“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon.  Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT” O ex-senador Pedro Simon. Foto: Agência Senado

“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon. Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT”

O ex-senador e governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon (PMDB), afirmou nessa terça-feira (08), em entrevista exclusiva à Rádio Guaíba, que considera fraco o argumento que está colocado no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-governador peemedebista lembra que as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), argumento central do pedido de impeachment, ainda não foram nem mesmo apreciadas pelo Congresso Nacional. Segundo Simon, o processo de impedimento de Dilma deveria ser aberto após a conclusão das investigações da Operação Lava Jato que, de alguma forma, poderiam implicar a presidente da República.

“O impeachment baseado apenas na rejeição das contas pelo Tribunal é meio fraco. O importante eram as contas da Lava Jato. No final poderia, e acho que atingiria, a presidente da República. A decisão do Tribunal de Contas da União (ainda) vai à votação pelo Congresso, que aceita a decisão ou rejeita. Então está se pedindo um impeachment sobre uma decisão que o Congresso vai decidir se é ou não é”, disse Simon.

O peemedebista ainda minimizou o fato do governo ter gastado mais do que poderia em 2014. Esta é uma das constatações do TCU que fundamenta o pedido de impeachment. Segundo Simon, irresponsabilidade fiscal é prática corriqueira na gestão pública.

“Até porque esse negócio de exagero de gastos existe desde que eu me conheço por gente. O grave que está acontecendo é a Operação Lava-Jato. Muitas coisas estão se repetindo, aumentando, aumentando. A conclusão dessa questão é que a gente vai decidir se a presidenta é isenta, não é culpada, ou se ela, que foi quatro anos a ministra de Minas e Energia tendo a Petrobras debaixo de seu comando, quatro anos chefe da Casa Civil sendo presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e cinco anos presidente da República, qual é a responsabilidade dela nos eventuais escândalos. Em cima disso deveria ser a discussão sobre ter ou não ter impeachment”, detalhou o ex-governador.

Apesar de apresentar restrições aos argumentos colocados no atual processo de impeachment, Simon considera ridícula a tese de golpe levantada pelo PT. Segundo Simon, dizer que se trata de um golpe é uma estratégia de comunicação do Partido dos Trabalhadores.

“Com todo respeito, isso é ridículo! A discussão é absolutamente democrática, está aberta. Esse negócio de golpe é um golpe publicitário do PT. O PT quer levar à radicalização. ‘Não, eu não concordo, é o novo 64′. Absolutamente não dá para dizer isso. O PT está forçando a barra. Pode discordar do impeachment. Eu mesmo acho que não é… Eu concordo com o presidente do partido (PMDB no RS), Ibsen Pinheiro, que não era a maneira de fazer… Daí a dizer que é golpe é malandragem do PT”, argumentou.

O ex-governador Tarso Genro (PT) comentou, em sua conta pessoal no Twitter, a afirmação do peemedebista. “Simon, discutir ‘impeachment’ é, sim, da democracia. Malandragem, porém, é usá-lo como chantagem para obstruir processo na Comissão de ética”, disse Tarso, fazendo referência à tese de que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, aceitou o pedido de impeachment de Dilma como forma de atrasar o processo ético que pesa contra si.

Simon ainda defende que não é possível comparar o processo de impeachment contra Fernando Collor com este que tramita contra Dilma. Segundo ele, no caso de Collor, a CPI identificou relações diretas do presidente com um esquema de corrupção.

“Eu fui o homem que coordenou aquela CPI do Collor, foi feita no meu gabinete. A CPI foi toda em cima do Pedro Collor (irmão do então presidente). Agora, no decorrer foi crescendo, crescendo e apareceu o nome do presidente. Veja a diferença: pedimos uma CPI, apareceram os fatos e, baseado nesses fatos, nós pedimos o impeachment. Aqui não. Para ser igual ao Collor, eles deveriam continuar as denúncias da Lava-Jato, chegar à conclusão, e não tenho nenhuma dúvida que chegando à conclusão tem muitos motivos para pedir o impeachment da Dilma”, finalizou o peedebista, que tem em sua trajetória política quatro mandatos no Senado, último deles encerrado no início de 2015. (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

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