RS: Depressão de final de ano ou Melancolia? Como lidar com a questão

RS: Depressão de final de ano ou Melancolia? Como lidar com a questão

É comum com a proximidade do final de ano as pessoas dizerem que ficam deprimidas e que se pudessem pulariam esta fase.  Será que é depressão ou melancolia? Conforme a psicóloga Anissis Moura Ramos, para ser depressão é preciso ter um conjunto de cinco sintomas característicos da doença por um período de mais de duas semanas. Ela destaca que pessoas que apresentam transtorno depressivo nessa época provavelmente tem histórico ou já estão  acometidas pela doença que só se potencializa.

Nem todo mundo tem a oportunidade ou gosta de celebrar o Natal com a família reunida, em volta da mesa farta e com crianças correndo pela casa. Mas com as redes sociais, e demais mídias tratando do assunto  é impossível  não se envolver com a data. Para piorar, a verdadeira maratona atrás de presentes, preparativos e as inúmeras confraternizações – muitas delas reunindo pessoas com as quais não temos um vínculo real — aumenta o nível de estresse no período, em até 75%, segundo dados da International Stress Management Association (ISMA Brasil. Outro fator que pesa, e que pode agravar a insatisfação e a frustração, é a preocupação com a vida financeira, já que é comum gastar sem planejamento nos últimos meses do ano.

Na realidade,  as pessoas ficam melancólicas pois está se encerrando um ciclo e isso além de gerar tristeza, também gera ansiedade porque elas não sabem o que as espera no próximo ano. “São sentimentos normais quando algo se conclui e nos deparamos com algo desconhecido. A melancolia do final de ano, porém,  não deve ser negada, escondida. Ela deve ser vivida, encarada como uma oportunidade de refletir, de rever o que precisa ser feito diferente no próximo ano, o que deve ser mantido, criar novos projetos. É hora de fazer o balanço do ano e nem sempre o resultado é positivo. É importante a pessoa se permitir viver a tristeza que se apresenta nesse momento e ter claro que não tem nada de patologia. A tristeza não é depressão, e sim um dos vários sintomas da doença.”

As comemorações de final de ano  trazem lembranças que nem sempre são as  melhores. Conforme Anissis, o importante, porém, é se permitir vivenciar os sentimentos aflorados nessa época com serenidade. Pode até  ficar mais reservado, analisando e entendendo o que está  sentindo. Não deve, porém,  ficar se prendendo ao passado, lamentando as pessoas queridas que não estão mais no nosso convívio. É Importante valorizar o amor e o carinho daqueles que estão na nossa volta, e pensar que temos a oportunidade de realizar nossos projetos e valorizarmos o que temos no momento. Não importa que não está comemorando o Natal e o Reveillon com a família. Anissis  alerta que é preciso valorizar as pessoas que estão passando com você, e ser  feliz com elas. “Você não precisa passar mais tempo do que o necessário com familiares ou amigos com os quais não têm quase nada em comum. Dê prioridade, na sua agenda, às pessoas que realmente fazem com que você se sinta melhor, aquelas que você pode deixar de ver por meses e que, quando encontra, sempre pode tratar com intimidade, sem a preocupação de ter que agradar.”

Anissis observa que as pessoas devem aproveitar  as festas de final do ano para cuidar de si,  se mimar, ser gentil consigo e fazer as coisas que lhe dão prazer e  lhe fazem felizes. “Não  permita que os compromissos dessa época afastem você dos cuidados consigo mesmo. Procure dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios, relaxar, ouvir boa música e se dedicar aos seus hobbies. Não se pode dar espaço para culpa e sim pensar que se fez o melhor. É preciso avaliar não apenas os resultados, mas   todo o esforço que foi feito. Em vez de ficar se culpando pelo que não aconteceu pense no que pode fazer diferente para bater suas metas no ano que vem. E agradeça pelo que avançou neste ano, mesmo que ele tenha deixado muito a desejar.”

Se a tristeza, porém, se prolongar por meses, tornando-se um estado permanente, o melhor a fazer é procurar apoio profissional, de um médico ou psicoterapeuta. Quando a melancolia leva ao isolamento total e rouba a vontade de viver e de desempenhar até mesmo as atividades que antes pareciam prazerosas, é preciso investigar. O agravamento desse quadro pode levar a doenças mais sérias, como a síndrome do pânico, os transtornos de ansiedade e até mesmo a depressão.

Anissis Moura Ramos  é  especialista em Psicologia Clínica,  mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do RS,  psicóloga Clínica com experiência na identificação de doenças e sintomas.  Atua em consultório privado como psicóloga clínica e é psicóloga Perita credenciada pelo TJRS e professora dos Cursos de Perícia Psicológica em Vara de Família; Alienação Parental e Falsas Memórias .

Contatos : 51- 999877258

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