada. Dilma anunciou, nesta semana, que reativaria os debates com as categorias, principalmente para tentar realinhar a economia. Hoje, no primeiro encontro em Brasília, será proposta a criação de grupos de trabalho para debater, entre outros temas, a reforma da previdência. De acordo com o ex-governador do Rio Grande do Sul, grandes projetos de políticas públicas nasceram no Conselhão, como ProUni e o próprio Minha Casa, Minha Vida.

“Ele funcionou. As grandes políticas que eu fui responsável, nos ministérios, nasceram no Conselhão, como as ideias do ProUni (Programa Universidade para Todos ), o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o plano habitacional que envolveu alguns bilhões de reiais de maneira a alcançar setores da população que não tinham recurso para ter casa própria, também saiu do Conselhão – e tem uma grande ativação da construção civil aqui do estado. Claro que sai de lá a ideia e depois ela é formatada tecnicamente pelos ministérios correspondentes sob coordenação do presidente”, explicou Tarso Genro.

Tarso também afirmou que projetos como o refinanciamento da agricultura familiar, para o Rio Grande do Sul, também nasceu no Conselhão do estado. Porém, o ex-governador petista alertou que os chefes dos Executivos precisam ouvir as entidades, porque, senão, corre-se o risco do sistema democrático não funcionar.

“Tudo depende se o presidente, se a chefia do Executivo, realmente escuta e processa essas decisões, transformando em decisões de governo. Até escrevi um artigo, há dois anos, que a presidente Dilma deveria recuperar o Conselhão, porque é nítida a dificuldade que o governo tem de ter um diálogo social e organizado. Não adianta escutar as pessoas e entidades de forma fragmentada. É necessário que tenha um foro público, aberto, para que as entidades, os especialistas, as pessoas, a Academia, coloquem suas ideias e elas sejam contrastadas com outras ideias e com a opinião pública, senão tudo vira lobby, influência, tudo viraria relações subterrâneas. Então, a grande utilidade do Conselhão é a democratização da formação do governo para acompanhamento da opinião pública pode ter disso”, disse o ex-governador.

Tarso concluiu afirmando que há necessidade de se ter paciência pelo fato das discussões demorarem mas serem muito importantes para construção de bons projetos. O órgão, no âmbito federal, vai contar com 47 empresários e 45 representantes da sociedade civil e das centrais sindicais. O encontro de hoje, em Brasília, acontece às 14h. (Vitória Famer / Rádio Guaíba – Foto: Bruna Cabrera / Especial / CP)

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