Janaína Paschoal diz que Temer não tem condições de permanecer na presidência Jurista espera que presidente tenha "grandeza de renunciar" após revelações da JBS. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Janaína Paschoal diz que Temer não tem condições de permanecer na presidência

A coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a jurista e professora do Departamento de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Janaína Paschoal, apontou que é insustentável a permanência de Michel Temer na presidência. Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta quinta-feira, ela comentou sobre a repercussão da notícia divulgada nessa quarta-feira sobre o conteúdo da gravação em que Temer aprova compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

“É muito triste constatar que, no curso das investigações da Lava Jato, fatos como os divulgados ontem tenham ocorrido. É inimaginável”, disse. “Eu acho que o ministro Edson Fachin tem que agir o mais rápido possível e esclarecer para nação o que está acontecendo. Eu imagino que o ministro esteja confirmando tudo o que está aparecendo. Em relação ao presidente, ele tem que tirar este sigilo para que a população tenha noção da amplitude do problema”, acrescentou. “Eu, como cidadã, gostaria que o presidente tenha grandeza de renunciar. Independentemente das consequências legais, ele não tem condições de continuar no cargo se tudo isso se confirmar”, acrescentou.

Segundo Janaína, as revelações divulgadas na delação do dono da JBS trarão uma fila de pedidos de impeachment ao presidente Michel Temer. “Tem que esperar as coisas aparecerem. Em relação ao Temer, vai ter uma fila pedindo impeachment. Vamos aguardar o áudio, a manifestação do presidente, pois ele tem que explicar para nação o que um empresário que está na investigação da Lava Jato foi fazer no Palácio do Jaburu”, declarou.

Conforme a jurista, não há chances para uma eleição direta neste ano e que isso agravaria a crise política no Brasil. “Quem seriam os candidatos? Está todo mundo sendo investigado. Uma eleição direta agora é chance pra uma crise ainda maior. A Lava Jato ainda está andando e muito mais gente vai cair”, disse. (Rádio Guaíba e Correio do Povo)

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