Lembranças, sons e delírios de Ayrton dos Anjos. Está pronta a biografia feita por Márcio Pinheiro e Roger Lerina da vida e obra do Patineti

Lembranças, sons e delírios de Ayrton dos Anjos. Está pronta a biografia feita por Márcio Pinheiro e Roger Lerina da vida e obra do Patineti

A Plus Editora, lança nos próximos dias, a biografia do “Patineti”, o mais conhecido produtor fonográfico do Rio Grande do Sul.  Escrita por dois dos mais talentosos jornalistas da área cultural, Márcio Pinheiro e Roger Lerina:  Ayrton Patineti dos Anjos, Lembranças, sons e delírios de um produtor musical; está pronta.  Responsável pelo lançamento de centenas de artistas e discos… Patineti, fez do seu trabalho uma forma de preservar e divulgar a música gaúcha e brasileira.

São mais de 400 gravações de nomes como Borghetinho, Jaime Caetano Braun, Os Serranos, Telmo de Lima Freitas, Luis Carlos Borges, César Passarinho, Mano Lima, Gilberto Monteiro, Os Angüeras, Os Araganos, Os Teatinos, Mário Bárbara, Berenice Azambuja, Os Mirins, Os Bertussi, Os Três Xirús, José Cláudio Machado, Elton Saldanha, Pirisca Grecco e muitos outros.

É autor, também, de vários projetos e festivais que ajudaram a projetar a música feita no rio Grande do Sul para o Brasil e o exterior.

Sobre o trabalho, Márcio Pinheiro escreveu em seu perfil do Facebook:

Tá quase tudo pronto para o lançamento das memórias desmemoriadas, da biografia inenarrável e das loucuras do mais louco dos produtores musicais. Sai nos próximos dias o livro escrito pelo Roger Lerina e por mim para a Plus Editora, com Roque JacobyCristiano Bastos mal lançou seu Jupiter e já voltou à Terra para embarcar nas viagens de Ayrton Patineti Dos Anjos e comandar a divulgação.
Aí vai a apresentação que escrevi:

Lembranças, sons e delírios de Ayrton dos Anjos, o Patineti
(sacaram o LSD do subtítulo?)

41675810_10212701290187146_1441198966485024768_nEstas são as memórias de um homem sem memória. Tudo aqui é difuso (às vezes confuso), pouco exato, sem minúcias e com detalhes pouco esclarecidos – embora tudo seja verdade. É tudo resultado da cabeça de Ayrton dos Anjos, figura múltipla que ataca em várias frentes – da venda de discos à divulgação de artistas, da produção de shows musicais à apresentação de programas radiofônicos, de júris de festivais ao comando de estúdios de gravação.

Numa carreira de quase seis décadas, Patineti (assim mesmo, com a grafia errada, como foi batizado pela amiga Elis Regina e que será explicado nas páginas seguintes deste livro) passou por quase todas. Teve amores, alegrias, sucessos, descobertas, viagens, porres, festas, delírios em escalas inimagináveis ao menino nascido em Porto Alegre no começo dos anos 40.

Aventuras tantas que suplantaram um leque semelhante de decepções, tristezas, lutos, perdas e prejuízos. No balanço final, Patineti tem a comemorar – quanto mais não seja pelo fato de estar perto de completar 77 anos e continua a fazer planos. E ainda que não se lembre de muitos detalhes, ele tem a certeza de que seu passado foi rico, alegre e – talvez mais do que tudo – original. Certa vez, um amigo perguntou se Patineti havia ganho muito dinheiro nesses anos todos.

“Ah, eu não posso me queixar, mas eu gastei tudo. Graças a Deus. Ganhei para sobreviver. Nunca me faltou para beber, para comer, para viajar… Mas me diverti e trabalhei muito, montei quatro gravadoras próprias (selos): Nova Trilha, Solo Livre, Nova Ideia e Mídia Brasil, além da Discoteca para o Nilo Sehn, da qual fui sócio. Todos os lançamentos foram sucessos, criados para atender as emoções do ‘Eu gravo!'”, reflete num dos raros momentos de serenidade.

Patineti sempre foi naturalmente acelerado sem necessitar de aditivos. Na adolescência, provou de tudo, principalmente o que tinha álcool: cuba-libre, rum, gin, uísque, vodca… Depois, gostava de beber cerveja e, às vezes de uísque, nesse caso dependendo mais das parcerias. Vindo de uma geração hippie, ele confessa que pouco fumou maconha na vida. Já cocaína, outra droga muito presente no universo musical, Patineti diz que usou apenas uma vez e que, obviamente, não gostou. Nas madrugadas que varava fazendo gravações e produções, Patineti preferia aditivos mais prosaicos: café com leite e sanduíche de presunto ao amanhecer. E hoje, só coca-cola.

Patineti é também difícil de decifrar. É um caso raro de alguém falho não apenas na memória pessoal – o que pode ocorrer a qualquer um, principalmente com o passar dos anos – mas também na memória coletiva, aquela marcada por fatos históricos – suicídio de Getúlio Vargas, conquista das Copas do Mundo de 1958 e 1962, Campanha da Legalidade, assassinato de John Kennedy, Golpe de 64, morte de Elis Regina (que para ele teria um duplo impacto) 11 de Setembro… – que aproximam as pessoas da mesma geração e permitem a criação de balizas. Patineti despreza isso. Em suas lembranças não há espaço para relatos paralelos nem preocupação com o que está ao seu redor. Patineti vai levando.

Patineti é ainda um homem de vazios, de buracos, de espaços. Sempre traz pregado na camisa um botton todo em branco. Seu relógio é apenas a armação e a pulseira. Não há máquina, nem visor tampouco ponteiros. E sua casa é decorada com quadros que trazem apenas molduras.O fundo acaba sendo sempre o mesmo: a parede.

Como dois arqueólogos, eu, Márcio Pinheiro, e Roger Lerina, meu colega de empreitada nessa reconstrução do mito Patineti, partimos do mínimo para buscar o máximo – do pequeno osso isolado que iria nos permitir montar o imenso dinossauro. Dos relatos fornecidos por Patineti tentamos completar este quebra-cabeça que mistura pessoas, fatos, lugares e épocas. Foi exaustivo porém gratificante. Para uma pessoa múltipla demos um tratamento múltiplo. Nossos textos vão nessa linha errante tentando passar ao leitor a narrativa caótica tão típica do nosso personagem. Fiquei encarregado da primeira parte, lembrando a família, a infância, os primeiros passos, os auditórios, os estúdios e por aí afora – com especial destaque para o surgimento e a proximidade com Elis Regina, tão importante na vida de Patineti.

Cronologicamente, acompanho Patineti até a segunda metade dos anos 60. A partir daí, o piloto dessa patinete atômica é Roger Lerina, que narra os indizíveis anos 70, Califórnias, festivais, festas, Renato Borghetti, gravadoras e muito mais.

Agora, aperte os cintos e embarque nos delírios de Patineti.

 

(Felipe Vieira com informações de Márcio Pinheiro e FNM)

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