LOBO, dias 17 e 18, no Theatro São Pedro. Para o festival, além de contar com performers que já atuam na peça, também terá artistas selecionados em residência realizada em Porto Alegre. Espetáculo de São Paulo busca a materialização do simbólico, numa sequência de imagens não-lineares em uma dramaturgia inovadora como numa belíssima pintura em movimento. Foto: Mayra Azzi

LOBO, dias 17 e 18, no Theatro São Pedro. Para o festival, além de contar com performers que já atuam na peça, também terá artistas selecionados em residência realizada em Porto Alegre.

LOBO é um estudo sobre a imaginação. É um fluxo inesgotável de paixão. Em LOBO Carolina Bianchi está em cena acompanhada por 15 performers, todos do sexo masculino, que formam um coro em existência extrema numa sequência desenfreada de ações: correm, despencam no chão, transam com o espaço, transam entre si, falam poemas de Emily Dickinson na tentativa de salvação da própria vida sob a mira de uma arma, personificam a paixão e o horror da própria criadora de monstros. Carolina tenta a todo momento desconfigurar e exaltar os arrebatamentos da imaginação. Espetáculo de São Paulo, além de contar com performers que já atuam na peça, também terá artistas selecionados em residência realizada em Porto Alegre. As apresentações ocorrem nos dias 17 e 18 de setembro, às 21h, no Theatro São PedroLink de venda.

A autora mira a própria obra de dentro, se deixa possuir por meio do desejo pelos próprios monstros que criou: Uma Mary Shelley apaixonada pelo Frankenstein do seu livro, farejando os rastros que sua obra vai imprimindo no espaço: suor, sangue, saliva. Tentar desconfigurar os papéis sexuais dentro da própria obra, abraçar clichês, destruir, se perder.

De quatro anos pra cá Carolina embarcou em uma jornada sem volta. Iniciou uma série de estudos práticos e teóricos acerca da força do erotismo e seus problemas mais misteriosos. Como objetivo averiguar no próprio corpo e também nos corpos dos coletivos de performers que trabalharam com ela, as possibilidades da energia sexual enquanto propulsora de uma presença extrema na cena e claro, no mundo.

A proximidade entre morte e erotismo, e das terríveis tentantivas de explicar/ dissecar essas sensações a partir das palavras, implicam uma espécie de sacrifício da linguagem, e como abordamos a performatividade, esse sacrifício também é do corpo. E portanto, começou e seguiu o chamado \”estudos para um corpo extremo\”,um corpo que tenta ao máximo se conectar com \”seu erotismo\”- esse aspecto imediato da experiência, que inevitavelmente vem almalgamado à uma força de morte. E por consequência, o horror, a mística e às transgressões.

Se no ato sexual o corpo e a existência estão completamente no tempo/ espaço. Como é possível incorporar essa sensação enquanto performer? É possível ter uma relação erótica com outros tipos de matérias que não a humana? O que essa potência sexual, esse tremor vulcânico de um corpo apaixonado pode gerar enquanto matéria prima para criação de uma obra? Como articular a imaginação, a escrita com essas práticas? Lobo, o mais recente trabalho de Carolina, é mais uma tentativa de ir no talo dessa busca que parece sem fim.

 

Ficha técnica:

Concepção, Direção e Dramaturgia: Carolina Bianchi / Performers : Antonio Miano, Carolina Bianchi, José Artur Campos, Kelner Macêdo, Maico Silveira, Rafael Limongelli e participantes da residência  / Assistência de Direção: Debora Rebecchi, Joana Ferraz e Marina Matheus / Produção: AnaCris Medina e Lu Mugayar / Sonoplastia: Joana Flor / Desenho de luz: Alessandra Domingues / Operação de luz: Lui Seixas / Pesquisa de Trilha Sonora: Carolina Bianchi / Fotos: Mayra Azzi / Vídeos: Fernanda Vinhas / Efeitos: Gustavo Saulle / Objetos de Cena: Tomás Decina, Rafael Limongelli e Nelson Feitosa / Figurino: Antonio Vanfill e Carolina Bianchi / Distribuição e Produção internacional: Metropolitana Gestão Cultural – Carla Estefan / Direção de produção: Jasmim Produção Cultural

 

Duração: 110 min.

Recomendação etária: 18 anos

 

Serviço:

Lobo
Dias 17 e 18 de setembro

Terça e quarta, às 21h

Theatro São Pedro

 

Ingressos:

Plateia e Camarote Central R$ 80 (inteira) / R$ 40 (meia-entrada)

Camarote Lateral R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia-entrada)

Galeria R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia-entrada)

 

Link de venda.

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