O deputado antes folclórico e o petista ‘meio tucano’: veja as trajetórias de cada candidato; por Pedro Dória e Sérgio Roxo/O Globo Bolsonaro e Haddad disputam a eleição mais acirrada de toda a história da democracia.

O deputado antes folclórico e o petista ‘meio tucano’: veja as trajetórias de cada candidato; por Pedro Dória e Sérgio Roxo/O Globo

A eleição presidencial de 2018, marcada por alta polarização, chega neste domngo ao seu dia decisivo com Jair Bolsonaro (PSL) à frente de Fernando Haddad (PT) nas pesquisas. A diferença, que chegou a ser de 18 pontos percentuais, caiu para oito, segundo o Ibope, e para 10, de acordo com o Datafolha. Pedro Doria reconstitui a trajetória de Bolsonaro, de deputado do baixo clero a presidenciável favorito, e mostra como uma confluência de ondas, que inclui a crise política e econômica e a emergência de um forte conservadorismo popular, alavancou o candidato que demonstrou mais intimidade com as redes sociais. Sérgio Roxo narra a dificuldade de Haddad para imprimir sua marca. O ex-prefeito não conseguiu construir a frente democrática. Na última semana, adotou tom mais agressivo e angariou apoios.


Jair Bolsonaro

por Pedro Dória

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência – Márcia Foletto / Agência O Globo

Num curto período de sete minutos, a partir de 21h22m do dia 15 de setembro, em 2010, o vereador Carlos Bolsonaro publicou uma série de sete fotos no blog Família Bolsonaro. Luiz Inácio Lula da Silva ainda era presidente, gozava de imensa popularidade. Carlos não tinha como saber, mas aquele gesto — a publicação daquelas imagens dele e dos dois irmãos mais velhos ainda meninos, às vezes com o pai, às vezes sem, feita num site Blogspot genérico, o mais simples dos sistemas de blog — era o primeiro passo para levar sua família a passos do Palácio do Planalto. A decisão final só ocorre neste domingo, quando os brasileiros forem às urnas. Mas esta já é uma eleição histórica. Uma eleição surpreendente na qual todas as regras mudaram.

Não é, porém, só a intimidade com a internet que alavancou a candidatura do capitão reformado Jair Bolsonaro, transformando-o em favorito. Houve uma confluência de ondas, uma tempestade perfeita. Envolve a crise social e econômica nascida da transformação digital do mundo. Uma reação conservadora, igualmente mundial, aos avanços nos direitos liberais das últimas décadas. E há também cores brasileiras. A diminuição da desigualdade e simultânea popularização de smartphones. A crise do modelo de gestão política do Brasil, disparada pelas manifestações de 2013 e reforçada com a Lava-Jato.

Fernando Haddad

por Sérgio Roxo

Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT – Márcia Foletto / Agência O Globo

Em fevereiro, um mês e meio antes de começar a cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar no ato de aniversário de 38 anos do PT, em São Paulo, recorreu à retórica habitual e se queixou de críticas, classificadas por ele como “campanha de ódio” contra o partido. Contou ainda que, ao indicar Fernando Haddad para disputar a prefeitura da capital em 2012, imaginou que ele, por sua formação acadêmica e “cara de paulista”, estaria imune ao antipetismo.

— É um pouquinho confundido com tucano — resumiu o líder petista, sobre o seu afilhado político.

Neste segundo turno da disputa presidencial, o PT se valeu daquele mesmo raciocínio elaborado por Lula. Acreditou que as características do rival, Jair Bolsonaro, e o perfil de Haddad, que sempre foi tratado com certa estranheza pelo partido, abririam um caminho quase natural para a formação de uma ampla frente democrática que aproximaria a candidatura do centro no espectro político do país.

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