Queermuseu: Curador da Exposição e MBL debatem sobre exposição no Esfera Pública/Rádio Guaíba. Confira o programa na íntegra Temas como a Lei Rouanet e a suspeita de pedofilia e zoofilia nas obras expostas foram debatidos durante mais de uma hora e meia. Foto: Reprodução Facebook

Queermuseu: Curador da Exposição e MBL debatem sobre exposição no Esfera Pública/Rádio Guaíba. Confira o programa na íntegra

 

O programa Esfera Pública recebeu, nesta terça-feira, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), o curador da exposição Queermuseu, o filho da artista Lygia Clark, que expunha na mostra, e o secretário municipal da Cultura de Porto Alegre para debater o fechamento antecipado do evento pelo Santander Cultural. Os debatedores trataram do tema por cerca de uma hora e 45 minutos, abordando temas como a Lei Rouanet e a suspeita de pedofilia e zoofilia nas obras, que ficaram 26 dias expostas ao público.

Durante o programa, o curador da Queermuseu, Gaudêncio Fidélis, relatou que a “exposição foi cancelada por toda uma cruzada moralista”. Ele ainda denunciou que “o MBL e seus seguidores invadiram a exposição”, com o objetivo de “dizer o que nós podemos e não podemos ver”. Sobre as denúncias de que a mostra fazia suposta apologia à pedofilia e à zoofilia, Fidélis explicou a origem das obras e o porquê de estarem lá, ressaltando que não há caráter de incentivo a ação nenhuma. O curador ainda acusou que o MBL “captou imagens dentro da exposição e editou uma visão deturpada e falsa da exposição”.

Já Paula Cassol, coordenadora estadual do MBL, afirmou que não compareceu à exposição pessoalmente, mas que “viu os vídeos e recebeu inúmeras críticas da sociedade civil organizada”, de pessoas que se disseram “chocadas” com as obras da Queermuseu. Ela explicou que, pelo fato de já ter como pauta o financiamento público pela Lei Rouanet, o MBL tomou parte no boicote à exposição, financiada com verba federal. Paula disse que “a sociedade civil organizada está sendo censurada quando é obrigada a aceitar que o poder público pague por uma exposição que não foi consultada, e se enfurece com o conteúdo dessa exposição, principalmente por conteúdo de zoofilia e pedofilia.”

Já Arthur do Val, do canal Mamãe Falei, afirmou que concorda com o curador quando ele cita o “alto teor acadêmico” da mostra. “Talvez eu ainda não tenha entendido a genialidade de um homem fazendo sexo com cabritos ou crianças em roupas de transexuais”, provocou. Também parabenizou Fidélis por abrir o debate e acusou o curador de “taxar quem discorda de censura, quando não sabe a diferença entre censura e boicote.” Também afirmou que “não era membro do MBL coisa nenhuma” o suposto autor de uma invasão e ameaça à exposição. Sobre o teor das obras polêmicas, Arthur disse que era ateu e que não se sentiu ofendido, e alegou que existe uma “implantação de ideologia de gênero, em que os pagadores de impostos são obrigados a colocar o seu dinheiro em exposições” que não conseguem se sustentar com verba própria.

Por sua vez, o secretário municipal de cultura, Luciano Alabarse, afirmou que é “tão a favor da liberdade” que respeita “todas as opiniões.” Afirmou que é de uma geração que lutou ferrenhamente contra a censura, e que “se há excessos, se há exceções, há também possibilidade de ajustes”, se referindo à mostra e às obras contestadas pelo MBL. Sobre o incômodo que a arte pode causar, exemplificou o caso com uma visita a um museu de Berlin: “puxa, que bom que a arte ainda me incomoda. Se eu não suportar, o que eu vou fazer? Vou jogar uma bomba? Não, vou sair!” O secretário finalizou dizendo que nunca gosta que outros pensem por ele. “É algo que eu não gostava lá atrás, não gosto hoje, e que provavelmente vou seguir não gostando depois de morto, que me tirem o direto de pensar por mim.”

Álvaro Clark, filho de Lygia Clark, lembrou a carreira da mãe e citou os preconceitos que ela sofreu ainda nos anos 60, incluindo uma denúncia por bruxaria. Sobre as obras, ressaltou que “o filho vê se você deixa”, colocando em pauta a questão da responsabilidade dos adultos sobre aquilo que as crianças veem ou assistem. Clark finalizou explicando uma das obras da mãe expostas na Queermuseu, detalhando o processo de elaboração e negando que tenha servido para crianças tocarem os corpos umas das outras, como denunciaram os críticos da mostra. (Rádio Guaíba)

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