Seminário de Prevenção e Enfrentamento ao Suicídio reúne 500 pessoas em Porto Alegre Realizado no Auditório do Ministério Público, evento tratou do tema especialistas em áreas como a educação, saúde, assistência social e legislação. Foto: MP/RS

Seminário de Prevenção e Enfrentamento ao Suicídio reúne 500 pessoas em Porto Alegre

Cerca de 500 pessoas lotaram o auditório do Ministério Público, nesta segunda-feira (8), para debater políticas e ações de enfrentamento ao suicídio na infância e adolescência. Promovido pela Câmara dos Deputados, por meio do gabinete da deputada federal Liziane Bayer (PSB-RS), com apoio da Frente Parlamentar de Combate ao Suicídio da Assembleia Legislativa, que tem a frente a deputada estadual Franciane Bayer (PSB), o Seminário Precisamos Falar, Precisamos Agir, reuniu especialistas em áreas como a educação, saúde, assistência social e legislação.

Nos últimos 10 anos, o suicídio entre crianças de 10 a 14 anos aumentou 40%. Já entre jovens de 15 a 19 anos, subiu 33,5%. A cada 46 minutos, um brasileiro tira a própria vida. O Número de óbitos desta natureza, segunda a Organização Mundial da Saúde (OMS) é quase o dobro do que aqueles causados por homicídios: 800 mil por ano, contra 470 mil, respectivamente.

Idealizadora do evento, a deputada Liziane Bayer destacou estes dados e a presença cada vez maior de casos no cotidiano das pessoas. “O suicídio não é algo distante como muitos imaginam. Precisamos de ações efetivas para tratar este problema de saúde pública, detectando o que está disparando o gatilho”, disse ao ressaltar que também é preciso pensar nas famílias envolvidas.

Na avaliação da deputada Franciane Bayer, que trata do tema no âmbito estadual, fugir do assunto não é a solução. “Tínhamos a ideia de que abordar o suicídio poderia estimular outras pessoas a atentarem contra a própria vida, mas o que se percebe é que tal atitude não tem reduzido os números. Temos que ter cautela e cuidado ao abordar o tabu, mas precisamos encará-lo de frente”. Franciane também ressaltou a necessidade de criar políticas públicas e de fortalecimento da assistência para quem tenta o suicídio e para as famílias.

Marcelo Dorneles, subprocurador-geral de Justiça, destacou a participação do Ministério Público no debate e nas ações de prevenção. “As famílias precisam entender para perceber o que acontece com seus entes, pois o suicídio pode vir de vários caminhos. O mais importante é despertar para compreender”.

Frentes de combate

A representante do comitê de Prevenção ao Suicídio do Ministério da Saúde, Milene Rezende, apresentou os três eixos de atuação da entidade: vigilância e qualificação da informação, prevenção do suicídio e da saúde e gestão e cuidado. “O Ministério repassou R$ 1,4 milhão para seis estados trabalharem a prevenção, entre eles o Rio Grande do Sul, que juntamente com o sudeste tem os maiores índices”.

Claudia Cruz, da Escola de Saúde Pública, destacou o trabalho realizado através da autópsia psicossocial. “Buscamos traçar o histórico de quem perdeu a vida e projetamos um estudo aprofundado como forma de entender as causas”.

A influência das redes sociais também foi debatida e será aprofundada em audiência pública da Subcomissão Especial de Adoção, Pedofilia e Família da Câmara Federal. Os resultados dos debates do seminário serão sistematizados em relatório, que servirá como diretriz para formulação de políticas públicas e para sensibilização da sociedade sobre o tema.

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