Programa LIDER começa a transformar regiões da Campanha, Fronteira Oeste e Sul Encontro na associação Rural de Bagé, reúne todas as lideranças envolvidas para apresentar os avanços obtidos desde 2015.

Programa LIDER começa a transformar regiões da Campanha, Fronteira Oeste e Sul

Após dois anos de mobilização e capacitações, o Programa LIDER – Liderança para o Desenvolvimento Regional – atinge etapa de maturidade em 2017. Por conta disso, o SEBRAE/RS reúne até esta terça-feira, em Bagé, as lideranças dos 43 municípios envolvidos no programa e que representam as regiões da Campanha, Fronteira Oeste e Sul do Estado. O LIDER, implementado em 2015, é uma ferramenta que estimula gestores a atuarem de forma conjunta e empreendedora, fomentando, assim, o desenvolvimento da região em que estão inseridos, engajando os setores público, privado e terceiro setor.

O Programa LIDER foi implementado pelo SEBRAE com o objetivo estimular o desenvolvimento das regiões Campanha, Fronteira Oeste e Sul – cuja economia representa 10,6% do PIB do Estado, 16% da população e 8,6% dos municípios – através de suas lideranças. A iniciativa teve início em abril de 2015 e, em cada uma das regiões, grupos compostos por representantes dos setores público e privado e terceiro setor foram estimulados a elencar as prioridades locais para, juntos, construírem um plano de desenvolvimento regional.  Toda esta caminhada foi orientada por metodologia desenvolvida pelo SEBRAE em oito encontros de desenvolvimento grupal e planejamento (interação, quebra de paradigmas, construção de visão de futuro). Em 2016, o trabalho teve continuidade em encontros bimestrais de acompanhamento e monitoramento de resultados. Em junho ocorreu o primeiro encontro reunindo as regiões Campanha e Fronteira Oeste para apresentação de seus planos estratégicos, promovendo um olhar mais territorial e não apenas regionalizado. Ainda no ano passado, o SEBRAE/RS promoveu o Congresso Inter-regional com as três regiões participantes do LIDER. Nesse momento iniciou-se a caminhada de uma importante parceria entre a Universidade Católica de Pelotas e a Università Cattolica Del Sacro Cuore, de Milão, com a finalidade de apoiar o planejamento de uma estratégia de desenvolvimento local para as regiões envolvidas, compartilhamento de conhecimento e transferência de informação, uma das primeiras conquistas do LIDER. Desta parceria surgiu o conceito de Governança (composição dos órgãos de decisão e representação) e do Observatório, além do projeto-piloto da cadeia produtiva do vinho.

O objetivo do encontro é apresentar os projetos-piloto elencados para o desenvolvimento das regiões participantes (cadeias produtivas do vinho e turismo), além da estrutura de governança que seguirá colocando em práticas as propostas até o momento construídas, além de planejar outras que possam contribuir para o desenvolvimento regional. Uma ferramenta que irá ajudar a equipe de governança na proposição de novos projetos é o Observatório para o Desenvolvimento Territorial apresentado pelo reitor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), José Carlos Bachettini. O observatório é um espaço online onde constam dados, documentos e estudos da região Sul, que se tornará público podendo receber informações das outras regiões através de universidades como Unipampa, Furg, IFSUL, UFPEL, Urcamp e Embrapas, parceiros do LIDER. “A ferramenta terá função norteadora, tanto para empreendedores quanto para formulação e aplicação de políticas públicas. Ademais, o acompanhamento das principais cadeias produtivas da região é, de igual modo, um importante fator, seja pela sua capacidade de antecipação de cenários e, portanto, oferecer subsídios para planejamento e adequações, ou de, a partir do conhecimento auferido, maximizar as oportunidades e resultados”, explica o reitor.

Segundo o diretor-superintendente do SEBRAE/RS, Derly Fialho, o Programa LIDER é uma iniciativa diferenciada, que mobiliza e engaja as principais lideranças regionais a proporem ações de transformação, desenvolvendo o território onde vivem e do qual fazem parte. “Realizamos um trabalho de mobilização, articulação e preparo técnico de mais de 100 lideranças que representam o poder público, o privado e o terceiro setor, e agora estamos apresentando os principais avanços obtidos durante esta caminhada de dois anos em busca da retomada da prosperidade destas regiões”, destaca Fialho. O dirigente acrescenta que, durante o encontro também será apresentado oficialmente o grupo que ficará a frente dos trabalhos, encaminhando ações já propostas e futuras. “Esta governança é formada por 12 pessoas representantes dos líderes das três regiões, dos Coredes, dos municípios, dos empresários e do SEBRAE/RS, na minha pessoa”, explica. Para apoiar este grupo entram em cena o comitê científico, formado pelas universidades da região, Embrapas e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia; e os mentores, selecionados por sua representatividade e capacidade de articulação regional. São eles: Darci Schneid – empresário, proprietário da Sirtec Sistemas Elétricos; Fernando Schüler – Cientista político, professor no Insper; Luiz Coronel – escritor e publicitário; Luiz Eduardo Batalha – empresário, produtor de azeite de oliva em Pinheiro Machado; Fábio Branco, ex-prefeito de Rio Grande e atual secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; e Sérgio Maia, presidente da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB/RS).

