“O Brasil está submetido ao teste de estresse, mas vamos superar”.  Declaração do ministro Armando Monteiro no lançamento do Premio Exportação RS é uma aposta de melhora do cenário das exportações para 2016 Renato Malcon, Armando Monteiro, José Paulo Cairolli e Sergio Maia. Foto: Fabiano Panizzi/ADVB

“O Brasil está submetido ao teste de estresse, mas vamos superar”. Declaração do ministro Armando Monteiro no lançamento do Premio Exportação RS é uma aposta de melhora do cenário das exportações para 2016

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Salão lotado para ouvir o ministro Armando Monteiro. Foto: Fabiano Panizzi/ADVB

Custos sistêmicos, sistema tributário disfuncional e o desequilíbrio macroeconômico seguem como gargalos para quem quer produzir e exportar. Ao cenário, já conhecido pelas indústrias brasileiras, foi acrescentado um novo componente: a crise política. “Vivemos momentos difíceis. O Brasil está submetido ao teste de estresse, mas não tenho dúvidas ao dizer que o país vai encontrar respostas e superar tudo isso. Mesmo apontado mazelas, como a corrupção, este processo de crise revelou a solidez e o alto grau de autonomia das instituições. Em que outro país emergente isso aconteceria?”, questionou Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na palestra de lançamento do 44º Prêmio Exportação RS. No evento realizado pela ADVB/RS nesta terça-feira (5) no Sheraton Porto Alegre Hotel, também foi anunciado o nome de Alexandre Grendene como a Personalidade Competitividade Internacional.

Ao citar que o projeto de ajuste da economia não se completou, o ministro informou que o realinhamento cambial, considerado fundamental na economia, pesou na receita das vendas externas. Mas ainda é preciso fazer o dever de casa, segundo ele. Pontos como reforma estrutural para quebrar a vinculação rígida dos gastos públicos (hoje, 91% das despesas obrigatórias são folha de pagamento e financiamento da Previdência), por exemplo. “A economia se contrai e os gastos continuam a se expandir”, relatou na palestra Estratégias e Instrumentos para o Desenvolvimento das Exportações Brasileiras.

40 BRASIS – No plano das exportações, Monteiro reafirmou que não se opta pelo comércio internacional somente quando é conveniente. Bem ao contrário, a aposta de contratar demandas externas deve ser permanente. “Hoje, há um PIB de 40 Brasis fora de nossas fronteiras. E devemos buscar estes mercados”, disse ele, incitando a plateia, formada pelo vice-governador do RS, José Paulo Dornelles Cairoli, presidente de federações e associações, presidentes e executivos das maiores empresas do Rio Grande do Sul. O ministro também destacou três ações trabalhadas com o mercado externo, entre elas a construção de um padrão de convergência regulatório com os Estados Unidos, que beneficiará diversos setores, como da cerâmica; o direcionamento do olhar para os países da Aliança do Pacífico e o fechamento de acordos na área de serviços e para desgravação tarifária. Por falar em acordo, ainda em abril deve ser iniciado as trocas comerciais entre Mercosul e União Europeia, processo que se arrasta há mais de 20 anos.

O presidente da ADVB/RS, Sergio Maia, relembrou a importância da premiação, que se mantém ativa por 44 anos, mas também fez referência a batalha cotidiana para as empresas crescerem e conquistarem a inserção no mercado global. “Mesmo sendo a 7ª maior economia, com 3% do PIB mundial, ainda estamos no 25º lugar em termos de exportações, com apenas 1,2% do total. Do gap a ser preenchido, as exportações representam atualmente 11,5% da economia brasileira, uma grande distância da média global de 29,8%. Dentro do universo mensurado pelo Banco Mundial exportamos proporcionalmente mais apenas que economias como Afeganistão, Burundi, Sudão, República Centro Africana e Kiribati”, afirmou.

Para o presidente da ADVB/RS, em um mundo global, apenas poderemos ser grandes, se nos virarmos para fora, viabilizando modelos de negócio com escala e eficiência suficientes para competir. Segundo ele, o governo não deve atrapalhar, mas negociar acordos e tratados que eliminem entraves por parte de outros governos, e alocar um pouco do dinheiro que as empresas e os contribuintes pagam em impostos para reduzir os custos de transação.  “Países não são mais bandeiras, são plataformas onde empresas desenvolvem seus negócios a escala global, o chamado mundo plano”.

TALENTO – Anfitrião do evento de lançamento, o empresário e presidente do Conselho Prêmio Exportação RS, Renato Malcon, enfatizou que a ousadia e o talento dos empreendedores merecem esforços governamentais de respaldo estratégico e material em vários campos da responsabilidade pública. “Nestas quatro décadas de prêmio, atravessamos crises e desencontros, mas nossos empresários souberam vencer os desafios do comércio com outros países e, com impressionante obstinação, abriram fronteiras, rasgaram horizontes e deram exemplo de como se deve expandir mercados.”  O  governador Cairoli também reforçou a inteligência do Rio Grande do Sul,  que deveria ser restituído por algum imposto por exportar tantos talentos.   Segundo ele, o mundo vê o Estado com um grande parceiro comercial. O 44º Prêmio Exportação, promovido por 19 instituições que representam o comércio exterior brasileiro, será realizado em 21 de junho, no Bourbon Country, em Porto Alegre.

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