Meia-entrada:  Vem aí o teste do ingresso a UM REAL no RS. E ainda: grandes empresas se reúnem quarta-feira no Rio de Janeiro para acabar com a casa da Mãe Joana

Meia-entrada: Vem aí o teste do ingresso a UM REAL no RS. E ainda: grandes empresas se reúnem quarta-feira no Rio de Janeiro para acabar com a casa da Mãe Joana

O que aconteceu nesta sexta-feira em Porto Alegre, com muita gente sem direito a meia-entrada tentando assistir o show de Caetano & Gil, no Auditório Vianna, repete uma situação nacional. A falta de uma legislação federal regulamentada para o setor provoca grandes distorções.

Um dos maiores produtores de evento do país ressalta que, mesmo dentro do Brasil, não há como comparar valores do mesmo espetáculo. Um show montado no eixo Rio-São Paulo tem um custo. Quando sai para fazer turnê, tem que se agregar toda a questão da logística: transporte, hotel, alimentação, segurança, produção local… e ainda isenções.

Para comparar, em São Paulo no máximo 40% dos ingressos tem direito a 50% de desconto. No rico Rio Grande do Sul, onde a folha do funcionalismo é paga parcelada… toda a plateia tem. Sim! Se estudantes e idosos quiserem lotar um evento na capital gaúcha, terão direito a pagar metade do preço de um cidadão como eu e você caro leitor. Não há limite! Aqui, um Teatro, Cinema, Auditório é obrigado a vender 100% dos ingressos para estudantes e idosos com desconto.

O que faz o empresário para proteger seu investimento? Aumenta o preço para todo mundo. Como já ensinou Milton Friedman: “Não há almoço grátis.”  Por isso, ontem, alguns malandros (certamente muitos deles falam mal dos políticos corruptos e acabam imitando eles em uma hora como essa) tentaram aplicar o golpe da carteirinha. Pensando que são “mais inteligentes”, usaram filhos, pais, avós… para comprar ingressos com desconto.

A organização do evento cobrou o documento, com o apoio no local do Procon. Para assistir ao show, muita gente teve que voltar para a bilheteria e pagar a diferença. Como malandro é o que não falta… Para não atrasar o início do espetáculo, houve um afrouxamento da fiscalização e alguns conseguiram passar. Torço para que nos próximos espetáculos sejam eles os parados nas “blitze das carteirinhas.”

Quem trabalha há muito tempo no setor me garante que ninguém gosta disso. Principalmente os empresários. O preço alto assusta e afasta o público. Uma ideia que está sendo testada em Natal/RN deve ser aplicada no Rio Grande do Sul em breve. Para quem não tem nenhum tipo de benefício, uma cota dos ingressos está sendo vendida a R$ 1,00. Funciona da seguinte forma: a pessoa compra o primeiro ingresso pelo preço cheio e no segundo ticket paga apenas um real. Na prática, ela está, como estudantes e idosos, tendo 50% de desconto.

“Queremos mostrar com isso que o preço está mais alto do que poderia ser, mas a lei faz com que ele fique mais alto e prejudique apenas alguns.” Da forma como a lei é hoje, são criadas distorções que impedem classes C,D e E de verem os grandes espetáculos. Pessoas com mais de 60 anos de renda baixa não conseguem acessar cinema, teatro ou shows mesmo com os descontos. Enquanto isso, os mais ricos se esbaldam. Mesmo caso para estudantes com dinheiro versus alunos de baixa renda. “A diferença dói no bolso do público que não tem carteirinha. Eles acabam pagando a conta do outro.”

Na próxima quarta-feira, no Rio de Janeiro, os principais empreendedores do “show-business” brasileiro se reúnem para decidir o que fazer. A ideia é que o setor pressione o Congresso para que vote uma legislação nacional para a questão da meia-entrada(há várias propostas em Brasília) e que aprovada uma lei, ela seja regulamentada rapidamente e depois sancionada pela presidenta Dilma. “Não temos como conviver sem uma regulamentação. Em cada Estado tem uma lei diferente e muitos municípios tem a sua própria. É a casa da Mãe Joana! Temos que acabar com isso.” Diz um dos empresários que participará do encontro. Ele me garante que nenhum empresário é contra a meia-entrada, mas se os políticos querem seguir fazendo proselitismo com o chapéu alheio, tem que haver contrapartida.

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