Jornalista e cineasta independente estão entre os presos durante ocupação da Sefaz, em Porto Alegre. Jornal Já acionou advogada de sindicato para pedir a soltura dos comunicadores Matheus Chaparini. Foto: Reprodução Facebook

Jornalista e cineasta independente estão entre os presos durante ocupação da Sefaz, em Porto Alegre. Jornal Já acionou advogada de sindicato para pedir a soltura dos comunicadores

Os dez adultos detidos durante a ocupação de estudantes à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), no Centro da Capital, na manhã desta quarta-feira, já fizeram exame de corpo de delito. São três mulheres e sete homens acusados de associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio público, esbulho possessório, prejudicar o trabalho coletivo, resistência e corrupção de menores. O somatório das acusações torna a prisão inafiançável.

Em conta no Twitter, o Jornal Já confirmou a prisão de Matheus Chaparini, jornalista que fazia a cobertura do manifesto. Segundo a delegada Andrea Nicotti, da 3ª Delegacia de Pronto Atendimento da Capital, nenhum dos presos quis identificar a profissão. A policial sustenta que, por essa razão, não pode confirmar se há jornalistas entre eles. Os presos, em tese, devem ser encaminhados ao Presídio Central e as mulheres à Penitenciária Feminina Madre Pelletier.

Pela janela da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Matheus informou que somente ele e um cineasta independente, identificado como Kevin Darc, estão entre os detidos pela manhã. A informação foi divulgada via Twitter pelo Jornal Já, que acionou a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sinjor-RS). A advogada Anna Marimon, que representa a entidade sindical, está na 3ª DPPA a fim de pedir a soltura dos comunicadores.

Apreensão de menores

Ainda permanecem no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) cerca de 45 estudantes menores de idade, que também participaram da manifestação. A maioria vai ser encaminhada ao Departamento Médico Legal (DML) a fim de ser submetida a exame de corpo de delito. Isso porque, sob protesto de municipários e professores (que se uniram à manifestação), a Brigada Militar retirou o grupo à força, perto do meio-dia, de dentro do prédio da Fazenda. Apoiadores tentaram ingressar no prédio para se somar à ocupação, mas foram contidos pela BM, que usou bombas de efeito moral.

O Deca já adiantou que os menores só vão ser liberados com a presença de pais e familiares. Uma das preocupações dos manifestantes é a de que alguns alunos residem em regiões distantes da cidade e não conseguem estabelecer contato com parentes. A delegada de plantão do Deca ainda não revelou em quais crimes os menores serão enquadrados em função do protesto.

O que disse a BM

“Buscamos todas as formas para que saíssem pacificamente. O Estado tem o poder e dever de agir sem nenhuma necessidade de solicitar reintegração de posse. Utilizamos a força necessária para fazer a condução”, disse o tenente-coronel Mario Ikeda, comandante do Policiamento da Capital.

Entenda o protesto

O grupo que ingressou pela manhã na Sefaz é formado por estudantes contrários ao acordo para desocupação de escolas firmado ontem entre o governo do Estado e outro grupo de estudantes. Enquanto o acordo firmado ontem prevê que o PL 44 tenha votação adiada para 2017, os manifestantes que ocuparam a Sefaz hoje pedem o arquivamento do projeto por parte do Piratini. O Projeto de Lei 44/2016, enviado à Assembleia pelo Piratini, é criticado por alunos e professores pela possibilidade de ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública.

*Com informações dos repórteres Ananda Muller, Voltaire Porto, Lucas Rivas e Camila Diesel da Rádio Guaíba

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