 

Principais avanços do Programa

  • Governança:

Estrutura de gestão composta por lideranças dos três grupos. Das 24 lideranças que compõem os comitês dos três grupos, 12 compõem a ‘cabine de direção’. São eles: Otomar Vivian (representante municipal), Walter Lidio (empresário), Derly Fialho (SEBRAE/RS), Lia Maria Quintana (Presidente Corede Campanha), Hildebrando Santos (presidente Corede Fronteira Oeste, Ronaldo Maciel (presidente Corede Sul), Neli Abascal (LIDER Campanha), Clori Peruzzo (LIDER Campanha), Luis Oscar Kessler (LIDER Fronteira Oeste), Marcio Amaral (LIDER Fronteira Oeste), José Luiz Kessler (LIDER Sul) e Fernando Estima (LIDER Sul).

 

  • Projeto-piloto da Cadeia Produtiva do Vinho:

Construído a partir de visitas técnicas à região da Lombardia na Itália para conhecimento do modelo de atuação da universidade italiana junto as empresas da região, em projetos de ciências agrárias, alimentares e ambientais; visitas técnicas a universidades e vinícolas da região Fronteira Oeste; seminários e oficinas de planejamento.

 

O projeto de desenvolvimento de cinco anos denominado “Vinho&Território da Campanha Gaúcha (2018-2022)” tem o objetivo de apoiar a cadeia produtiva vitivinícola e de desenvolver as atividades de entrada turística no território da Campanha a ela ligadas (eno-turismo). O projeto une, portanto, duas cadeias produtivas distintas: uma agroalimentar e outra de serviços.

No que diz respeito às atividades de desenvolvimento da produção vitivinícola, propõem-se seis ações:

  1. Construir um vinho com a identidade da Campanha Gaúcha.
  2. Promover a pesquisa e a inovação do produto.
  3. Construir redes nacionais e internacionais de apoio à produção.
  4. Investir na formação do capital humano (estudantes e empreendedores).
  5. Implementar a viticultura e a enologia de precisão.
  6. Promover um “Projeto Sustentabilidade” para os vinhedos e os vinhos da Campanha.

No que diz respeito às atividades de desenvolvimento do setor turístico-receptivo, são propostas quatro ações:

  1. Realizar uma análise dos fluxos turísticos atuais.
  1. Conduzir uma análise do potencial de mercado e da sua segmentação
  2. Construir verdadeiros produtos turísticos (para que se vendam pacotes turísticos, não o território).
  3. Construir redes locais em apoio às atividades turísticas.

 

Resultados esperados:

 

Até dezembro 2018:  

  1. Participar de eventos com bandeira comum valorizando o vinho tinto da Campanha Gaúcha
  2. Conhecer a tipicidade dos diferentes vinhos Cabernet Sauvignon da Campanha Gaúcha (micro vinificados)
  3. Degustações técnicas coletivas de propostas de vinhos de corte feitos nas vinícolas da Campanha Gaúcha (evento entre empresas)
  4. Levantamento das práticas já utilizadas nas empresas da Campanha Gaúcha (Unipampa)
  5. Definição dos indicadores para selo sustentabilidade e comitê gestor
  6. Definição da marca
  7. Denominação de origem
  8. Projeto de divulgação do ecoturismo nas escolas
  9. Redução de impostos fiscais e incentivo de envase na região

 

20171113_153008(1)Até dezembro 2022:

  1. Consolidar como produto de qualidade o Vinho Tinto da Campanha Gaúcha no Mercado Brasileiro
  2. Comparar com vinhos Cabernet de outras regiões do Brasil
  3. Elencar as cultivares com potencial para o vinho ícone da Campanha
  4. Recomendar as práticas mais adequadas para a sustentabilidade de um vinhedo
  5. Classificação dos serviços turísticos (hotéis, vinícolas, restaurantes –  Guia Michelin).
  6. Aumento do fluxo de ecoturistas
  7. Aumento de 20% no faturamento dos vinhos
  8. Desenvolver e qualificar produtos associados ao ecoturismo.

