Lula: “economia a gente resolve amanhã, mas evitar o golpe é hoje” Lula em evento de sindicalistas pela defesa da democracia e dos direitos sociais na Casa de Portugal. Foto: Roberto Parizotti/ CUT

Lula: “economia a gente resolve amanhã, mas evitar o golpe é hoje”

Em discurso de mais de uma hora a sindicalistas de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que pretende ajudar a presidente Dilma Rousseff mesmo sem ser ministro. Ele também disse que a questão econômica vai ser resolvida, mas que é preciso lutar o mais rápido possível contra o que chamou de golpe contra o governo. “É golpe. Não tem outra palavra. Esse país não pode aceitar o golpe. A economia a gente resolve amanhã, mas evitar o golpe é hoje”. “Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse país com a decência que o povo merece”, disse o ex-presidente em evento organizado pelas centrais sindicais na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo. O evento, segundo as entidades, foi convocado para defender “a democracia e o Estado de Direito” e contra o processo de impeachment da presidente. Sobre o convite para integrar o governo Dilma, Lula disse que foi chamado pela primeira vez em agosto do ano passado, mas recusou. Com o agravamento da crise, Dilma insistiu e ele resolveu aceitar. Na semana passada, o ex-presidente tomou posse na Casa Civil, mas a nomeação foi suspensa por decisões liminares e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. O governo tenta reverter a decisão no tribunal.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe camisa amarela contra o golpe -cor usada pelo movimento Fora Dilma - em evento organizado por centrais sindicais em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
 Lula recebe camisa amarela contra o golpe -cor usada pelo movimento Fora Dilma – em evento com centrais sindicais em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Segundo Lula, a missão dele na Casa Civil vai ser “conversar, ouvir as pessoas”. Segundo ele, a crise que o país enfrenta hoje vai ser resolvida com a ajuda do povo. “Este país é tão extraordinário, com povo tão extraordinário que quem pode ajudar a resolver a crise desse país é o povo.”

Lula disse que o Brasil vive o período mais longo de democracia contínua e comparou a crise política atual a momentos da história como o golpe contra o governo de Getúlio Vargas e as tentativas de impedir a candidatura de Juscelino Kubitscheck. O ex-presidente defendeu Dilma e disse que não há razões que justifiquem o impeachment da presidente. “Não existe nenhuma razão para o impeachment. Se juntarem 800 juristas verão que não há nenhuma razão, nenhum fato”. Para Lula, as pessoas estão sendo condenadas “pelas manchetes de jornais antes de serem julgadas”.Dirigindo-se aos opositores do governo, o ex-presidente disse que “eles têm que aprender que ganhamos essa eleição pelo voto democrático”. “Se eles quiserem ir para a presidência, que esperem 2018. Eu esperei. Não queiram fazer o golpe na Dilma que não vamos facilitar”, disse. Com a voz bastante rouca e falha, Lula foi bastante aplaudido e teve o discurso interrompido diversas vezes por gritos de “Não vai ter golpe” da plateia. O petista criticou a operação Lava Jato e disse que a investigação provoca prejuízos financeiros ao país. Lula também alfinetou movimentos contrários ao governo que, em geral, saem às ruas usando camisas verde e amarela. Para ele, isso parece “torcida organizada”. “As pessoas acham que quem usa camisa verde e amarela é mais brasileiro. Tem muita gente que acha é mais brasileiro que nós ou que o dólar está alto. Se eles não podem viajar para Miami, que viajem para Garanhuns [em Pernambuco]”, brincou. (Agência Brasil)

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