MPF critica denúncia do MP gaúcho contra jornalista e mais nove após ocupação da Fazenda; por Samantha Klein/Rádio Guaíba Para procurador, que elogiou a decisão do MP estadual de arquivar denúncia contra os adolescentes, não cabe criminalizar o restante do grupo. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já

MPF critica denúncia do MP gaúcho contra jornalista e mais nove após ocupação da Fazenda; por Samantha Klein/Rádio Guaíba

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) criticou hoje a denúncia do Ministério Público do RS contra um jornalista e outras nove pessoas presas em meio à ocupação da Secretaria da Fazenda, em 15 de junho, no Centro de Porto Alegre. O órgão se manifestou contrário ao que chama de criminalização dos movimentos sociais. Segundo o procurador Fabiano de Moraes, não houve crime por parte dos manifestantes. Ele pondera que, mesmo que alguns equipamentos tenham sido quebrados, o crime teve menor potencial ofensivo, tanto que, contra os menores, o MP arquivou a denúncia.

Moraes entende que, em relação aos adultos denunciados, cabia o mesmo entendimento. “Na minha visão, o arquivamento em relação aos menores foi totalmente correto e há o entendimento de que os adultos também realizaram as mesmas ações dos adolescentes. Aliás, muitos desses maiores têm 18, 19 anos. Essa ocupação não é caso de criminalização”, sustenta. Na prática, a crítica não modifica em nada a representação do Ministério Público, encaminhada ao Judiciário.

O Ministério Público Estadual denunciou hoje o jornalista Matheus Chaparini, do jornal Já, e mais nove pessoas pelos crimes de desobediência e dano qualificado. Chaparini, junto com o cinegrafista Kevin D’arc, foram detidos pela Brigada Militar enquanto cobriam a ocupação realizada por estudantes no prédio da Secretaria da Fazenda.

O advogado do jornalista, Marcelo Bidone, estima que o promotor não tenha tido acesso a vídeos comprovando que Chaparini fazia a cobertura do evento para o jornal. “O promotor tem todas as provas e imagens colhidas durante a realização do inquérito policial. Além disso, há várias testemunhas que podem provar que ele estava trabalhando”, declarou.

O promotor Luís Felipe Tesheiner, da 9ª Vara Criminal de Porto Alegre, sustenta que os denunciados destruíram portas, móveis e um bebedouro, além de um para-brisa de viatura. Ele salientou, em representação, que tanto o jornalista quanto o cinegrafista gritaram “ocupar e resistir” e empurraram os seguranças.

Em comunicados, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul lamentaram a decisão do MP Estadual.

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