Porto Alegre: O dinheiro acabou, diz secretário Busatto Leonardo Busatto foi o palestrante da reunião-almoço realizada pela Associação Comercial de Porto Alegre. Fotos: Árfio Mazzei/ACPA

Porto Alegre: O dinheiro acabou, diz secretário Busatto

A previsão atual é de faltar dinheiro no caixa da prefeitura de Porto Alegre a partir de maio, inclusive para o pagamento do funcionalismo. “A situação que a cidade vive é resultado de ações anteriores que não podemos mudar, muito menos repetir.  Medidas economicamente sustentáveis serão adotadas para garantir que as despesas caibam nas receitas, pois falta de recursos não é desculpa para não fazer. Nossa expectativa é superar a crise até o final de 2018. A situação exige, da prefeitura e de todos, um novo senso de responsabilidade coletiva”, afirmou o secretário Municipal da Fazenda, Leonardo Busatto. Ele foi o palestrante da reunião-almoço Menu Porto Alegre, realizada nesta terça-feira, 9/5, no Salão Nobre da Associação Comercial de Porto Alegre.

MZI_5150Segundo ele, a forma de enfrentar a crise e superá-la é com transparência. “Nos últimos anos, assistimos a despesa crescer sem o acompanhamento da receita na mesma proporção. Entre 2011 e 2016, o crescimento médio das despesas do Tesouro municipal foi de 9,5% e da Receita, 6,9%.”  Além disso, a despesa com pessoal cresceu mesmo na crise. Enquanto a receita corrente líquida diminuiu 4,70%, entre 2014 e 2016, a despesa com pessoal aumentou 1,46%. E a previsão para 2017 é de crescimento de 12%, enquanto a receita menos de 7%. Busatto revelou que o combate à sonegação já acontece. Porto Alegre é a segunda entre as capitais do Brasil em relação a cobrança de ISS, a nona de IPTU e a primeira em ITBI. Além disso, dois terços dos devedores estão sendo cobrados na Justiça. “Em 2016, a cobrança da dívida ativa em Porto Alegre foi de R$ 159,8 milhões, que representa 8,% do total, o melhor desempenho entre as capitais.”

A prefeitura tem uma dívida herdada da administração passada de R$ 507 milhões. Um dos projetos encaminhados à Câmara de Vereadores parcela os pagamentos a partir de 2018. Já os precatórios somam R$ 357,7 milhões. A maior dívida judicializada é no valor de R$ 237,7 milhões referente a desapropriação do Morro do Osso. Uma ação mal conduzida de mais de 20 anos que beneficia somente dois herdeiros.

O déficit inicial projetado para 2017, considerando as receitas previstas e as despesas já comprometidas, foi de R$ 815 milhões. Busatto completou: “Com a reforma administrativa já posta em prática teremos uma redução de R$ 130 milhões nas despesas em relação ao previsto inicialmente e uma queda de receita de R$ 14 milhões, sobrando um déficit previsto de R$ 699 milhões.”

 

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