 

No dia 14 de novembro, o grupo de trabalho definirá responsabilidades, cronograma das atividades e orçamento dos recursos para os cinco anos de duração do projeto (2018-2022).

 

 

  • Pesquisa “Oportunidades para o desenvolvimento do turismo no Pampa Gaúcho”

Realizada pelo Instituto de Pesquisa de Mercado da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (IPM-Unisinos) a partir de uma demanda o Programa LIDER. Analisou o potencial turístico do Pampa Gaúcho e a percepção dos turistas sobre o Rio Grande do Sul e a região, que resultou na proposição de ideias e projetos conceituais de turismo.

 

Potencial turístico do Pampa Gaúcho

Pesquisa documental + observações in loco em 13 cidades para análise da oferta (de atrativos e infraestrutura); 102 entrevistas qualitativas nas cidades + 30 entrevistas com especialistas para análise dos discursos públicos e identificação das principais narrativas sobre a Região.

 

Percepção dos turistas sobre o Rio Grande do Sul e a região

Pesquisa bibliográfica + entrevistas qualitativas para elaboração dos questionários.

Aplicação de 1009 questionários, no RS, com pessoas com experiência e/ou interesse em viagens de curta duração.

Análises estatísticas apropriadas.

 

O que buscam os potenciais turistas em suas viagens de curta duração?

As pessoas buscam escapar (alívio das pressões cotidianas) e recompensas.

 

E como essas pessoas escolhem seus destinos?

Primeiro, as pessoas querem desfrutar a natureza, o clima e a cultura de um local diferente. Segundo, querem garantir que há infraestrutura para tanto. Terceiro, as pessoas buscam boas experiências gastronômicas

 

Qual a percepção sobre o turismo no Rio Grande do Sul?

A maioria entrevistada acredita que há muitos atrativos a serem explorados.

 

O que essas pessoas pensam do Pampa Gaúcho?

Há uma clara indiferença nas respostas, explicada pelo pouco conhecimento das pessoas em relação ao turismo na Região. A resposta com maior concordância (“a região deveria ser mais conhecida”) e com maior discordância (“conheço bem as opções de turismo de lá”) evidenciam ainda mais esse desconhecimento.

 

O que, idealmente, as pessoas buscariam em uma viagem ao Pampa?

Ter várias opções de atrativos culturais: 48,6%

 

E por que as pessoas não vão mais vezes à Região do Pampa?

Faltam informações: as pessoas não sabem o que há para fazer nessa região: 84,2%

Principais conclusões:

 

– O Pampa Gaúcho apresenta elementos estéticos bastante particulares e uma história cultural forte e ainda viva. Isso se reflete no jeito de ser do seu povo e está presente em um conjunto de potenciais atrativos fortemente associados à cultura, à história, à natureza e à economia da região.

 

– As dimensões identificadas como potencialidades não são novas, mas a maneira como se expressam e se tangibilizam no Pampa Gaúcho oferece uma ideia de unicidade e legitimidade – e por isso representam evidentes oportunidades (e norteadores) para o desenvolvimento do turismo.

 

– A análise do mercado também aponta algumas oportunidades: as pessoas querem conhecer mais a Região. E as características de belas paisagens, atmosfera relaxante e pessoas agradáveis são justamente os três atributos mais importantes na escolha dos destinos turísticos.

 

– Além disso, há interesse por mais atividades culturais, contato com a natureza, hotéis fazenda e experiências típicas e gastronômicas – expectativas que podem ser atendidas.

 

No entanto, há pelo menos cinco grandes obstáculos. O primeiro diz respeito à acessibilidade: as distâncias são muito longas. O segundo grande obstáculo diz respeito à necessidade de ampliação da estrutura ao turista. O terceiro é a necessidade do fortalecimento do ecossistema de turismo, uma lógica que reúna diferentes atores. O quarto obstáculo é a ausência da disseminação de uma construção discursiva do que a região tem de bom. Por exemplo, a própria formação da identidade do Gaúcho do Pampa, que decorre das culturas indígena, jesuítica e guerreira, e que resulta naquilo que se é hoje – algo que está vivo e é único. Por fim, o quinto obstáculo: as pessoas não conhecem a Região, não encontram informações e não sabem o que poderiam fazer lá.

 

A valorização das oportunidades e a superação dos obstáculos passa pela necessidade de ações em diferentes níveis e prazos, pela articulação de diversos atores, e pela respectiva integração de tais atores e ações a partir de um grande projeto.

 

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