Porto Alegre: Mark Lilla e Luiz Felipe Pondé encerram hoje a temporada do Fronteiras do Pensamento Mark Lilla e Luiz Felipe Pondé

Porto Alegre: Mark Lilla e Luiz Felipe Pondé encerram hoje a temporada do Fronteiras do Pensamento

O cientista político e historiador norte-americano Mark Lilla e o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé participam de um debate especial na conferência de encerramento do Fronteiras do Pensamento 2018. Eles subirão ao palco do Salão de Atos da UFRGS nesta segunda-feira, 19, a partir das 19h45min. A mediação será do filósofo, editor Eduardo Wolf. Neste ano, com o tema O mundo em desacordo, o ciclo de conferências convida a refletir sobre como as guerras culturais marcam a migração dos temas éticos para o centro do debate público. O sentido e os limites da arte, a natureza do casamento e da família, o papel da mulher e do homem na sociedade passam a ser matéria de acirrado debate político, partidário e governamental, não mais se restringindo à esfera dos indivíduos ou da sociedade civil.  As conferências contaram com Fernanda Torres, Vik Muniz, Leïla Slimani, Catherine Millet, José Eduardo Agualusa e Siddhartha Mukherjee, Ai Weiwei, Javier Cercas e Alejandro Zambra.

Lilla é especialista em história intelectual, com foco particular no pensamento político e religioso do Ocidente e irá falar sobre o tema Identidade e Solidariedade. Completou sua formação nas universidades Wayne State e de Michigan, e fez seu mestrado na Kennedy School of Government na Universidade de Harvard. Sua trajetória acadêmica e a aproximação dos pensadores conservadores o tornaram reconhecido como um “historiador de ideias”. Orientado na dissertação pelo cientista social Daniel Bell, foi indicado, em 1980, para atuar como editor da The Public Interest, publicação reconhecida por suas críticas aos programas sociais. Quatro anos depois, tendo perdido a identificação com a linha editorial, deixou a revista para fazer seu doutorado em Harvard. Lecionou nas universidades de Nova York e de Chicago, e passou, em 2007, a lecionar Humanidades na Universidade de Columbia. Colabora, regularmente, para o New York Review of Books e o New York Times.

É autor de A mente imprudente – Os intelectuais na atividade política, que traz um perfil de pensadores que fecharam os olhos ao autoritarismo, à brutalidade e ao terrorismo de Estado; e A mente naufragada – Sobre o espírito reacionário, que apresenta o reacionário não como um conservador, mas como uma figura tão radical e moderna quanto o revolucionário. Também escreveu The stillborn God, livro sobre política e religião no Ocidente moderno, não publicado em português. “Se você fala na ironia da história, não é que a história deu errado, mas que ela deu certo e deu errado, que os seres humanos têm ambições e fracassam, e a ironia é a capacidade de lidar com esses dois extremos. E é a perda da ironia, nesse sentido, que é capaz de deixar as pessoas suscetíveis tanto a esperanças revolucionárias irrealistas como ao desespero nostálgico irrealista”, disse Lilla.

Mark Lilla causou polêmica, em 2016, ao assinar um artigo defendendo que a vitória de Donald Trump foi baseada na fixação democrata pela questão da diversidade, pois o partido tornara-se um mero porta-voz dos grupos minoritários que não conversam entre si. Nesse cenário, publicou, em 2017, O progressista de ontem e o de amanhã, obra lançada no Brasil em 2018, que aborda a transformação da sociedade norte-americana nas últimas décadas.

O tema da palestra do brasileiro Pondé será Ciência Política Cética. Um dos mais polêmicos pensadores do país, é colunista do jornal Folha de S.Paulo desde 2008. Graduado em Filosofia pela USP, é mestre em História da Filosofia Contemporânea pela mesma universidade e doutor em Filosofia Moderna pela USP/Universidade de Paris, além de possuir pós-doutorado pela Universidade de Tel Aviv.

Atua como professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC-SP e como professor titular da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado. É autor de diversos livros, entre eles O homem insuficiente, Guia politicamente incorreto da filosofia, A era do ressentimento e Filosofia para corajosos.

Em 2017, publicou Marketing existencial, analisando por que a produção de bens da época atual se confundiu com os anseios existenciais dos indivíduos e deixou de atender à mera satisfação das necessidades básicas. Seu livro mais recente é Amor para corajosos: reflexões proibidas para menores, que tem o amor romântico, chamado pelos medievais de “doença da alma”, como foco principal.

“Na faculdade de filosofia, onde busquei refazer minha vida profissional, fui especialmente marcado pelos gregos: ceticismo e tragédia. A ruína do conhecimento e a ruína da liberdade diante de um destino esmagador – as moiras – estão no fundo de tudo que eu penso. Não se pode fugir daquilo que se é: cada vez mais percebo que sou um trágico”, define Pondé. Cético com a ideia de que o mundo esteja mudando, mesmo com a inovação e os aparatos tecnológicos, ele defende que os jovens devem continuar discutindo os textos clássicos, como William Shakespeare e Santo Agostinho.

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