Meia entrada:  Não é justo que o negócio seja “a rodo” com ricos que podem pagar se beneficiando do esquema e a conta sobrando para os “sem carteirinha”

Meia entrada: Não é justo que o negócio seja “a rodo” com ricos que podem pagar se beneficiando do esquema e a conta sobrando para os “sem carteirinha”

Os principais produtores culturais brasileiros estiveram reunidos nesta quarta-feira no Rio de Janeiro. Eles tomaram conhecimento da Adin(Ação Direta de Inconstitucionalidade) que está pronta esperando um consenso do grupo para ingressar no STF(Supremo Tribunal Federal) contra a Lei da Meia Entrada. Segundo o advogado Marco Campos, que trabalha na causa, os produtores decidiram esperar até a metade do mês para que o governo regule a legislação. Segundo o advogado, o modelo atual não pode ser mantido porque é inconstitucional: “Na prática representa um confisco.”

Atualmente, não há um limite para a distribuição dos ingressos de meia entrada. Todos os estudantes, idosos e outras pessoas que tenham direito ao benefício podem retirar o seu ingresso com desconto. O objetivo é que a lei seja regulamentada, prevendo o limite de 40% dos tíquetes para este público. Campos aponta que o modelo atual impede um cálculo da renda, o que faz muitas vezes dobrar o preço dos ingressos.

Saiba mais sobre o que pensam Dilma e os produtores culturais

Na conversa que tive com o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, que trabalha no assunto em conjunto com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ele me garantiu que o governo quer achar uma solução que contemple o equilíbrio financeiro do negócio que emprega milhares de pessoas e os beneficiados pela chamada Cota Social. “Não se pode inviabilizar um setor importante que emprega milhares de pessoas em diferentes ramos.” O governo estima que 30 milhões de pessoas possam ser beneficiadas com a regulamentação. O governo não tem data para finalizar a regulamentação da lei que já aprovada. Pelo que sei, Rossetto deve se encontrar com representantes dos empresários para obter mais informações sobre os prejuízos causados a eles com a possibilidade de que um show (e não estamos falando só dos grandes artistas) tenha 100% do público pagando meia entrada. Ao fim e ao cabo quem paga essa conta criada pelos vereadores, deputados estaduais, federais e senadores somos nós que queremos ir a um show, cinema ou teatro e pagamos mais caro o ingresso. Lembrando que tem muito estudante, idoso, portadores de necessidades especiais que tem muita grana e se beneficiam do esquema. Os caras fazem proselitismo com o nosso dinheiro como se não houvesse amanhã. Aí depois a gente não sabe porque o País tá quebrado. O Brasil tem mais direitos que deveres. A conta não fecha e sobra para um grupo da sociedade pagar mais caro, para financiar inclusive abonados. Já citei várias vezes, mas sempre é bom lembrar Milton Friedman: “Não existe almoço grátis.”

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